segunda-feira, 10 de outubro de 2016

A EXCELÊNCIA EDUCACIONAL, A REVERÊNCIA À LUZ CRIADORA E A FORÇA DO AMOR PARA O BEM COMUM

“A elevação do ser por meio da 
gratidão e da reverência ao divino
        Sabemos que diante da magnitude Divina, o homem deveria render-se a ela em gratidão e entrega. Muito lhe seria dado se assim procedesse, reconhecendo sua verdadeira condição, e reverenciando os estados de consciência mais elevados. O magnífico impulso que conduz a manifestação da vida é dotado, em sua grandeza, de tal capacidade de absorção que, nele, os seres doados dissolvem-se e elevam-se, conduzidos por uma energia que eles nem mesmo sabem de onde proveio. Apenas se calam e, a essas sublimes mãos, entregam-se por inteiro.
         A reverência é a vitória de uma batalha sem luta, batalha em que antes mesmo do ataque, o inimigo se rende. A reverência está na planta que se curva ao vento, na luz das estrelas que se apaga ante o brilho do sol, na terra que se transforma em leito para acolher o rio, e no rio que se molda ao caminho que o solo lhe oferece. Está no nascimento que traz nova oportunidade e na morte que prenuncia um nascer mais profundo. Está no silêncio dos que puderam chegar a Deus, fonte de todo o conhecimento.
         A vida, como sabemos, não é acidental. Ela surge da reverência de todo o cosmos ante a Luz Criadora, que é Deus. Para que a compreensão de verdades sutis possa chegar até nós, a mente deve estar tranquila, pois há simplicidade a verdade se aproxima. Na simplicidade, conheceremos a essência de todas as coisas; no rebuscamento perderemos todas elas. A verdade não se encontra, a verdade É.
         A gratidão é o farol que faz divisarem-se os diferentes rumos, mesmo nos momentos de crise. Todavia, a luz visível não atravessa paredes e, sem aberturas, ela não se faz perceber. Portanto, é preciso gratidão e abertura, pois o conhecimento interno não é escrito sobre rabiscos de antigos conceitos, mas sobre folhas em branco, nunca antes manipuladas. Desse modo, o ser oferece-se ao interno.
         Sem gratidão, o homem sequer enxerga as dádivas que a vida lhe traz; não compreende a mensagem que os raios de sol buscam transmitir-lhe quando douram o horizonte, tampouco entende o canto dos pássaros, chamando-o a compartilhar da alegria que o universo concede a todos os seres. Sente o perfume de uma flor, mas não penetra na essência do aroma oriundo dos jardins de mundos internos.
         Sem gratidão, mesmo que ele viva internamente em um reino superior, vê apenas elementos materiais à sua volta. Estando imerso na plenitude da existência, limita-se à temporalidade. Porém, como mostrar cores àquele que não as pode ver? O milagre da vida interior é estar presente mesmo enquanto o mundo externo afoga-se em turbilhões de conflitos. Ela prevalece e reafirma-se como infinita e inextinguível e, sem a sua chispa a acalentar a matéria, nada existiria. Ainda que imperceptível, flameja no âmago de todas as coisas.
         A ação desarmônica dos homens não faz essa vida interior; nuvens escuras não podem ocultá-la, nem a contínua rejeição de sua presença pode fazê-la desistir de doar-se, pois é a única verdade, o único porquê, o único sentido. É poder quando os homens fraquejam, é suavidade, quando lhes falta doçura; é sabedoria, quando ignoram como conduzir-se; é amor, quando tendem a ceder à ira; é luz, quando se encontram nas trevas. Nela estão todas as qualidades e tesouros, nela tudo se inicia e a ela tudo se destina.”.

