quarta-feira, 9 de novembro de 2016

A EXCELÊNCIA EDUCACIONAL, A UNIVERSALIDADE DOS REINOS DA NATUREZA E O EMPREENDEDORISMO NA SUSTENTABILIDADE

“Os reinos da natureza como campos 
de evolução da vida universal
        No decorrer da escala evolutiva, os seres transferem-se de um reino para outro. Em cada um deles, desenvolvem qualidades e passam por aprendizagens específicas. Cada reino tem funções e metas precisas e inter-relaciona-se com os demais, complementando-os.
         O reino humano desempenha uma função determinada na corrente evolutiva: por ter intelecto, corresponde ao nível consciente do planeta. À medida que a percepção interna dos membros do reino humano intensifica-se, seu relacionamento com os outros reinos torna-se mais criativo e pauta-se mais fielmente pela lei da harmonia, permitindo saber, então, que existe uma só meta, geral e não fragmentada, para todos os seres.
         Os integrantes do reino mineral exercem ação invisível e profundamente dinâmica ao selecionar os átomos e moléculas com os quais interagem. Essa forma de atuação reflete-se na beleza de pedras preciosas, de lagos cristalinos e de atmosferas límpidas, sendo impulsionada de modo predominante pela energia da síntese e da ordem.
         Preparamo-nos para um bom convívio como esse reino se percebemos que em cada partícula mineral está presente, materializada, a força do espírito.
         Os seres vivos do reino vegetal aprimoram sua doação e irradiação de amor em nível sensorial, porém, de forma pura e imaculada: nutrem, sustentam e curam os membros de outros reinos, exalam aromas harmonizadores, buscam incessantemente a luz e expressam elevados padrões de beleza.
         Atualmente, a expressão do reino vegetal é uma das mais puras encontradas na superfície da terra. É o reino que mais cumpre o propósito de sua existência neste planeta e só não chegou a maior plenitude por causa da densidade do psiquismo terrestre. Todavia, algumas espécies se afastaram da meta evolutiva, tais como o tabaco e a papoula, entre outras, que propiciam a corrupção de seres do reino humano.
         O bom relacionamento entre os homens e as plantas expande os dons tanto do reino humano quanto do vegetal.
         O reino animal é um estágio intermediário entre o reino vegetal e o reino humano. Os animais, em geral, desenvolvem a energia da vontade e são sensíveis aos estímulos à atividade. Sobre eles age também a energia da devoção, expressa como domesticidade e estima a seus benfeitores.
         Deveríamos ser para eles os intermediários das emanações do reino espiritual. De certo modo, representamos para os animais o que Deus representa para nós. Portanto, maus-tratos e indiferença de nossa parte frustram a natural devoção que esse reino está pronto para dedicar-nos, o que retarda o seu progresso.
         Ajudamos a evolução de um animal ao fortalecer suas condutas mais próximas à humana. Quando uma chispa em seu interior torna-se sensível às características humanas, ela começa a destacar-se da consciência grupal e, assim, surge uma alma individualizada. A alma começa a ser formada com estímulos nos níveis internos da consciência animal e com o despertar dos seres humanos para o nível espiritual.
         Os membros do reino humano têm a função de elo entre a vida espiritual e a material. O reino humano proporciona a transição de um estado de consciência regido por leis naturais para outro, regido por leis supranaturais.”.

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 6 de novembro de 2016, caderno OPINIÃO, página 14).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Excelência Educacional vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 8 de novembro de 2016, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de JOÃO KEPLER, especialista em e-commerce, marketing, empreendedorismo e vendas, e que merece igualmente integral transcrição:

