quarta-feira, 17 de junho de 2015

A CIDADANIA, A NOVA SOCIEDADE, A JUVENTUDE E O DESAFIO DA JUSTIÇA E DA PAZ

“É um fim de caminho, não só do atual projeto Brasil, mas do mundo
        “É pau, é pedra, é o fim de um caminho: um projeto Brasil”. Esse é o título de um artigo do editor César Benjamin na revista “Piauí” de abril de 2015. Talvez seja uma das mais instigantes interpretações da megacrise brasileira, fora do arco teórico do repetitivo e enganoso discurso a partir do PIB. Afirmam-se aí, no meu entender, dois pontos básicos: o esgotamento da forma de fazer política do PT (lulismo) e a urgência de se pensar um projeto de Brasil, a partir de novos fins e de novos valores.
         Face à crise atual ganham forças as palavras severas de Celso Furtado num livro que vale ser revisitado: “Brasil: A Construção Interrompida” (1993): “Falta-nos a experiência de provas cruciais, como as que conheceram outros povos cuja sobrevivência chegou a estar ameaçada. E nos falta também um verdadeiro conhecimentos de nossas possibilidades e, principalmente, de nossas debilidades. Mas não ignoramos que o tempo histórico se acelera e que a contagem desse tempo se faz contra nós. Trata-se de saber se teremos um futuro como nação que conta na construção do devenir humano. Ou se prevalecerão as forças que se empenham em interromper o nosso processo histórico de formação de um Estado-nação”. E conclui pesaroso: “Tudo aponta para a inviabilização do país como projeto nacional”.
         Estimo que a grande e decisiva “prova crucial” chegou. Tenho colocado com frequência esta alternativa: ou nos propomos refundar o Brasil sobre uma nova visão de mundo e de futuro, ou seremos condenados a ser um apêndice do projeto-mundo que entrou em crise nos países centrais, alastrando-se por todo o sistema e que não consegue encontrar uma saída viável.
         O meu modesto sentimento do mundo me diz que importa realizar as seguintes transformações se quisermos sair bem da crise e ter um projeto autônomo de nação: 1) Assumir o paradigma contemporâneo, que já possui um século de formulação: o eixo estruturador não serão mais a economia sustentável e o PIB, mas a vida. A vida da Terra viva, a diversidade da vida e a vida humana. O capital material esgotado dará lugar ao capital humano cultural inesgotável, permitindo-nos ser mais com menos e integrar todos na mesma casa comum. Tudo o mais deve colocar-se a serviço dessa biocivilização, chamada também de “terra da boa esperança”. A continuar, o paradigma atual nos levará fatalmente ao pior dos mundos. 2) Fazer uma verdadeira reforma política, pois a que foi feita não merece esse nome e é fruto de reles fisiologismo. 3) Fazer uma reforma tributária para diminuir as desigualdades do país, um dos mais desiguais do mundo, vale dizer, em termos ético-políticos, também dos mais injustos. 4) Fazer uma reforma agrária e urbana, já que a ausência da primeira levou a que prevalecesse o agronegócio exportador em detrimento da produção de alimentos e fizesse que 83% da população migrasse para as cidades, geralmente para as periferias, com má qualidade de vida, saúde, educação, transporte e infraestrutura.
         Retomo o título de Benjamin: “É pau, é pedra, é o fim de um caminho”, não só o fim do atual projeto Brasil, mas o fim do projeto-mundo vigente. Dentro de pouco, a economia se orientará pelo ecológico e pelos bens e serviços naturais. Nisso, podemos ser a grande potência pelos imensos recursos que temos. O mundo precisará mais de nós do que nós do mundo.
         Para quem toma a sério a reflexão de uma ecologia integral – praticamente ausente nas discussões econômicas –, o aquecimento global e os limites físicos da Terra, estas minhas palavras não soam apocalípticas, mas realísticas. Temos que mudar se quisermos continuar sobre este planeta, pois, por causa de nossa irresponsabilidade e inconsciência, ele já não nos suporta mais.”

(LEONARDO BOFF. Filósofo e teólogo, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 12 de junho de 2015, caderno O.PINIÃO, página 24).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 13 de junho de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de MARCELO ANDRIOTTI, fundador da ONG Favela Mundo, e que merece igualmente integral transcrição:

