quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A CIDADANIA, O PODER DA SINTONIA ESPIRITUAL E OS DESAFIOS DA JUVENTUDE MALTRATADA


“A sintonia espiritual correta 
com nosso ser profundo
        Quando nos dispomos a seguir a vontade do nosso ser profundo, interior, essa decisão traz uma paz e uma segurança que independem de circunstâncias externas. É como se víssemos nossa vida como um todo, sem sermos excessivamente envolvidos pelo passado ou com medo do futuro.
         Essa segurança não é comum nem material, mas decorre do fato de estarmos fazendo a coisa certa para o momento. Além disso, percebemos que, nesse caso, todo o nosso ser emite uma determinada nota, como se estivesse confirmando estar certa a nossa ação. Isso nos é mostrado, porém, não por meio da euforia nem de quaisquer reações da personalidade, mas por meio de uma profunda certeza de que estamos em sintonia correta.
         Não temos, assim, dúvidas de que nossos próprios atos terão consequências positivas. Se, ao contrário, agimos segundo o livre-arbítrio humano, não temos a mesma segurança. Podemos até estar decididos, mas nunca totalmente seguros. Enquanto a ação que se segue à aplicação da vontade pessoal parece-nos sempre duvidosa, seguir o impulso interior nunca nos traz dúvidas. Agimos, nesse último caso, como se as consequências não tivessem importância, como se tudo estivesse decidido a priori e não pudesse ser de outra forma. Dentro dessa percepção, mesmo quando nos são apresentadas outras possibilidade de escolha, é como se nos fossem estranhas e nada tivessem a ver conosco.
         Para nos conectarmos na prática com o nível superior da nossa consciência, precisamos, por meio da intenção de estabelecer essa conexão, fazer um “apelo” e, assim, o canal vai começar a ser aberto. A resposta dos níveis superiores completa a formação desse canal. Quem faz, na verdade, a conexão não é a personalidade, pois a ela só cabe aspirar por isso; quem executa o processo é algo que conhecemos como a “supraconsciência”, ou seja, a consciência superior no nosso ser.
         Há personalidades que fazem muito barulho quando expressam sua necessidade de unir-se com as dimensões superiores do ser, mas há outras que o fazem silenciosamente. É suficiente que nos aquietemos, sabendo que, quando chegamos a ter interesse pela busca dessa união, é porque há milhares de anos nosso eu superior está tentando nos atrair para ele. Assim, sendo esse processo bem mais amplo do que podemos supor, não há motivo algum para ansiedade nem para exteriorizações emocionais.
         A mente por exemplo, deve ser colocada em motivos positivos, não egoístas. O indivíduo deve deixar, aos poucos, de pensar no próprio bem e querer melhorar para tornar-se cada vez mais apto a ajudar o próximo. Essas são atitudes coerentes com a energia e com a vocação da alma.
         Sobre o eu superior e o eu profundo, podemos dizer que é uma consciência que se manifesta em três direções ao mesmo tempo: consciência de vida, consciência de grupo e autoconsciência. No nível do eu superior, não temos dúvida alguma de que somos Vida e temos aí a certeza da imortalidade. Também sabemos que somos um grupo e agimos em conexão com outras almas; quanto mais evoluído é o eu superior, tanto mais esse aspecto da sua consciência se aperfeiçoa, e, se estiver encarnado, ele então se reflete na experiência da personalidade. Finalmente, como eu superior, não perdemos a consciência de que somos um indivíduo. A fusão perfeita desses três estados – de ser vida, de ser grupo e de ser indivíduo – caracteriza o que é chamado de “eu superior”.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 15 de novembro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 18).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 23 de novembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de CARLOS ALBERTO DI FRANCO, jornalista, e que merece igualmente integral transcrição:

