sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A CIDADANIA, A FORÇA UNIVERSAL DO CORAÇÃO E OS DESAFIOS DA COMPETITIVIDADE

“É no coração que podemos 
curar nossos apegos

        Sabemos que o apego é algo que um dia todos teremos de superar. Surge quando não compreendemos o lado interno, espiritual da vida, quando não estamos em contato com a essência das coisas. Por falta desse contato, ficamos habituados, acostumados à forma que reveste toda e qualquer essência, e nos apegamos a ela.
         A vida pode levar-nos a mudar de atividade externa frequentemente. Em certas circunstâncias podemos ficar numa profissão algum tempo e depois ir para outra bem diferente. Mas, se o que nos move é a intenção de evoluir e de servir melhor, e não alguma predileção pela forma externa do trabalho, podemos perceber continuidade mesmo quando passarmos para uma atividade aparentemente oposta. Nossa intenção de servir e de melhorar, e não a forma externa das atividades, é o fio que pode interligar as diferentes etapas por que passamos, dando-nos a impressão de coerência e harmonia, em vez de percalços e contrastes.
         Se considerarmos as mudanças com superficialidade, como se fossem incômodas, as transformações podem parecer-nos drásticas. Entretanto, se as vemos com mais atenção, percebemos que não há diferença alguma entre as várias atividades quando as exercemos com o mesmo espírito. O espírito com que se fazem as coisas, isso é o importante. O espírito, a intenção, é o que traz unidade.
         A cura dos apegos soluciona os mais diversos problemas. Por meio dela podemos encontrar resposta para muitas perguntas: “Como perceber a essência do que nos rodeia?”; “como não perder a harmonia e a beleza que conhecemos em antigas civilizações”; “como não perder o amor daqueles que partem”; “como não nos sentirmos inativos se nosso trabalho termina ou é interrompido, ou se ficamos impossibilitados de trabalhar por algum motivo”; “se perdemos bens materiais, como não nos sentirmos privado deles”; “como, enfim, encontrar a essência das coisas?”
         A resposta para todas essas perguntas é uma só: ir para dentro do próprio coração, para dentro do próprio ser. Lá a consciência da alma, que é universal, desde sempre nos aguarda.
         “Como faço para me desapegar de uma ideia?” Vá para dentro, para o seu coração. ‘Como faço para me desapegar de minha atual maneira de ser?” Vá para o seu coração. “Como faço para me soltar do que me prende?” Vá para o seu coração, na direção do seu centro. “Como faço para transcender os meus defeitos?” Vá para a sua essência, para o seu coração. “Como faço para superar os meus complexos?” Vá para o seu coração, para dentro de si, para o seu ser profundo. “Como faço com essa enfermidade que os médicos não sabem tratar?” Busque luz em seu coração. “Como faço como meus filhos, que não sei educar?” Vá para dentro do seu ser, e lá encontrará o amor para trata-los. “Como faço para preencher o vazio que sinto em minha vida?” Vá para o seu coração. “Como faço para resolver a minha insegurança, os meus medos?”. Vá para o seu coração.
         É no coração que se curam os apegos, porque ali está a essência de tudo. Ali nada nos falta.
         As dificuldades são resolvidas de forma simples quando nos é dado penetrar a essência das coisas, quando enfim conhecemos a força universal do próprio coração.
         No caminho interior as únicas bagagens necessárias são o amor e a prontidão para servir. Acima da mente há uma luz indicando a direção segura.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 9 de agosto de 2015, caderno O.PINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 8 de agosto de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DIOGO CRUZ, professor, coordenador do Núcleo de Gestão Financeira da Pós-Graduação do Centro Universitário Una, e que merece igualmente integral transcrição:

