quarta-feira, 8 de julho de 2015

A CIDADANIA, A SABEDORIA DOS ESSÊNIOS E OS CAMINHOS DA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

“Purificação e sabedoria de cura dos essênios
        Nas partículas dos alimentos de origem animal as vibrações são mais lentas, mais densas, com respeito às partículas que compõem o corpo humano – principalmente se esse corpo for habitado por uma consciência que tenha contato, percepção e vivência da realidade interna, espiritual. Quando uma partícula de origem animal é ingerida pelo homem, há sempre uma mescla de vibrações heterogêneas a serem assimiladas.
         Essa afirmação não exclui o cuidado que se deveria dedicar ao reino animal, reino que tanto necessita do contato humano amoroso para se desenvolver. Com base também nesse ponto, a ingestão de carne é algo que deveria ser totalmente excluída da vida dos que trilham o caminho espiritual.
         Uma pessoa com um corpo físico, energético e mental purificado, e até certo ponto depurado, emite vibração que pode ser comparada a uma melodia, que tanto mais harmônica é, mais o indivíduo expressa uma consciência espiritual mais elevada. Não são todos os seres humanos que se encontram nesse estágio, mas os que se preparam para ele percebem claramente essa verdade e se esforçam para manifestá-la.
         Sob esse prisma algumas informações relativas à vida dos essênios podem ser inspiradoras.
         Os essênios viveram na Palestina e tinham seres afins em várias comunidades na Síria, na região hoje denominada Israel, e do norte da África. Sua capacidade de curar e sua pureza eram fruto de uma vida interior consciente. Sabe-se, por exemplo, que uma disciplina rigorosa era assumida pelos membros dessa Irmandade. Uma consciente busca de pureza, de modo a permitir a expressão da energia espiritual, trazia-lhes dos planos internos indicações sobre os processos aos quais deveriam aderir, principalmente no que se refere à purificação dos corpos físico e energético.
         Além disso, entre eles quem preparava o alimento era um iniciado, pois os essênios sabiam que quanto mais elevado é estado de um ser, maior a sua sensibilidade e percepção, e mais sublime a energia canalizada por meio dele.
         Os essênios tinham, por exemplo, um profundo conhecimento das propriedades da água; a ela associavam a energia da “Mãe Universal”, como fonte de vida e purificação, aquela que lava as máculas da vida terrestre. Consideravam a água um elemento miraculoso e sagrado, quando tocada pela energia superior. Assim como os alimentos, também os batismos, os banhos e os jejuns à base de líquidos eram sempre preparados e acompanhados pelos mais sábios da Irmandade.
         Os essênios sabiam que, num ambiente consagrado, a imersão do corpo numa água que contivesse algumas essências propiciava um relaxamento da rede energética do indivíduo. 
         O conhecimento de leis de profunda sabedoria reflete-se nos padrões de vida assumidos por grupos ligados a uma colaboração direta com o propósito divino para a Terra. Assim, os essênios amavam a virtude, e em seus encontros sempre a louvavam.
          Tinham estreita ligação com o Reino Angélico e com outras manifestações da Vida do Criador. Mesmo sendo monoteístas, reconheciam que, assim como um raio de luz ao atravessar um prisma desdobra-se em muitas cores, a Consciência Única, Deus, ao manifestar-se na matéria, expressa-se de muitas formas. Esse grau de compreensão permitia-lhes ver a todos como irmãos.
          A vida dos essênios nada mais era que a vida do Espírito.”
  
(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 19 de abril de 2015, caderno O.PINIÃO, página 16).

         Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado na revista VEJA, edição 2432 – ano 48 – nº 26, de 1º de julho de 2015, páginas 76 a 78, de autoria de Gustavo Ioschpe, economista, e que merece igualmente integral transcrição:

“Por que você não faz nada?
     O grupo que publica a revista The Economist tem um braço de pesquisas, chamado Economist Intelligence Unit. Um dos seus produtos é um indicador conhecido como Democracy Index, que anualmente analisa quase 200 países e quantifica, com base em dezenas de indicadores, a força da democracia de cada país.
         Na edição de 2014 (disponível em twitter.com/gioschpe) o Brasil aparece em 44º lugar entre 167 países (o campeão é a Noruega, e a Coreia do Norte é a lanterninha). O resultado nos coloca na segunda categoria, das Democracias Falhas. Abaixo das Democracias Plenas, mas acima dos Regimes Híbridos e dos Regimes Autoritários. O ranking olha para cinco atributos.
         O curioso é que, em três dos cinco, temos notas condizentes com as das melhores democracias do mundo: processo eleitoral, liberdades individuais e funcionamento do governo. Por que, então, vamos para a segunda divisão? Porque em participação política, de zero a 10, nossa nota é 4,44, a mesma de Mali, Zâmbia, Uganda e Turquia, e abaixo da de países como Iraque, Etiópia, Quênia e até Venezuela.
         Este é o paradoxo da democracia brasileira: lutamos tanto por ela, e não a usamos. Uma geração inteira brigou pelo retorno da democracia representativa, a cidadania ativamente demonstra suas vontades, e elas são canalizadas por seus representantes. Na versão brasileira, a democracia não começa na urna: termina nela. Parece que apertar uma tecla a cada quatro anos é a nossa concepção de governo “do povo, pelo povo e para o povo”. Verificado o desastre, voltamos às urnas, quatro anos depois, para eleger a mesma combinação de ineptos e corruptos. E, mesmo sabendo do insucesso do modus operandi, nós o repetimos. Alguém já disse que um dos sinais da loucura é continuar fazendo a mesma coisa e esperar que o resultado seja diferente...
         E o melhor é quanto reclamamos, furibundos, das pessoas que nós mesmos colocamos no poder. Muita indignação e pouca ação, os males da nossa democracia são
         Até entendo que, em algumas questões mais etéreas e distantes, como pedaladas fiscais e comissões em sondas petrolíferas, pareça mais complicado fazer algo. Também entendo que algumas camadas da população – aquelas que nem bem alfabetizadas são e que precisam trabalhar de sol a sol apenas para garantir a sobrevivência – não tenham compreensão, tempo nem energia para se engajar nas causas públicas. Mas não consigo entender como é que gente instruída e preparada, que frequentemente já passou algum tempo em países desenvolvidos e rapidamente identificou neles as virtudes que nos faltam, aqui parece achar que o problema não é com ela. E, apesar de pesquisar o assunto há uns quinze anos, confesso que entendo menos ainda essa apatia quando o tema é a educação nacional, que tem um papel tão importante na preparação para a vida dos nossos maiores tesouros (nossos filhos). Como podemos deixar que nossas escolas sejam as porcarias que são, produzindo iletrados ignorantes aos milhões, todo ano? A propósito, o problema não se restringe às escolas públicas. Como já mencionei aqui diversas vezes, 80% a 90% da diferença de desempenho entre nossas escolas públicas e particulares é explicável pela condição sociocultural do alunado. Se você colocasse o seu filho em uma escola pública, o desempenho dele cairia só 10% a 20%, portanto. Claro que temos, em um país com as dimensões do Brasil, excelentes escolas particulares e públicas também. Mas, em geral, as escolas públicas são péssimas e as privadas, apenas um pouco menos ruins.
         O que me leva a você. Por que você não faz nada? Certamente você se importa com a qualidade da educação que seu filho vai receber, não? Sei, você não tem tempo. Trabalho, casa, correria etc. Agora me diga uma coisa: você vê novela? Seriado americano? Acompanha o seu time de futebol? Dorme mais de sete horas por noite? Se respondeu “sim” a alguma dessas perguntas, desculpe, mas tempo você tem. Até porque, como veremos abaixo, não precisa de muito tempo, não. Eu sei, ninguém é de ferro, todo mundo precisa relaxar. Mas primeiro o trabalho, depois a diversão. Como se divertir quando o país está claramente indo para o buraco? Você planeja mandar seus filhos para a Suíça ou eles morarão no país que você construir? Caso o plano seja continuar por aqui, que tal arregaçar as mangas.