“Jovens e violência
        A cada dia, vemos crescer nas grandes cidades as estatísticas de jovens envolvidos em situações de violência. Nos últimos casos que chocaram a cidade, os agressores tinham menos de 29 anos e usaram em seus atos armas brancas, tão letais quanto as conhecidas armas de fogo. Basear o entendimento do que ocorre atualmente no Rio de Janeiro – e em muitas outras cidades do Brasil – é, no mínimo, simplista de nossa parte e acaba eximindo a todos de uma ação realmente eficaz para a mudança de nossa realidade. São vítimas, sim, pois há décadas o Estado priva a maior parte da população do acesso à saúde, educação, cultura, saneamento básico e outros itens fundamentais à formação de um cidadão de excelência. Ao mesmo tempo em que somos constantemente bombardeados com a ideia de que para “ser” é preciso “ter”.
         Noções de valores como respeito, educação e cordialidade há muito tempo foram esquecidas ou menosprezadas. As cidades foram sendo segmentadas entre os que têm e os que não têm direito a itens fundamentais para um desenvolvimento pleno e sadio. Foram divididas entre os que podem tudo e os que não podem nada. Entre os empregados e os patrões. Tudo de melhor estava em uma parta da cidade, e o restante ficava com o que sobrava. Quem tinha tudo esqueceu que a outra parte da população crescia e, mesmo sem uma educação de qualidade, começou a ter noções do que ocorria no resto do mundo, graças à globalização e à difusão das informações. E essa parte começou a querer também. Porém, se não poderia tê-lo pelas maneiras tradicionais, o faria de alguma forma, daria um “jeito”. Com isso, criamos mundos paralelos. Enquanto uns baseavam o seu “ser” por meio do que tinham, outros o faziam pelo poder, pela força.
         Mas podemos, realmente, pensar que são vilões, se lembrarmos que, com tanta informação, com tantos planos, bolsas, vagas gratuitas, cursos, um jovem escolhe ficar nas ruas assaltando, roubando e matando? Se há tantos exemplos de pessoas vencedoras que nasceram e cresceram em uma realidade de violência diária, escolher entre a ilusão de poder chefiar um grupo em sua comunidade e crescer na vida com esforço e trabalho parece uma decisão simples.
         Para quem nasceu com segurança, teve uma educação formal razoável e uma estrutura psicológica e familiar básica parece fácil fazer a escolha. Porém, para quem cresceu e vive em total insegurança, em um local em que você dorme e acorda ao som de tiros, estuda (quando o professor consegue chegar à escola), muitas vezes, abaixado ou deitado no chão para se proteger de bala perdida, quando precisa ir ao médico passa muitas horas à espera do médico e é humilhado por atendentes, seguranças e enfermeiros, que estão no limite de suas condições humanas de estresse, entre outras questões, as escolhas nem sempre são as melhores, pois poucas vezes tiveram opção na vida.
         Hoje, temos diversas bolsas de auxílio, em cada comunidade há dezenas de projetos sociais que prometem mudar a vida das pessoas. Vende-se uma falsa ideia de que quem mora em uma favela tem direito a coisas que a classe média não tem. A maior dificuldade quando iniciamos o trabalho em uma nova localidade é atrair os alunos, mostrar que o trabalho é sério e que há um real interesse no ser humano, no desenvolvimento de cada aluno. Hoje, nosso país oferece inúmeros projetos em áreas de vulnerabilidade social, porém o interesse está nos números, e não na mudança de realidade.
         As bolsas, tão divulgadas pelo governo, proporcionam uma ajuda real e necessária a muitas famílias, porém, junto delas, há alguma tentativa de mudança da realidade das famílias atendidas? Oferecem dinheiro, mas a capacidade de cada indivíduo de sentir-se útil e sujeito de seu próprio desenvolvimento não existe. Com isso, a população fica cada dia mais dependente dos planos do governo e vira marionete na mão de políticos, que só pensam no invisível social quando ele vira número, não como um indivíduo que merece respeito.
         Trabalhar em uma comunidade nos dá uma visão mais ampla dos motivos que levam uma pessoa a escolhas nem sempre saudáveis. Há sim dezenas de oportunidades para qualquer indivíduo, seja ele de onde for. Porém, nem todos cresceram em um ambiente que mostrasse isso a eles. Muitos cresceram ouvindo promessas e experimentando atividades, que iniciavam e não acabavam. Acostumaram-se a cursos e aulas desenvolvidos de qualquer maneira, sem o real interesse no aluno. Quando chegamos a uma comunidade, o primeiro passo é mostrar a seriedade do trabalho. É convencer o aluno que não temos bolsas, porém temos professores reais, qualificados e que darão o que o aluno merece, seja ele de qualquer raça, religião ou posição social.
         Quando aprendermos a tratar todos da mesma forma, teremos uma sociedade mais justa e igualitária. Com justiça e igualdade acontecendo, aí sim, poderemos tentar descobrir quem é vilão e quem é vítima.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
     
     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ano ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir IMEDIATA, abrangente, qualificada e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br).

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...     
     