“Educação empreendedora faz bem
        Existem várias formas de educar filhos de forma autoritária, de forma liberal, de forma rígida, com autonomia ou, simplesmente, criar obedecedores de ordens. Eu e minha esposa, Cristiana, optamos por uma educação de autonomia, de maneira que nossos três filhos, Théo, Davi e Maria são instruídos de como as coisas funcionam no mundo real. Participam de alguma forma das discussões e projetos familiares, desde a programação de uma simples viagem de férias até o rumo de nossos negócios, independentemente se estamos ganhando ou perdendo. Isso fez com que eles crescessem entendendo com funciona a roda gigante da vida, cheia de altos e baixos, erros e acertos.
         Filhos crescem e se tornarão capazes de pensar e tomar suas decisões sozinhos. Tratá-los como eternas crianças pode provocar uma sucessão de erros, tais como: primeiro, você acostumará seu filho a receber tudo de mão beijada, ele não participou de nada, apenas fez o que você disse para fazer. Segundo, ele não saberá lidar com problemas futuros, porque não irá compreender que lá atrás foi preciso alguém resolver ou tomar decisões (e nem sempre você estará do lado e disponível para resolver tudo). Terceiro, além de se tornar um adulto psicologicamente dependente dos pais, no mundo real, longe do conforto do seu quarto ou da segurança da sua casa, o “superprotegido” poderá ficar mais suscetível a depressões e outras doenças, isso porque, nas primeiras decepções que ele tiver, irá se sentir impotente, fraco e despreparado para lidar com as situações que acontecem no dia a dia.
         Quando decidi editar um livro sobre isso, o fiz com único objetivo de repassar aos pais um pouco da minha experiência como empreendedor, que está conseguindo, de forma prática, fazer com que seus filhos adotem, também, o empreendedorismo como estilo de vida. Não sou educador, professor ou psicólogo, mas, apesar de não ser um especialista da área, o que tenho a oferecer no livro são relatos e exemplos de quem tem acompanhado de perto a evolução, a felicidade e o sucesso de seus filhos, na vida e nos negócios.
         Acredito que, em breve, a própria formação escolar tradicional passará por profundas transformações estruturais, para atender às novas demandas e necessidade das crianças, que já estão buscando informações e formação complementar à grade curricular tradicional. Tudo que diz respeito à formação dos meus filhos me interessa. Por isso, sempre busquei me atualizar para dar embasamento às minhas decisões e, independentemente de concordar ou não com a metodologia de ensino tradicional, acredito que seja função dos pais estimular a busca pelo conhecimento complementar, além da sala de aula.
         Infelizmente, não precisa ser nenhum especialista para saber que o cenário do ensino médio no Brasil é triste. Os resultados nas avaliações nacionais e internacionais são fracos, os índices de reprovação e evasão são altos, há no número de matrículas e falta professores qualificados. A discussão, portanto, precisa se centrar no currículo, em aprendizagens que garantam ao cidadão, ao sair da escola, o preparo para continuar os estudos e evoluir como pessoa e profissionalmente. Assim, ele estará apto para desenvolver habilidades que qualquer tipo de trabalho demanda na escrita, na fala, na construção do raciocínio lógico e no domínio de uma língua estrangeira. O fato é: os pais precisam estar atentos às transformações que não param de acontecer na educação.
         Adotei na minha casa a política do estímulo à curiosidade, da criatividade e da experimentação. Acredito que quando as crianças desenvolvem a segurança de confiar em seus pais para compartilhar suas dúvidas, erros e aflições, a relação pai e filho se fortalece e ultrapassa os portões de casa, como tem que ser. Quando existem barreiras nas primeiras experiências na rua, a tendência é que os filhos escondam o que fizeram e, mais tarde, quando estiverem mais velhos, a situação provavelmente só irá piorar.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a excelência educacional – pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas, gerando o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a ainda estratosférica marca de 480,28% para um período de doze meses; e também em setembro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 8,48% e a taxa de juros do cheque especial  registrou históricos 324,90%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela excelência educacional, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos em inadiáveis e fundamentais empreendimentos de infraestrutura, além de projetos do Pré-Sal e de novas fontes energéticas, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...

- Estamos nos descobrindo através da Excelência Educacional ...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  
        
 
 



           