“Dilema da competitividade
        O ambiente brasileiro de negócio passa por um momento nebuloso, a competitividade, ou a falta dela, é um assunto recorrente em debates e notícias que se espalham pelo país. Tal discussão aguça cada vez mais as queixas das empresa brasileiras a respeito da capacidade de crescimento e em muitas vezes a de se manterem vivas no mercado.
         Quando se pensa no empresariado, logo vêm à mente as dificuldades enfrentadas por ele, que hoje não somente estão relacionadas ao ambiente interno, mas também à concorrência internacional, grandemente destacada pela China. Mas, afinal, quais os itens que realmente influenciam a baixa competitividade brasileira? A resposta se resume ao custo país brasileiro, também chamado custo Brasil.
         Conceitualmente, o custo Brasil é composto por diversos itens, sendo os principais a carga tributária, infraestrutura, energia elétrica, taxa de juros, enfim, diversos outros, mas esses são os mais relevantes. Para deixar mais claro, pode-se imaginar uma indústria moveleira que na essência precisa comprar seus insumos, transformar e entregar uma cadeira. Essa indústria, para alcançar esse objetivo, pode necessitar de espuma (insumo) para incluí-la em seu processo produtivo a fim de ter como resultado uma cadeira confortável. Ao realizar a compra, o seu fornecedor deve necessariamente emitir uma nota fiscal representando a comercialização da espuma. Dentro dessa nota, estão destacados os tributos que devem ser pagos, que influenciam o custo Brasil com uma carga tributária alta.
         Depois disso, o fornecedor estará preparado para transportar o insumo. Ao contratar o frete, novamente vem à tona a influência do custo Brasil em razão da infraestrutura brasileira, que gera um valor de frete caro. Depois de transportada, a espuma pode ser agregada aos demais insumos para composição do produto desejado, porém, nesse processo produtivo, existem máquinas que têm o seu funcionamento com base na energia elétrica, que pelo seu alto valor compõe o custo Brasil de forma a aumenta-lo. Essa cadeia segue se compondo até a chegada ao consumidor final, sempre sob a influência do custo Brasil, sempre reduzindo a competitividade da cadeira.
         Esse é o cenário vivido pelas empresas brasileiras, que esperam ansiosamente pelo enfrentamento do custo Brasil para que possam ser mais competitivas dentro do seu próprio mercado. Esse é o grande desafio, pois a concorrência internacional bate à porta com produtos cada vez mais baratos e às vezes com qualidade superior, resultado também do investimento em tecnologia e inovação, que é uma outra conversa.
         Como o custo Brasil não faz parte da autonomia das empresas brasileiras, cabe a elas trabalhar da porta para dentro em busca de se tornarem mais competitivas. Nessa ótica, surgem várias ferramentas e estratégias que podem ajudar nesse processo interno. Uma que pode ser citada é o planejamento tributário, pois graças a ele muitas empresas têm conseguido pagar seus tributos de forma mais inteligente. Além disso, a abertura para profissionais especializados na gestão eficaz. Nesse cenário, algumas áreas são fundamentais, como a própria gestão de custos, fortemente demandada pelas indústrias, além das áreas tributárias e, por último, mas não menos importante, os profissionais que dominam as áreas de controladoria e auditoria, que devem ter em seu conhecimento a visão sistêmica de todas essas áreas citadas.
         Sendo assim, pode-se concluir que no mercado de trabalho, mesmo em crise, a capacitação pode ser o diferencial, pois são esses profissionais que auxiliarão as organizações no que elas mais necessitam: aumentar a sua competitividade.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em  junho a marca de 372,0% ao ano... e mais, em julho, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,56%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!  
  
             

              