“Juventude maltratada
        O leitor é o melhor termômetro para medir a temperatura do cidadão comum. Tomar o seu pulso equivale a uma pesquisa qualitativa informal. Aos que há anos me honram com sua leitura neste espaço opinativo, transmito uma experiência recorrente: família, ética e valores aumentam o índice de leitura. Dão Ibope. Em recentes artigos, tratei da crise da família. Recebi muitos e-mails, sem dúvida uma sugestiva amostragem de opinião pública, sobretudo considerando o rico mosaico etário, profissional e social dos remetentes. Neste Brasil, sacudido por uma brutal crise ética, alimentada pelo cinismo dos homens públicos e pela mentira dos que deveriam dar exemplo de integridade, há, felizmente, uma ampla classe média sintonizada com valores e princípios que podem fazer a diferença. E nós, jornalistas, devemos escrever para a classe média. Nela reside o alicerce da estabilidade democrática. Escreva algo, sublinhavam alguns dos e-mails que recebi, a respeito da desorientação da juventude. Meu artigo de hoje, caro leitor, foi pautado por você. Tomarei como gancho um dado objetivo e preocupante.
         A gravidez precoce é hoje no Brasil a maior causa da evasão escolar entre garotas de 15 e 17 anos. Dados na Unesco mostram que, das jovens dessa faixa etária que abandonaram os estudos, 25% alegaram a gravidez como motivo. Outros estudos revelam que complicações decorrentes da gestação e do parto são a terceira causa de morte entre as adolescentes, atrás apenas de acidentes de trânsito e homicídios. A gravidez afeta até quem mal saiu da infância.
         A gravidez precoce realmente está se tornando um grande problema na educação. Se 25% das meninas de 15 a 17 anos grávidas deixam a escola, isso significa dizer que mais de 200 mil para anualmente de estudar. Futuro triste. Cenário complicado. Mas dramaticamente coerente com um país em que o ministro mais importante não é o da Educação ou da Saúde, mas o da Fazenda.
         É um absurdo acreditar que uma criança vá ter maturidade para ter um filho com essa idade. Pregar a abstinência sexual de meninas de 11 a 14 anos não significa ser moralista ou careta, mas responsável. Não se trata de histeria conservadora, mas de bom senso.
         A culpa não é só do entretenimento permissivo ou da TV, que, frequentemente, apresenta bons programas. É de todos nós – governantes, formadores de opinião e pais de família –, que, num exercício de anticidadania, aceitamos que o país definido mundo afora como o paraíso do sexo fácil, barato, descartável. É triste, para não ser trágico, ver o Brasil ser citado como um oásis excitante para os turistas que querem satisfazer suas taras e fantasias sexuais com crianças e adolescentes. Reportagens denunciando redes de prostituição infantil, algumas promovidas com o conhecimento ou até mesmo com a participação de autoridades públicas, crescem à sombra da impunidade.
         O governo assustado com o crescimento da gravidez precoce e com o crescente descaso dos usuários da camisinha, investe pesadamente nas campanhas em defesa do preservativo. A estratégia não funciona. Afinal, milhões de reais já foram gastos num inglório combate aos efeitos. A raiz do problema, independentemente da irritação que eu possa despertar em certas falanges politicamente corretas, está na onda de baixaria e vulgaridade que tomou conta do ambiente nacional. Hoje, diariamente, na televisão, nos outdoors, nas mensagens publicitárias, o sexo foi guindado à condição de produto de primeira necessidade.
         Se quisermos um entretenimento de qualidade, precisamos separar o exercício da liberdade de expressão da prática do entretenimento mundo-cão. Há uma liberdade de mercado que produz um mercado da liberdade.
         O Brasil, não obstante suas dramáticas chagas sociais, políticas e econômicas, é uma nação emergente. É, sem dúvida, bom de samba. Mas é muito mais que o país do gingado e do carnaval.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

      a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 414,30% para um período de doze meses; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  