        


segunda-feira, 15 de junho de 2015

A CIDADANIA, A FORÇA DA RESPIRAÇÃO E A LUZ SOBRE PRINCÍPIOS E IDEOLOGIAS

“A respiração correta nos ajuda a pensar ordenadamente
        É importante que o ser humano desenvolva a capacidade de observar e de aperfeiçoar as funções vitais do seu corpo no dia a dia. À medida que percebe essas funções e lhes dá atenção – ao sono, à alimentação, ao despertar, ao adormecer, ao ato de respirar, entre outras –, cria menos atritos e ganha mais energia. Adquire mais equilíbrio e harmonia. Suas funções vitais se desdobram, tornam-se mais sutis: deixam de obedecer apenas aos instintos de sobrevivência e começam a apresentar novos aspectos, subjetivos.
         Vejamos a respiração: o movimento respiratório tem duas fases: a da inalação e a da exalação. Entre elas há uma pausa, por menor que seja. Entre a inalação e a exalação, a mente fica disponível para receber os impulsos da alma. Já entre a exalação e a inalação, transfere esses impulsos recebidos ao cérebro, e eles se exteriorizam como pensamento. A respiração está, portanto, diretamente ligada ao ato de pensar. Influi na qualidade, na intensidade e na abrangência do pensamento.
         O aprimoramento do ato de respirar influencia a vida de pensamentos de modo positivo. Além disso, a respiração correta alimenta o magnetismo superior.
         O ato de respirar não se resume, portanto, em inalar oxigênio e exalar gás carbônico. Devemos valorizá-lo, atentos às energias universais que nos circundam e que se encontram em nosso interior. Aos poucos, então, teremos mais consciência do seu real significado.
         Se inalamos e exalamos profundamente, os tecidos ganham mais vitalidade. Adquirimos também flexibilidade, pois a respiração está relacionada com a prontidão em reconhecer o que é correto e necessário a cada momento. Pelo aprimoramento da respiração, preparamo-nos para seguir com agilidade os impulsos que vêm do mundo interior. A respiração correta ajuda-nos a pensar ordenadamente, a nos valer do lado mais sutil e subjetivo da mente.
         Os efeitos da boa respiração repercutem nas demais funções vitais do organismo. E, sobretudo, ajudam-nos a corrigir nossa atitude diante da vida em geral.
         Se respiramos corretamente, estamos injetando energia em todas as funções do organismo, com incalculáveis benefícios para os sistemas do nosso corpo. Nosso campo de ação se expande e passamos a ter maior percepção das coisas da vida.
         Há várias modalidades de exercícios para se chegar a uma boa respiração, mas cada um de nós precisa encontrar a sua própria maneira de aperfeiçoá-la. Podemos, por exemplo, dispor-nos a estar atentos à respiração no dia a dia. Podemos, além disso, reservar alguns minutos do dia para observá-la.
         A diminuição da frequência respiratória significa que o mundo interior está permeando mais o mundo mental e o cérebro físico. Na respiração mais pausada, o intervalo entre inalação e exalação se alonga, e esse é o momento da descida da energia da alma para a mente. Como decorrência, a realidade subjetiva pode permear o cérebro com maior intensidade e, assim, começamos a ter pensamentos condizentes com o que de verdade somos.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 3 de agosto de 2014, caderno OPINIÃO, página 20).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 12 de junho de 2015, caderno OPINIÃO, página 11, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Princípios e ideologias
        A sociedade brasileira, obviamente no contexto mundial, mais amplo, está também desafiada a avaliar no conjunto de suas crises a configuração das colisões entre princípios éticos e ideologias. Esses embates precisam ser administrados com o mínimo de racionalidade, para não se correr o risco de polarizações que vão acelerar processos de intolerância. Deve, sempre, sobressair o exercício do entendimento, cujo ponto de partida é a preservação de princípios inegociáveis, o que inclui o respeito incondicional ao outro.
         Ao assumir posturas ideológicas, não se pode passar por cima, desrespeitosamente, de valores e princípios de outras pessoas, de diferentes segmentos da sociedade nas suas configurações religiosas, sociais e políticas. O desrespeito, certamente, é uma das fontes da crise humanística  e comunitária. Suas consequências podem ser irreversíveis: ódio, disputa e permissividade que comprometerão o mínimo de civilidade e de convívio fraterno. Aliás, a sociedade brasileira, com seus diferentes grupos, já está sofrendo com situações que expõem radicalismos e fundamentalismos. Evidentemente, esses episódios tornam a paz mais distante. Há uma facilidade irracional para agredir, acusar e espalhar mentiras. Ações que ferem o tecido da cultura brasileira e ganham amplitude nas redes sociais e nos tradicionais meios de comunicação.
         Eventos públicos, como os recentemente realizados nas grandes capitais do país, não podem agredir símbolos religiosos e misturar o direito de defesa de perspectivas com atitudes hostis. A ordem pública tem que se posicionar para que as banalizações não tomem conta da sociedade, um processo perigoso que corrói o núcleo da consciência coletiva. O que movimentos e grupos promoveram, por exemplo, nas ruas de São Paulo é ofensa aos cristãos, pois se trata de banalizar os símbolos religiosos, um ato irracional. A defesa da pluralidade não justifica e não confere direito a qualquer grupo ou pessoa de assumir posturas marcadas por intolerâncias.
         Os cristãos têm o direito e o dever de mostrar que a defesa de uma sociedade plural passa por um caminho diferente do que é trilhado por quem busca agredir a fé. Não se conquista a paz e o respeito ferindo princípios de uma confissão religiosa, ainda mais de maneira debochada. Diante do ocorrido em São Paulo, todo cristão é chamado a expressar ainda mais os princípios de sua fé. Deixar ficar por isso mesmo, sem esse educativo protesto, é ser conivente com um processo que, à primeira vista, parece ser aceitável como expressão democrática. Contudo, trata-se de uma precipitação tácita e perigosa da sociedade num caos produzido pela relativização abominável de princípios e valores.
         É hora, portanto, de um alerta geral. Os deboches e desrespeitos promovidos por parte de um grupo – que merece ser respeitado, cada um de seus integrantes reconhecidos em sua dignidade humana – são a “ponta de um iceberg”. Revelam posturas que não podem passar despercebidas. A sociedade, com seus diversos segmentos, tem o desafio de acompanhar o processo em curso para se posicionar sobre importantes temas. Em especial, a respeito da inclusão da chamada ideologia de gênero nas diretrizes da educação nacional, um tema que ainda não é de domínio público. No horizonte dessa mudança, entre outros pontos, a escola – e não a família – teria a tarefa de ajudar o menino ou a menina a discernir a sua identidade sexual. Isso significa passar por cima de dimensões antropológicas e éticas que são valores inegociáveis no âmbito da moral e da confissão religiosa cristã.
         Esse tema traz impactos na vida de muitas pessoas. É um alerta para a indispensável participação de diferentes segmentos da sociedade, para que não se pague o alto preço por negociar princípios em razão de ideologias. Urge, portanto, conhecer os muitos processos que estão em rota de colisão com o bem da sociedade para detê-los. Quem ainda desconhece essas questões deve buscar orientação e informações. Ainda há tempo para firmar um posicionamento.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ano ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir imediata, abrangente, qualificada e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br).