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 14 de agosto de 2016, caderno OPINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Excelência Educacional vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 7 de outubro de 2016, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Cumprir bem o dever
        A sociedade sofre graves consequências quando o parâmetro da mediocridade preside o desempenho de tarefas, missões, exercícios profissionais e deveres cidadãos. Os prejuízos são incalculáveis nos âmbitos da economia e da cidadania, com impactos negativos que atravessam terrivelmente o desenvolvimento integral e retardam os avanços necessários para que a sociedade possa trilhar novos caminhos. Cumprir bem o nosso papel é uma tarefa desafiadora, que exige pré-requisitos adquiridos na esfera pessoal: talentos, qualidades e capacidade técnica, além dos princípios éticos e morais que alimentam o altruísmo e proporcionam a lucidez para solucionar problemas, vencer desafios. Esses requisitos possibilitam o uso racional do tempo e de outros recursos, permitem reconhecer a prioridade do bem comum e do crescimento igualitário de todos os cidadãos.
         A corrosiva mediocridade que emoldura o exercício de papéis, inclusive o cumprimento de tarefas e responsabilidades profissionais, é entrave para o avanço social. Com frequência, percorre-se longo caminho em busca de soluções e de respostas, investe-se dinheiro, tempo e outros recursos de maneira pouco exitosa. Insucesso que advém, exatamente, da falta de clareza e de competência analítica no cumprimento do papel de gestor público, privado ou comunitário. Constata-se que certas pessoas têm facilidade apenas para construir discursos, muitas vezes para simplesmente embolar relações, produzir sombras que inviabilizam diálogos. Desconsideram, assim, que as relações têm, em si, a prerrogativa de clarear rumos e definir acertadamente as direções.
         A competência analítica não é característica necessária apenas aos consultores, analistas e acadêmicos. Deve ser partilhada por todos e se consolidar como valor cultural. Um valor que permeia o conjunto dos hábitos e das atitudes, possibilitando a constituição de cidadãos habilitados para analisar situações, propostas e projetos; pessoas qualificadas para discernir bem e ser capazes de decidir adequadamente.
         Oportuno é lembrar que as escolhas, individuais e institucionais, são determinantes na definição de rumos de uma sociedade. E, lamentavelmente, é comum ver problemas que se arrastam, geram atrasos e desgastes pessoais, em razão da falta de competência analítica nos processos de leitura e interpretação da realidade. Quando não se dá conta nem da própria tarefa, cumprindo-a de maneira medíocre, as perdas não ocorrem somente no âmbito individual, pois toda a sociedade partilha os prejuízos. Por isso, é importante cumprir o próprio papel a partir de motivações que ultrapassam a simples remuneração financeira.
         Afinal, os corações estão eivados por medidas e vetores sustentados por uma desenfreada busca pela acumulação de riquezas e, por isso, as pessoas nunca estão satisfeitas com o dinheiro que recebem. Para corrigir esse descompasso, vale se colocar no lugar dos mais pobres e dos que vivem na penúria. Certamente, é um remédio para debelar tudo o que atrapalha o princípio da solidariedade, fundamental nas relações sociais e políticas.
         Há uma avalanche de dados e situações que precisam ser mais considerados no tecido social e político de uma sociedade para superar a cultura da mediocridade, o gosto patológico pela burocracia desnecessária, o entendimento infeliz de que o importante é apenas o próprio bem, ou de um pequeno grupo. O bem só para alguns é similar a uma ilha em constante ameaça, cercada por territórios marcados pela violência, desmandos, incivilidades e pela ruína de patrimônios. Por isso, cada pessoa é convidada a se compreender como parte de uma realidade mais ampla, a sociedade é fruto da articulação de suas partes. E o não cumprimento adequado do próprio papel é fonte de prejuízos incalculáveis para todos, que afetam a qualidade de vida, a economia, a saúde e a segurança pública, os mais diversos setores.
         Superar o grave problema cognitivo e ético que impede cada pessoa de se perceber como parte de um conjunto maior, considerando que a sociedade é a união de suas partes, é um urgente desafio. Todas as pessoas, no exercício competente, inteligente e esforçado de seu papel têm decisiva importância na articulação dos elementos que integram o tecido social. Cada indivíduo deve ser elo indispensável e determinante que assegura as condições saudáveis para o bem viver de todos, o desenvolvimento sustentável.
         Nesse sentido, são necessários investimentos em processos educativos que qualifiquem o exercício da cidadania. E isso não pode se restringir somente ao território da educação formal, pois se relaciona a uma dinâmica formativa mais ampla: o cultivo, em todas as pessoas, da disposição para cumprir bem o próprio papel. Na lista grande de requisitos para a qualificação cidadã não pode faltar a humildade, a superação da ganância, a sensibilidade com a dor dos mais pobres. Para além dos discursos e promessas, o importante é fortalecer o amor à própria nação e lutar por uma cultura civilizada, que se oriente nos parâmetros do bem comum. Tudo muda e tudo avança quando se cumpre bem o próprio papel.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a excelência educacional – pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas, gerando o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a ainda estratosférica marca de 475,20% para um período de doze meses; e em setembro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 8,48% e a taxa de juros do cheque especial  registrou ainda em agosto históricos 321,08%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela excelência educacional, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos em inadiáveis e fundamentais empreendimentos de infraestrutura, além de projetos do Pré-Sal e de novas fontes energéticas, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...
Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...