terça-feira, 24 de novembro de 2015

A CIDADANIA, A LIDERANÇA ATRAVÉS DO DIÁLOGO E A LUZ DOS NOVOS ESTILOS DE VIDA

"Liderança em tempos de crise: na dúvida, pergunte!
        A liderança é um tema que está sempre presente na mente dos gestores. Hoje em dia, todos sabem que ninguém constrói o sucesso sozinho e que os resultados são alcançados em equipe. Por isso, aqueles que lideram melhor saem sempre na frente.
         Assim, os pesquisadores vivem estudando o tema da liderança. Várias teorias já surgiram e vão evoluindo com o passar do tempo. Antigamente, achava-se que a maioria dos homens preferia obedecer e não gostava de autonomia. Dá para acreditar? Era a chamada Teoria X, que caiu completamente por terra. Depois, o foco passou a ser a liderança como um dom nato: ou você dava a sorte de nasce líder ou dava azar e, aí, nunca chegaria a alcançar os postos mais altos em uma organização. Ninguém mais acredita nisso também, felizmente!
         Hoje em dia, a visão moderna entende a liderança como uma relação que é construída entre as pessoas, baseada na confiança e na comunicação, independentemente da autoridade formal. Líder é aquele que tem seguidores, não um grupo que o obedece cegamente. Por isso, se diz que ser gerente é uma coisa e ser líder é outra. Há vários chefes que não conseguem liderar a equipe. Eles mandam, e quem tem juízo obedece (ou boicota disfarçadamente), mas não lideram. E, do mesmo jeito, há vários líderes que são sempre vistos como referência, procurados, ouvidos – mesmo que não tenham nenhum cargo formal. Nas organizações, claro, o ideal é juntar as duas coisas: ser um gestor-líder.
         Nesse perspectiva, a liderança coaching é considerada uma forma avançada de liderar. A proposta é que o gestor adicione ao seu trabalho mais uma competência: a de ser o coach de sua equipe. O que um coach faz? O coach é um profissional que trabalham em parceria com um cliente, para ajudá-lo a se desenvolver e alcançar seus objetivos. Como o coach faz isso? Conversando. Uma sessão de coaching se parece muito com uma conversa, mas, por trás de um aparente bate-papo, o coach está o tempo todo desafiando e estimulando o cliente a pensar de forma criativa e inovadora e a encontrar soluções diferentes para velhos problemas. Os resultados são impressionantes: mudando sua forma de pensar, o cliente enxerga a realidade de um modo como nunca tinha visto, ganha autoconfiança e alcança seus objetivos em um tempo muito mais curto do que imaginava.
         O líder coach faz o mesmo, mas de uma forma simplificada. Ao aprender as técnicas básicas de coaching ele é capaz de transformar várias de suas conversas com seus liderados em conversas coaching. Em vez de dizer o que vai fazer, ele começa a perguntar. Não é fácil. Imagine um supervisor de vendas, neste momento do país, perguntando ao gerente: “As vendas caíram, o que fazemos?” e o gerente perguntando de volta? “Quais são as alternativas?”. Depois de anos acostumado a ter sempre as respostas para tudo, o líder pode se sentir inseguro, ao responder uma pergunta com outra pergunta. Esse comportamento quebra a imagem de líder todo-poderoso. Mas as vantagens são inúmeras. O líder que incorpora a competência coaching em sua liderança começa a ver que, quando ele pergunta, as pessoas respondem. As pessoas têm ideias, opiniões, experiências e podem pensar em alternativas diferentes das que ele próprio pensaria. O que é ótimo. Se duas cabeças pensam melhor do que uma, por que insistimos em colocar o líder para pensar o tempo todo?
         É claro que incorporar a competência coaching não significa deixar de falar e ficar só perguntando. Em muitas situações, o líder tem que realmente dar um comando firme, claro e seguro. Mas, à medida que ele começa a experimentar a liderança coaching, percebe que existem inúmeras situações em que, se ele perguntar, terá melhor resultado do que se disser o que é melhor. Basta ele saber como fazer e criar coragem.
         Os ganhos da liderança coaching são concretos. A cada vez que o líder pergunta: “que outras alternativas existem?”, mais a sua equipe se desenvolve e se torna mais capaz de resolver as coisas. Pessoas que aparentavam ser apáticas e sem iniciativa começam a se sentir seguras para dar opinião e tomar a frente. Problemas recorrentes, para os quais a área já tinha desistido de buscar uma solução definitiva, começam a ser resolvidos. O comportamento do líder muda, muda o comportamento da equipe. E todos saem ganhando.
         Se liderar fosse fácil, não haveria tantos artigos, cursos e palestras sobre o tema. A liderança é um misto de técnica e arte. Todos aqueles que são responsáveis por uma equipe, independentemente do tamanho, precisam investir no seu contínuo desenvolvimento. A liderança coaching pode ajudar muito, principalmente em tempos de crise. Pois tudo o que as empresas estão precisando agora é de todas as cabeças pensando juntas e pensando fora da caixa. Quem investir em soluções criativas vai passar pela crise com menos dificuldade e sair fortalecido do lado de lá.”