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...     
     
         

         

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A CIDADANIA, A FONTE DA SABEDORIA E A CRISE SEM O ESSE

“Silêncio e recolhimento: chave preciosa e transformadora
        Muitos já passaram pela experiência de chegar a lugares em que a natureza exprime grande harmonia e perceberem-se convidados ao silêncio. A natureza é espontaneamente silenciosa: as plantas crescem em silêncio, o Sol brilha em silêncio, o dia e a noite sucedem-se em silêncio. E mesmo quando os seres e os elementos da natureza emitem sons, conseguem fazê-lo sem romper essa condição de harmonia.
         Nos momentos de reencontro com silêncio temos lampejos da nossa integração na Totalidade. São momentos valiosos, mesmo quando logo depois os condicionamentos e hábitos afirmam o contrário.
         A estrutura da civilização moderna afastou-nos do silêncio e, assim, continuamente perdemos a oportunidade de penetrar a via de união com o que há de mais verdadeiro em nosso interior. A agitação e o bulício cotidianos nas cidades enfatizam outros aspectos da existência, e não aqueles voltados para uma vida mais ampla. Somos sempre chamados a colocar a atenção em superficialidades, a valorizar em excesso as aparências; desse modo, pouco a pouco nos deixamos envolver por elas e nos distanciamos de uma percepção mais profunda da vida.
         O silêncio é básico para o equilíbrio integral do ser e para a sua evolução. Nem sentido bem amplo, seu cultivo não implica necessariamente privação do uso da palavra, embora essa prática possa estar incluída de forma moderada. A esse propósito, um filósofo disse que a abstenção de palavras é como a casca de um fruto; a casca não é o fruto, mas o protege enquanto ele cresce. Assim, para chegarmos ao silêncio são requeridas ocasiões de recolhimento, de aquietação dos sentidos, de ausência de envolvimentos externos – ocasiões de união com o mundo interior.
         O silêncio vai agindo dentro de nós com sua energia poderosa e pacificadora. Vai retirando véus, vai revelando-nos o modo de não ficarmos à mercê das influências externas, de reconhecermos a unidade da vida. Aproxima-nos da nossa real expressão.
         Ao se conhecer o silêncio, conhece-se o amor. O silêncio vem ao encontro do ser quando este se volta para o interior de si mesmo. Essa aproximação é gradual. Do silêncio emerge a compreensão e, com ela, a diligência para o serviço.
         Do silêncio provém a fortaleza para empreender novos caminhos. Fonte de sabedoria, nele está a paz e o poder da transcendência. O silêncio cura, transforma e eleva. Manifesta-se na ação e no recolhimento.
         Sobre o recolhimento, sabemos ser um estado em que a mente e o sentimento são direcionados para o centro do ser, sem expectativas nem ansiedades. Silêncio e recolhimento estão intimamente ligados e são mais uma atitude interna que externa. Pode-se estar recolhido e em silêncio em meio à atividade, às pessoas, aos afazeres cotidianos. Tudo depende da sintonia em que a pessoa se coloca. No recolhimento, o silêncio se consagra, a verdade pode desvelar-se, transformações podem efetivar-se. O recolhimento é dinâmico. O recolhimento expande a consciência, pois a introduz em esferas mais abrangentes.
         No recolhimento se reconhece o amor puro. Por esse amor se é transformado.
         O silêncio para qualquer ser do planeta também é transformador.
         Mas para os buscadores do Espírito, o silêncio é a própria luz do caminho.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 7 de junho de 2015, caderno O.PINIÃO, página 18).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 9 de junho de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de EMIRO BARBINI, Diretor do Colégio M2 e presidente do Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep – MG), e que merece igualmente integral transcrição:

“Como vencer a crise
        A economia mundial enfrenta um período caótico. Com a instabilidade econômica, a sensação de insegurança em diversos setores tem gerado investidores indecisos. Qual o melhor momento? Qual a área mais promissora? Esses são alguns dos questionamentos de quem pretende se arriscar em algum mercado específico. Com a crise, percebe-se, assim, que empresas e pessoas se tornam temerosas em relação aos investimentos, preferindo tomar ações de reduções de gastos e custos. Mas, os que têm uma visão panorâmica da situação e sabem como driblar o momento difícil enxergam nessa realidade uma oportunidade de crescer.
         Como já disse o ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy, “quando escrito em chinês a palavra crise compõem-se de dois caracteres: um representa perigo e o outro representa oportunidade”. Naquela época, essa frase se referia a uma análise sobre um dado momento de crise e ficou imortalizada pelo líder. Inspirado nessa colocação, acredito que existem determinados momentos em que muitos pensam haver apenas obstáculos, enquanto uma minoria consegue abstrair os aspectos positivos.
         Nesse contexto, responsabilizar terceiros ou o governo pela situação é simplesmente cômodo e não vai contribuir para a solução dos problemas que temos que enfrentar diariamente. O sucesso do negócio está em como cada indivíduo e cada organização encara a realidade vivenciada pelo país. Podemos, sim, vencer a crise, aliás, podemos vencer qualquer ocasião problemática, utilizando a criatividade e apostando no aprimoramento da qualidade dos produtos e serviços oferecidos.
         Como empresário, por exemplo, investi fortemente na ampliação e reestruturação do colégio que administro e o resultado foi expressivo: a instituição registrou aumento de 40% nos números de matrículas neste ano. O nosso segredo é garantir a excelência do produto que disponibilizamos no mercado. Essa ação nos coloca em destaque, reforçando a escola como referência na área. Assim, o esforço de melhoria depende principalmente da instituição, da ação de cada indivíduo que optou fazer o seu melhor. Não adianta esperar pelo outro, seja ele governo, empresas, instituições e órgãos públicos ou privados.
         Outra questão-chave para enfrentar a instabilidade econômica é a educação financeira e, por isso, especialistas alertam que ter cautela e organização das finanças é primordial. No meio familiar, expressar a importância sobre administração dos recursos disponíveis e envolver as crianças em questões relacionadas à gestão financeira, significa ensinar práticas que serão aplicadas no dia a dia e servirão para a vida toda. Para as empresas, fazer um mapeamento sobre os gastos e possíveis investimentos é uma forma viável e segura de não comprometer toda a renda da instituição. Por mais que seja uma ação já conhecida, o planejamento financeiro nesse momento de instabilidade evitará futuras surpresas desagradáveis e pode direcionar o empresário no momento de tomar decisões.
         Uma gestão de qualidade também é capaz de controlar possíveis adversidades. Por meio de um planejamento estratégico, que deve ser seguido à risca, a empresa entenderá melhor o mercado, identificando alternativas plausíveis para solucionar os problemas rotineiros. Atenha-se, sobretudo, a um plano realista e concreto, estipulando indicadores coerentes com o cenário atual. Para administrar bem um negócio, ainda é essencial fornecer informações relevantes para a equipe responsável pela gestão da companhia, procedimento que pode ser realizado por meio de mecanismos próprios que analisem os dados disponíveis nos documentos da firma.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ano ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir imediata, abrangente, qualificada e eficaz auditoria... (Ver também www.auditoriacidada.org.br).

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...     
     

      

