segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A CIDADANIA, A HUMANIDADE EM BUSCA DO SAGRADO E A CELEBRAÇÃO DA PAZ

“O despertar da humanidade para uma 
vida em comunhão com o sagrado
        Muitos hoje estão conscientes do caminho espiritual, tanto em seus aspectos filosóficos como no que se refere à prática, à transformação do próprio ser. Todavia, nem sempre conseguem trilhá-lo com o requerido vigor. Por isso, o ensinamento espiritual indica-lhes receptividade cada vez maior a energias transcendentes e transformadoras por meio do puro amor ao que é divino. Essa atitude de devoção deve ser isenta de emocionalismo para que se possa atingir com precisão a meta superior. A devoção ajuda os seres a irem adiante, a ingressarem no serviço evolutivo e eleva elementos positivos de sua atual constituição para adaptá-la à nova vibração deste universo.
         Segundo o Ensinamento superior, a humanidade da superfície da Terra distribui-se em três etapas evolutivas: a dos que ainda não despertaram para a realidade interna; a dos que estão receptivos à realidade espiritual interna e têm intenção de colaborar para a evolução; a dos que vivem conscientemente a realidade interna.
         A humanidade constitui elo imprescindível entre os inúmeros reinos que compõem os escalões evolutivos de um planeta, principalmente por ser capaz de canalizar para os outros reinos – o mineral, o vegetal e o animal – as energias que lhes são enviadas de reinos espirituais e divinos.
         Como a atuação da humanidade repercute nos demais reinos, sua principal função é atingir níveis de vida superiores. Por terem os seres humanos ignorado o seu destino verdadeiro – o planeta chegou ao presente estado de desarmonia e necessita de cura.
         Tanto essa cura como o aprofundamento da evolução humana efetivam-se quando os indivíduos assumem certas tarefas positivas em benefícios dos demais, isto é, quando cumprem o que lhes é previsto no Plano divino, expressando no mundo externo a própria realidade interna. A partir daí sua função em relação aos semelhantes pode chegar à plenitude, e seus relacionamentos podem tornar-se verdadeiros.
         A humanidade que habita a superfície terrestre ainda não tem consciência da organização subjacente à vida planetária; explora os bens de que o planeta dispõe sem mesmo preocupar-se em mantê-lo ou em ajuda-lo a evoluir. Vive em busca de satisfação de desejos e assim desvirtua ritmos, desrespeita leis de equilíbrio e destrói o que a natureza cria.
         Uma energia positiva potente está hoje na superfície da Terra mais atuante que no passado, embora muitas vezes não seja notada. Revela sua face aos que não ambicionam vê-la. Quando presente, os ares se movem, e nos interior dos indivíduos se acende uma chama, poderoso convite para prosseguirem no Caminho. Apesar de a grande maioria desta humanidade continuar adormecida, prisioneira de interesses pessoais, pensando apenas em usufruir os bens que a existência material ainda lhes possa oferecer, a vida sobre a Terra continua. Isso, por si só, é uma prova inquestionável da atuação dessa energia.
         A energia superior, proveniente do Alto, recolhe os lampejos de entrega sincera dos que almejam ascender à existência imaterial. Os que assim se oferecem são elevados a patamares que, de outra forma, lhes seriam inacessíveis. São conduzidos ao reencontro com sua própria essência espiritual.
         O que ao homem foi anunciado inevitavelmente será cumprido; a vida em comunhão com esferas de consciência sagradas está ao alcance dos que a buscam.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 20 de dezembro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 25 de dezembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Natal: celebrar a paz
