segunda-feira, 9 de maio de 2016

A CIDADANIA, OS DESAFIOS DA PLENA APRENDIZAGEM E A FORÇA DOS VALORES E PRINCÍPIOS CRISTÃOS

“Estudante é alienado pela aprendizagem
        Certos sintomas decorrentes do modo de ser e de viver de uma dada sociedade são notados de forma privilegiada no ambiente escolar. Isso decorre de ser este um lugar social privilegiado, com três importantes variáveis: o tempo, espaço; e o número de pessoas envolvidas. A escola, por sua vez, não está fora desta mesma sociedade e atua ora fazendo contrapontos e tensionando, ora reforçando e legitimando determinadas práticas. A síntese da atuação dessas forças é sentida, fortemente, nas crianças e jovens, seja pela forma como falam, escrevem, opinam, vestem, relacionam-se com os colegas ou com a figura da autoridade.
         Tem sido recorrentes algumas falas, vindas de diferentes contextos em relação à imaturidade e falta de autonomia dos estudantes. No desdobramento desta constatação, segue a dificuldade de ouvir, organizar o local de estudo, a ausência da coordenação motora fina, que influencia no recorte de uma folha, na colagem, no manuseio de equipamentos ou na própria escrita. Algumas habilidades cognitivas estão ficando a desejar, como a resolução de contas básicas para a solução de problemas que extrapolam os exercício da aula de matemática; a falta de noção de proporção; ausência de conteúdo para uma produção de texto, e mais uma série de itens.
         Há um movimento que depende muito da família e, em parte, da escola, mais especificamente com a educação infantil e as primeiras séries do ensino fundamental. Abandonamos algo essencial, que é a linguagem corporal. No afã de vermos nossos filhos lendo e escrevendo, cada vez mais cedo, minimizamos o tempo de brincar e jogar. Suprimimos o pular, saltar, correr, equilibrar, escalar, esquivar, agarrar, lançar, e tudo isso com seus respectivos tombos, arranhões e trombadas. Enxergamos tudo com ameaça.
         Estamos presenciando e sentido a falta que faz o equilíbrio, o ritmo, a noção de espaço, de tempo, coordenação motora grossa e fina, pensar estrategicamente e de forma antecipada. Sabem onde se aprende isso? Na queimada, na amarelinha, no soltar elástico, no pular corda individual ou com pequenos grupos, nas brincadeiras cantadas com gestos e em duplas, trios ou quartetos, pegador, no soltar pipa, no boliche, na bola de meia e de gude, rouba-bandeira, para citar alguns. Quantas e quantas horas nossas crianças estão passando em ambientes fechados, fazendo programas de adultos ou na frente de uma tela de smartphone, tablete ou TV?
         O sujeito-estudante tem sido um alienado do próprio processo de aprendizagem. Sujeito oculto. Ele não comparece, não se engaja intelectualmente e não se mobiliza para o saber. Isso foi ensinado e começa, a meu ver, desde a hora de acordar, quando despertamos por eles. Providenciamos o café, pensamos o lanche, resolvemos o problema do transporte, dos esquecimentos, do uniforme e da organização do quarto. Chegamos ao ponto de atravessar a rua por eles. Considero que nosso certificado de bons pais e educadores deveria ser medido pela autonomia alcançada por nossos filhos. Para cada idade há um grau de autonomia a ser alcançado. Tenho sérias dúvidas se seremos aprovados.
         Para concluir, deixando uma palavra de esperança, aposto no investimento de cada família na qualificação da infância. A decisão de colocar uma criança no mundo deveria ser precedida de uma promessa de preservar e amparar para que ela tenha tempo para ser criança. Que as escolas sejam avaliadas pelo tempo investido em tempos qualificados de jogos e brincadeiras, música e arte. Que seus professores sejam, antes de qualquer coisa, brincantes e disponíveis corporalmente para este diálogo lúdico. Que nossos filhos tenham a prerrogativa de resolver seus próprios problemas e que mostrem não apenas o novo brinquedo eletrônico, mas o roxo no braço, o joelho ralado. Isso fortalece, cria fibras, desenvolve o senso de autoproteção, aguça os sentidos, deixa-as espertas e ágeis. Que possamos “dar corda”, sem soltar as pontas.”.