segunda-feira, 8 de junho de 2015

A CIDADANIA, O DIREITO À SAÚDE, O DIÁLOGO E A PAZ

“O direito fundamental à saúde
        O direito à vida como princípio da dignidade da pessoa é indissociável, pois muito embora se tenha vida, nem sempre ela é digna e garante o mínimo existencial. O direito à saúde tem um caráter de fundamentalidade, sendo imprescindível porque garante a dignidade do homem, que é inegociável no jogo político. A noção de que a saúde constitui um direito humano e fundamental, passível de proteção e tutela pelo Estado, é resultado de uma longa evolução na concepção não apenas do direito, mas da própria ideia do que seja saúde. Nesse sentido, o direito à saúde é uma interseção entre o direito positivo e a saúde, entendida como todos os aspectos concernentes à vida.
         A saúde vem assegurada na Constituição Federal de 1988 como direito de todos e dever do Estado, a ser garantido mediante a adoção de políticas públicas, com a garantia do acesso universal igualitária às ações e serviços. Sendo assim, conforme a Constituição Federal de 1988, o Estado tem o dever de garantir a prestação dos serviços sociais à população e ainda o acesso à saúde e tratamento adequado aos que necessitem e as ações e serviços devem ser universais e igualitários. O direito à saúde compreende as obrigações de respeitar, proteger e implementar.
         A saúde como direito se baseia no artigo 25 da Declaração Universal dos Direitos do Homem (10/12/1948), lavrada pela Organização das Nações Unidas (ONU), cujo teor expressa o direito de todo ser humano à prestação sanitária. Todavia, o direito fundamental à saúde como direitos a prestações implica postura ativa do Estado, no sentido de que este se encontra a colocar à disposição dos indivíduos prestações de natureza jurídica e material. O texto constitucional abriga não apenas o direito, mas também um dever fundamental, conforme prescreve o caput do artigo 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. Assim, o direito à saúde é um direito social, uma prestação positiva reclamável perante o Estado, e como tal, exigível. Mediante o reconhecimento normativo, doutrinário e jurisprudencial de que a saúde é um direito fundamental do homem, tem-se que as normas constitucionais são de aplicabilidade imediata e eficácia plena.
         A norma de aplicabilidade imediata, como o próprio nome diz, deve ser aplicada imediatamente, é uma consequência natural da supremacia dos direitos fundamentais, pois não haveria sentido em condicionar a aplicação de determinado direito fundamental a uma futura e incerta regulamentação legislativa. Já as normas de eficácia plena são aquelas que, desde a entrada em vigor da Constituição, produzem ou têm possibilidade de produzir todos os direitos essenciais relativamente aos interesses, comportamentos e situações, que o legislador diretamente e por meio de sua normatividade, quis regular.
         Sendo assim o direito fundamental à saúde, deve ser imediato e eficaz, levando em consideração a máxima eficácia das normas de direito social, no qual está inserido o direito fundamental à saúde. Os direitos sociais estão ligados aos direitos humanos, vem em consideração que estes correspondem aos princípios morais que devem assegurar condições mínimas para a realização de uma vida digna. O direito fundamental à saúde na esfera dos direitos sociais, é o mais importante, levando em consideração que a falta deste impossibilitaria a perpetuação e continuação da vida humana. O processo de discussão contribuiria para a reflexão sobre as alternativas hermenêuticas mais afinadas com o mandamento da maximização da eficácia e efetividade dos direitos fundamentais, em especial ao direito fundamental à saúde.
         Muito embora os direitos fundamentais estão sendo discutidos durante décadas em outros países, na atual estrutura normativa brasileira, é uma singularidade que é garantida a poucos e ainda de forma precária. Tendo em vista as dificuldades de regulamentar esse Sistema Único de Saúde (SUS), que está garantido na Constituição, por muitas vezes não passa de uma mera falácia, para se ter garantido o direito à saúde é necessário recorrer ao Judiciário, para que este possa efetivar esse direito fundamental garantido a todos.”