(RAQUEL FURTADO. Professora e pesquisadora na PUC Minas, doutora em administração, coach pessoal e executiva, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 8 de novembro de 2015, caderno ADMITE-SE CLASSIFICADOS, coluna MERCADO DE TRABALHO, página 2).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 20 de novembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Novos estilos de vida
        As recentes tragédias – rompimento devastador de barragem na região de Mariana e os ataques terroristas em Paris –, que contracenam com outros acontecimentos terríveis, mostram a urgência de se buscar novos estilos de vida. Mudar a mentalidade é indispensável, sob pena de sermos surpreendidos por muitos outros prejuízos, ataques e descompassos na vida social e política. Somente com transformações profundas será possível alcançar novos estilos de vida, presididos sempre pela busca do belo, do bom, do bem e da comunhão. As novas posturas devem ser capazes de regrar o consumo e a acumulação compulsiva de riquezas. Têm que ser pautadas e inspiradas pela sobriedade, temperança e autodisciplina, no plano social e pessoal.
         É indispensável sair da lógica do mero consumo para se alcançar formas de produção, agrícola e industrial, que priorizem o respeito ao meio ambiente e as necessidades fundamentais de todos. Torna-se fundamental investir na compreensão e na vivência de uma ecologia integral. Na contramão desse entendimento e prática, bombas-relógio continuarão ativas, em processo de detonação. Tragédias, embora previsíveis, vão continuar a surpreender a sociedade, em lugares distantes e próximos. É cada vez mais urgente a lucidez de governos e de construtores da sociedade, com a indispensável participação dos formadores de opinião, nos diversos campos do saber e dos serviços, para produzir uma séria avaliação dos acontecimentos. Trata-se de necessário caminho reflexivo para intuir, de forma inteligente, novos rumos.
         As reações diante das tragédias não podem ser concebidas como simples maquiagem de situações ou tratamento superficial dos desastres humanos e ambientais. A política internacional está desafiada diante da barbárie de atos terroristas. Igualmente estão desafiadas as sociedades mineira e brasileira, particularmente governos e envolvidos nas atividades minerárias, diante de um quadro que é terrificante. Há de se imaginar ainda o que não se vê, mas ameaça veladamente a vida de muitos, como uma bomba prestes a explodir. Situações preocupantes que só se tornam conhecidas quando se manifestam na forma de desastres, a exemplo do que ocorreu durante o rompimento da barragem no subdistrito devastado de Bento Rodrigues.
         Não basta apenas multar. Decretos e a simples desburocratização de procedimentos legais e relevantes não incidirão nas raízes do problema. Exige-se mudança profunda em cenários que são produzidos pela falta de critérios, seriedade e discernimento. Infelizmente, pouco tempo depois de situações graves, corre-se o risco de um relaxamento. Com isso, decisões importantes acabam sob a tutela de quem não tem critérios adequados para fazer avaliações e decidir, pessoas movidas apenas pela visão de aumentar a arrecadação. Preguiçosamente, não há esforço para investir em novos estilos de vida.
         O embrutecimento de mentes e corações pela avidez do lucro leva ao entendimento de que é preciso produzir sempre mais, custe o que custar, uma desumanidade avassaladora. Lamentavelmente, essa visão distorcida tende a considerar como “romântica” a atitude cidadã de cultivar gratidão diante do conjunto maravilhoso da natureza, das criaturas todas. Torna-se necessário compreender que o dom ambiental no qual o ser humano está inserido reconduz ao mistério de Deus. A perda desse sentido produz a insolência gananciosa que absurdamente vai passando por cima de tudo, de todos, como um trator. No que diz respeito à nossa Minas Gerais, todos são desafiados – líderes governamentais, segmentos diversos da sociedade – a repensar caminhos para que a história mineira não fique ancorada no desarvoro minerário, mas no compromisso de se encontrar novos estilos de vida. Isso requer coragem e vontade política, exige um olhar de lince sobre todos os aspectos da crise mundial e local, priorizando, acima de tudo, as dimensões humanas e sociais.
         Bem adverte, com simplicidade, inteligência e assertividade, o papa Francisco na carta encíclica ‘Laudato Si’, que “isto exige pensar e discutir acerca das condições de vida e sobrevivência de uma sociedade, com a honestidade de pôr em questão modelos de desenvolvimento, produção e consumo”. Os cenários de desolação do momento devem impulsionar líderes políticos e empresariais a abrir o diálogo franco e transparente com a sociedade inteira. A escuta da voz que vem das ruas, especialmente dos pobres e dos flagelados, é exercício que produz novos discernimentos. Trata-se de percurso a ser seguido para escrever página nova na admirável história mineira, a partir de novos estilos de vida.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 414,30% para um período de doze meses; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  


 

    

