“A governança para 2030
O
mundo precisa de líderes aptos a atender à demanda de projetos para o
desenvolvimento sustentável, com investimentos previstos anualmente de US$ 100
bilhões. Ambicioso, vital, definitivo e universal. Assim é tratado o Acordo de
Paris, nascido do desafio das Nações Unidas em sua 21ª Conferência das Partes
(COP 21) sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e a 11ª Reunião das Partes no
Protocolo de Quito (MOP-11), em dezembro de 2015, para manter o aquecimento
global muito abaixo de 2 graus centígrados.
O cardo, que
foi ratificado por 195 países, amplia os esforços para a mobilização de apoio
financeiro, tecnológico e de capacitação para que países em desenvolvimento
evitem e mitiguem os danos decorrentes das mudanças no clima. Para tanto, US$
100 bilhões anuais serão investidos nessa missão. Para a ONU, esse é “um
caminho sem volta” e oferece uma visão de futuro para o mercado, sinalizando
que é o tempo de se investir na economia de baixo carbono.
O
acordo, que entra em vigor a partir de 2020, traz à tona a necessidade real de
enfrentar os impactos negativos causados pelo aumento do nível do mar, que
coloca em risco as populações de países costeiros de baixa altitude, a
acidificação dos oceanos, a escassez da água doce, a parda biodiversidade. E há
muitos que defendem a sua implementação imediata.
O
documento integra uma composição de governança para a sustentabilidade, pautada
na chamada “Agenda 2030”. A UNFCCC está integrada e auxilia na concretização
dos objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) fixados em 2015 pela ONU,
indicando ações a serem implementadas até 2030. Os ODS são pautados no legado
dos Objetivos do Milênio (ODM – 2000/2015) e no prolongamento dos mesmos e
buscam equilibrar três vetores: econômico, social e ambiental.
O
diálogo realizado em torno desse ‘caminho sem volta’ aponta na direção da
governança pautada na sustentabilidade. A Agenda 2030 traz um framework global, sofisticando as ações
decisivas para a futuro da humanidade e buscando um perfil de boa governança,
atenta aos padrões de produção e consumo, e do uso responsável dos recursos
naturais. Sendo assim, a governança de uma empresa não pode se distanciar do
posicionamento de uma agenda mais ampla. Para além dos lucros, a Agenda 2030
traz a evolução das responsabilidades do mundo dos negócios para a
sobrevivência do planeta, para a sua conduta ética, social, ambiental e
financeira, aplicada ao desenvolvimento sustentável.
Ao
alinhar sua governança às diretrizes da Agenda 2030, as empresas exercem o
crescimento econômico indutivo, sustentável, com padrões de produção e consumo
aliados ao uso responsável dos recursos naturais do planeta.
As
empresas poderão apoiar tais diretrizes e se antecipar aos desafios
socioambientais que o planeta apresenta, preparando-se para mitigar os riscos,
inovar nas suas ações e perenizar no mundo dos negócios. Uma das preocupações
relevantes em relação à temática é a necessidade de se refletir a respeito da
capacidade de os agentes envolvidos na governança de auxiliarem suas empresas
na direção do desenvolvimento sustentável. Tal discussão favorece o olhar
atento para a formação do perfil do profissional e líder, que poderá atender as
orientações aplicadas na Agenda 2030.
Jornalistas
brasileiros presentes ao evento apontam que o Acordo de Paris pode se tornar um
“Bretton Woods Verde”, fazendo do carbono uma nova moeda de troca em um futuro
próximo. Os chamados “green bonds”,
papéis que financiam empresas que investem em tecnologia de baixa emissão de
carbono e reduzem o consumo da água, energia e recursos, matérias primas
avançam e têm o potencial de movimentar cerca de US$ 100 trilhões, sendo que,
em 2015, foram emitidos US$ 41,84 bilhões desses papéis, 14% a mais que em
2014. As estimativas da Climate Bonds
Initiative, organização inglesa sem fins lucrativos, indicam, a partir de
declarações públicas de gestores que movimentaram US$ 45 trilhões, que os
mesmos deslocariam recursos para projetos sustentáveis, uma vez que a demanda
por títulos verdes é maior que a oferta no mercado. Não por acaso, estavam em
Paris cerca de 5 mil bancos e empresas, acompanhando as discussões do acordo.”.
(ANA PAULA ARBACHE. Pós-doutoranda em educação
(PUC-SP) e professora de MBA em desenvolvimento humano de gestores da
FGV/Faculdade IBS, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 17
de julho de 2016, caderno ADMITE-SECLASSIFICADOS, coluna MERCADO DE TRABALHO,
página 2).
Mais uma importante e oportuna contribuição para o
nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo
publicado no mesmo veículo, edição de 18 de julho de 2016, caderno OPINIÃO,
página 7, de autoria de CARLOS ALBERTO DI FRANCO, jornalista, e que merece
igualmente integral transcrição:
“Jornalismo substantivo
Jornalismo
é a busca do essencial, sem adereços, qualificativos ou adornos. O jornalismo
transformador é substantivo. Sua força não está na militância ideológica ou
partidária, mas no vigor persuasivo da verdade factual e na integridade da sua
opinião. A credibilidade não é fruto de um momento. É a somatória de uma longa
e transparente coerência. A ferramenta de trabalho dos jornalistas é a
curiosidade. A dúvida. A interrogação. Há um ceticismo ético, base da boa
reportagem investigativa. É a saudável desconfiança que se alimenta de uma
paixão: o desejo dominante de descobrir e contar a verdade. Outra coisa, bem
diferente, é o jornalismo de suspeita. O profissional suspicaz não tem “olhos
de ver”. Não admite que possam existir decência, retidão, bondade. Tudo passa
por um crivo negativo que se traduz numa incapacidade crescente de elogiar o
que deu certo. O jornalista não deve ser ingênuo. Mas não precisa ser cínico.