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

A EXCELÊNCIA EDUCACIONAL, A FAMÍLIA NA SUSTENTABILIDADE E A LUZ DO DIÁLOGO NOS CONFLITOS E VERDADES

“Pais e filhos num Brasil em transe
Dizem que, ao contar sobre sua aldeia, fala-se também do mundo. Da mesma forma, ao relatar a vida pessoal, expressamos um pouco a história de toda uma geração. Claro que cada aldeia é diferente, bem como as trajetórias individuais são todas distintas. Mas, de fato, há algo de global nos pequenos lugarejos e de padrão quase geral nas particularidades de cada um que frequenta a mesma época.
         A infância em Assis, distante 444 quilômetros de São Paulo, era cercada pelo sonho dos pais, pequenos comerciantes de primário completo, de que o caminho do sucesso dos filhos estava, necessariamente, associado à possibilidade de concluir o ensino superior na capital. Tinham eles clareza, na década de 1970, de que esse desejo seria mais facilmente viabilizado se os filhos pudessem frequentar um ensino médio particular de qualidade, em São Paulo. Os esforços seriam enormes, mas estudar em colégios privados, como o Bandeirantes, justificaria o sacrifício, compensado amplamente pela quase garantia de ingresso em instituições públicas de qualidade, como a Universidade de São Paulo.
         Pais orgulhosos desfilavam na avenida principal do interior com a certeza de que a nova geração, graças às parcas economias geradas no comércio local, estava no caminho de uma escolaridade desproporcionalmente acima da geração deles. Seus filhos tinham agora o Brasil inteiro como destino. Se as credenciais incluíssem um mestrado ou doutorado, qualquer estado da federação seria boa opção, e a estabilidade do serviço público, uma bênção. Se, por ventura, as universidades federais pudessem acolher seus filhos como docentes, o orgulho deles seria incontido, refletindo uma nação cuja nova geração, em termos de escolaridade e emprego, tinha ido muito além da anterior.
         Por sua vez, para os filhos dessa geração cursar o ensino superior, neste século 21, passava a ser quase obrigação ou obviedade. Seja pela multiplicidade de oferta ou pelas induções do ambiente doméstico já escolarizado, esse caminho transformava-se, de forma natural, em padrão. De novo, quanto mais especializados fossem, melhores oportunidades surgiriam. Agora, as rodovias, que anteriormente levavam à capital, se transformavam nos aeroportos que conduziam a novos portos e horizontes. As perspectivas continuavam existindo em todos os lugares, mas, no início desta década, estudar e morar no exterior constituíam diferenciais que amplificavam possibilidades.
         Nos tempos atuais, frustrados por um anunciado desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentável, que ainda não veio, os cenários de novo se alteram, rapidamente. As opções, em termos de formação acadêmica e oportunidades de trabalho dos filhos, diferem das nossas, tanta quanto ou mais, do que as nossas diferiram de nossos pais. Trabalhar no exterior, hoje, cruza a barreira da ideia do estágio provisório na preparação do retorno e passa a se constituir em opção, talvez permanente e definitiva. Este fenômeno é cristalizado, especialmente, aos jovens profissionais mais talentosos, dadas as limitações de oportunidades satisfatórias de trabalho mais especializado no Brasil.
         Nossos pais e nossos filhos delimitam, conosco ao meio, três gerações de um país que se transforma rapidamente, especialmente em tempos de acesso à escolaridade e de oportunidades profissionais. Sabemos que temos bons motivos, mesmo quando não conseguimos explicitar bem quais sejam, para termos sempre esperanças no que está por vir no Brasil. No momento, mesmo assim, temos ainda pouca clareza sobre o que é reservado para esta geração. Mesmo porque esse futuro próximo dependerá, essencialmente, daquilo que fizermos, ou deixarmos de fazer, neste capítulo em curso na história nacional.”.