- Estamos nos descobrindo através da Excelência Educacional ...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  
        


        


         

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A EXCELÊNCIA EDUCACIONAL, O VALOR DA BOA GOVERNANÇA CORPORATIVA E A SUSTENTABILIDADE NA REFORMA DO ENSINO MÉDIO

“Boas práticas de gestão, valor para todos
         As discussões relativas à governança corporativa no Brasil, tanto no âmbito da regulação e autorregulação quando no da adoção de práticas voluntárias pelas organizações, são entremeadas por reflexões sobre em que medida a governança gera valor, quais seus impactos e beneficiados direta ou indiretamente. Sob a perspectiva integrada, a qualidade das práticas de governança e a dimensão ética e estratégica são relacionadas ao valor da companhia e ao envolvimento das partes interessadas. Os controles exercidos por conselhos fiscais, comitês de auditorias ou agentes externos e a transparência das informações são também observados.
         Os impactos, resultados das boas práticas, recebem atenção dos conselhos de administração e da gestão, contemplando o plano de geração de valor, as políticas de transações com partes relacionadas e a gestão de pessoas. Os efeitos observados ultrapassam as barreiras dos órgãos de governança e se estendem ao Estado, às empresas de diferentes tipos de controle, como estatais e familiares, bem como a todo cidadão.
         Esses benefícios se refletem das mais diversas formas: os bancos se beneficiam da melhor segurança dos negócios e da qualidade da informação; os empregados ganham com a profissionalização das empresas e redução do patrimonialismo e personalismo; os clientes se beneficiam com a maior preocupação com a imagem e longevidade da empresa, refletida na qualidade de seus produtos; os fornecedores ganham com o fortalecimento da ética e da transparência nas relações comerciais; o governo e a sociedade saem favorecidos de um melhor ambiente empresarial.
         Nas empresas, verificamos uma melhora no relacionamento entre investidores e gestores, melhor acesso e redução no custo do capital, fortalecimento da gestão profissional e orientação de processos sucessórios, crescimento e internacionalização e o aumento na transparência e qualidade dos processos de prestação de contas. Boas práticas de governança corporativa estão associados à sobrevivência das empresas no longo prazo porque convergem princípios em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor da organização, facilitando seu acesso ao capital e contribuindo para sua longevidade.
         Ao mesmo tempo em que a governança efetiva reforça ações de prestação de contas e transparência, as fragilidades dessa mesma governança depõem contra a imagem da empresa no mercado, afetando seu valor e a capacidade de atrair novos investimentos. Como exemplo, pode-se citar o comportamento dos torcedores japoneses nos jogos da Copa do Mundo 2014, que demonstraram para os brasileiros e para o mundo uma atitude no mínimo curiosa. Ao finalizarem os jogos, esses torcedores juntavam e recolhiam seu lixo para descarte, deixando limpo o local que ocuparam. No Japão, “o lixo é um problema de cada cidadão e se desfazer dele adequadamente é lei. O certo, portanto, é levá-lo para casa e separá-lo para a coleta”.
         Na sociedade japonesa, as regras e práticas para o despejo do lixo já foram internalizadas na cultura e naturalizadas, com todos se acostumando a elas, que se tornam o “normal” ou “natural”. Da mesma forma, deve ocorrer com as boas práticas de governança. Seu uso e difusão se tornam naturalizados, e estranho é não seguir as boas práticas. O custo de não saber o que está acontecendo será sempre muito alto do que qualquer custo desembolsado com o objetivo de monitorar o desempenho da empresa.”.