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

A CIDADANIA, A FORÇA DA BOA GOVERNANÇA E A NOVA VIAGEM EDUCACIONAL

“Princípios de um bom governo
        Embora  pouco conhecido e lamentavelmente de baixa aplicação, o Código Iberoamericano de um Bom Governo, assinado em Montevidéu por representantes de vários países, incluindo o Brasil, em junho de 2006, deveria ser melhor avaliado. Em seu preâmbulo, traz como premissa para os países desenvolverem que seus governos “reconheçam, respeitem e promovam todos os direitos humanos – civis, políticos, sociais, culturais e econômicos –, em sua natureza interdependente e universal”. Todo o código é articulado em torno de três tópicos fundamentais, indispensáveis à ação dos governantes, a saber: natureza democrática do governo, ética governamental e gestão pública. O primeiro retrata a importância do reconhecimento em sua plenitude da condição de estado democrático de direito dos países, garantindo a aplicabilidade de direitos, deveres e obrigações, consagrando o clássico princípio do direito da igualdade, em que os desiguais devem ser tratados de maneira desigual, sempre na busca da emancipação dos indivíduos e no seu crescimento pessoal. É sempre bom ressaltar que as democracias participativas e representativas devem ser compreendidas como complementares uma da outra e em hipótese alguma como uma inibidora da outra e em posição sobreposta.
         No caso brasileiro, claro está que já alcançada a democracia formal, simbolizada pelo direito de votar e ser votado, o grande desafio é concretização da democracia real, em que há o reconhecimento pleno da condição de cidadania e participação ativa de todos nos destinos dos países. O segundo item trata da ética governamental, tema da maior relevância principalmente nos chamados países em desenvolvimento, em que a impunidade se destaca, aliada a questões culturais que realçam falta de transparência nas ações dos governantes, seja em postos do Executivo ou do Legislativo. Muitas das vezes, o interesse público e o bem comum são desconsiderados em favor de interesses escusos, ilegais, imorais e antiéticos.
         Em relação ao terceiro ponto norteador do código, não há mais espaço para governos que não tenham elementos de gestão pública na ordem do dia. Cada vez mais, a cidadania exige que princípios da eficiência, celeridade e eficácia sejam observados na prestação de serviços públicos. A compreensão dos governantes deve ser inevitável de que os governos existem em função dos cidadãos e não o contrário. A relação poder público – cidadão é dupla, pois este é ao mesmo tempo patrão, como quem paga os salários, mediante impostos, e ao mesmo tempo clientes, na condição de destinatários da aplicação de políticas públicas. Por fim, cabe aos governantes, atuais e futuros, de cargos executivos e legislativos, seguirem, além dos dispostos no código, os ensinamentos de Santo Tomás Moro, proclamado pela Igreja Católica em 2000 patrono dos governantes e políticos. Nascido em Londres, sempre pautou sua vida preocupado com a formação educacional moral e intelectual dos povos. Como acentuou o então papa João Paulo II, o exemplo de Tomás Moro está “na necessidade que sente o mundo político e administrativo de modelos críveis que mostrem o caminho da verdade em um momento histórico em que se multiplicam árduos desafios e graves responsabilidades”.”.

(FÁBIO CALDEIRA. Advogado, mestre em ciência política (Espanha) e doutor em direito público (UFMG), em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 22 de maio de 2008, caderno OPINIÃO, página 11).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 11 de agosto de 2015, mesmo caderno, página 7, de autoria de MÁRCIA ESTEVES AGOSTINHO, doutora em engenharia de produção, professora e pesquisadora na Universidade Estácio de Sá, e que merece igualmente integral transcrição:

“Grande viagem educacional
        As mudanças trazidas por inovações tecnológicas que interconectam pessoas em tempo real vão muito além da forma como nos comunicamos. Seu poder de transformar estruturas hierárquicas em redes de decisão distribuída transpassa, potencialmente, todas as áreas da convivência humana – inclusive a universidade.
         Do ensino a distância (EAD) aos Massive Open On-line Courses (MOOCs), já são tantos os exemplos de introdução de novas tecnologias de informação e comunicação (TIC) no ensino que nem faz mais sentido considera-los inovadores. Além disso, o simples fato de disponibilizar conteúdos – por melhores que sejam – para acesso em todo o globo não garante educação, muito menos de qualidade. Para tal, mais do que informação, é preciso que o estudante tenha experiências significativas.
         No sentido de propiciar esse tipo de experiência, começam a surgir modelos de universidades que trocam a sala de aula tradicional pelo aprendizado ativo, em cursos de imersão interdisciplinares, por meio de trajetos curriculares customizados. Contudo, a rigor, também não podemos considera-los inovadores.
         Embora adaptada às restrições e possibilidades atuais, a estrutura desse modelo educacional nos remete ao fenômeno inglês do século 18 conhecido como “grand tour” – a grande viagem educacional, que os jovens aristocratas realizavam pelo continente europeu. Além de um rito de passagem para a vida adulta, a viagem representava a oportunidade de entrar em contato direto com a herança cultural da Renascença.
         Ainda que a viagem (que podia durar anos!) exigisse considerável soma de recursos, não bastava ser rico. Era preciso encontrar o tutor certo para guiar o rapaz por caminhos que pudessem, de fato, contribuir para sua formação. O tutor precisava ser alguém de reconhecido saber, capaz de adequar o “itinerário” tradicional aos interesses específicos do jovem sob sua orientação.
         Mais do que informações e o domínio de uma nova língua, a viagem garantia experiências significativas que levavam a um aprendizado para a vida. No início, esse tipo de formação era um privilégio da aristocracia. Porém, com a introdução das estradas de ferro – uma inovação tecnológica paradigmática –, o fenômeno se estendeu à classe média.
         Ampliar a educação de qualidade esse é o desafio que precisamos encarar. De que forma, exemplos como esses podem se tornar escaláveis? Como podemos oferecer a milhões de alunos espalhados por todo o Brasil uma formação geral sólida, que lhes permita adquirir conhecimentos específicos úteis e atualizados ao longo da vida?
         A resposta está na rede. Não a rede no sentido da internet ou das redes sociais, embora reconheça que elas façam parte da solução. Refiro-me à rede como uma estrutura de organização sistêmica. Nesse modelo, cada professor funcionaria como um tutor que o guia o grand tour de seus alunos por meio das expertises disponíveis entre os docentes e centros de conhecimento de uma universidade, promovendo experiências significativas.
         Se unir tecnologia à criatividade organizacional, a universidade terá a oportunidade de, de fato, inovar e, assim, influenciar o destino a favor dos estudantes. Da mesma forma que as estradas de ferro levaram o grand tour da aristocracia do século 18 para a classe média do século seguinte, as tecnologias de informação e comunicação podem ajudar a trazê-lo para o século 21.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em  junho a marca de 372,0% ao ano... e mais, em julho, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,56%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...