(RONALDO MOTA. Reitor da Universidade Estácio de Sá, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 4 de novembro de 2016, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Excelência Educacional vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição, caderno e página, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Conflitos e verdades
        As dinâmicas de construção e manutenção da sociedade estão inseridas nas tensões entre conflitos e verdades, de modo semelhante ao que ocorre nas relações familiares e pessoais. Há uma dimensão do conflito que é inevitável, porque a verdade não é propriedade exclusiva de alguém. Alcançá-la é sempre uma tarefa árdua, que abrange o exercício interpretativo da realidade a partir do confronto de interesses, ponderações e de prioridades. Importante é reconhecer que as pessoas estão, permanentemente, em busca da verdade e, por isso mesmo, ninguém pode reivindicar a sua propriedade. Assim, exige-se muita humildade nessa procura para que se viva a experiência indispensável do diálogo, com a imprescindível abertura para se alcançar a verdade capaz de garantir, acima de tudo, o bem e a justiça.
         Os processos de definição de prioridades, particularmente aqueles que podem promover as mudanças necessárias na vida social e política do povo, são complexos. Assim, não basta agarrar-se a posições – dizendo-se ser contra ou a favor de algo –, é preciso dialogar para se aproximar da verdade. Trata-se de exercício racional e espiritual que requer redobrada atenção de todos, com o objetivo de superar conflitos que sempre se desdobram em prejuízos. Males que incluem as guerras, disputas ferrenhas pelo poder e as escolhas que privilegiam poucos, consolidando a injustiça contra os pobres. Nessa tarefa, indispensável é avaliar o lugar que se ocupa e, ao mesmo tempo, se perceber no lugar do outro, principalmente dos excluídos da sociedade. Ignorar essa atitude é perpetuar uma organização societária que desconsidera o abismo crescente entre ricos e pobres, os que podem muito e os que nada podem.
         Sem o processo dialogal e interpretativo, à luz das regras, leis, normas culturais e morais, continuarão a proliferar, em todas as regiões do mundo, conflitos motivados pela diferença entre povos, culturas e religiões. Buscar o bem comum há de ser fundamento para a formulação de juízos, escolhas e definição de prioridades. Para isso, exige-se o reconhecimento de barreiras psicológico-afetivas e de tantas outras, fundamentadas nas visões de mundo individuais, e superá-las com o objetivo de se alcançar o bem maior. Constituem-se grandes obstáculos, na busca pela verdade, os conflitos que advêm do âmbito da política partidária, eivado por projetos de poder que, quase sempre, se alicerçam no interesse individual, familiar ou de pequenas oligarquias. Esse contexto do ambiente político traz consequências graves, pois favorece a perda de foco e de clarividência na identificação do que, de fato, merece ser prioridade. Não raramente, induz a um tipo de visão que se restringe ao “retrovisor”, desconsiderando a amplitude de todo o “painel”.
         Consolida-se, assim, a perversa dinâmica que gera a elitização, uma enfermidade verificada em diferentes áreas – inclusive na religiosa –, que se torna ainda mais grave quando é acompanhada pelo mediocridade. A mediocridade, ao emoldurar a vida das pessoas, inviabiliza o surgimento de novos líderes capacitados para conduzir a sociedade, as instituições e seu funcionamentos rumo a horizontes mais promissores. O planeta sofre com as consequências, que incluem o crescimento do ódio entre as pessoas, cenários desoladores marcados pelo grande contingente de refugiados, de pessoas famintas e amedrontadas. Somente as dimensões técnica e tecnológica não bastam para superar tudo isso. É necessário um novo passo que exige a construção – pessoal e coletiva – de uma envergadura espiritual, humana e moral: a competência humanística.
         Essa competência é alicerce para avanços, vetor determinante nos diálogos que geram entendimentos e promovem a sensibilidade social – fortalecendo a solidariedade entre pessoas, povos e nações. Também possibilita a permanente autocrítica, tarefa que dissipa as escolas alimentadoras de arcaísmos políticos, religiosos e de tantas outras naturezas. Por isso mesmo, deve ser sempre prioridade o investimento, de muitas formas e por parte de todos os segmentos da sociedade, no cultivo de uma sensibilidade capaz de superar selvagerias e indiferenças.
         Desconsiderar essa urgência levará a sociedade a conviver com gente desempenhando papéis que não são seus, sem competência, multiplicando desorientações. E no lugar dos diálogos, haverá arenas de gladiadores que derramam até suas últimas gotas de sangue.
         Maior que a crise financeira, política e tantas outras é a crise humanística, fruta da carência de nobres valores, a exemplo dos que são partilhados no evangelho de Jesus Cristo. As consequências são oportunidades perdidas em um contexto de grandes desenvolvimentos alicerçados na inteligência humana. Todos devem cultivar, inadiavelmente, a competência humanística para superar conflitos e reconhecer a verdade. Assim, será possível viver um tempo novo na história da civilização.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a excelência educacional – pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas, gerando o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a ainda estratosférica marca de 480,28% para um período de doze meses; e também em setembro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 8,48% e a taxa de juros do cheque especial  registrou históricos 324,90%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela excelência educacional, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos em inadiáveis e fundamentais empreendimentos de infraestrutura, além de projetos do Pré-Sal e de novas fontes energéticas, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...

- Estamos nos descobrindo através da Excelência Educacional ...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  
        
 
 


          

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A EXCELÊNCIA EDUCACIONAL, A IMPERATIVA FORMAÇÃO DE EQUIPES E OS DESAFIOS DA QUALIFICAÇÃO SUSTENTÁVEL

