terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A CIDADANIA, O INADIÁVEL COMBATE AO ESTRESSE E A CULTURA DA ÉTICA E DA SOLIDARIEDADE (18/6)

(Fevereiro = mês 18; faltam 6 meses para a Olimpíada 2016)

“Acabe com seu estresse ou ele acaba com você
        Se existe algo que nós, humanos, nunca deveríamos perder é a clara visão de que também fazemos parte da natureza e que, com as demais espécies, devemos seguir as mesmas regras desse maravilhoso e lógico jogo da vida. Contrariá-las é entrar em desequilíbrio e os problemas logo aparecem. É o que vemos ocorrer, em particular nesses tempos de crise, com boa parte dos profissionais. Angustiados na corrida por resultados, aceitando a sobrecarga de tarefas e funções, enfrentando pressões e cobranças na crescente exigência de capacitação, no medo de perder o emprego ou até o negócio, nas incertezas do mercado, no descontrole do tempo ou simplesmente no hábito de seguir os demais nesse ritmo louco da modernidade, muitos acabam entrando na contramão daquilo que manda a mãe natureza. E os mais predispostos a esse desgaste sãos os que não conseguem relaxar, não admitem falhar e dão mais importância à carreira que aos outros aspectos da sua vida.
         A chamada era da informação chegou, trazendo uma enormidade de mudanças para todos nós. Mas parece que não estávamos preparados para tudo isso. Tanto assim que o comportamento de profissionais e empresas ainda não consegue acompanhar o ritmo acelerado trazido pelas novas tecnologias. Existe uma dicotomia entre o homem e as máquinas. E o tempo é o recurso que mais falta nessa atual realidade. Nas organizações, isso é uma consequência da ausência de boas lideranças, do baixo nível de capacitação, do mau planejamento e dos problemas de convivência. Daí que aprimorar esse ambiente e amenizar o estresse coletivo significa também modernizar a gestão, reduzir a burocracia e os papéis, melhorar as estruturas, as tecnologias, as relações e a qualidade de vida dos colaboradores.
         Na realidade, toda essa correria é um grande engano. Nesse clima competitivo, todos acabam perdendo. Ninguém chega na frente apenas trabalhando mais tempo ou mais rápido, mas sim pensando melhor. E a maioria não pensa. Simplesmente segue a rotina, como robôs. O profissional realmente preparado sempre encontra recursos inteligentes para resolver todos os problemas de forma equilibrada e com maior margem de acerto. Para tanto, o pré-requisito básico é que a mente esteja descansada e feliz. Pressionada por qualquer fator estressante, ela se vê limitada em suas funções vitais. Aliás, é bom lembrar aqui o lema corporativo da conhecida Amazon.com: “Trabalhe bastante, divirta-se e faça acontecer”.
         Para muitos profissionais, porém, toda essa demanda vai se tornando quase que insuportável. As estatísticas mostram que, além do fumo, do álcool e das drogas, eles incluíram na lista os ansiolíticos e outros medicamentos para dormir e isso sempre tem seus riscos. O uso prolongado ou aumentado desses recursos artificiais pode trazer problemas maiores que a própria ansiedade e insônia. É um preço muito alto para o sucesso a qualquer custo que tantos pretendem. Com certeza, estamos perdendo a noção desse equilíbrio essencial que a vida exige e ensina de diversas maneiras. O sinal vermelho está aceso, mas há quem continue nessa louca corrida rumo ao ... Muitos nem sabem mais aonde realmente querem chegar.
         Como agravante, a evolução tecnológica também favoreceu um consumismo exacerbado ao baratear o custo de produção e disponibilizar uma enxurrada de produtos e serviços principalmente na internet. Hoje, é possível adquirir de tudo na telinha e há sempre novos modismos surgindo em prazos cada vez mais curtos. Atualmente, somos avaliados não tanto por nossas ideias e valores, mas por aquilo que podemos comprar e exibir. E em prol desse padrão de vida “ideal”, as pessoas passam a trabalhar mais e mais horas, Tudo isso, porém, tem suas consequências.
         Como profissional verdadeiramente competente, sua tarefa principal deve ser então eliminar o estresse e melhorar sua qualidade de vida gradualmente. É tudo uma questão de encarar o trabalho com mais equilíbrio e prazer, não como castigo ou esse peso que a maioria carrega a contragosto todos os dias. E isso está mais nas suas mãos do que você imagina. É imaturidade ficar sempre culpando os fatores externos ou querer delegar para outros a solução desse problema.
         O essencial é passar a incluir seu nome na agenda diária. Daí, comece cuidando melhor de você, do que come, do que bebe, do que ouve, do que lê, do que assiste nas telinhas do mundo, sendo sempre seletivo e pensando em como utilizar melhor seu tempo livre. Há um excesso de informações e futilidades que devem ser descartadas para simplificar nosso dia, ser mais livre e mais feliz. E não se esqueça também daquelas horas de sono que você necessita para estar bem no dia seguinte. Qualidade de vida a gente não ganha. A gente conquista. Isso se faz administrando o tempo com mais inteligência e dando atenção a todas as áreas da vida, inclusive a si mesmo. Aí até sobra espaço para conversar com um amigo, visitar a mãe, ir à festa do filho no colégio, fazer uma caminhada, ler um bom livro, ir ao cinema com a namorada, fazer nosso checape anual, sentar no banco da praça e apreciar a paisagem... Coisas simples, boas e necessárias, que estão se transformando em luxo e raridade para uma multidão.”