São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...
Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!
O BRASIL TEM JEITO!  
  
         

           

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

A CIDADANIA, O PODER DOS SONHOS E A CULTURA DA SOLIDARIEDADE E DA SUSTENTABILIDADE

“Os sonhos como poderosos 
aliados na evolução do homem
        Na evolução de um indivíduo, há fases em que as transformações são mais lentas, o que se explica, muitas vezes, por compromissos e concessões às partes mais velhas do seu ser. Entretanto, há períodos em que se operam rápidas mudanças, e os sonhos podem ser valiosos na preparação para elas.
         Às vezes, um sonho se repete justamente para lhe devotarmos a necessária atenção; o próprio fato de se repetir significa que é bom re-examiná-lo, pois encerra alguma lição especial. Pode acontecer também que o tenhamos estudado, mas não em todos os detalhes – nesse caso, sua mensagem volta em forma de novo sonho ou mesmo de recordação para termos a oportunidade de observar o que antes passou desperdiçado. Se um sonho se refere a uma transformação a longo prazo, pode trazer-nos ajuda em diferentes fases da nossa caminhada.
         Os sonhos constituem poderosos aliados da evolução do homem, que, por meio deles, é capaz de participar da vida em vários níveis de realidade e de consciência.
         Sugerimos a seguir alguns cuidados que podemos ter par estarmos de forma mais consciente diante dos sonhos.
         Usar de candura para com os outros é um dos pontos chave para tornarmo-nos conscientes dos sonhos. Por sua vez, o espírito crítico carrega a mente de tensões que enrijecem o cérebro, afetando a sensibilidade. Do mesmo modo, é necessária a simplicidade de coração, que surge quando enfocamos a consciência demoradamente na alma, quando nos lembramos dela com frequência. Com a prática de tê-la sempre em mente, transformamo-nos em pessoas simples, menos orgulhosas ou vaidosas.
         A generosidade é outra qualidade importante a ser desenvolvida para que a vida de sonhos se torne útil. Ela nos coliga com níveis de existência mais elevados e dissolve o egocentrismo, um dos maiores obstáculos à clareza de visão diante dos sonhos. Os egocêntricos, só pensam em si, distanciam-se do mundo superior que, embora presente dentro deles, não é percebido.
         O fato de termos boa energia, de estarmos bem vitalizados durante o dia, é bom para o processo de descoberta interior pela vida onírica. A desvitalização traz inércia, deixa o cérebro letárgico. Se tal estado energético é ocasionado pelo modo como vivemos, colocar ordem em nosso cotidiano é uma prioridade.
         Se agimos por interesse, com preocupação excessiva em obter resultados, ficamos ligados à vibração terrestre e podemos permanecer nesse nível ao adormecer, dificultando, assim, a consciência da vida de sonhos. Isso não quer dizer que não devamos ser práticos, pois trata-se de condição necessária para enfrentarmos bem a vida física. O que deve ser evitado é agirmos visando apenas algo em troca. No sonho, essa “praticidade” é inútil, pois nas dimensões sutis não é necessário lutar para ter aquilo de que se precisa – tudo nos vem como um passe de mágica, se tiver mesmo de vir.
         Conta-se que, certa vez, Mozart tinha uma peça musical a compor e, rodando pela cidade de carruagem, adormeceu sentado no banco. Embora o veículo sacolejasse muito, ainda assim conseguiu dormir. Sonhou, então, com a peça que devia compor, ouvindo-a inteira. Quando a carruagem chegou ao destino, acordou e pôde escrevê-la.
         Diante desse fato ilustrativo, resta-nos a pergunta: será mesmo necessário sermos sempre utilitaristas?”.