“Uma comunidade chamada empresa
        Uma grande empresa onde atuo como consultor passou recentemente por um período difícil. Em princípio, pela falta de equipamentos essenciais a todos os setores e que já tinham sido comprados, mas houve um engano do fornecedor e atraso de um mês para entrega. Resultado: prejuízos na produtividade, caras fechadas, acusações mútuas, reclamações, cobranças e clientes insatisfeitos. Pelo fermento das atitudes, o problema cresceu e, apesar das correções, o ambiente ficou péssimo, demorando depois um bom tempo para voltar à normalidade.
         Curiosamente, situações assim são comuns de ocorrer nas organizações. As crises podem ter sua origem em questões técnicas, mas sempre se agravam por razões comportamentais. Tudo depende dos hábitos e comportamentos coletivos já criados no ambiente de trabalho. Isso representa os valores elegidos e a consequente cultura local que orienta as ações da maioria.
         No caso apresentado, não havia valores bem definidos e os interesses particulares sufocaram o trabalho de equipe. Numa verdadeira equipe isso nunca acontece, pois as pessoas caminham rumo a uma mesma direção e não perdem tempo reagindo contra as dificuldades. Ali as coisas funcionam como uma rede de competências, com nível de capacitação e informação o mais alinhado possível, não só no trabalho, mas principalmente nas atitudes e nas relações. O resultado é a integração eficaz dessas qualidades no alcance do sucesso comum. O foco é sempre o resultado e não os problemas. Qualquer dúvida, observe a atuação de uma equipe avançada, como a do Cirque du Soleil por exemplo, em suas espetaculares apresentações. Vamos perceber claramente um alto nível de colaboração e um constante aprendizado mútuo dos artistas na busca pela excelência.
         Na verdade, uma empresa funciona como um núcleo social específico, com todas as questões de uma comunidade e seus tipos característicos mais comuns. Além dos sensatos, motivadores, dos criativos, dos responsáveis (que geralmente são a minoria), veremos também os indiferentes, os dominadores, os críticos, os egoístas, os apavorados e muitos outros. Quando maior o número de componentes no grupo, mais se multiplicam também as dificuldades de toda ordem. Daí a importância vital de um controle ágil e inteligente, o que só pode ser realizado por lideranças preparadas, que saibam lidar com as capacidades e motivem a energia dessa diversidade de pessoas, corrigindo as distorções e movendo a participação de todos para soluções inovadoras dos problemas.
         Dentro de um mercado tão dinâmico, mutante e competitivo como o atual, criar um verdadeiro trabalho de equipe nessa comunidade chamada empresa se transformou num dos principais trunfos para quem quere vencer e garantir seu espaço hoje e no futuro. As organizações modernas não podem mais desperdiçar nenhum de seus ativos, em particular as pessoas que, quando atuam em conjunto de forma harmônica e integrada, conseguem produzir mudanças essenciais ao crescimento do negócio. O conhecido consultor americano Stephen Covey alerta sobre essa necessária transformação na gestão de pessoas: “A maioria das empresas ainda adota uma postura que é um insulto à inteligência e à capacidade criativa da equipe. As organizações precisam mudar tudo: a forma como recrutam, selecionam, avaliam, treinam e recuperam seus talentos”.
         O fato é que agora as empresas precisam desenvolver o pensamento sistêmico em todos os seus profissionais, aquele que mostra o importante papel de cada um dentro de um sistema e não apenas atuando isoladamente. Fazendo um paralelo com a música, a harmonia desse verdadeiro trabalho de equipe vem sempre de uma nota só. E isso é factível num lugar que seja uma democracia técnica, governada por ideias, não por pessoas. Representa também uma organização de aprendizado onde se pressupõe que sejam mais inteligentes coletivamente do que individualmente.
         Em particular nos grandes centros urbanos, a vida de hoje se caracteriza pela presença de muitas dificuldades coletivas que só fazem aumentar a cada dia, alimentadas na cômoda ilusão das populações de que isso é assunto exclusivo das autoridades. Aí também a posição egoísta, isolada e indiferente da maioria agrava perigosamente essas questões. Por isso, saber resolver problemas está na moda atualmente. E fazer isso no núcleo social das empresas é uma eficiente forma para solucioná-los depois na grande comunidade onde todos vivemos. Corrigi-los nos ambientes de trabalho é muito mais inteligente, prático e também um fator de destaque para qualquer profissional, pois vai criando um precioso conjunto de competências pelas quais o mercado está pagando muito bem.”.

(RONALDO NEGROMONTE. Professor, palestrante e consultor em desenvolvimento de pessoas e organizações, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 18 de setembro de 2016, caderno ADMITE-SE CLASSIFICADOS, coluna MERCADO DE TRABALHO, página 2).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Excelência Educacional vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 6 de outubro de 2016, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de ALEXANDRE SANTILLE, Ph.D. em psicologia experimental, mestre em administração de empresas com ênfase em economia e inovação, e que merece igualmente integral transcrição:

“O Ideb e a falta de qualificação
        Recentemente, li sobre os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2015 e me deparei com o quanto a educação brasileira está estagnada. A notícia mostrava que o rendimento escolar dos alunos do ensino fundamental e médio permanece abaixo das metas de melhoria estabelecidas pelo Ministério da Educação desde 2011.
         Com esse tipo de dado mais uma vez escancarado, muitos de nós se perguntam: qual é o nível de confiança que esses jovens possuem em si mesmos ao ingressar no universo de milhões de pessoas à procura de um emprego? Quais são as suas reais chances de se desenvolverem e terem a chance de uma atuação importante no mercado depois de tantos anos sem propósito?
         Participo de muitos debates e reflexões sobre o tema, com o objetivo de encontrar novas formas e meios de capacitar e desenvolver pessoas. As questões que discutimos tem a ver com a resolução deste ciclo de formação precário que se estende ao mercado de trabalho e que dificulta a construção de uma sociedade criativa e produtiva. Afinal, como virar a chave no contexto brasileiro e criar um ciclo virtuoso de educação, que sem sombra de dúvidas seria a base para uma transformação das pessoas, empresas e sociedade de maneira mais global?
         De um lado, temos a educação de base sofrendo com conteúdos e formatos extremamente obsoletos e, de outro, a conectividade (dispositivos móveis, computação em nuvem, big data, internet das coisas etc.) se instaurando no dia a dia e gerando cada vez mais uma interdependência econômica e social planetária. Essa discrepância fica evidente pelo fato de que existe mais de 11 milhões de desempregados no país e, ao mesmo tempo, uma infinidade de vagas e oportunidades em aberto por falta de profissionais qualificados.
         Um levantamento recente da Affero Lab mostra que quase 50% dos empregadores brasileiros enfrentam a dificuldade de encontrar o profissional certo. O problema tende a se agravar quando vejo a previsão do World Economic Forum estabelecer que, daqui aproximadamente cinco anos, mais de um terço das competências que são consideradas importantes na força de trabalho hoje serão ultrapassadas.
         Ao buscar um caminho, vejo que, além da óbvia e urgente reforma nas políticas e métodos do ensino público, atribuição que compete mais fortemente à esfera governamental, a implementação de uma cultura de educação corporativa dentro das empresas está nas mãos dos seus próprios líderes e empresários.
         E, apesar de os investimentos em treinamento e desenvolvimento profissional (T&D) ganharem importância para os nossos líderes, a estratégia de educação continuada nas empresas ainda tem muito espaço para melhorias. Para se ter uma ideia, enquanto o Brasil investe média de 16,6 horas de treinamento e R$ 518 por profissional no período de um ano, os Estados Unidos investem US$ 1.208 e seus colaboradores recebem 31,5 horas de treinamento nos mesmos 12 meses. Os dados são da pesquisa “O Panorama do Treinamento no Brasil”, que em 2015 ouviu 425 empresas do setor de Treinamento e Desenvolvimento (T&D).
         O levantamento mostra que o maior foco do investimento tem sido na capacitação das lideranças, cerca de 42% das ações formais de T&D foram para este público. A tendência evidencia a importância de se ter líderes preparados e maduros para enfrentar a presente e futura demanda por novos talentos.
         Nesse aspecto, as tecnologias são aliadas fundamentais na promoção de uma aprendizagem continuada (lifelong learning) com baixo custo e alto impacto, podendo ser incorporadas tanto no ensino escolar como corporativo. Práticas de gamificação, mobile learning, ensino adaptativo, realidade virtual, entre tantas outras inovações, despontam como poderosas ferramentas para mudar a educação tradicional, desafio do setor de maneira geral. Com o ambiente mais digital e democrático, precisamos agregar conhecimento e eliminar os velhos formatos que já não funcionam mais.
         Enquanto vamos amadurecendo, o tempo não para, o bônus demográfico encurta, e as distorções causadas pela defasagem na formação de nossos cidadãos se agravam. Por isso, trabalhar intensamente em ações contínuas de aprendizagem pode ser encarado como a grande oportunidade do século, aquela capaz de alavancar e consolidar as reais habilidades dos indivíduos, alunos, colaboradores, gerentes, empreendedores, líderes, enfim, dos brasileiros.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a excelência educacional – pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas, gerando o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a ainda estratosférica marca de 480,28% para um período de doze meses; e também em setembro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 8,48% e a taxa de juros do cheque especial  registrou históricos 324,90%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela excelência educacional, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos em inadiáveis e fundamentais empreendimentos de infraestrutura, além de projetos do Pré-Sal e de novas fontes energéticas, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...