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A CIDADANIA, A FORÇA DA HARMONIA E SERENIDADE E OS CAMINHOS DA SUSTENTABILIDADE

“Como alcançar a harmonia e 
a serenidade nos dias atuais
        No decorrer da vida podemos perceber que para estar sadios é importante cultivarmos a serenidade. Mas como conseguir isso? Como não nos deixarmos afetar pelo que sucede à nossa volta?
         Primeiro, temos de tomar consciência de que a serenidade é um estado que vem de dentro de nós, do nosso interior. Dessa forma, nada que esteja fora de nós deve ser empecilho para manifestarmos esse estado. Podemos desenvolvê-lo quando adquirimos neutralidade diante dos acontecimentos e seguimos nosso caminho sem dispersão ou desordem. Quem conquista essa atitude se torna como uma fortaleza e não se abala com circunstâncias.
         A serenidade não depende de fatores externos; por isso, é inútil busca-la em pessoas, em situações ou em ambientes. E, como já dissemos, poderá ser encontrada somente dentro de nós. Por outro lado, o mundo é o nosso campo de trabalho para exercitá-la. A vida atual, tão atribulada para a maioria, é uma prova para testar o grau de serenidade que podemos atingir e, ao mesmo tempo, um estímulo para robustecê-la.
         Desenvolvemos a serenidade ao estabelecermos um ritmo ordenado e harmonioso em nosso dia a dia.
         A maioria das pessoas não cuida disso espontaneamente e, para que possam desenvolver ordem e disciplina, quase sempre a vida lhes apresenta um ritmo compulsório, como por exemplo: horários rígidos a cumprir, dias certos de repouso. Mas quem voluntariamente distribui as atividades em horários regulares, de modo flexível e com atenção à ordem, tem como resultado um cotidiano que facilita a serenidade.
         Ao nos adestrarmos na disciplina de uma vida ritmada, deixamos de ficar ansiosos para que as coisas comecem ou terminem segundo nossas expectativas, quase sempre sem fundamento real. Assim, podemos canalizar a atenção, o pensamento e o sentimento para o momento presente, e não para um futuro que imaginamos. Assim, a rotina diária não mais nos incomodará e, finalmente, poderemos perceber que a vida jamais termina – nossa existência, então, liberta-se dos limites do tempo.
         Vivendo o ritmo diário com sabedoria, aprendemos a usar o tempo corretamente. Isso permite que, ao iniciarmos uma nova tarefa, nos sintamos restaurados. E, mesmo quando necessitamos de repouso, nosso estado físico já não será de desgaste ou inquietação, porque evitamos dispersões e permanecemos inteiros, atentos ao que estávamos fazendo. Desse modo, os períodos de renovação, tais como sono e repouso, têm efeitos mais abrangentes.
         Alcançamos a serenidade pelo alinhamento da nossa consciência humana, exterior, com níveis espirituais da alma. Isso pode ser conseguido mais facilmente depois de termos imprimido um ritmo harmonioso na vida diária.
         Importante seria reservarmos um momento durante o dia para estar em quietude. Nesse momento, com o cérebro descansado, assistimos ao que se passa na mente. O que faremos a partir daí vai depender do nosso temperamento e do tipo de pensamentos que emergirem. Podemos simplesmente vê-los passar ou procurar transformá-los. Com o tempo, os pensamentos vão-se acalmando e entramos então em outra fase: a de observar a respiração, sem interferir, entretanto, em seu ritmo natural.
         Esse aquietamento deve ser realizado sem preocupação com resultados. Podemos praticá-lo durante anos a fio, aparentemente sem resultado algum. Mas um dia nos damos conta de que nossa mente ficou mais calma, mais concentrada, e por fim nos encontramos serenos.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 1 de novembro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 19 de novembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de OLAVO MACHADO, presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Sistema Fiemg), e que merece igualmente integral transcrição:

“Carta da Indústria
        O Brasil atravessa um dos momentos mais complexos de sua história. Nesta conjuntura, são fundamentais correção de rotas, sentido de3 urgência e enfrentamento de questões econômicas, políticas e institucionais, que são obstáculos ao desenvolvimento pleno do país. Essas questões estão explicitadas na Carta da Indústria, divulgada no 10º Encontro Nacional da Indústria (Enai)), que contou com a participação de uma delegação de 55 industriais mineiros coordenados pela Fiemg. O documento identifica os principais problemas e contém propostas para a superação da crise.
         A raiz dos problemas do Estado brasileiro está nas dificuldades de governança e de governabilidade. Entre os obstáculos, estão o aumento contínuo dos gastos públicos, as pressões pelo aumento da carga tributária, a insegurança jurídica e a ineficiência do Estado. Entendemos que tudo isso reduz a produtividade, a única forma de crescimento sustentável com aumento do bem-estar. A combinação dos problemas de governança com a complexidade regulatória gera uma percepção de paralisia, inércia e falta de evolução em temas centrais para a competitividade da economia.
         A Carta da Indústria aponta as ações indispensáveis para o país voltar a crescer. Na visão dos empresários, os compromissos fundamentais são:
         Ajuste macroeconômico. A estabilidade e a previsibilidade são fundamentais para o crescimento. É essencial garantir as condições para o equilíbrio das contas públicas e o controle da inflação. Mas esse ajuste tem de ser alcançado com uma agenda crível e com uma trajetória que gere confiança nos agentes sobre a sua sustentabilidade e eficácia.
         Sustar iniciativas fiscais desequilibradoras. É fundamental sustar iniciativas que agravam o quadro fiscal de longo prazo, aumentam os custos para as empresas, deterioram as condições de competitividade e geram incertezas sobre o futuro.
         Qualidade do ajuste fiscal. O problema fiscal brasileira deve ser enfrentado de forma estrutural. As fontes de pressão sobre o gasto público precisam ser combatidas na origem. Regras automáticas de expansão das despesas e falta de atenção às mudanças demográficas precisam ser revistas. Ao não enfrentar as fontes de pressão, criam-se as condições para ajustes provisórios e de baixa qualidade que penalizam investimentos e elevam a ineficiência do Estado. E mais grave: antecipam a necessidade de ajustes que amplificam a insegurança sobre o futuro.
         Carga tributária. É inaceitável o aumento da carga tributária, seja pela criação de novos tributos ou pela elevação das alíquotas dos existentes. O aumento de recursos precisa vir da racionalização das despesas e do crescimento da economia.
         Simplificação radical do ambiente de negócios e melhoria da qualidade regulatória. É preciso mudanças na percepção dos produtores e investidores sobre a qualidade do ambiente de negócios no Brasil – notadamente nas áreas tributária e de relações de trabalho – e que se destravem os obstáculos regulatórios que inibem as decisões de investimentos de vários setores da economia brasileira.
         Foco nas exportações. Garantir foco nas exportações por meio de iniciativas que promovam a desburocratização, facilitação do comércio, abertura de mercados e mudança de preços relativos que tornem atraente a atividade exportadora.
         Infraestrutura. É a grande oportunidade para a economia brasileira. As mudanças mais expressivas dos marcos regulatórios foram feitas. O fundamental é atuar para que as condições de atração de investimento sejam realistas, rentáveis e seguras. A qualificação e independência das agências reguladoras é uma condição importante para aumentar a segurança jurídica dos investidores.
         Produtividade e inovação. O desenho das políticas e as iniciativas  empresariais devem privilegiar a produtividade e a inovação. É importante que o ajuste macroeconômico não desative instrumentos e ativos que não podem sofrer interrupções, a exemplo das atividades de pesquisa & desenvolvimento.
         O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, afirmou que é preciso ação, construção de consensos e firme decisão política para fazer as reformas de que o pais necessita para crescer. Ele defendeu uma reforma da Previdência, avanços no sistema tributário, nas relações de trabalho e na regulação das concessões. E destacou a importância de os empresários se mobilizarem para viabilizar as reformas que vão elevar a competitividade.
         O momento exige transformações abrangentes. É preciso que o setor público se comprometa com uma profunda melhoria do ambiente de negócios no Brasil. A agenda passa pelo reequilíbrio macroeconômico, pois a estabilidade e a previsibilidade são condições fundamentais para o crescimento. Mas o ajuste precisa ser rápido e cirúrgico para minimizar os custos que o acompanham.
         O problema fiscal deve ser enfrentado de forma estrutural. Neste sentido, é necessário rever regras automáticas de expansão dos gastos, assim como se deve dar atenção às mudanças demográficas que afetam a Previdência Social.
         A CNI defende a aprovação de outros avanços, como na estrutura tributária, nas relações de trabalho, na regulação das concessões e na abertura de mercados para facilitar as trocas no comércio exterior. Em um momento como este, torna-se inoportuna a proposta do governo de elevar impostos. Fazemos coro às palavras do presidente Robson Andrade e rejeitamos, peremptoriamente, as constantes propostas de criação de impostos e de aumento dos já existentes. Não aceitamos a ressurreição da CPMF. Quem produz e cria empregos neste país não suporta mais tantos obstáculos e burocracia à produtividade e à competitividade. São desiguais os sacrifícios impostos aos empresários e empresas. O setor bancário precisa ser mais transparente, assim como o tratamento da dívida e seu serviço. A população não aguenta mais tanto imposto a receber serviços de péssima qualidade. Revisar de maneira independente nossa Constituição é fundamental para equalizar os muitos direitos e poucos deveres. A conta não fecha.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 414,30% para um período de doze meses; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  