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 2 de agosto de 2015, caderno OPINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 7 de agosto de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Crises e nova cultura
        O momento atual se caracteriza pelas crises, cada vez mais evidentes, com consequências reais para além do mero alarmismo. É real a situação difícil vivenciada por pessoas e setores afetados. As análises comprovam que a gênese dessas crises enfrentadas pela sociedade brasileira tem um histórico que é fruto das escolhas políticas, da eleição equivocada de prioridades sociais e também do tipo de tecido cultural sobre o qual está assentada.
         O fato é que há crises e elas trazem consequências de diferentes naturezas. Momento oportuno para se refletir sobre o ensinamento que se aloja no reverso dessa realidade desafiadora. O ponto de partida para essa reflexão é admitir que nenhuma crise é acontecimento súbito. Sua geração é um longo desdobramento que pode revelar preciosas lições no que diz respeito a reações e novas respostas. Um processo capaz de proporcionar aprendizagens relevantes e transformadoras. Seria um grande risco deixar passar em “brancas nuvens” a singular oportunidade de se aprender novas dinâmicas nas relações sociais. São imprescindíveis as atitudes fundamentadas nos princípios dessas lições.
         Vista desse modo, a crise torna-se possibilidade de se ingressar em um processo de correção de rumos. Desvencilha a sociedade do perigo de um tratamento cultural da situação com o conhecido “jeitinho” próprio de dissimular os pontos críticos e justificar a manutenção de um sistema que neutraliza ações eficazes para a superação dos desafios.
         A hora é oportuna para vencer a desconfiança, o desespero e a desorientação provocadas pelas dificuldades. É o momento certo para se exercer a cidadania ao mesmo tempo em que se esperam, com justeza, novas configurações na postura dos órgãos governamentais, instâncias públicas de representação e daquelas que, diretamente, prestam serviços ao povo. Não menos exigente é a expectativa quanto às atitudes dos construtores da sociedade, para que ajam norteados por princípios que garantam o bem comum, prezando o crescimento e o desenvolvimento das instâncias responsáveis pela produção e sustentação do equilíbrio social e econômico.
         Além dos aspectos que atingem altas esferas e intervenções de caráter sistêmico, vale considerar a crise como oportunidade para uma nova cultura modulada em hábitos e atitudes – reações e respostas a favor daquilo que a própria crise aponta como solução. Assumir outro modo de pensar e agir, no entanto, não é tão fácil assim. Existe uma forte tendência do ser humano ao comodismo, o que o predispõe a manter os mesmos costumes, diferentemente das pessoas que enfrentam rupturas drásticas da ordem social e econômica provocadas pelas guerras ou catástrofes naturais. Nesse contexto, o estado de penúria impõe a aprendizagem das lições sobre economizar, evitar desperdícios e a adoção de novos hábitos. Essas rupturas e as consequências com força de testemunho funcionam sempre como forte apelo para novas atitudes. Nesses momentos, por exemplo, é comum presenciarmos gestos de pessoas que doam parte de suas fortunas ou de seus altos salários em prol do bem comum. São iniciativas que contribuem para a construção de uma cultura solidária e sustentável.
         Condutas como essa ainda não fazem parte de nossa realidade. Sequer ousamos esperar que, diante das necessidades do governo de atender as demandas do setor educacional, políticos e funcionários de alto escalão aceitem ter os vencimentos reduzidos. O que se vê são atitudes em causa própria, tomadas em todas as instâncias do poder.
         A própria superação da crise econômica exige novos parâmetros. É urgente encontrarmos um modelo que não dependa do consumismo. No momento atual, torna-se indispensável um processo de reeducação no consumo que pode começar no momento das refeições diárias diante da discrepância entre a quantidade servida e a necessidade das pessoas. O equilíbrio ao consumir é, sem dúvida, um desafio cultural que precisa entrar agora como legado advindo do tratamento e do enfrentamento da crise.
         Não se pode restringir o olhar sobre os expressivos números do contexto econômico nacional ou global – é curioso como são predominantes nos noticiários quantias astronômicas. Torna-se necessário, primeiro, aprender a poupar, a valorizar o dinheiro, a partir de cada centavo, para saber respeitar e exigir respeito ao erário. O propósito não é o de fazer apologia à usura, mas sim de sugerir o princípio da otimização do consumo cultural daquilo que é realmente necessário. Certamente, se a sociedade aprendesse a superar o desperdício com as crises em curso, já haveria uma radical transformação de hábitos com os ganhos incidindo sobre o atendimento às necessidades de outros que hoje estão às margens do mercado. É possível vislumbrar que essa reeducação aponte até mesmo para a correção de critérios morais, pois a cultura da ganância também patrocina a tolerância à corrupção. Que as crises se tornem escolas de aprendizagem e de construção de uma nova cultura.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em  junho a marca de 372,0% ao ano... e mais, em julho, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,56%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!  
   