Basta ser honrado, trabalhador, independente.
A
fórmula de um bom jornal reclama uma balanceada combinação de convicção e
dúvida. A candura, num país marcado pela tradição da impunidade, acaba sendo um
desserviço à sociedade. É indispensável o exercício da denúncia fundamentada.
Precisamos, independentemente do escárnio e do fôlego das máfias corruptas e
corruptoras, perseverar num verdadeiro jornalismo de buldogues. Um dia a coisa
vai mudar. E vai mudar graças também ao esforço investigativo dos bons
jornalistas. Essa atitude, contudo, não se confunde com o cinismo de quem sabe
“o preço de cada coisa e o valor de alguma coisa. O repórter, observador diário
da corrupção e da miséria moral, não pode deixar que a alma envelheça. Convém
renovar a rebeldia sonhadora do começo da carreira. Todos os dias. O coração do
repórter deve pulsar em cada matéria.
Alguns
desvios, no entanto, podem comprometer o resultado final do trabalho. A
precipitação é um vírus que ameaça a qualidade informativa. Repórteres carentes
de informação especializada e de documentação apropriada ficam reféns da fonte.
Sobra declaração, mas falta apuração rigorosa. O poder público tem notável
capacidade de pautar jornais. Fonte de governo é importante, mas não é a única.
O jornalismo de registro, pobre e simplificador, repercute o Brasil oficial,
mas oculta a verdadeira dimensão do país real. Muitas pautas estão quicando na
nossa frente. Muitas histórias interessantes estão para ser contadas.
Precisamos fugir do show político e fazer a opção pela informação que realmente
conta. Só assim, com dinamismo e equilíbrio, conseguiremos separar a notícia do
lixo declaratório.
O
culto à frivolidade e a submissão à ditadura dos modismos estão na outra ponta
do problema. E o dogma do politicamente correto não deixa saída: de um lado, só
vilões; de outro, só se captam perfis de mocinhos. E sabemos que não é assim. A
vida tem matizes. O verdadeiro jornalismo não busca apenas argumentos que
reforcem a bola da vez, mas, também, com a mesma vontade, os argumentos
opostos. Estamos carentes de informação e faltos da boa dialética. Sente-se o
leitor conduzido pela força de nossas idiossincrasias.
Registremos,
ademais, os perigos do jornalismo de dossiê. Os riscos de instrumentalização da
imprensa são evidentes. Por isso, é preciso revalorizar, e muito, as clássicas
perguntas que devem ser feitas a qualquer repórter que cumpre pauta
investigativa: checou? Tem provas? A quem interessa essa informação? Trata-se
de eficiente terapia no combate ao vírus da leviandade. O esforço de isenção, no
entanto, não se confunde com a omissão. O leitor espera uma imprensa combativa,
disposta a exercer o seu intransferível dever de denúncia. Menos registro e
mais apuração. Menos fofoca e mais seriedade. Menos espetáculo de marketing
político e mais consistência.
A
força de uma publicação não é fruto do acaso. É uma conquista diária. A
credibilidade não combina com a leviandade. Só há uma receita duradoura: ética,
profissionalismo e talento. O leitor, cada vez mais crítico e exigente, quer
notícia. Quer informação substantiva.”.
Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e
oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança
de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para
a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais,
governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas,
financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto
das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e
sustentavelmente desenvolvidas...
Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras
cruciais como:
a)
a educação – universal e de qualidade –, desde
a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em
pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas
crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente
do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado,
doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas
públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja
verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira
incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria;
a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da
participação, da sustentabilidade...);
b)
o combate implacável, sem eufemismos e sem
tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I –
a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a
manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do
Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em maio a ainda
estratosférica marca de 471,3% para um período de doze meses; e, ainda em maio,
o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 9,32%, e a taxa de juros do cheque
especial em históricos 311,3%...); II – a corrupção, há séculos, na mais
perversa promiscuidade – “dinheiro público versus interesses privados”
–, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando
incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a
lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato,
Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso
específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e
que vem mostrando também o seu caráter transnacional; eis, portanto, que todos os valores que vão
sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516
anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios,
malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção
mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades,
também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis
(por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística
Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das
famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no
Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem
levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25
somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de
logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à
corrupção e à falta de planejamento...”;
c)
a dívida pública brasileira - (interna e
externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016,
apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e
insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros,
encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão
de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente,
qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz:
“... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos,
mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite
da dívida pública...”);
Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de
recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido
dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais
grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça,
a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades
sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação
e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias,
ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento
ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados,
macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade
urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego,
trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro
nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e
nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil;
logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura,
esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico,
tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade,
economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade,
competitividade); entre outros...
São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira
alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta
grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma
Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada,
qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar
suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas
as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no
horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como
a Olimpíada de 2016; as obras do PAC e
os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da
globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do
conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um
possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com
equidade –, e da fraternidade universal...
Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a
nossa esperança... e perseverança!
“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”
- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...
- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas
democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...