(RONALDO NEGROMONTE. Professor, palestrante e consultor em desenvolvimento de pessoas e organizações, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 31 de janeiro de 2016, caderno ADMITE-SE CLASSSIFICADOS, coluna MERCADO DE TRABALHO, página 2).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 29 de janeiro de 2016, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Vencer a indiferença
        A violência, a miséria e a exclusão social aumentam os impasses que dificultam o desenvolvimento sustentável e os entendimentos entre as pessoas. Não raramente, os resultados das conferências e outras iniciativas são pífios, incapazes de contribuir para solucionar as muitas demandas da população, particularmente dos mais pobres. Há uma miopia crônica, que estreita os horizontes da cultura, e isso precisa ser curado para dar à sociedade um novo rumo. É necessário cultivar nas consciências e nos corações a competência para debelar e indiferença que compromete a paz.
         Ensina o papa Francisco que a paz está no horizonte de um caminhar conduzido com arte e com o adequado respeito ao sentido da vida. O passa a passo desse caminho é cada pessoa assumir a tarefa de superar o descaso e o comodismo. A prioridade, conforme sublinha Francisco, é a superação da indiferença para com Deus. Ela se revela quando a pessoa não reconhece qualquer norma acima de si e pauta a conduta individual somente a partir dos próprios parâmetros. Isso está na contramão da ética e é raiz do caos moral.
         Importante é compreender que a superação da indiferença em relação a Deus não ocorrerá, simplesmente, a partir da multiplicação de igrejas em todo canto. É preciso tratar essa questão de modo ainda mais amplo nos âmbitos governamentais e jurídicos, para evitar sérias consequências. Serve de alerta, por exemplo, reportagem exibida nacionalmente mostrando que, para abrir uma empresa, são necessários dois anos. Já para uma igreja precisa-se de apenas 20 minutos.
         Essa facilidade deriva do entendimento de que abrir uma igreja é objetivo de quem está a serviço da superação da indiferença em relação a Deus, agindo com respeito e diálogo. Mas o que se verifica, com certa recorrência, é a busca pelo atendimento de interesses que estão na contramão de uma cultura mais clarividente. Assim, são alimentadas práticas religiosas que arrefecem a consciência social e política, necessárias para construir uma sociedade mais justa e solidária. Esse assunto, obviamente, desdobra-se em outras temáticas, sobre a tolerância religiosa e o respeito à escolha autônoma de cada cidadão.
         Superar a indiferença em relação a Deus é um caminho e vivência que não se reduzem a qualquer coisa. O ponto de partida é a certeza de que, como afirma o papa Francisco, na mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, Deus não é indiferente, importa-lhe a humanidade. Deus não a abandona. Essa é uma convicção religiosa fundamental que, quando assumida, direciona o coração humano e o qualifica. Trata-se de compreensão que impulsiona a pessoa a recuperar a capacidade de superar o mal. A verdadeira experiência de Deus não congrega indivíduos para o atendimento de interesse de bancadas e agremiações.
         Quando se vence a indiferença em relação a Deus, é reconhecida a importância do outro, cultiva-se o gosto pela escuta e a capacidade para agir solidariamente. Interesses individualistas são superados, assim como a apatia e a indiferença. Importa, assim, investir no exercício de priorizar a dignidade e as relações interpessoais, pela proximidade e escuta, sem preconceitos e discriminações, de qualquer matiz, no esforço de se colocar como ouvinte.
         Cada pessoa precisa avaliar as próprias atitudes e posturas, tarefa que inclui, por exemplo, perguntar-se sobre o impacto causado ao próprio coração pelas notícias que mostram catástrofes, violências, injustiças, descasos. É preciso avaliar se essas informações não estão provocando entorpecimento e, assim, prejudicando a consciência solidária, indispensável para se vencer a indiferença. O desinteresse contribui para a falta de paz com Deus, com o próximo e com a criação. O momento é de investir muito para vencer a indiferença.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em dezembro a também estratosférica marca de 431,4% para um período de doze meses; e mais,  em 2015, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 10,67%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...