          

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

A CIDADANIA, AS EXIGÊNCIAS DA REFORMA HUMANA E A LUZ DA SUSTENTABILIDADE (12/12)

(Agosto = mês 12; faltam 12 meses para a Olimpíada 2016)

“Reforma humana e valores reais
        Reforma. Ultimamente, essa é uma das palavras mais pronunciadas nos meios de comunicação do nossos país. Vira e mexe ela está sendo balbuciada por alguém. Travam-se intermináveis discussões a respeito da reforma política, da reforma previdenciária, da reforma econômica, da reforma do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), da reforma trabalhista, da reforma do Judiciário. São tantas reformas que levam a crer que está tudo completamente estragado, paralisado, precisando, portanto, ser refeito.
         Mas em meio a toda essa discussão parece que o pivô central de todas as reformas, que é o próprio ser humano, está se esquivando das suas responsabilidades e, como sempre, delegando ao “sistema” (que precisa ser substituído e não reforma) a totalidade da culpa dos nossos fracassos nacionais. A principal reforma pela qual precisamos passar é a reforma humana, estamos precisando a aprender a ser gente.
         Voltando um pouquinho na história da humanidade, veremos no passado semelhanças, alguns exemplos, das mesmas situações, observando a essência das coisas, que acontecem até hoje e que foram mencionadas no parágrafo anterior.
         Um dos maiores impérios da humanidade, o Império Romano, é caracterizado por uma atitude muito simples que colocaram em prática: dividiram a população em dois grupos – existia o povo romano, que merecia todas as glórias, e o povo bárbaro, que eram todos aqueles que não eram romanos. Independentemente de onde eram e de como viviam, estes mereciam ser perseguidos, se fosse preciso escravizados... eram vistos como segunda categoria de gente.
         Uma das maiores religiões ocidentais, infelizmente, fez, em certa época, a mesma coisa, dividindo as pessoas em dois grupos: católicos e não católicos. Os primeiros dignos de todas as benesses divinas, e os segundos, pessoas consideradas desalmadas, ditas como bruxas, merecedoras das chamas da inquisição da Inquisição e de todos os estragos provocados pelas cruzadas. Nos dias atuais, estamos presenciando o movimento ao contrário, os que foram perseguidos hoje perseguem. A semente do encalço parece ter germinado e os frutos estão aí, vistos todos os dias nos noticiários.
         Com o processo de expansão dos povos europeus, a partir das grandes navegações, não é que a história se repete? Os europeus consideravam-se civilizados, avançados, e todos os povos que foram “conquistados”, “descobertos”, foram considerados por eles “raças inferiores”. E a justificativa: viviam de uma forma diferente, eram seres sem alma. Houve um período em que os nativos, das diversas regiões do planeta, foram vistos e tratados como animais.
         Terceiro milênio, a dicotomia continua. Separamos as pessoas em indivíduos da esquerda e da direita; sujeitos homoafetivos e heterossexuais; católicos e protestantes; islâmicos e cristãos; rurais e urbanos; intelectuais e analfabetos; ricos e pobres; negros e brancos. E o que é mais importante vai ficando de lado: a reforma humana.
         Ao analisar o passado, verificamos que, ao defender “bandeiras”, modelos, milhares de pessoas foram exterminadas, excluídas. Independia de serem essas pessoas boas ou ruins, honestas ou desonestas, justas ou injustas, o jeito dominador de ser imperava e ponto final.
         Mas, afinal de contas, o que seria a reforma humana? Significa começar a enxergar os valores que realmente interessam. E os valores são honestidade, sensatez, hombridade, zelo, caráter, sensibilidade. E isso não tem relativismo. Significa valorizar a pessoa além das suas crenças, credos, gostos e jeitos, significa ter atitude de gente; significa acreditar que ainda é possível construir uma sociedade mais justa e fraterna.
         O que adianta uma pessoa ser branca ou negra, católica ou protestante, homo ou hétero, letrada ou analfabeta, ser filiada a esse ou àquele partido se suas atitudes são preconceituosas, discriminatórias, malfazejas, injustas, corruptas e desumanas? Acabará colaborando com todas as mazelas da sociedade.
         Imaginemos agora o contrário, não importando se a pessoa for branca ou negra, católica ou protestante, homo ou hétero, letrada ou analfabeta, filiada a esse ou àquele partido. Se ela pratica a caridade, a justiça, cuida do bem comum, valoriza as pessoas, cultiva os valores humanos, não seria maravilhoso? Estará colaborando, com toda a certeza, para uma sociedade equilibrada, justa, digna da vida humana.
         Todas as outras reformas só darão certo quando o ser humano der certo. Quando conseguir sair do casulo, da máscara, como diria Platão, da caverna. Quando permitir-se atravessar os ritos da metamorfose ambulante. Quando deixar de, a qualquer preço, defender bandeiras, estereótipos, convicções que desumanizam. Caso contrário, ficaremos eternamente secando gelo e nunca veremos nossos intermináveis problemas começarem a ser resolvidos. Já passou da hora de valorizarmos o que realmente interessa!”.