- Estamos nos descobrindo através da Excelência Educacional ...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  
        
 
 

     

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

A EXCELÊNCIA EDUCACIONAL, AS IMPRESCINDÍVEIS MUDANÇAS NA GESTÃO E A FORÇA DOS DIÁLOGOS NA SUSTENTABILIDADE (1/169)

(Novembro =  mês 1; faltam 169 meses para a Primavera Brasileira)

“Mudanças urgentes na gestão
        As novas exigências dos clientes, associadas às novas tecnologias e às ações constantes da concorrência forçam as empresas a tomar novas posições estratégicas e a fazer mudanças muitas vezes radicais em todo o seu corpo diretor. As questões externas, em que não há meios de interferências, tais como as econômicas, determinações políticas, aspectos sociais, legais e tributários exigem das organizações muito maior capacidade de adequação, para o que muitos gestores não estão preparados.
         A capacidade de interpretação dos novos fatores de mercado não está presente numa grande parte das direções e isso as estão deixando atônitas com o cenário atual.
         Pensar com um espaço de tempo razoável não é mais possível. Muitas decisões têm que ser tomadas com firmeza e num tempo muito menor. A saída para esse momento é a aceitação e o que deu certo no passado tem muita pouca chance de dar certo novamente.
         Para a área contábil está ficando difícil, também para a área de recursos humanos, mas, o desafio maior está mesmo no marketing. O mercado está em ritmo constante de mudanças e está a cada momento mais difícil garantir resultados imediatos e também imaginar como serão os próximos tempos.
         A gestão de marketing exige profissionais e empresários que estejam completamente ligados no mercado e com energia tal que os tornem capazes de tomar decisões que, em outras circunstâncias, talvez nem fossem pensadas.
         É o novo mercado que se apresenta voraz e incógnito e o fato de haver crises, variação ou diminuição consequente da demanda, agrava ainda mais o cenário e gera um ambiente em que muitos profissionais não estão aparelhados para enfrentar.
         Ter uma visão voltada para a tomada de decisão imediata e conseguir pensar no futuro de médio e longo prazos é uma nova competência  que precisa fazer parte marcante no curriculum dos membros da diretoria e, principalmente, no CEO de todas as empresas.
         A área de finanças deve entrar nesse novo contexto e o profissional passa a ter ainda mais a necessidade de visão estratégica. O mesmo deve ser cobrado do pessoal de produção e desenvolvimento. Não é possível mais a nenhuma organização sobreviver sem que todas as suas áreas atuem de mãos dadas e com o olhar para a mesma direção.
         Vejo, porém, que diversas empresas ainda insistem em atuar de forma compartimentada e cada área com o olhar para si mesma. Os problemas maiores das organizações, em muitos casos, se concentram mais na sua forma atrasada de gestão do que necessariamente nas nuances do mercado, ou seja, a forma de gestão das empresas ainda é o seu maior inimigo.
         A mentalidade de marketing deve estar contida em todos os setores e níveis das empresas, e somente obterão sucesso aquelas que melhor souberem assumir essa nova postura de atuação.
         É questão sine qua non adotar novas posturas, assumir novos compromissos, adotar as metodologias modernas disponíveis no mercado, ver os investimentos com um olhar mais criativo e apostar em novas formas de atuação. Devem-se trazer para dentro da empresa as metodologias mais atualizadas, as tecnologias que tornem o contato com os clientes mais eficientes e eficazes. É fundamental ver a tecnologia como uma aliada e componente natural do planejamento da empresa.
         Adiantar-se às exigências dos clientes, sobrepor-se às mudanças do mercado, agora é uma missão natural das organizações e tudo deve ser feito para se atingir esse objetivo.”.