(ALELUIA HERINGER LISBOA TEIXEIRA. Diretora do Colégio Santo Agostinho Unidade Contagem, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 6 de maio de 2016, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição, caderno e página, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Apelo aos cristãos
        Cristãos todos, de diferentes confissões, precisam vivenciar o compromisso com a unidade. Essa é a provocação da Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos, preparação para a festa litúrgica de Pentecostes, em 15 de maio. Unidade inscrita no compromisso obediente ao mandato do Senhor Jesus quando ora ao seu Pai e roga a graça “para que todos sejam um”. Eis o princípio do evangelho que exige o envolvimento de cada pessoa que testemunha a fé em Cristo. A súplica de Jesus precisa balizar a conduta de todos os cristãos, a partir de sua identidade confessional, na construção da unidade. Para além de qualquer pretensão de uniformidade, o objetivo é fazer valer a força dos valores do evangelho nos norteamentos da história e nos rumos novos que a sociedade precisa trilhar.
         A busca dessa unidade foi um dos objetivos centrais do Concílio Vaticano 2º. Ainda incomoda muito constatar que os princípios cristãos ainda não livraram a sociedade dos esquemas de corrupção, dos desmazelos sociais e das indiferenças que comprometem a paz. Essa realidade é uma vergonha para quem crê em Jesus, pois os processos de transformação social e política precisam ser fecundados pela força da fé. Falta a consciência clara de que se está caminhando para o reino definitivo. A unidade dos cristãos como força de articulação que pode colaborar nessa caminhada, pela singularidade dos valores do evangelho, é uma meta que, lamentavelmente, ainda não conquistou a necessária mobilização. Isso pode ser percebido quando se observa a participação das pessoas nos momentos que integram a programação proposta pela Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos. Poucas confissões religiosas se interessam e colaboram.
         Na contramão desse caminho, o tecido cristão subjacente na sociedade brasileira vai recebendo matizes e direcionamentos que se distanciam do sentido e compromisso da unidade. Está se verificando um fenômeno que urge a atenção do Estado, com seus governantes, bem como das igrejas, com seus líderes, no sentido de parar um preocupante processo de deterioração da essencialidade do viver cristão. A fé cristã pode contribuir de maneira determinante e transformadora para o bem da sociedade. Porém, é uma aberração fazer da fé uma prática para sustentar partidarismos, bancadas, nos âmbitos parlamentares, apoios em troca de interesses específicos, sombreando o horizonte de uma política que busca, acima de tudo, o bem comum.
         Não menos preocupante é a realidade que se configura com a facilidade para se autodeterminar “igreja cristã” e, assim, conseguir isenções de taxas e impostos, almejando negócios e enriquecimento ilícito. Esse problema merece a atenção das confissões religiosas cristãs, particularmente pede a abertura para se reverem os tratamentos recebidos em razão de legislações que favorecem também práticas na contramão do bem comum. A força que impulsiona a construção e a vivência da unidade dos cristãos deve ser cultivada a partir da autenticidade e da coerência no âmbito das práticas religiosas, sem medo, sem proselitismos, sem disputa para arrebanhar mais gente. Assim, os cristãos, em unidade, poderão enfrentar problemas, a exemplo do que incide sobre a população jovem, cada vez mais indiferente em relação à vivência da religiosidade. É oportuno lembrar que a construção de um caminho sem o horizonte dos valores e princípios cristãos reforça o ciclo de crises existenciais e sociopolíticas. Também não se pode deixar de pensar na urgência do fortalecimento do tecido da unidade entre os cristãos para que todos possam melhor cuidar da “casa comum”.
         Essa tarefa, é verdade, envolve prioritariamente as instâncias governamentais e os detentores do poder de decisão. As autoridades que representam o povo precisam trabalhar para deter das desarvoradas ganâncias que levam a um desenvolvimento questionável. Mas os cristãos todos também têm um insubstituível compromisso com a “casa comum”. Pela força da fidelidade ao evangelho, devem cultivar hábitos novos, participação cidadã qualificada e, assim, colaborar na reconstrução da sociedade.
         Diante da obra da Criação, a partir da redenção conquistada pela morte e ressurreição de Jesus, os cristãos são chamados, pois, a construir sua unidade, enriquecida pelas diferenças. Assim, poderão protagonizar a cidadania, com o perfil próprio de quem crê em Cristo, dando as mãos em torno de programas e projetos que balizem o caminho da sociedade sempre no horizonte da verdade, da justiça e da solidariedade. A Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos, embora tão frágil em publicidade e em participação das igrejas, das várias confissões denominadas cristãs, é um broto de esperança. Trata-se de alerta que mostra a importância de os cristãos se unirem para defender a vida. Deixar para depois o momento dessa união pode ser prenúncio de um futuro triste, conforme sinaliza significativa parte da juventude de hoje, indiferente à fonte inesgotável de vida plena: o evangelho de Jesus Cristo. Que a Semana de Orações pela Unidade dos Cristãos contribua para que todos, como discípulos de Jesus, caminhem de mãos unidas.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em março a ainda estratosférica marca de 449,1% para um período de doze meses; e mais ainda em abril, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 9,28%, com os juros do cheque especial em históricos 300,8%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016)...