(MARCELO LEAL. Advogado e consultor tributário, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 5 de outubro de 2016, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Excelência Educacional vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição, caderno e página, de autoria de SÉRGIO PORFÍRIO, especialista em educação e psicanálise da criança e do adolescente, e que merece igualmente integral transcrição:

“Educar a reforma, antes de tudo
        Do ponto de vista biológico, a célula e o corpo humano são os organismos, respectivamente, mais simples e completos que existem. Referindo-nos à complexidade de nosso corpo, podemos questionar: por que dependemos tanto uns dos outros, se a célula, com toda a sua simplicidade, sobrevive independente, autoalimentando-se, crescendo, reproduzindo-se e morrendo? Diferentemente de todos os outros seres vivos, temos a necessidade uns dos outros. Isso ocorre porque, ao desenvolver a fala, emitimos e recebemos mensagens repletas de símbolos e, com essa comunicação, criamos vínculos. Quando aprendemos a falar, entramos de vez no mundo da linguagem, nascemos subjetivamente.
         É como se nascêssemos duas vezes: uma, no parto biológico; a outra quando simbolizamos o mundo. Se a natureza explica o primeiro nascimento, é a relação que estabelecemos com o outro e com o mundo que explica o segundo – o subjetivo e político. A escola tem a função de formalizar o aprender, ocupando um lugar importante na constituição da nossa identidade, no exercício da convivência com o diferente e na manutenção do respeito às regras,
         Enquanto instituição social, a escola tenta cumprir o seu papel de ensinar reunindo em seu currículo conteúdos científicos de áreas diversas. Algumas, com filosofia diferenciada, ampliam a proposta pedagógica com conteúdo subjetivo, promovendo uma formação mais completa e humanizada. O que a escola deve ensinar? Essa indagação passou a ser pauta de debates no país, com o anúncio do governo de algumas mudanças no currículo do ensino médio. Nesses debates, há duas questões em evidência: a redução da diversificação e a flexibilização do currículo escolar.
         A diversificação curricular já proporcionou ganhos significativos aos alunos brasileiros! A inclusão de conteúdos como sociologia, música, história da arte e sexualidade, ocorrida nos últimos anos, mostra isso. Portanto, é imprescindível investir em diferentes dimensões do desenvolvimento humano, principalmente nos campos social, político, econômico e cultural. Retirar qualquer disciplina do currículo seria um passo na contramão. A flexibilização do currículo, por sua vez, realidade em escolas de muitos países desenvolvidos, tem como um dos objetivos dar ao estudante o direito de intervir na escolha do percurso curricular e em sua formação, caminho que precisamos trilhar, mas com cautela e com o acompanhamento de especialistas da educação.
         É fato que o currículo escolar no Brasil requer uma reavaliação. Sabemos que, hoje, o volume de conteúdo proposto é bastante extenso, principalmente nas séries finais da educação básica. Contudo, precisamos analisar o momento adequado para tal mudança e de que maneira deve ocorrer, de forma que sejam respeitadas as particularidades regionais do país e os setores da educação. Estariam as escolas e os educadores estruturados para a iniciar a transição? E os alunos, estão sendo preparados e terão a clareza e maturidade necessárias para optar por um ou outro agrupamento de disciplinas?
         Importante refletir que, ao contrário do que sinalizou o governo, diversificação e flexibilização de currículo devem andar na mesma direção. A importância de oferecer disciplinas de todas as áreas do conhecimento, principalmente aquelas que contribuem para a formação humana, precisa ser reforçada. Reduzir a oferta e permitir uma escolha precoce por parte dos estudantes, pelo menos no contexto atual, seria ignorar a subjetividade do ano e conduzi-lo apenas a uma escolha técnica.
         Precisa-se educar a reforma! Uma mudança na educação necessita visar e garantir a melhora da qualidade de vida do homem e do planeta. Se nascemos pela segunda vez, quando nos tornamos seres falantes e políticos, é por meio dos nossos sentimentos e afetos, da troca com o outro, da pluralidade de conhecimentos e da arte que nos mantemos vivos.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a excelência educacional – pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas, gerando o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a ainda estratosférica marca de 475,20% para um período de doze meses; e, ainda em agosto, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 8,97% e a taxa de juros do cheque especial  registrou históricos 321,08%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela excelência educacional, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos em inadiáveis e fundamentais empreendimentos de infraestrutura, além de projetos do Pré-Sal e de novas fontes energéticas, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...