        Diante dos cenários mundiais e das suas complexidades, mais do que nunca é preciso viver o Natal como oportunidade para celebrar a paz. Os votos natalinos, os projetos que nascem nesta festa precisam ser transformados em propósitos e compromissos com a paz. E a concretização dessas metas assumidas só será possível a partir da referência fundamental da celebração de hoje: Jesus Cristo. Prescindir da pessoa que é a razão do Natal significa a precipitação de processos, por falta de consistência e grandeza. Não se conquista a paz simplesmente transcrevendo as intenções nos papéis documentais. Afinal, essas metas e promessas habitualmente não são cumpridas ou efetivadas.
         Fóruns, conferências, reuniões, cúpulas, tantos outros mecanismos de congregação de representantes e debatedores não têm força para garantir avanços mais significativos rumo à paz. A dificuldade em efetivar a convivência pacífica relaciona-se com a carência generalizada do sentido de alteridade. Na atualidade, os indivíduos não exercitam a fundamental competência que rege a fé cristã como princípio determinante: a consideração da importância do outro. O que de fato tem contado mais é a preocupação com os próprios interesses, a manutenção de comodidades, o desânimo para fazer avançar projetos capazes de mudar os rumos da sociedade.
         Celebrar o Natal como compromisso de trabalhar pela paz contribui para corrigir esses descompassos. Exige a capacidade de dar centralidade existencial à pessoa de Jesus Cristo. O nascimento de Jesus é o selo que patenteia a marca maior de Deus: o seu amor. É a oferta feita pela Pai Misericordioso de seu Filho amado, o Salvador. A consideração de sua vinda ao encontro da humanidade e a generosidade de sua oferta incondicional são desconcertantes e têm força para vencer toda lógica do egoísmo e da mesquinhez.
         O Natal hoje celebrado está balizado pela sapiencial indicação da vivência da misericórdia, meta do Ano Santo Extraordinário convocado pelo papa Francisco. É oportunidade para se viverem experiências novas capazes de fazer com que cada pessoa seja instrumento de promoção da paz. Sem o exercício da misericórdia, os povos não encontrarão o caminho da paz, os inimigos não se abraçarão e não se conseguirá vencer a terrível “globalização da indiferença”, apontada pelo papa como um grande mal deste tempo.
         Este Natal merece ecoar como voz forte nos corações pela singularidade de ser celebrado no horizonte da misericórdia. Francisco acentua que, com o Jubileu da Misericórdia, quer “convidar a Igreja a rezar e trabalhar para que cada cristão possa maturar um coração humilde e compassivo, capaz de anunciar e testemunhar a misericórdia, de perdoar e doar, de abrir-se àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática, sem cair na indiferença que humilha, no hábito que anestesia o espírito e o impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói. O Natal é, pois, compromisso sério e inarredável de todo aquele que crê em Cristo garantir que onde houver cristãos haverá um oásis de misericórdia.
         Quando cada pessoa assumir o compromisso de cultivar um coração misericordioso, será então possível avançar na conquista efetiva da paz. O programa de vida de quem quer contribuir com a construção de um mundo pacífico inclui a compaixão e a solidariedade. Vive-se um tempo oportuno para cultivar esses valores, pois o Natal é a mais terna expressão da misericórdia de Deus, que vem ao nosso encontro. Pela coragem da experiência de cultivar a proximidade com outras pessoas é que se pode fazer do Natal fecunda celebração da paz.
         Os pactos e acordos de representantes e dirigentes de nações, de grupos ou de segmentos variados da sociedade não substituirão jamais a inscrição da misericórdia como fundamento da aliança entre pessoas, com força para irmanar corações. Cultivada a misericórdia, nascerá um mundo pacífico. Deus oferece seu Filho Amado para que no Natal se celebre a paz.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em novembro a também estratosférica marca de 378,76% para um período de doze meses; e mais, ainda em novembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 10,48%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  