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  




  



          

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A CIDADANIA, A LUZ DA CONSCIÊNCIA, A EDUCAÇÃO E OS DESAFIOS DAS NOVAS TECNOLOGIAS

“Precisamos nos abrir à 
superação dos limites atuais
        As ondas do mar tocam a praia, nela depositam amostras do que existe no oceano e, ao retornarem, levam consigo muitos grãos de areia; arrastam-nos sem perguntar se querem ou não partir para locais distantes, regiões profundas, ou mesmo em outras praias pousar.
         O Grande Oceano abriga muitos mistérios, oculta a pérola que, em glória ao Único, é tecida com infinito esmero e, guardada em concha do silêncio, orna o tesouro interior.
         Esse Oceano, em sua grandeza, guarda os segredos da vida e da morte; em seu ritmo, a sabedoria da Criação; em seu movimento, o reflexo do Imutável. Reflete a luz das estrelas, do sol e da lua, e traz o Universo em sua própria substância-vida. Mergulhando-se no grande oceano da consciência, encontram-se os tesouros que sempre estão disponíveis a quem em verdade os busca.
         Se o Oceano se mostra calmo, é para preparar o próximo movimento das vagas; se revolto se apresenta, é para ocultar a serenidade das profundezas. Não existe homem que, tendo mergulhado em suas águas, não tenha sido transformado e, em sua sabedoria, levado a vislumbrar a eternidade, ainda que inconscientemente.
         Sendo necessário, pode-se saber algo do que está previsto para este planeta; mas dos destinos individuais pouco se pode perceber com exatidão. Quando se observa imparcialmente os fatos vividos, as situações humanas, compreende-se que eles são serão considerados numa conjuntura de serviço e de emergência pela qual pode passar a humanidade. A fase atual do processo evolutivo planetário, com todo o potencial que está para ser despertado no interior no homem, corresponde a um casulo que aguarda o momento correto para romper-se, liberando em voo a borboleta.
         Na etapa que se inicia requer-se a vivência daquilo que será o futuro deste planeta. A consciência é livre, mesmo que a matéria atual crie dificuldades para a implantação de novos padrões.
         Voltando-se para o próprio interior e reconhecendo as sementes dos padrões que se deve expressar, é preciso trazê-las à manifestação, o que exige abertura à superação dos limites atuais. Não se trata de abdicar de seguir as leis da vida material de hoje, mas de inserir em seu contexto as infinitas possibilidades trazidas pelas leis superiores, divinas.
         O homem é como um navio no meio do oceano. Sua consciência é o leme, direcionando-o às costas em que ele irá aportar. Nesse grande oceano existem correntes quentes e frias, claras e turvas, mas todas elas são, em essência, compostas da mesma substância. Assim, o homem que reconheceu essa qualidade essencial do mar da vida transcende as estruturas externas que revestem as várias filosofias. Ele sabe que, independentemente das marés ou das correntes que possam surgir, estará sempre sobre as águas.
         Para que o trabalho de um servidor possa realizar-se é preciso fé. Somente por meio dela sua consciência torna-se receptiva ao que é superior. Não são gestos, palavras ou atitudes que permitem a estabilidade da energia, mas a ausência de dúvidas. A fé é como um firme mastro que pode sustentar as velas de um barco e deixá-las receber o vento que o colocará em marcha. Sem a fé não há como prosseguir.
         Um servidor não elege destino nem meta, mas deixa que sejam eleitos pela vida interior. Não aspira nem planeja, pois sabe que o seu rumo está traçado e que o que necessita para prosseguir espera-o à margem do caminho.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 1 de maio de 2016, caderno O.PINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 3 de maio de 2016, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de VANÍRIA FERRARI PINHEIRO CHAVES, coordenadora de curso e professora do Centro Universitário UNA, e que merece igualmente integral transcrição:

“Formação profissional híbrida
        O dinamismo do mercado de trabalho tem levado as empresas a se adequarem às mudanças através de novas tecnologias, novos projetos e soluções rápidas. Para isso, é preciso buscar profissionais com competências que ultrapassam o conhecimento técnico. Profissionais que sejam capazes de agir com assertividade e rapidez.
         Dados da Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH/RS mostram que o mercado exige cada vez mais profissionais com visão sistêmica do negócio, abertos ao aprendizado rápido e que se adaptarem ao ambiente de trabalho.
         Dentro dessa perspectiva, as instituições de ensino superior precisam reavaliar metodologias agregando ao conhecimento teórico a prática. Esse modelo precisa aliar ao conteúdo a provocação, levar o aluno a pensar, criticar e propor soluções.
         O professor Fábio Mendes, doutor em filosofia, doutor em filosofia e autor do livro A nova sala de aula, defende que para viver em um mundo sob constante mudança é preciso formar jovens que tenham papel ativo na construção de seu conhecimento. Confirmando essa tendência, o New Media Consortium (NMC) desenvolveu uma pesquisa, o Horizon Repor: 2014 Highter Education Edition, a qual prevê novas tendências e novas tecnologias no processo de aprendizagem do aluno. A pesquisa aponta para um crescimento do ensino através, principalmente, das redes sociais, vídeos e blogs. Essas ferramentas já vêm sendo agregadas pelos professores como suporte à sala de aula.
         Essa nova visão do aluno e do profissional exige uma formação híbrida. O aluno precisa vivenciar problemas reais e atuais, sob a ótica da teoria. Os trabalhos tradicionais vêm dando lugar a consultorias. Algumas IES vêm trazendo situações reais para dentro da sala de aula, através de parcerias com empresas, e com ajuda e orientação do professor analisam, avaliam e propõem soluções. O produto de entrega muitas vezes passa a ser um relatório gerencial para a empresa. Com isso, o professor ganha uma nova atribuição, além de “educador”, para também a de “mentor”.
         Surgem então, metodologias diferenciadas, ativas, tais como, além das consultorias, o Design Thinking e Gameficação. Através do Design Thinking, os alunos buscam soluções em conjunto para problemas reais e propõem alternativas de solução através das etapas imersão (entendimento), ideação (criação), prototipação (teste) e desenvolvimento (aplicação). A gameficação refere-se a entendimento do problema, análise e solução através da mecânica de jogos. Nessas novas metodologias, o aluno aprende “fazendo”.
         Exemplo do resultado da adoção dessas práticas foi a criação da Bengala Sensorial, para deficientes visuais, desenvolvida por alunos do Curso Superior de Tecnologia em automação industrial, do centro universitário UNA. A bengala tem sensores através dos quais analisa o ambiente e emite sinais transformados em vibração, permitindo maior autonomia e segurança ao deficiente usuário. É disso que o mercado precisa, de profissionais com elevada capacidade de criação e inovação, que possam trazer soluções rápidas e eficientes para as empresas.
         Esse é um conceito de aprendizagem significativa, através do qual as instituições de ensino deverão formar ao mercado esse novo profissional.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em março a ainda estratosférica marca de 449,1% para um período de doze meses; e mais ainda em março, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 9,39%, com os juros do cheque especial em históricos 300,8%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016)...