- Estamos nos descobrindo através da Excelência Educacional ...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  
        


        


         

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A EXCELÊNCIA EDUCACIONAL, A FORMAÇÃO DE LÍDERES E OS DESAFIOS DO ENRIQUECIMENTO CULTURAL

“Um líder de sucesso
        Vários tipos de formação para o desenvolvimento de liderança estão ganhando espaço, somados a novos comportamentos e adequando-se à realidade de constantes mudanças de culturas e condutas das novas gerações. Porém, o que percebemos é que mesmo com todas as inovações nos programas, os ensinamentos e comportamentos básicos não estão sendo devidamente transmitidos.
         Acredito fortemente que o autoconhecimento promove metade do caminho a ser percorrido para uma carreira de liderança. E para esse processo realmente caminhar para o sucesso é preciso não apenas conhecer características como valores, crenças, limitações e talentos, mas também gerenciá-los e negociar, quando necessário.
         Se a questão do autoconhecimento representa uma boa parte do caminho para um líder, os demais encontram-se efetivamente em comportamentos comuns, respeitando o estilo de liderança natural de cada um. Selecionei cinco comportamentos básicos de um líder de sucesso, os quais pesquisei e acompanhei durante a minha trajetória.
         Cuide-se: se você não consegue equilibrar suas atividades de trabalho e vida pessoal, como será um exemplo a ser seguido? Todos nós temos desafios e o grande erro do líder é pensar que ele deve ser um super-herói, que jamais deve demonstrar suas fraquezas. Se você começar cuidando de sua mente e de seu corpo sentirá uma diferença significativa em sua rotina e disposição.
         Tenha foco: antes de se focar efetivamente em algo, é necessário estabelecer algumas etapas, definir objetivos claros e um plano de ação considerando as prioridades, riscos e prazos. Afinal, como ensina o princípio de Pareto, 80% dos nossos resultados são consequência de apenas 20% dos esforços empregados.
         Administre seu tempo: seja eficaz realizando as tarefas certas que irão levar você ao seu objetivo da forma mais eficiente possível, considerando menor uso de recursos e tempo.
         Comunique-se bem: em alguns casos, a informação precisa ser repetida de formas diferentes, não porque o outro não entendeu, mas por ser impossível assimilarmos 100% de toda a comunicação que recebemos.
         Ofereça e solicite feedback sempre: não somente o feedback corporativo, pois nos mostra onde corrigir o percurso, mas também os feedbacks de amigos e familiares, pessoas que convivem conosco fora do ambiente de trabalho e nos trazem verdadeiras descobertas e contribuições a respeito de nosso comportamento.
         Perceba que os comportamentos são interligados e complementam-se. Quanto mais equilíbrio na vida pessoal e profissional, mais próximo você fica de alcançar suas metas com equilíbrio. Se você já é um líder, experimente estes comportamentos e alavanque os seus resultados.”.