 
        

  

    

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

A CIDADANIA, A MENTE ILUMINADA E A FORÇA DO JORNALISMO NA CONSTRUÇÃO DE CIDADES SUSTENTÁVEIS

“A mente deve estar receptiva 
diante da luz interior
        A tendência de se criarem rótulos, padrões meramente externos que caricaturam os fatos e as pessoas, tem de ser superada para se chegar ao interior e à verdade de uma situação. É preciso ser capaz de estar diante de cada indivíduo como pela primeira vez, sem projetar sobre as próprias ideias preconcebidas ou deixar que ideias criadas pelos demais influenciem esse contato.
         Transcender essa tendência de se criarem rótulos é fundamental, pois só assim pode-se colaborar na dissolução de formas-pensamentos que impedem o trabalho de cura da estrutura energética dos indivíduos.
         Principalmente quando se convive algum tempo com outras pessoas, a mente é levada a tachar: “eu sou assim”, “ele é desse jeito”, o que vai criando capas que contribuem para confirmar o estado no qual cada um se encontra. Evidentemente, o discernimento tem de já ter sido depurado para que se abandone tal inclinação sem perder o equilíbrio, pois é preciso reconhecer também os hábitos do indivíduo, enquanto se tem em conta que ele é um ente imortal, cuja existência profunda, a alma, é desprovida de idiossincrasias. Quanto menos se ressaltarem ou confirmarem essas limitações, mais a verdade pode emergir.
         Embora a transformação e a elevação da mente humana tenham sido atingidas por poucos até a presente fase, o fato de esse processo já ter sido iniciado em certa proporção é algo de valor inestimável para a evolução da humanidade.
         Quando uma definição, por exemplo, consegue fazer com que a mente se aquiete e possa estar receptiva à luz interior, ela é benéfica; mas não se pode deixar que a mente nela se acomode ou cristalize, pois uma definição é limitada, e ainda que verdadeira em certo nível, revela-se falsa ou incompleta num nível superior.
         Se a mente indaga, que dirija as suas perguntas ao centro do ser, e o que dele emergir resultará em um trabalho frutífero, mesmo que seja o completo vazio. Ao aprender a escutar o que vem desse centro, a mente recebe as emanações positivas de níveis libertos da ilusão. Muito provavelmente não obterá definições, mas, se for tocada pelo silêncio onisciente, compartilhará de uma existência na qual tudo é conhecido. Assim as dúvidas se desfazem. Querer respostas prontas e acomodar-se a elas é um vício da mente. O trabalho a ser por ela empreendido é, diante do desconhecido, procurar abrir-se ao mistério.
         Há limites que a mente humana não pode ultrapassar. Todos sabem disso, mas é necessário que, ao se deparar com esses limites, coloquem em prática os ensinamentos espirituais; do contrário, não é possível prosseguir a jornada sem percalços. São João da Cruz afirma, de modo claro e direto: “No caminho da perfeição, deixar e ir adiante é recuar”.
         Uma vontade férrea é requerida para se transcenderem a mente e os temores que ela alimenta. Se não houver fé, não se podem superar certas provas. A fé é uma energia cujo poder a maioria desconhece. Quem é pouco experimentado nas trilhas da ascensão olha-a com desdém; no entanto, quem já cruzou determinadas fronteiras curva-se diante dela em reverência, pois não há maior bem para os que assumem a evolução.
         Para São João da Cruz a fé é fonte que mana, mesmo durante as noites da alma; uma eterna fonte escondida, mas que bem sabemos onde tem sua guarida. Diz ainda: “Os céus e a terra bebem dela, mesmo de noite”.”.

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 22 de novembro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 18).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 21 de dezembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de CARLOS ALBERTO DI FRANCO, jornalista, e que merece igualmente integral transcrição:

“Cicatrizes da cidade
        As pautas não estão dentro das redações. Elas gritam em cada esquina. É só pôr o pé na rua e a reportagem salta na nossa frente. Essa percepção, infelizmente, é a que mais falta aos jornais. Os diários perderam o cheiro do asfalto, o fascínio da vida, o drama do cotidiano. Têm o gosto insosso de hambúrguer em série. O crescimento dos jornais depende de uma providência muito simples: sair às ruas, fazer reportagem. Só isso.
         Estive, recentemente, no Centro Antigo de São Paulo. Um concerto em homenagem à Justiça, no encerramento do mandato do desembargador José Renato Nalini na presidência do Tribunal de Justiça, levou-me ao Theatro Municipal. Um belo espetáculo. Deparei-me na saída, às 22 horas, com uma cidade assustadora: edifícios pichados, prédios invadidos (o edifício do antigo cinema Marrocos é um favelão), gente sofrida e abandonada, prostituição a céu aberto, zumbis afundados no crack, uma cidade sem alma e desfigurada pelas cicatrizes da ausência criminosa do poder público. A cidade de São Paulo foi demitida por seus governantes. E nós, jornalistas, precisamos mostrar a realidade. Não podemos ficar reféns das assessorias de comunicação e das maquiagens que fala de uma revitalização que só existe no papel. Temos o dever de pôr o dedo na chaga. Fazer reportagem. Escancarar as contradições entre o discurso empolado e a realidade cruel. Basta percorrer três quarteirões. As pautas estão quicando na nossa frente.
         Jornalismo é isto: mostrar a vida, com suas luzes e suas sombras. São Paulo, a cidade mais rica do país e um dos maiores orçamentos públicos, é um retrato de corpo inteiro da falência do Estado.
         Também o Brasil, um país continental, sem conflitos externos, com um povo bom e trabalhador, está na banguela. Os serviços públicos estão à deriva. Basta pensar na educação. A competitividade global reclama crescentemente gente bem formada. Quando comparamos a revolução educacional sul-coreana com a desqualificação da nossa educação, dá vontade de chorar. A assustadora falta de mão de obra com formação mínima é um gritante atestado do descalabro da “Pátria Educadora”. Governos sempre exibem números chamativos. E daí? Educação não é prédio. Muito menos galpão. É muito mais. É projeto pedagógico. É exigência. É liberdade. É humanismo. É aposta na formação do cidadão com sensibilidade e senso crítico.
         O custo humano e social da incompetência e da corrupção brasileira é assustador. O dinheiro que desaparece no ralo da delinquência é uma tremenda injustiça, uma bofetada na cidadania, um câncer que, aos poucos e insidiosamente, vai minando a República. As instituições perdem credibilidade numa velocidade assustadora.
         Os protestos que tomam conta das cidades precisam ser interpretados à luz da corrupção epidêmica, da impunidade cínica e da incompetência absoluta da gestão pública. Há uma clara percepção de que o Estado está na contramão da sociedade. O cidadão paga impostos extorsivos e o retorno dos governos é quase zero. Tudo o que depende do Estado funciona mal. Educação, saúde, segurança, transporte são incompatíveis com o tamanho e a importância do Brasil.
         Nós, jornalistas, temos um papel importante. Devemos dar a notícia com toda a clareza. Precisamos fugir do jornalismo declaratório. Nossa missão é confrontar a declaração do governante com a realidade dos fatos. Não se pode permitir que as assessorias de comunicação dos políticos definam o que deve ou não ser coberto. O jornalismo de registro, pobre e simplificador, repercute o Brasil oficial, mas oculta a verdadeira dimensão do país real. Precisamos fugir do espetáculo e fazer a opção pela informação. Só assim, com equilíbrio e didatismo, conseguiremos separar a notícia do lixo declaratório.
         As cicatrizes que desfiguram o rosto de São Paulo e do Brasil podem ser superadas. Dinheiro existe, e muito. Falta vergonha na cara, competência e um mínimo de espírito público. Façamos reportagem. Informação é arma da cidadania. E votemos bem. Seu voto, amigo leitor, pode virar o jogo.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em novembro a também estratosférica marca de 378,76% para um período de doze meses; e mais, ainda em novembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 10,48%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  

 
        

  

  