(WALBER GONÇALVES DE SOUZA. Professor do Centro Universitário de Caratinga – MG, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 4 de agosto de 2015, caderno OPINIÃO, página 9).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 11 de agosto de 2006, mesmo caderno, página 11, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Contribuição da escatologia
        Escatologia não é um vocábulo usual na linguagem comum das pessoas. Na verdade, deve ser um campo de significação ainda bastante desconhecido. Até mesmo porque sua etimologia deita raízes na língua grega. Apesar de ser comum o uso de vocábulos advindos da cultura helênica, na língua portuguesa, este não é suficientemente um tempo de profunda formação humanística e de conhecimentos que refinam o sentido da vida ou especializam as pessoas para o relacionamento, talvez como em tempos idos. Aliás, essa falta de formação humanística, em geral, está comprometendo o sentido de urbanidade que deve, com dinâmicas próprias, presidir o relacionamento humano e garantir que não se perca o sentido hierárquico das relações e das significações nas instituições que compõem a sociedade. Do contrário, vão aumentar cada vez mais as manifestações insanas de delinqüência que estão nutrindo o caos da violência nas cidades, a falta de limites e exacerbado subjetivismo norteando comportamentos antiéticos e nada cidadãos. Se não houver cuidado especial e atenção redobrada, a sociedade se inviabilizará. Entre as ditaduras sobressairá aquela do subjetivismo, mesmo de tipo grupal, num desrespeito total aos valores que ajudam na relativização de posições e considerações para dar espaço ao que interessa ao bem de todos, em geral, e fortalecimento das instituições a serviço na sociedade. O mundo, então, vai se tornar, cada vez mais, um inferno de horrores, arbitrariedades e perversidades. Não haverá, absolutamente, a paz para ninguém. Essa é uma indicação que não pode deixar na ilusão os que pensam que guerras, tirando a tranquilidade, estão acontecendo apenas do outro lado do mundo. Não é verdade.
         Ainda que alguns desfrutem de suas condições pacatas e se deleitem de suas benesses, algo atingirá sempre o coração humano impedindo-o de livrar-se dessa angústia infernal que está sendo espalhada como joio venenoso nos corações. E as guerras cobrirão, nas suas diferentes modalidades, como uma grande capa, o mundo, de norte a sul e de leste a oeste. O conteúdo tratado nesse campo do saber, a escatologia, desperta pouco interesse numa dinâmica cultural que se pauta mais pelo descartável. Escatologia é um campo do saber teológico que trata das coisas últimas. Ora, as coisas de agora é que interessam, de verdade. A cultura contemporânea define sua dinâmica, prioritariamente, no tratamento das coisas e questões do momento. O que interessa mais, é o hábito, são as questões momentosas. De modo geral, essas questões tomam o lugar do que é, de fato, mais importante, e do é essencial na construção da vida e na correção de rumos para que a sociedade vença a institucionalização da injustiça e a concepção feudal e pouco solidária e cristã que está configurando o cenário da hora atual. Vale aqui levar em consideração a observações de bons analistas quando apontam que, hoje, desperta mais interesse, por exemplo, o caso de delinqüencia de uma filha, que arma a morte dos pais e depois vai ficar com seu companheiro assassino, do que as discussões substantivas que interessam para dar rumo novo à sociedade. Há uma opção clara por aquilo que instiga e fustiga, mais do que por aquilo que constrói, corrige e aprofunda. Assim, se alimenta um quadro de incontáveis deslizes éticos, desrespeitos e inversão de papéis confundindo a significação real dos funcionamentos. É preciso que a sociedade se pergunte, cada vez mais, pela gênese desse fenômeno, antes que seja tarde demais.
         A escatologia tem uma contribuição importante fazendo par com outras áreas do saber humano. Ela pode oferecer a compreensão e os elementos para a superação dessa perda terrível de raízes na história contemporânea. Essa perda de raízes se revela, pois, na violência crescente contra nações, culturas, povos e pessoas. Há uma grande desorientação num mundo que está sem bússola. Há uma perda de referências e de limites que gera arbitrariedades e leva às opções carentes de critérios. Valem os próprios critérios. Fora dos próprios critérios não pode se fazer nada e nada pode ter validade. É preciso recuperar o sentido da verdadeira esperança para redimir a situação decadente do momento atual. Nesse processo, é particularmente útil a esperança cristã. Seus fundamentos e sua significação são capazes de reeducar eticamente povos e culturas diferentes, saindo dessa delinquência horrenda da atualidade. Há uma ordem nova que precisa ser reconquistada para os lugares, as instituições e os papéis não sirvam apenas para acirrar os orgulhos, os interesses espúrios e essa insatisfação patológica que envolve as pessoas e as desanimam da alegria do altruísmo e do gosto de fazer o bem. Esse processo educativo da verdadeira esperança, na escatologia, inclui uma certeza que precisa impactar os corações: a morte. Pense na sua e na morte dos seus. Pode ser logo.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em  junho a marca de 372,0% ao ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!