(PRISCILLA BELLETATE. Personal & profissional coach, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 14 de agosto de 2016, caderno OPINIÃO, página 9).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Excelência Educacional vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 26 de agosto de 2014, mesmo caderno, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Atravancos na cultura
        Parece unânime a convicção de que os Jogos Olímpicos, recentemente encerrados, deixaram legados importantes para o conjunto da sociedade. Avanços que contam até mais que a infraestrutura conquistada pelo alto investimento, pois esses benefícios são restritos a uma pequena parte da população. Quando se considera a realidade do Brasil, de maneira ampliada, os legados mais importantes se inscrevem nas lições que, de agora em diante, precisam ser aprendidas e praticadas para ancorar o conjunto desta sociedade numa envergadura à altura do que o povo precisa e merece. Das muitas experiências, conquistas e festas celebradas, vem a consciência de imperiosas necessidades: enfrentar as barreiras na cultura que impedem avanços em direções inventivas e audaciosas, eivadas de sentido do bem comum; derrubar bloqueios que enfraquecem o senso de pertencimento e dificultam a operacionalização de funcionamentos que conduzam, com velocidade maior, a sociedade brasileira rumo ao desenvolvimento integral.
         Essas exigências, de avanços e novas conquistas, perpassam as lições deixadas como legados pelos Jogos Olímpicos. Conta muito a responsabilidade que advém da expressiva visibilidade que o Brasil conquistou no cenário mundial. Os bilhões de espectadores e os milhares de visitantes que viram a face espetacular e admirável do nosso país enxergaram também nossas necessidades: novas respostas, caminhos diferentes, nos mais diversos âmbitos. Certamente, esses legados cobram as necessárias correções das muitas anomalias que incidem sobre o tecido cultural, responsáveis pela perpetuação de dinâmicas, modos e escolhas que atrasam progressos, alimentam privilégios, favorecem grupos com poder político e econômico e deseducam o povo, afastando-o de posturas cidadãs.
         De modo simples e abrangente, cultura refere-se à maneira particular como o povo constrói suas relações, elege seus parâmetros de vida e conforma sua visão de mundo. É pela cultura que se compreende a própria vida, se configura o conjunto de valores e a consciência político-antropológica que permitem a um povo reconhecer o que é, valorizando o que possui. Assim, a dimensão cultural é determinante para o desenvolvimento da sociedade. No que se refere ao contexto brasileiro, fundamental é reconhecer a experiência histórica de uma nação com dimensões continentais e, ao mesmo tempo, resgatar patrimônios próprios de regionalidades, que integram uma diversidade de riquezas. Trata-se de caminho para os avanços fundamentais. Nesse sentido, os entraves na cultura devem ser seriamente combatidos, reconhecendo que cada pessoa nasce e se desenvolve em determinado contexto cultural já estabelecido, mas pode contribuir para fazê-lo avançar rumo a novos patamares.
         Pode-se compor uma enorme lista de hábitos, modos de compreender, de reagir e de pensar a realidade que impedem novos passos na direção de conquistas fundamentais. São impeditivos de todo tipo, a exemplo da resistência às mudanças. “Por que mudar? Sempre foi assim!” Eis uma observação muito comum de se escutar, que frequentemente revela resistência a novos projetos e a audaciosas propostas por querer se manter na “zona de conforto”, muito comumente arquitetada pela mediocridade. Preocupante também é a autoestima em baixa de um povo ou de uma região que se autodesprestigia, com jargões que desvalorizam microrregiões. Uma postura prejudicial à constituição de um conjunto harmonioso e rico, formado justamente pela diversidade. Terríveis são as práticas na política que reduzem o exercício da representatividade – na governança ou na legislatura – aos projetos partidários e grupais, em detrimento do interesse por conquistas maiores, que verdadeiramente objetivam o bem do povo.
         Atravanco na cultura é vesguice de, fincado os pés na própria terra, só enxergar o que está distante e apenas valorizar outras realidades culturais. Trata-se de problema crônico a incapacidade para reconhecer o próprio patrimônio, seu potencial, e tratá-lo com a inventividade que permite conduzi-lo a patamares de importância e de atenção reconhecidos por todos, dos mais diversos lugares do mundo. Não menos grave é a preguiça, o comodismo e o incompreensível gosto pela mediocridade, características que levam à pouca valorização do próprio patrimônio histórico, cultural e religioso.
         Terrível é o transtorno de visão que parece reconhecer bom apenas o que está “do lado de fora” do próprio território, comprometendo a criatividade audaciosa para cultivar a riqueza do patrimônio legado pela história e pelas singularidades da própria natureza. Destrutiva é a cultura da inveja e da disputa, que cria o costume de não ter gosto por valorizar o que é do vizinho – passageiro do mesmo barco –, criando segregações. Consequentemente, perde-se a força própria da articulação, do corporativo. Reconhecer esses males e superá-los exige o combate a tudo o que constitui atravancos na cultura.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a excelência educacional – pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas, gerando o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a ainda estratosférica marca de 475,20% para um período de doze meses; e, em agosto, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 8,97% e a taxa de juros do cheque especial  registrou históricos 321,08%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela excelência educacional, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos em inadiáveis e fundamentais empreendimentos de infraestrutura, além de projetos do Pré-Sal e de novas fontes energéticas, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...