 
     

        

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A CIDADANIA, A LUZ DA ARTE DIGITAL NA EDUCAÇÃO E AS ONDAS DE LAMA

“A arte digital na educação
        Começou como um desafio, aliar tecnologia e arte e ter como resultado a possibilidade de enxergar e documentar as mais diversas manifestações culturais. Essa é a proposta do TIM ArtEducAção Digital, projeto idealizado pela ONG Humanizante e que oferece a jovens oficinas de arte digital que estimulam a criação e transformação de conhecimentos para dispositivos de tecnologia digital. Hoje não conseguimos imaginar o mundo sem toda a tecnologia disponível. E na educação não poderia ser diferente.
         Por isso, apostamos na oficina de arte digital com objetivo de desenvolver uma metodologia específica de ensino, que amplia o conhecimento digital como meio de criação cultural e artística. E os resultados são encantadores nas 13 cidades em que o programa TIM ArtEducAção está presente. As oficinas são o registro audiovisual das manifestações artísticas captadas pelos alunos através de equipamentos de mídias móveis como câmeras portáteis, amadoras e de celulares. Algumas atividades desenvolvidas pelos alunos são a criação de microdocumentários sobre as suas cidades, a documentação de pílulas videográficas e o registro das demais atividades desenvolvidas pelas oficinas do programa. Nas aulas, a tecnologia é trazidas para a discussão como ferramenta para leitura, produção de textos e interpretação de imagens e produção de conteúdo. A oficina ArtEducAção Digital faz interagir a linguagem tecnológica que o jovem gosta com todas as demais modalidades artísticas. Mostramos a eles o que essa nova linguagem digital pode acrescentar em suas vidas, ampliando o olhar e enriquecendo o aprendizado. A forma de educar estará sempre em constante transformação, e por isso é tão importante que os educadores estejam abertos às novas tecnologias disponíveis, que agregam valor e encantam os alunos. Durante alguns anos, trabalhei como professor de matemática em Viçosa e foi o momento em que vivenciei de perto o verdadeiro poder transformador da arte. Comecei a fazer a fazer leitura de poesias e crônicas no início das minhas aulas, o que relaxava a tensão causada pela matéria. Com isso, a emoção aflorava, os sentimentos fluíam e a criatividade se manifestava. O resultado foi estarrecedor: 95% de aprovação. Sem dúvida, temos muito que caminhar para transformar a educação. Mas pequenos gestos e progressos são essenciais e devem ser considerados grandes avanços. Acredito que um bom começo para essa transformação seja por meio da quebra dos paradigmas e inserção da interatividade nas aulas, que contribuem para o aprendizado dos alunos. E A arte digital é uma ferramenta multidisciplinar ideal para dar o start necessário para essa mudança.
         O que se vê hoje é um nível elevado de informações que chegam de todos os lugares, com um ritmo tão acelerado que os jovens não sabem como absorver tudo o que chega até eles. E a arte tem o poder de mudar esse cenário, pois, quando entra nas escolas, leva prazer aos alunos, permitindo concentração, desenvolvimento do conhecimento e reflexão. É gratificante perceber o brilho no olhar dos alunos, que se encantam com seus trabalhos desenvolvidos nas oficinas de arte digital, nos motivando ainda mais a trilhar um dos mais belos caminhos, o da construção do conhecimento."