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

A CIDADANIA, A LUCIDEZ DO VOTO E A LIDERANÇA TRANSFORMADORA

“O voto, arma do cidadão
        O dramaturgo alemão Bertolt Brecht, crítico mordaz da sociedade burguesa, dizia que “o pior analfabeto é o analfabeto político”. É aquela pessoa que, numa espécie de empáfia entre arrogante e burra, estufa o peito para dizer “detesto política”.
         Nas palavras do papa Francisco, são os “indiferentes orgulhosos”. Anulam a cédula eleitoral ou não votam. Não percebem que são eles que permitem, com seu afastamento, ou inconsciência, ou falta de cidadania e humanismo, a existência dos maus políticos, dos desonestos na vida pública, das mazelas dos governos e assim por diante.
         Insensíveis e omissos, esquecem-se de que a política é atividade que permite a construção da vida republicana e da democracia e que é pelo seu exercício que os cidadãos elegem e sustentam os governos. E mudam maus governos e maus políticos.
         Se a vida pública, em todo o mundo, em todos os tempos, tem desvios, com os corruptos e os incompetentes, exploradores dos mandatos populares, não quer dizer que simplesmente deva o cidadão, que vive em sociedade, negar inteiramente essa atividade, omitindo-se ou negando-se a participar, interagir, opinar, votar.
         Na verdade, abdica de sua condição de ser social, inserido num processo histórico, que indispensavelmente tem vida compartilhada com seus congêneres, vizinhos, colegas de trabalho e de vida, cidadãos de uma mesma comunidade, interdependentes de normas, leis, ações governamentais. Na verdade, o omisso é pior do que o crítico negativista. Este, pelo menos, tem opinião.
         Política, na sua melhor definição, é a busca de caminhos consensuais em prol do bem público. Busca meios para consumação dos interesses coletivos. Esse é conceito originário da velha e sábia Grécia, que surge no auge da civilização helênica e dos seus melhores pensadores. Nas a ideia de república. A pólis grega é a política e também a cidade. É o exercício interligado e essencial da cidadania, pela ação política. A não ser que a pessoa viva numa caverna e tenha vida ermitã, isolada e sozinha, não tem consistência lógica ou sentido renegar a política como atividade imanente à vida em sociedade.
         Evitar e condenar os maus políticos é parte do próprio exercício político tanto quanto é da essência dessa atividade o debate de ideias. Cabe ao cidadão consciente de seu papel, do seu tempo, da sua responsabilidade histórica, evitar os maus políticos, aqueles que traem a confiança popular, que submetem seus mandatos aos interesses próprios escusos e desviantes do verdadeiro sentido da representação popular.
         Os maus políticos se elegem e se perpetuam justamente em razão da omissão dos “analfabetos políticos”. O voto, que tem peso igual para ricos e pobres, doutores e iletrados, colhido por sufrágio universal, é a melhor arma para afastar os maus políticos. É a arma do cidadão. Precisa ser respeitado.”