- Estamos nos descobrindo através da Excelência Educacional ...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  
        


        
        


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

A EXCELÊNCIA EDUCACIONAL, OS DESAFIOS DAS NOVAS TECNOLOGIAS E A AÇÃO REVOLUCIONÁRIA DA JUVENTUDE (0/170)

(Outubro 2016 = mês 0; faltam 170 meses para a Primavera Brasileira)

“Tecnologia e os sujeitos da educação
        A temática da revolução tecnológica, na qual nossas vidas estão inseridas, parece sempre estar em pauta e, ainda assim, é pertinente a discussão sobre suas repercussões inegáveis, já que novos padrões de comportamento foram estabelecidos em diversas dimensões da sociedade. Vale ressaltar a explicação de Zygmunt Bauman sobre o que ele denomina “sociedade líquido-moderna”, em sua obra Vida líquida. Para o sociólogo, “as condições de ação e as estratégias de reação envelhecem rapidamente e se tornam obsoletas antes de os atores terem uma chance de aprendê-las efetivamente”. Como reflexo ou causa desse contexto social apresentado por Bauman, a linguagem tecnológica que permeia nosso cotidiano está intimamente ligada às novas formas de leitura do mundo, ecoando, necessariamente, no processo educativo das crianças e adolescentes, imersos – desde que nasceram – em um cenário que se reinventa na mesma velocidade das mensagens trocadas por eles via WhatsApp.
         Então, àqueles que, por ventura, ainda insistem em condenar – ou mesmo relativizar – a centralidade do papel das novas tecnologias no cotidiano dos jovens, é importante que revisem esse conceito e compreendam o contexto de seus interlocutores. A discussão, hoje, deve ocorrer no sentido de elucidar o modo como as novas ferramentas disponíveis podem auxiliar no desenvolvimento e na aprendizagem desses sujeitos, sobretudo no espaço escolar.
         Um ponto de partida possível para que educadores e pais compreendam as implicações pedagógicas e psicológicas que esse cenário impõe aos estudantes é o entendimento do que significa estar conectado, literalmente, o tempo todo. Mais do que a possibilidade de conversar com os amigos a qualquer momento do dia, essa nova linguagem permite que as pessoa sejam capazes de conhecer e participar da vida de seu grupo social em tempo real, fato que, para uma criança ou um adolescente, confere um permanente sentido de novidade e de pertença.
         E não é de se estranhar que esses sujeitos esperem que, nos demais espaços por onde transitam – incluindo a escola –, o padrão de recorrente se repita. Logo, aqueles que assumem compromisso com o processo de aprendizagem como parte integrante da vida e da identidade dos estudantes. Sem dúvida, é grande o desafio de sustentar o interesse dos jovens nos conteúdos curriculares formais que nem sempre dialogam com essa nova linguagem usada para codificar o mundo. Porém, em tempos líquidos, querer trabalhar com educação, considerando apenas as formas de ensino solidificadas no passado, é desperdiçar o potencial fluido do conhecimento.
         Assim, para que os objetivos da tarefa educativa sejam alcançados, o primeiro passo está na necessária aceitação e reconhecimento do perfil dos estudantes desse tempo. Depois, é fundamental o entendimento de que o papel do professor como orientador e mediador da aprendizagem não pode ser substituído por nenhum recurso tecnológico existente, em especial nas escolas que professam a formação integral dos sujeitos. E isso envolve o desenvolvimento da capacidade de se relacionar com os demais, de se interessar pelo outro e pelo espaço comum. Sem filtro.”.