(MARCELO SOARES DE ANDRADE. Ator, diretor de teatro, produtor cultural, presidente da ONG Humanizante, idealizador do programa TIM ArtEducAção, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 13 de novembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 15).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição, caderno e página, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Ondas de lama
        As ondas de lama vindas do desastre ambiental no arrasado Subdistrito de Bento Rodrigues, em Mariana, afetam não apenas pontos específicos dos estados diretamente atingidos. Atolam toda a sociedade. Uma tragédia anunciada que ultrapassa os limites do município de origem e as divisas do estado. Invade todo o ecossistema, sufoca a vida. A crueldade com a natureza é atingida e, sobretudo, a dor dos pobres que perdem familiares e o pouco que têm contracenam com a terrível destruição de casas e de outros cenários urbanos.
         Os desdobramentos dessa tragédia exigem repensar definitivamente a vocação e o destino das Minas Gerais, diante do risco de novas irresponsabilidades recaírem sobre a população em forma de desastres ainda mais graves. Impõe-se a necessidade de um direcionamento novo, fora dos parâmetros da ganância e até mesmo da justificativa de que a economia do estado só se sustenta e avança por meio dessas atividades. Tarefa que deve ser assumida, com urgência, pelo governo do estado, prefeituras. Poder Legislativo e setores privados – especialmente o minerário – mas, principalmente, pelos órgãos de controle público. É indispensável que sejam ouvidas as vozes sensatas de igrejas e outros segmentos sérios e representativos da sociedade.
         Agir a partir de compreensão simplista sobre a geração de riquezas e empregos, sem considerar a complexidade da realidade, gera consequências devastadoras. É, incontestavelmente, “assinar atestado de incompetência”. É comodismo e falta de inventividade para a necessária produção de bens.
         No horizonte desenhado por essa tragédia, os representantes do povo no poder público têm o compromisso moral de redirecionar a história minerária do estado de Minas Gerais. Uma história controversa. Para além da lucratividade e dos benefícios apresentados como decorrentes da mineração, exige-se um ordenamento jurídico novo, não apenas fundamentado no rigor das burocracias para licenciamentos, mas fruto de um entendimento que a lucidez da carta encíclica ‘Laudato Si’ – sobre o cuidado da casa comum do papa Francisco, trata com inigualável propriedade. O documento traça o horizonte de transformações radicais e de mudanças urgentes em procedimentos e atividades, e no compromisso de consertar, no ambiente e na vida das pessoas, o que absurdamente já se tem produzido.
         A voracidade das atividades minerárias, fermentada pelo entendimento que configura a economia – com os royalties pífios em comparação com outras atividades, como a petroleira bilionária que cega a honestidade de políticos, empresas e outros –, há de ser controlada definitivamente. Há caminhos para isso. Ações são possíveis. Segmentos da sociedade têm voz e poder para intervir e dar novos rumos a essa história, agora, ainda mais, reforçados pelo ocorrido no subdistrito de Bento Rodrigues. Tragédia que também anuncia outras catástrofes, como bombas-relógio a explodir a qualquer hora.
         É exigência lançar o olhar compassivo e politicamente indignado sobre esses cenários todos, para garantir atuação corajosa de movimentos e instituições em defesa e salvaguarda do ambiente. Caso contrário, ao satisfazer os ditames cegos da economia, a consequência será a destruição e o caos. As possibilidades de vitória são reais. São exemplares a conquista do Movimento SOS Serra da Piedade, o comprometimento da Arquidiocese de Belo Horizonte e o ato de lucidez governamental impedindo o absurdo da continuidade da atividade mineradora na região. Pode-se ver, hoje, os cenários de desolação, verdadeiras ameaças ao mais importante monumento histórico, paisagístico, cultural e religioso dos mineiros, a Serra da Piedade, o Santuário da Mãe da Piedade, Padroeira de Minas.
         Uma grande frente de solidariedade cuida dos que sofrem as consequências do desastre, atendendo urgências e necessidades. E os responsáveis pela tragédia? Devem ressarcir as perdas. Parem tudo, não importam os prejuízos econômicos. Que encontrem outros meios mais justos para a sustentação da economia. Parem tudo e busquem a lucidez capaz de compreender a ecologia integral, inteligentemente indicada no capítulo quarto da encíclica interpelante do papa Francisco. Diante dos problemas atuais, é necessário “um olhar que leve em conta todos os aspectos da crise mundial e que nos detenhamos a refletir sobre os diferentes elementos de uma ecologia integral, que inclua, claramente, a dimensões humanas e sociais”. Essa deve ser a palavra de ordem para que o povo não sofra com outras ondas de lama.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 414,30% para um período de doze meses; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”