(BRUNA DALEFFE DE VARGAS. Advogada, pós-graduanda em direito empresarial e civil, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 27 de maio de 2015, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 5 de junho de 2015, mesmo caderno, página 5, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Do diálogo à paz
        O diálogo é o único caminho para se conquistar a efetivação da paz, em todos os níveis, instâncias e segmentos da sociedade. No fundamento do diálogo, está o enorme desafio do entendimento. Os desajustes nas dinâmicas que levam ao entendimento prejudicam a busca pela verdade, não possuída, em caráter absoluto, por ninguém – por nenhuma autoridade religiosa ou sistema político-ideológico. Só se aproxima da verdade quem dialoga. Essa constatação se aplica na administração de situações que ocorrem no ambiente doméstico, nas que se relacionam ao ambiente profissional, ao exercício da cidadania e também nas grandes tratativas de relações políticas internacionais. Buscar a paz acima de tudo é abrir-se ao diálogo. Só o entendimento conquistado pelo diálogo possibilita o avanço na direção da paz. O distanciamento desse dom de Deus é resultado da incompetência para o diálogo. Nesse ponto, há um detalhe de grande importância a ser observado para que o dialogar permita o entendimento e, consequentemente, o aproximar-se da verdade. Trata-se da superação das visões de mundo estreitas, que impossibilitam os avanços necessários para se alcançar a paz a partir do diálogo.
         É interessante pensar, como exemplo que clarifica essa análise, em um conflito de ordem familiar, baseado nas diferenças entre gerações. A velocidade das mudanças culturais e tecnológicas que afetam de modo mais intenso os jovens, localizando-os numa distância muito peculiar de vida e de compreensão, não raramente colide com as visões, posturas e escolhas da geração adulta. O convívio de diferentes perspectivas requer boa administração para que o diálogo não fique comprometido e, consequentemente, falte paz às famílias. A competência para o diálogo é necessária na articulação do conhecimento, no uso das tecnologias e na compreensão das mudanças culturais.
         Caminha rumo à paz, a partir do diálogo que leva ao entendimento, exige sensibilidade social e política. O tipo de orientação que se dá à vida no exercício das próprias responsabilidades tem consequências que podem ser graves. Pode-se avaliar, entre as diversas e importantes situações, a reunião de um grupo em determinado parlamento. Se a visão de mundo desses representantes do povo for equivocada, se agirem orientados a partir de interesses cartoriais – o que indica pouco compromisso com o interesse do povo –, somente serão capazes de oferecer respostas medíocres diante das muitas necessidades sociais.
         Concretamente, pode-se pensar no projeto de reforma política desenvolvido no ambiente parlamentar sem a devida escuta da sociedade civil e, também, na proposta de diminuição da maioridade penal. Iniciativas que escancaram as limitações dos que se posicionam e votam de modo favorável a essas mudanças. A consequência é desastrosa, atrasa processos e inviabiliza o desenvolvimento da sociedade. O que se passa na esfera política não é muito diferente do que ocorre no âmbito religioso. O horizonte de compreensão, muitas vezes, torna-se estreito pela rigidez, pela hegemonia do conservadorismo ou por falta de preparo intelectual. É alto o preço pago por se “rifar” projetos e pessoas – o outro que deve estar na ponta do diálogo que salva.
         A referência ao diálogo como caminho para a paz emoldura o conjunto de outros âmbitos e incursões que precisam permanentemente ser bem tratados. Do diálogo entre diferentes culturas, passando pelo respeito aos direitos humanos, a responsabilidade no cuidado ambiental – livre da ganância, em parâmetros de verdadeira sustentabilidade –, até o primordial combate à pobreza, como condição indispensável na construção e conquista da paz.
         Curioso é que o instrumento contemporâneo das redes sociais e toda a tecnologia digital à disposição, eivadas de informações, podem ter sua força de serviço enfraquecida e comprometida por conta da incompetência individual de dialogar em busca da verdade. Mal maior se forma quando desmorona o mais importante santuário de cada pessoa: a sua consciência. Esse importante lugar para o diálogo, em função de interesses, com o objetivo de elaborar justificativas e de esconder razões espúrias, torna-se ambiente em que mentiras ganham aparência de verdades. Corrompida a consciência, não haverá mesmo saída para a paz.
         A incompetência para o diálogo que constrói a paz impossibilita que sejam alcançadas as muitas soluções necessárias, induz a sociedade a pensar, erroneamente, que a solução de suas crises depende apenas dos números e cifras. Perpetua uma dinâmica cultural da dependência e da mediocridade. É hora de investir na educação para o diálogo a partir da convicção incontestável de que ele é o caminho para a paz.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ao ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir imediata, abrangente, qualificada e eficaz auditoria...

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...     
     

    