(Mauro Werkema. Jornalista, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 8 de dezembro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 17).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 18 de dezembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Conservação ou saída?
        A falta de líderes com lucidez para ajudar na superação das muitas crises é um peso sobre os ombros de todos. Liderar, na contramão de mandos ou manipulações em prol de interesses próprios, partidários e mesquinhos, exige posturas cidadãs, altruísmo, generosidade e clareza sobre as direções a serem tomadas para promover o bem comum. A carência de líderes autênticos compromete instituições. Não são poucos os segmentos que simplesmente buscam explorar as riquezas e o potencial daquilo que pertence ao povo, sem oferecer a contrapartida necessária à coletividade. Anomalias antropológicas minam a cultura da solidariedade, impedem desdobramentos construtivos e inovadores em benefício de todos.
         O que mais se vê é o aumento de conluios e conivências, acordos em favor de interesses abrigados no território da mesquinhez e da indiferença em relação ao bem de todos. Vale analisar o conjunto de ações e os projetos existentes na sociedade brasileira, com atenção especial para a própria cidade, o bairro e a comunidade onde se vive. Constata-se, com frequência, certo marasmo, a inexistência de projetos arrojados com o propósito de atender às necessidades importantes do povo. É preciso conduzir a cultura para longe da nefasta mediocridade que impera. Hoje, quando alguém faz alarde a respeito de um feito ou de uma obra, desconfia-se de que é uma resposta atendida com décadas de atraso. Para que governantes, administradores e profissionais diversos não fiquem ancorados no estreitamento da mediocridade, é necessário inteligência assertiva e sensibilidade nascida da sabedoria.
         Muitos se contentam com um volume de afazeres e mesmo obras que são “o feijão com arroz” de cada dia. No entanto, o compromisso social de buscar a inovação e a inventividade, em benefício de todos, é um quadro de carência. A preocupação predominante relaciona-se à acumulação de bens, fortalecida pelo medo de não ter. Por isso não há coragem para investir. O receio de perder aprisiona líderes políticos, empresariais, culturais, religiosos na mediocridade do óbvio. Isso inviabiliza o crescimento e as respostas novas. Se esse aprisionamento é consequência da tensão econômica, política ou de outra ordem qualquer, muito mais se relaciona a uma terrível crise cultural.
         As correções precisam ser feitas na raiz. Não bastam transformações pontuais sem gerar nova mentalidade. As tragédias humanas e ambientais, as exigências e a rapidez de mudanças próprias deste terceiro milênio gritam por novas respostas. Oportuna é a interpelação que a Igreja Católica se faz quando se confronta com o binômio “conservação-saída”. Já em 2007, como expressão de inquietações nascidas nas décadas anteriores, o Documento de Aparecida, importante referência da Igreja Católica, destacou determinante exigência: é necessária uma ação missionária que vá além da mera conservação. Logo em seguida, o papa Francisco marca seu serviço com a convocação para que a Igreja esteja sempre “em saída”, indo ao encontro de todos, para ser capaz de traçar adequadamente os desafios das culturas urbanas.
         Assim, tornam-se ainda mais fundamentais a inventividade e a competente leitura dos sinais dos tempos. Essas capacidades são indispensáveis para planejar e conceber, nos dias atuais, experiências com força para regenerar a subjetividade. Constata-se a necessidade de uma verdadeira reformulação, a compreensão adequada e audaciosa de que é preciso trilhar rumos novos. Isso vale para a Igreja, para governos, para o empresariado, formadores de opinião, todos nos seus exercícios profissionais e na gestão de seus empreendimentos. A exigência é alcançar uma nova cultura, capaz de sensibilizar cada pessoa para reconhecer o próprio valor e se comprometer, de modo nobre, com a defesa do meio ambiente e de suas tradições. É preciso encontrar novas formas de intervenção que não sejam a exploração sem limites dos recursos da sociedade e do meio ambiente.
         Minas Gerais tem essências históricas, religiosas e culturais, tradições, experiências, personagens e natureza que merecem, mais do nunca, um mutirão capitaneado por todos os líderes, orientados por gestos de altruísmo. Essa união é necessária para que sejam possíveis apoios, ações, valorização e investimentos em projetos capazes de consolidar o estado mineiro no lugar que lhe é próprio no cenário nacional. Oportunidades para superar as muitas crises. Isso requer a coragem para viver a dinâmica da “saída”, superando a mera conservação. Eis o caminho para inovar e participar de grandes projetos.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em novembro a também estratosférica marca de 378,76% para um período de doze meses; e mais, ainda em novembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 10,48%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  

 
        

  

   