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  




  


domingo, 1 de maio de 2016

A CIDADANIA, A ARTE DO BEM-VIVER E A RIQUEZA DA SOLIDARIEDADE (21/3)

(Maio = mês 21; faltam 3 meses para a Olimpíada 2016)

“Desapego: a arte do bem-viver
        Somos desde sempre atormentados por nossa finitude. A cada dia seguimos, na estrada da vida, o caminho inexorável em direção à morte. Assim sendo, a angústia se torna companheira de viagem. Da alegria do nascimento até a tristeza do fim, seguimos malresolvidos, enquanto, a cada dia, sentimos na pele o constante desgaste de nossa frágil materialidade. Envelhecer é algo que no início é imperceptível, em nível celular. Após décadas, se amplia para os nossos órgãos e corpo físico. Envoltos numa luta diária pela sobrevivência, numa penúria estressante para nos adaptarmos aos desafios que o meio ambiente nos impõe, mal temos tempo e serenidade para compreender o sentido da vida.
         Basicamente encontramos, num extremo, os que amam a vida e temem seu fim e, no outro extremo, os que pede a morte como solução de seus sofrimentos físicos, psicológicos, existenciais. Daí uma pergunta que nunca se cala: vir à luz é um milagre ou dádiva, ou seria um fardo pesado e uma prisão no tempo e no espaço, na qual cumprimos uma pena terrível e sofrida? Para cada um de nós, a resposta é íntima e pessoal. Afinal, somos sujeitos de nossas ações, autores do nosso personagem, arquitetos de nosso mundo. Mas, acima de tudo, responsáveis por nosso arbítrio. Peço que não culpemos o mundo, as pessoas ao nosso redor, por nossas trajetórias e insatisfações. Somos o que merecemos ser, frutos de escolhas e renúncias.
         Daí vem uma palavra e, mais que isso, um conceito, que, se praticado a cada dia, se mostra um bálsamo: o desapego! Sofrida a vida de quem teme perder. Deprimente o cotidiano daqueles que temem a morte de si ou de pessoas queridas e próximas. Insensata a existência dos que acumulam matéria e poder. Pobres serão de espírito. Tudo é ilusório e transitório. Ninguém, mesmo que seja pai, irmão, cônjuge, amigo do peito, tem o poder de alterar os enredos que já nascem em cada ser. No máximo, ajudamos ou atrapalhamos a vida dos que amamos. Numa última e mais íntima instância, somos naturalmente solitários, no nosso mundo mental. Dialogamos a cada segundo com aquela voz interior, nossa consciência. Entre preocupações desnecessárias, sofrimentos imaginários, ideias de ruína, medos paralisantes, mal sobrevivemos, num ambiente caótico e pessimista.
         Benditos os desapegados, que entendem as leis naturais, que compreendem os ciclos da vida, que lutam para evoluir, mas sabem lidar  com as adversidades e aprendem com elas. Bem-vindos os que amam sem reter, possuir, sofrer com ciúmes, ódios, mágoas. Os que vivem o presente, se recusando a habitar a ansiedade quanto ao futuro, ou remoendo os traumas do passado depressivo. Tudo passa, se transforma, flui. Vaidades, tempo que voa. Beleza, riqueza, poder. E pergunto se conhece a história do pai do seu bisavô. Pois o filho de seu bisneto nem lembrará de seu nome, e você achando que tem que deixar algo para filhos, netos... Algum pássaro mora nos ninhos que os pais fizeram? Ensiná-los a construir os seus próprios ninhos é sábio, e mais sábio ainda é entender que podem ser maus construtores, ou simplesmente não merecem ter um ninho. Como diria meu avô, “caixão não tem gaveta” assim como ser generoso é partilhar conhecimento, respeitando aqueles que não se interessam por isso. Usufruir o momento, sem medo de viver ou perder.”.