(FERNANDO MELO. Diretor do Colégio Franciscano Sagrada Família, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 18 de setembro de 2016, caderno OPINIÃO, página &).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Excelência Educacional vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 26 de setembro de 2016, mesmo caderno e página, de autoria de CARLOS ALBERTO DI FRANCO, jornalista, e que merece igualmente integral transcrição:

“Juventude – ativo revolucionário
        Jornais, frequentemente dominados pelo noticiário enfadonho do país oficial e pautados pela síndrome do negativismo, não têm “olhos de ver”. Fatos que mereceriam manchetes sucumbem à força do declaratório. Reportagens brilhantes, iluminadoras de iniciativas que constroem o Brasil real, morrem na burocracia de um jornalismo que se distancia da vida e, consequentemente, dos seus leitores. O recurso ao negativismo sistemático esconde uma tentativa de ocultar algo que nos incomoda: nossa enorme incapacidade de flagrar a grandeza do cotidiano.
         A informação sobre a juventude, por exemplo, prioriza um recorte da realidade, mas, frequentemente, sonega o outro lado: o luminoso e construtivo. O crescimento dos casos de aids, o aumento da violência e a escalada das drogas castigam a juventude. A crise econômica, dramática e visível a olho nu, exacerba o clima de desesperança. Para muitos jovens, os anos da adolescência serão os mais perigosos da vida.
         Mas olhemos, caro leitor, o outro lado da realidade. Verdadeiro e factual, embora menos noticiado por uma mídia obcecada pela síndrome da informação sombria. A juventude, ao contrário do que fica pairando em algumas reportagens, não está tão à deriva assim.
         Há em andamento profundas e positivas mudanças comportamentais. O relacionamento descartável vai sendo substituído pelo sentido do compromisso. A juventude atual, não a desenhada por certa indústria cultural que vive isolada numa bolha ideológica e de costas para a realidade, manifesta uma procura de firmeza moral, de valores familiares, éticos e até mesmo religiosos. Deus, família, fidelidade, trabalho, realidades tidas como anacrônicas na últimas décadas, são valores em alta. Não é uma opinião. É um fato.
         A família, não obstante sua crise evidente, é uma forte aspiração dos jovens. Ao contrário do que se pensa em certos ambientes politicamente corretos, os adolescentes atribuem importância decisiva ao ambiente familiar. Mesmo os jovens que convivem com a violência doméstica consideram importante a base familiar. A relação no lar é fundamental, ainda que haja conflito. Parece paradoxal, mas é assim. Eles acham melhor ter uma família danificada do que não ter ninguém. Em casa deixaram de rotular os pais de “caretas” para buscarem neles a figura do companheiro. Os jovens, em numerosas pesquisas, apontam a família tradicional como a instituição de maior ascendência em suas decisões.
         Alguns, no entanto, defendem um modelo de família que não bate com esse anseio dos jovens. Respeito a divergência e convivo com o contraditório. Sem problema. Mas não duvido que é na família, na família tradicional, mais do que em qualquer outro quadro de convivência, o lugar onde podem ser cultivados os valores, as virtudes e as competências que constituem o melhor fundamento da educação para a cidadania. E os jovens sabem disso.
         No campo da afetividade, antes marcado pelo relacionamento descartável e pela falta de vínculos, vai-se impondo a cultura da fidelidade. O tema sexualidade, puritanamente evitado pela geração que se formou na caricata moral dos tabus e das proibições, acabou explodindo, sem limites, na síndrome do relacionamento promíscuo e transitório. Agora, o rio está voltando ao seu leito. O frequente uso de alianças na mão direita, manifestação visível de compromisso afetivo, não é só modismo. Revela algo mais profundo. Os jovens estão apostando em relações duradouras.
         Assiste-se, na universalidade e no ambiente de trabalho, ao ocaso das ideologias e ao surgimento de um forte profissionalismo. A contrário das utopias do passado, os jovens acreditam na excelência e no mérito como forma de se fazer a verdadeira revolução. Eles defendem o pluralismo e o debate das ideias. O pensamento divergente é saudável. As pessoas querem um discurso diverso, não um local onde se pregue apenas uma corrente de pensamento.
         O mundo está mudando. Quem não perceber, na mídia e fora dela, essa virada comportamental perderá conexão com um importante segmento do mercado de consumo editorial.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a excelência educacional – pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas, gerando o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a ainda estratosférica marca de 475,20% para um período de doze meses; e, em agosto, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 8,97% e a taxa de juros do cheque especial  registrou históricos 321,08%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela excelência educacional, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos em inadiáveis e fundamentais empreendimentos de infraestrutura, além de projetos do Pré-Sal e de novas fontes energéticas, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...

- Estamos nos descobrindo através da Excelência Educacional ...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...