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

A CIDADANIA, A INDESVIÁVEL ESCOLHA PELA ÉTICA E A LUZ DA NOVA GEOPOLÍTICA

“A urgência da escolha pela ética
        A julgar pelo que acompanhamos no noticiário nacional e internacional, nunca, desde a Antiguidade, quando seus fundamentos foram lançados, a popularidade do conceito ética esteve tão distante de seu sentido real. O que talvez prove, também, que ser muito falado não é ser bem entendido. Em uma rápida busca na internet, encontram-se a um toque do computador 55,6 milhões de menções ao termo em português. Do Congresso Nacional ao Senado Federal, passando pela própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB); da Fifa às grandes corporações públicas e privadas; todas, invariavelmente, têm algum tipo de conselho de ética. É de se perguntar, então, qual é sua real eficácia.
         Dada a medida do que se vê no noticiário, parece urgente a sociedade refletir mais seriamente sobre tamanha incongruência entre a intenção e a prática. Se, há milhares de anos, a ética já era entendida como um dos melhores instrumentos para guiar os homens em suas escolhas, nos tempos modernos os indícios são de que ela não é mais assim valorizada. Ao longo da história, a ética deixou o manto dos valores morais e parece não ter ainda se abrigado completamente em nenhum outro espaço de grande amplitude na nossa sociedade.
         Sobrepujada pelo consumo, pela mídia (pelas velhas e pelas novas), pela competição e pela vaidade, a sociedade paulatinamente se anestesia e abre mão de suas convicções individuais em prol de conveniências momentâneas. Noções de justiça, de culpa, de obrigações vão se sobrepondo umas às outras. Precisamos, como nunca, de princípios orientando nossa consciência profissional de advogados, de médicos, de professores, de funcionários públicos, assim como precisamos de princípios orientando nossa consciência nas relações sociais e de consumo.
         Moral e ética têm diferentes significados, mas que se relacional. Enquanto a moral se fundamenta na obediência às normas, aos costumes, a ética está ligada ao pensamento. Assim, ambas pautam a essência da nossa vida, mas é a ética que garante nossa capacidade de avaliar o bem e o mal e que estrutura nosso modo de viver. Ao contrário das demais espécies, agimos por vontade, não por necessidade. Ética vem do grego ethos, significa modo de ser, caráter. Então, ética pressupõe compromisso individual, deveres, obrigações.
         E é a participação de cada um na construção do coletivo que vai nos assegurar o real bem-estar de todos. Como em alguns livros, que muitos citam e poucos leem, a ética vem sendo muito debatida e pouco valorizada na prática das relações. Precisamos acreditar firmemente que, com ela, teremos mais justiça social, mais respeito à diversidade, menos desastres ambientais, menos nepotismo, menos corrupção.
         Aristóteles já defendia a importância de as pessoas refletirem sobre suas ações, colocando a razão acima das paixões. Pelo visto, infelizmente, ainda estamos longe do que defendia o sábio grego, morto no ano 322 a.C.
         No próximo ano, assim como em 2018, teremos eleições. Vamos dar um choque de ética na escolha dos nossos representantes no Parlamento.

(LUÍS CLÁUDIO CHAVES. Advogado, conselheiro federal eleito e presidente da OAB Minas, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 16 de dezembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição, caderno e página, de autoria de SACHA CALMON, advogado, coordenador da especialização em direito tributário das Faculdades Milton Campos, ex-professor titular da UFMG e da UFRJ, e que merece igualmente integral transcrição:

“A geopolítica agora
        Em águas internacionais do mar da China no Sudeste Asiático, existem rotas por onde passa um terço do comércio mundial.
         Despiciendo dizer que a Ásia amarela é a área de maior desenvolvimento do planeta. Lá estão a China, o Japão, as plataformas de Cingapura e Hong Kong e os tigres: Coreia, Vietnã, Filipinas, Tailândia, Taiwan, além de Indonésia, Malásia e Índia, que, juntos, somam quase 3,8 bilhões de consumidores. Obviamente, o século 21 não será americano, mas asiático. A Rússia entra no enredo por ser bicontinental, potência nuclear, espacial, mineral e militar.
         Os únicos países do continente que têm acesso ao espaço vital da Eurásia (a maior linha de poder que vai do mar báltico ao mar do Japão) é a China e a sua aliada Mongólia, e, logo depois, o Irã, o Cazaquistão e a Rússia em toda sua extensão ao norte (um oceano de terras de cultivo potencial e ricos subsolos minerais, aliás, todos).
         Há cerca de quatro anos os EUA definiram a estratégia de isolar a Rússia, rica em petróleo e gás, na Europa. Sem êxito, haja visto as bordoadas que levou na Ucrânia (perdendo a estratégica península da Crimeia no Mar Negro) e o reconhecimento forçado da Rússia na resolução da guerra na Síria, onde ela possui duas bases aeronavais a lhe dar presença no Mar Mediterrâneo, sem depender da Turquia (membro da Otan). Os EUA, concomitantemente, querem conter ou embaraçar a expansão naval chinesa no mar da China.
         Recentemente, dois bombardeiros russos voando a 500 metros se aproximaram de um porta-aviões americano no mar da China e foram escoltados por jatos, sem incidentes maiores, até se afastarem. Lado outro, a China vem construindo pistas e portos artificiais em rochedos, areais e no arquipélago das desertas Ilhas Spratley, cuja soberania é reivindicada por aliados dos americanos, como Brunei, Filipinas, Indonésia (nem sempre) e Taiwan, aliás, território chinês imemorial. A confusão é total na interpretação do Tratado de Mondego Bay sobre os direitos do mar, ao qual não aderem os EUA. A tática faz parte da política americana de evitar o crescimento do bloco euro-asiático nos planos econômico e militar. Para tanto, procura cooptar a Índia (potência atômica), mas sem êxito conclusivo até agora. Há um contencioso entre as duas nações asiáticas sobre fronteiras no Himalaia e a intenção da China de desviar, em seu trecho nacional, o Rio Bramaputra (a Índia é rica em rios e conhecida desde a dominação persa como a terra dos sete rios). A China, ao contrário, naquela área precisa de água.
         O Oriente Médio está perdendo para o Ocidente tal o mar de ódio que conseguiu contra si, seja hostilizando o islã, seja destruindo países, seja rejeitando miseráveis foragidos em busca de asilo. A África subsaariana está inteiramente ajudada pela China, alvo da simpatia geral.
         Foi-se o tempo em que a “velha Europa” dava as cartas, os EUA dormitavam (até 1946) e a China vivia subjugada. Hoje, a Eurásia torna-se cada vez mais incômoda para os EUA, especialmente pelo crescimento econômico chinês, sempre o triplo do seu, e pela renovação bélica surpreendente da Rússia. Mísseis lançados de navios no Mar Cáspio a 1.500km de distância atingem os rebeldes da Síria com extraordinária precisão.
         Agora mesmo, foi formada uma comissão, de comum acordo, envolvendo de uma lado Rússia, Irã e Síria e, de outro, os EUA, Turquia e Arábia Saudita (aliados), para resolver o problema político sírio, depois de cinco anos de destrutivos conflitos, ensejadores do maior êxodo do século 21.
         Seriamente lesada por ataques terroristas, a França “dormia” e esperava do Estado Islâmico que depusesse Assad para agradar às potências petrolíferas da Península Arábica com as quais tem negócios (todos sunitas). Agora terá que atacar quem de fato a feriu (e não foi a Síria). Mandará homens para lutar no chão? É possível, mas improvável, o que não impede a nossa solidariedade aos civis franceses mortos (e a todos os mortos civis, de todos os lugares, bem como os foragidos, que tudo perderam, pela crueza das guerras).
         Pensando bem, com a Alemanha e o Japão proibidos de se armarem, vencidos na 2ª Guerra Mundial, que papel podem exercer a França e a Inglaterra no tabuleiro internacional atualmente? São satélites políticos, econômicos e militares dos EUA. Quiçá ajudassem suas ex-colônias, de onde tiraram tantas riquezas e não educaram ninguém. Pela primeira vez na história, as esquinas da geopolítica estão noutros lugares. As guerras ocidentais no Iraque, na Síria e na Líbia criaram “vazios” ocupados pelo jihad. Eis a raiz do “califado”. Piorou o cenário.
        
Nota: Nos alerta padre José Cândido que a frase “O homem é um ser para a morte” é de Heidegger, e não de Kierkegaard.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b
      b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em novembro a também estratosférica marca de 378,76% para um período de doze meses; e mais, ainda em novembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 10,48%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”