(Eduardo Aquino. Neurocientista, autor de Crônicas sobre o comportamento e o relacionamento humano, em artigo publicado no jornal SUPER NOTÍCIA, edição de 3 de abril de 2016, caderno GERAL, coluna Bem-vindo à vida, página 15).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 29 de abril de 2016, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Solidariedade: lacre do bem
        A menina Júlia Macedo, de 11 anos, aluna do Colégio Santa Maria, aqui de Belo Horizonte, brilha como uma luz no fim do túnel, diante dos cenários confusos e desesperançados da política, das dificuldades que afligem milhões de pessoas provocadas pelos descompassos na economia e pela crise moral. Um gesto simples de solidariedade incendeia uma campanha, Lacre do Bem, que troca os lacres das latas de alumínio por cadeiras de rodas. Em dois anos, a garota, com o apoio dos pais e dos colegas, conseguiu juntar 26 milhões de lacres, agregando a essa campanha muitas outras pessoas, com a força da solidariedade que transforma vidas e corações. É um broto de esperança exemplar apontando a direção certa da aposta que precisa ser assumida como lição. O segredo é simples, revelado nos traços do rosto sereno, inocente e sustentado pela convicção do bem que está no coração da garota de 11 anos.
         O segredo maior é alicerçar o coração e a mente nos balizamentos da solidariedade. Obviamente, esse é o remédio para curar os desvios que embaraçam os exercícios da representação política. O investimento prioritário, portanto, na família, na escola e nas relações sociais todas é entender e vivenciar a solidariedade como princípio social, pois é ela que agiganta ações como a campanha Lacre do Bem. Esse investimento efetiva soluções para problemas que se arrastam sem saída nos debates políticos, nas análises sociológicas sofisticadas, mesmo nos discursos de denúncias ou na superficialidade de apontar o dedo para os outros. As instituições não conseguem encontrar seu ordenamento adequado e esperado fora dos parâmetros da solidariedade como princípio social. Sem esses balizamentos, os funcionamentos institucionais todos, da família à escola, da empresa à universidade, as relações entre as pessoas e os povos caem na incapacidade de eleger o bem comum como prioridade. Perdem a sensibilidade de cultivar o cuidado com os mais pobres.
         Uma garota consegue mudar quadros na vida de pessoas, alimentar esperanças nos funcionamentos de creches e outras instituições com a força transformadora, a sabedoria própria e incisiva do amor ao próximo. Convence que há possibilidade de crescimento e consolidação de estruturas de solidariedade. É isso que pode, deve e é urgente ocorrer com a criação e modificação de leis, regras de mercado e ordenamentos, da mais alta esfera até as relações mais domésticas. Só assim será possível configurar novo tecido cultural solidário, capaz de tirar a sociedade do caos, da falta de horizontes. A ausência da solidariedade produz prejuízos terríveis, a exemplo do preço patente e devastador da corrupção que compromete o bem comum. É próprio da solidariedade, como virtude moral a ser aprendida e praticada, manter acesa na consciência de cada um a determinação de se empenhar pelo bem comum, priorizando os mais pobres. Somente esta virtude poderá evitar os esquemas de corrupção, o terror do crime organizado e frear a indiferença para com o próximo.
         Sem solidariedade não se alcançará a almejada paz no mundo, o bem comum sempre estará comprometido. Quando, pois, se afirma, com  certeza, que na base de todas as crises que afetam a sociedade está a crise moral, compreenda-se que o remédio é a aprendizagem da lição da solidariedade, investimento prioritário na formação de criançada e da juventude, pela comprometida modelagem que os adultos devem assumir como tarefa primeira.
         Só a solidariedade articula os pilares fundamentais da vida social: verdade, justiça e liberdade. É hora de grandes correções de rumos, ajustamentos de procedimentos, intervenções incisivas. É hora de envolver o conjunto dos cidadãos em práticas, pequenas ou grandes, para além de obras públicas ou dos convencionais deveres de investimentos, inserindo as camadas todas da população brasileira em campanhas, projetos e programas que mereçam o reconhecimento, pelo alcance de sua solidariedade, como o Lacre do Bem.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em março a ainda estratosférica marca de 449,1% para um período de doze meses; e mais ainda em março, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 9,39%, com os juros do cheque especial em históricos 300,8%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016)...