quarta-feira, 3 de junho de 2015

A CIDADANIA, A CHAMA DA ESSÊNCIA DA VIDA, A EDUCAÇÃO, A FAMÍLIA E A ESCOLA

“A comunhão com a essência da vida está ao alcance de todos
        Por três vezes nesta vida o destino conduziu-me às terras conhecidas como Portugal e por uma vez às ilhas, na época portuguesas, na África. Fui a tais lugares sob diferentes pretextos, e somente muito depois vim a compreender o verdadeiro sentido de ter sido levado até eles.
         As caminhadas por Lisboa, ou pelas ladeiras das ilhas, constituíam, na verdade, uma ocasião muito especial. O caminhar em silêncio equilibrava a energia dos meus sentimentos e emoções e parecia despir-me do supérfluo, em termos de forças atávicas.
         Certa vez, encontrando-me sobre um promontório, parecia estar de pé em uma pira ardente. A consciência humana, representada pelo cérebro físico, compartilhava daqueles sagrados momentos de purificação, embora sem compreender a extensão do que acontecia.
         Hoje posso definir tais contatos como a comunhão com a essência da Vida nos reinos e nos elementos da Natureza. Eram momentos em que uma Presença pulsava na terra sob meus pés, como se o coração dessa Vida pudesse ser percebido nos grãos minerais que formavam aquele solo; o vento suave passava como se atravessasse meu corpo, preenchendo-o com sua leveza; os arbustos e as pequenas flores nos campos e jardins das cidades reluziam ao sol, revestidos de um dourado que normalmente desconhecemos; os aromas que se faziam sentir testemunhavam a presença de uma energia espiritual que vive nos planos internos e que em sua pura essência transforma os éteres da superfície da Terra.
         Vivenciava essas experiências não apenas como observador, mas unido ao pulsar da Vida que rege os universos. Experimentava, assim, um sentimento de profunda gratidão.
         A partir desses momentos começou a emergir em mim um estado de oração espontâneo, sem palavras, que me dava o ensejo de assumir a vida de serviço, não pela oportunidade que este traria de aproximar-me dos mundos de pura luz e paz, mas pela premente necessidade planetária. Isso me fazia aderir à consciência orante, silenciosa, como um pincel nas mãos de um pintor, um instrumento que se move sob a ação de uma vontade superior e que não escolhe o traçado nem as cores que devem aparecer na tela.
         Existe um mistério na disposição interna da pessoa para sua entrega absoluta às energias superiores. Os segredos da existência em níveis profundos lhe são revelados apenas quando ela tem condições de seguir a Lei espiritual; e tais segredos estão sintetizados na seguinte asserção: estar no mundo sem ser do mundo. Deixando-se pertencer ao mundo, a pessoa perde sua impassibilidade, que é o caminho para o Imutável, para Deus.
         Uma potente energia positiva está hoje mais atuante que no passado, embora muitas vezes não seja notada. Só revela a sua face para aqueles que não ambicionam vê-la. Quando está presente, os ares se movem e acende-se no interior das pessoas uma chama, cuja vibração torna-se um poderoso convite para prosseguirem no Caminho. Entretanto, a grande maioria da humanidade continua adormecida, prisioneira de interesses pessoais, pensando apenas em usufruir os bens que a vida planetária ainda possa oferecer. Mas, independentemente da inércia que existe no campo material, o prosseguimento da vida na Terra já é, por si só, prova inquestionável da presença de uma Lei Maior.
         O que ao homem foi anunciado, inevitavelmente será cumprido; a vida em comunhão com esferas sagradas de consciência está ao alcance dos que a buscam.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 31 de maio de 2015, caderno O.PINIÃO, página 18).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 22 de maio de 2015, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Família, uma escola
        As crises no atual contexto da sociedade demandam qualificados investimentos em educação. A escola formal é muito importante, pode transformar processos, mas deve ser permanentemente repensada. Essa atitude reflexiva é necessária justamente para que a dimensão “formal” da escola, seu componente constitutivo, não se torne, no lugar de um processo libertador e alicerce de um novo humanismo, um caminho para a produção de polarizações e radicalismos, que tanto pesam sobre a sociedade. Preocupante também é a quantidade de diplomados sem capacidade para liderar e impulsionar processos, mesmo os mais simples. Trata-se de uma carência que atrasa a superação das muitas crises.
         O tratamento inadequado da realidade educacional no país apena os estudantes e os processos de ensino. Se a educação é prioridade, torna-se inaceitável a imposição de sacrifícios às instituições educativas e aos seus destinatários: os alunos. Esses sacrifícios comprometem a formação pessoal e profissional. Por isso, espera-se lucidez política e governamental para que os problemas criados por outros não imponham dificuldades aos que são esperança do futuro. No conjunto de instituições educativas, deve-se considerar a família, a primeira escola. Indicações oportunas, que precisam ser refletidas, estão na mensagem do papa Francisco para o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado pela Igreja Católica, no mundo inteiro, dia 15 deste mês. A mensagem sublinha que a família há de ser compreendida sempre como um ambiente privilegiado do encontro na gratuidade e no amor. Por isso mesmo, é uma escola.
         Encontro e gratuidade têm que ser aprendidos, vivenciados e exercitados. Essa capacitação, de caráter espiritual, é indispensável para que a sociedade enfrente suas muitas dificuldades e encontre saídas. Não se pode limitar a compreensão da crise econômica, por exemplo, considerando que sua superação passa apenas por números e taxas. A falta de qualidade humanística, em todas as etapas da história, é o nascedouro de desastres. Trata-se de base para os descompassos, fonte de prejuízos na sociedade. Investir na formação humanística, que começa no contexto familiar, eis uma saída no processo exigente para prevenir e superar crises.
         Por isso, a Igreja Católica coloca a reflexão sobre a família no centro de suas prioridades. Será realizado em outubro deste ano, em Roma, a partir de convocação do papa Francisco, o Sínodo dos Bispos que aprofundará essa reflexão. A Igreja é consciente do caráter determinante da família na sua missão e na sua constituição. Essa consciência sobre a importância do contexto familiar precisa ser cada vez mais partilhada por todas as instituições da sociedade, particularmente as governamentais.
         A aprendizagem singular e insubstituível da comunicação na escola da família abrange a vivência de dinâmicas que qualificam para que se conviva com a diferença. Isso é exigência fundamental na vida contemporânea. É na família que se aprende a língua materna, uma força que desperta a capacidade de percepção e incita o sentido de viver e de fazer algo de bom e belo. A experiência de se constituírem vínculos no contexto familiar é determinante na formação da competência para gerar respostas. É na família que se inicia também a configuração de uma indispensável espiritualidade, sem a qual não se dá conta de viver adequadamente.
         Comprometida a instituição familiar e, consequentemente, os processos de comunicação, muitos serão os prejuízos. Basta listar e analisar situação em que atores inadequadamente interagem, manifestam incompetência para uma comunicação capaz de gerar o que é bom e belo. A estrutura básica de cada pessoa – que inclui a capacidade para interagir –, para ser edificada, depende da família, lugar singular do abraço, do apoio, dos olhares comunicativos, do silêncio, do rir e chorar juntos numa experiência de amor entre pessoas. A família precisa estar mais na pauta cotidiana de instituições e de governos para que a sociedade não sofra grandes perdas e sacrifícios. O tratamento adequado dessa tão importante instituição é inadiável. Todos devem reconhecê-la como importantíssima escola.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ao ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir imediata, abrangente, qualificada e eficaz auditoria...

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...