(ROGÉRIO TOBIAS. Mestre e especialista em marketing; administrador. Professor dos cursos de MBA e pós-graduação em marketing na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Newton Paiva e UMA. CEO da RT Consultoria e Treinamento. Palestrante e coach. Autor do livro 121 artigos de marketing, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 30 de outubro de 2016, caderno NEGÓCIOS & OPORTUNIDADES CLASSIFICADOS, coluna MARKETING, página 4).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Excelência Educacional vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 28 de outubro de 2016, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Diálogos educativos
        O contínuo processo de deterioração global, que atinge tecidos culturais da civilização contemporânea, configura grave crise humanística e impõe urgente desafio: resgatar instituições diversas – políticas, religiosas, sociais, familiares e tantas outras – de certos funcionamentos que comprovam o descompasso de um tempo em que novas perguntas e complexas dinâmicas culturais convivem com respostas obsoletas e procedimentos ultrapassados. A necessária reconstrução civilizatória requer muitos investimentos, a começar pelos diálogos educativos, fundamentais em todos os processos, indispensáveis para superar o atual fenômeno de deterioração global.
         O conjunto de situações que ameaça a humanidade desafia a compreensão de líderes e cidadãos comuns. Por isso, buscar diálogos que impulsionem efetivos entendimentos a respeito da realidade, nas muitas ações cotidianas, nos diferentes âmbitos, constitui o caminho para se encontrar soluções. Obviamente, não basta que esses entendimentos sobre a realidade se concentrem nas mãos de uma minoria privilegiada. Indispensável é proporcionar a todos uma nova compreensão, que ilumine competências e, consequentemente, permita a intuição de novos modelos e funcionamentos capazes de garantir um futuro melhor. Esse desafio, que só pode ser vencido a partir de diálogos educativos, é capaz de promover reconfigurações nas instituições a partir de engrenagens: a muitas pessoas que as integram.
         Oportuno é reconhecer que a sociedade padece de estreitamentos no horizonte da compreensão e isso dificulta escolhas, atrasa respostas e gera verdadeiras prisões. Enjaulada, a humanidade não mais conta de encontrar as respostas novas que a complexidade sociocultural do mundo contemporâneo exige: permanece inerte neste tempo que demanda uma virada antropológica, de modo veloz, para evitar prejuízos irreversíveis. Sem a necessária ruptura com essa situação, a sociedade continua a se deixar conduzir rumo a direções que, invariavelmente, produzem deterioração e conflitos. Proliferam cenários degradantes que preocupam muito e, ao mesmo tempo, provocam sentimento de impotência, exatamente por não se saber o que fazer para superá-los.
         Quando se reflete, por exemplo, a realidade do sistema prisional brasileiro, que combina uma população carcerária numericamente tão alta, com poucos recursos para os processos de ressocialização, sabe-se que o país está potencializando um explosivo “barril de pólvoras”. Sua explosão atingirá a dignidade inviolável de cada pessoa, degradando o conjunto de toda a sociedade. Também causam preocupação os processos educativos dedicados aos jovens. Conduzidos em direções perigosas que ameaçam o futuro, esses processos carecem de investimentos capazes de qualificar os jovens para o exercício da cidadania. Essas e tantas outras realidades impactam a vida de todos, de modo especial o cotidiano dos mais pobres que, além de sofrerem com os pesos que lhes são impostos pela perversa exclusão social, perdem, gradativamente, a esperança.
         A continuar assim, a sociedade prossegue rumo a um precipício: a indiferença relativista. Fenômeno extremamente perigoso, que se revela em diferentes estatísticas. O número de assassinatos no Brasil, por exemplo, é semelhante ao de guerras. As mortes no trânsito, resultado da imprudência e do descaso, são também um desrespeito à vida. Essa indiferença relativista integra uma cultura dominante que se ocupa, prioritariamente, do que é exterior, visível, imediato, superficial e provisório. Ao mesmo tempo, deteriora a raízes culturais que são importantes para a humanidade. O preço já pago é a banalização da violência, o desconhecimento sobre a sacralidade da vida, o obscurantismo nas escolhas e nos posicionamentos.
         A indiferença relativista também promove a diminuição da competência racional e humanística dos cidadãos, incapacitando-os para a necessária tarefa de se alcançar respostas inventivas e criativas que devem substituir as engrenagens enferrujadas e comprometedoras do desenvolvimento integral. Há um antídoto para essa indiferença: investir nos diálogos educativos, envolvendo academias, escolas, famílias, igrejas, as instituições todas e cada cidadão, em um mutirão de intercâmbios de narrativas, com a partilha dos modos de ver a realidade. Esse exercício possibilita recuperar o tecido cultural, primeiro passo para reconstruir a sociedade. Ignorar a necessidade de se investir no diálogo é permanecer na amarga situação de cegueira, sem saber o rumo certo a seguir. Os diálogos educativos, por diferentes modos e dinâmicas, em todos os lugares, garantem o aprimoramento da compreensão cidadã para discernimentos e escolhas, ante a urgente tarefa de se reconstruir a cidadania brasileira.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a excelência educacional – pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas, gerando o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e da qualificação profissional (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a ainda estratosférica marca de 480,28% para um período de doze meses; e também em setembro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 8,48% e a taxa de juros do cheque especial  registrou históricos 324,90%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 516 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela excelência educacional, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos em inadiáveis e fundamentais empreendimentos de infraestrutura, além de projetos do Pré-Sal e de novas fontes energéticas, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- 55 anos de testemunho de um servidor público (1961 – 2016) ...

- Estamos nos descobrindo através da Excelência Educacional ...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...