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  




  


sexta-feira, 29 de abril de 2016

A CIDADANIA, A LUZ DA ENERGIA ESPIRITUAL E AS CONQUISTAS DO ACORDO COM O TEMPO

“As trilhas rumo ao espírito 
sempre estiveram abertas a todos
        A energia crística não se oculta aos olhos de ninguém, está presente nos menores fatos da vida das pessoas, indicando-lhes o caminho à Unidade, procurando dissolver a separatividade e a disputa, fato bem pouco compreendido mesmo entre os seus pretensos seguidores.
         Sua suprema sabedoria busca despertar nos homens a consciência de que a verdadeira existência, o Reino, encontra-se além dos limites. A vida do Espírito é o portal dessa existência e, por caminhos pelo amor infinito, a ela é conduzido o indivíduo; porém, só aquele que continuamente renuncia à hostilidade própria do ego consegue cruzar esse portal.
         No transcurso da evolução terrestre, inúmeras vezes um indivíduo é colocado diante da Verdade, da Lua e da Vida. Em algumas dessas oportunidades que lhe são oferecidas, consegue romper os densos véus de ilusão que lhe obscurecem a consciência, evocando do seu mais íntimo núcleo interior uma resposta positiva, uma abertura e um passo em direção à vida espiritual. Porém, essa ainda frágil adesão ao chamado interno facilmente é negada quando surgem situações de provas.
         O ser humano muitas vezes esquece-se de que a manifestação de uma nova existência requer obras e atos em conformidade com o que ela inspira. As bases dessa nova só podem emergir em um coração onde o amor transcendeu as expressões pessoais, em um coração que reconheceu que todo esse amor provém d’Aquele que alenta os universos e a Ele deve ser oferecido. O homem que se integra a esse amor nada teme, no céu ou na terra comunga da união com a Fonte, e fatos temporais não podem usupar-lhe a eternidade.
         A história da Terra, entretanto, revela que o ser humano não compreendeu essas simples leis espirituais. A influência que os objetos e conceitos materiais exercem sobre ele é mais forte do que sua fé na providência e misericórdia dos planos espirituais. Teme pelo efêmero, afastando-se do essencial. Propala sua crença, porém pouco a confirma em seus atos.
         A pretensa evolução desta humanidade leva-a a supor que se encontra em elevados estados de consciência e que realizou grandes feitos, porém quantos conseguem manter-se fiéis à meta interior da sua existência quando acossados pelas forças da matéria?
         Continuamente a humanidade esteve diante da opção de se integrar à luz e à verdade. Insistentemente foi chamada a unir-se Àquele que lhe concede a existência; porém, envolvida com rumores de vozes que lhe prometem prazeres e deleites, não escutou o Chamado.
         Principalmente nesta época de crise, a grande maioria deixa-se seduzir pelo já corrompido mundo material e obstinadamente resiste à penetração da energia do Espírito, cada vez mais abrindo campo para o domínio de coisas não elevadas.
         Antes que a paz se instale no interior de um ser, ele pouco pode contribuir para a paz no mundo que o cerca. Antes que ele supere o egoísmo, não pode ajudar na manifestação do amor e da união entre os homens.
         Atualmente, vive-se tempos em que a essência interna de muitos seres clama por entregar-se a realidades mais profundas. Cristo anunciou: “Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto ao Pai” (João 16,28).
         No entanto, a maior parte da humanidade mantém-se afastada da luz da sabedoria. Aqueles que verdadeiramente podem compreender o que hoje ocorre no mundo recolhem-se e dedicam-se a um trabalho silencioso de reequilíbrio da vida planetária.”.

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 24 de abril de 2016, caderno O.PINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 20 de abril de 2016, caderno OPINIÃO, página 9, de autoria de ARISTIDES JOSÉ VIEIRA CARVALHO, médico, mestre em medicina, especialista em clínica médica e em medicina de família e comunidade, e que merece igualmente integral transcrição:

“Acordo com o tempo
        O imediatismo tomou conta das nossas vidas. Queremos respostas rápidas: tudo é “para ontem”. Desconsideramos o valor da espera, da paciência, do amadurecimento que vem com o tempo. Mário Lago, ator e compositor brasileiro, dizia: “fiz um acordo com o tempo, nem ele me persegue, nem eu fujo dele. Qualquer dia a gente se encontra e, dessa forma, vou vivendo intensamente cada momento.” Foi o caminho que ele encontrou para não se deixar levar pelas cobranças do cotidiano.
         Com o passar dos dias vamos aprendendo que, se partirmos para o confronto com o tempo “levaremos a pior”, porque perderemos a oportunidade de saborear as respostas que, lentamente, ele nos traz. A sabedoria de, pacientemente, deixar a vida fluir e, de forma esperançosa, fazer a parte que nos cabe, permite que as coisas sigam o seu própria curso.
         As experiências que temos no decorrer dos anos nos encaminham para caminhos diversos. Com frequência, influenciados pelos princípios morais da nossa formação, somos levados a querer que as coisas aconteçam do nosso jeito, na nossa hora, com os resultados que esperamos. Sentimo-nos frustrados e nos cobramos se o rumo tomado é diferente, o que nos traz sofrimentos muitas vezes desnecessários. Nos tratamentos de saúde isso acontece com frequência. Aqueles que conseguem aguardar as respostas das abordagens feitas pelos profissionais de saúde e do próprio organismo, obtêm melhores resultados. Os que suspendem os medicamentos e as orientações logo na primeira dificuldade podem se tornar reféns e vítimas da própria pressa. Com o amor também é assim: se não aguardarmos com paciência o seu crescimento e amadurecimento, ele não desabrocha; pode se transformar em admiração, encantamento, menos em amor.
         Na obra intitulada Ardente paciência, do escritor chileno Antonio Skármeta, que inspirou o filme O carteiro e o poeta, o autor conta a história da amizade entre o poeta Pablo Neruda e o carteiro Mario Jimenez. O carteiro pede e recebe de Neruda orientações sobre como escrever poesia. Sua intenção é conquistar o coração de Beatriz. Há, provavelmente, algumas chaves de leitura nessa obra. Destaco uma delas: com o tempo, de forma paciente e persistente, o carteiro com seus poemas conquista o coração de sua amada.
         Mas nem sempre é assim. Muitas vezes o que pretendemos conseguir não nos vem rapidamente. Há um período longo que pode nos trazer sofrimento e dor, em virtude dos frequentes questionamentos que fazemos. O poeta Rainer Maria Rilke diz que precisamos aprender a conviver com as perguntas que nos surgem no dia a dia e que talvez um dia – quem sabe? – possamos desfrutar das respostas. A reflexão sobre os seus escritos nos faz pensar em situações que vivenciamos na família, nas doenças sem diagnóstico ou com diagnósticos sombrios, nas perdas de pessoas queridas, nas situações desagradáveis e aparentemente inexplicáveis que nos acontecem. São situações que nos deixam perguntas.
         Algumas vezes somos como o carteiro Mario. Sabemos o que queremos e conseguimos a curto ou médio prazo o resultado esperado. Outras vezes, só temos perguntas, como diz Rilke, e nos resta vivê-las, fazendo a nossa parte a cada dia. Seja como for, é preciso fazer um acordo com o tempo, como dizia Mário Lago.
         A reflexão que podemos fazer ao discutir sobre o tempo é de mesmo com o saber acumulado somos impacientes, imediatistas e, algumas vezes, inconsequentes. Queremos viver tudo no agora e a nosso modo. Queremos consumir tudo rapidamente e antecipar o curso normal das coisas. Apressados que somos, podemos com nossas palavras e atitudes comprometer relacionamentos e projetos que nos são tão caros.
         O acordo com o tempo é algo difícil, sofrido, mas é necessário. Não tem nada a ver com comodismo, nem com passividade. Pelo contrário, reflete a abertura ao aprendizado que surge com o cotidiano e gera sabedoria e amadurecimento. Se não nos deixarmos influenciar pelos apelos da correria, da pressa e do imediatismo, um acordo com o tempo nos permitirá exercitar palavras como diálogo, escuta, paciência, esperança, aceitação, cuidado, que fazem grande diferença para a nossa qualidade de vida.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em março a ainda estratosférica marca de 449,1% para um período de doze meses; e mais ainda em março, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 9,39%, com os juros do cheque especial em históricos 300,8%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...
Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...