         Ah, talvez a sua discórdia seja conceitual. Você acha que já paga imposto que chega e que não pode fazer o seu trabalho e o do político também. Concordo. Mas, como diz o ditado, na prática, a teoria é outra. Tenho más notícias para você: é a sua inércia que permite que os seus eleitos não façam nada (ou, pior, que façam a coisa errada). Louis Gerstner, ex-CEO da IBM, dizia que “people don’t do what you expect, but what you inspect”: não adianta esperar, é preciso inspecionar, conferir, pressionar. O cidadão apático é o viabilizador dos maus líderes. Eles vivem em uma relação simbiótica em que todo o resto do país e parasitado. Por que nossos líderes não implantam, por exemplo, um sistema que consiga alfabetizar todos os alunos no 1º ano? É simples: porque, para fazê-lo, vão precisar se incomodar com os professores e os sindicatos da categoria. Precisará fixar metas, exigir empenho e resultados, olhar para processos, mudar material didático, coibir faltas, idealmente conseguir que as faculdades de sua região formem um profissional decente em vez do repetidor de slogans e teorias que produzem hoje. Isso dá trabalho e conflito. Por que o fariam? Porque a população deveria reconhecer o esforço e valorizá-lo. E aí a contrariedade de meia dúzia ficaria irrelevante em relação ao aplauso de milhares. Mas, no Brasil, esse aplauso não vem. Porque os pais e alunos nem sabem quão ruim é sua escola e, quando descobrem, deixam por isso mesmo. Há muitos casos, que nem Freud explica, em que pais e alunos defendem greves absurdas de professores, que prejudicam enormemente o aprendizado de nossos jovens. A mensagem para os líderes bem intencionados é clara: convém não fazer nada. Ninguém vai reclamar. Se o seu prefeito ou governador soubesse que você valorizaria uma ação mais incisiva, a maioria deles tomaria as suas dores, não tenha dúvida.
         “Mas fazer o quê?”, você se pergunta. A primeira coisa é fazer o dever de casa. Escolha a escola do seu filho de forma a maximizar o aprendizado dele, não o seu conforto. Escola boa não é a escola perto de casa: casa boa é a casa perto da escola, isso sim. Como saber se a escola do seu filho é boa? O primeiro bom indicador é o Enem, e, para as públicas, também o Ideb. Depois, é importante visitar a escola, conversar com pais de alunos. Peça para conversar com o  diretor da escola. Diretor que recebe os alunos no portão de entrada, diariamente, e está aberto ao diálogo com os pais é um bom sinal. Diretor que visita as salas de aula com frequência também. Procure uma escola que tenha a infraestrutura em dia (salas limpas e arrumadas, com cadeiras, carteiras e quadro-negro), não aquelas que investem em balangandãs tecnológicos, a maioria dos quais não tem eficácia comprovada. Veja também como a escola seleciona professores (o ideal é que ela faça com que o candidato a lecionar dê uma aula a uma banca examinadora e que privilegie os que vêm de boas universidades; o modelo a ser evitado é aquele que só se preocupa com o resultado de uma prova/concurso). Pergunte também se a escola diferencia seus professores, se procura saber quem são os melhores e os piores, e se faz alguma coisa para reter os melhores (nas escolas privadas, o salário é a ferramenta óbvia; mas mesmo nas públicas é possível e desejável que os melhores professores sejam acompanhados e estimulados. Fuja das escolas que tratam os desiguais de forma igual). Veja também se a direção da escola estabelece e comunica metas claras de aprendizagem. O ideal é que todos saibam os conteúdos e habilidades que os alunos precisam dominar em cada matéria, de cada bimestre, de cada série. Escolas opacas, na linha do “fica tranquilo, nós é que entendemos disso”, costumam ter os piores resultados.
         Em segundo lugar, escolhida uma escola boa, os pais não devem relaxar e terceirizar. Precisam ter certeza de que o filho está recebendo dever de casa, diariamente, e que seus deveres estão sendo corrigidos. É importante que haja avaliação permanente (a boa e velha prova) e que o aluno tenha de estudar constantemente. É difícil absorver um conhecimento e levá-lo à memória de longo prazo sem repetição contínua, e a prova é que garante que o mesmo material será revisto com cuidado (além de servir de termômetro para que o professor calibre sua didática quando nota que muitos alunos não aprendem bem). Evite escolas com muita avaliação “moderna”, tipo autoavaliação, trabalho em grupo etc. Já disse um sábio que o único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é o dicionário. Na vida e na escola por motivos realmente sérios (se você faz com que ele perca uma semana de aula para leva-lo à Disney em época conveniente para você, depois não vá querer que ele aprecie a importância da educação... Se você diz uma coisa e faz outra, seus filhos replicarão aquilo que você faz). Certifique-se também de que seu filho trata professores e colegas com respeito. E compareça às reuniões de pais da escola.
         Depois de fazer isso pelo seu filho, faça-o por alguém que terá dificuldades de fazer o mesmo. Uma empregada, um colega de trabalho, um amigo mais perdido na vida: tem muita gente que passou poucos anos na escola ou se sente inferiorizada socialmente, a ponto de não ousar questionar a escola do filho. Precisamos quebrar essas barreiras. Todo mundo paga pela escola do filho, que via mensalidades, quer via impostos. A escola pública é nossa, não de seus funcionários. Eles devem nos prestar contas, não o contrário. Ajude aqueles que têm mais dificuldades para entender isso. E dê aos filhos dessas pessoas chances parecidas com as do seu filho.
         Se você realmente não tem tempo, doe dinheiro a boas instituições. Há dezenas. Fundação Lemann, Insper, Todos pela Educação... Essas eu conheço e recomendo, mas procure aquela que se encaixa na sua filosofia.
         Indo do privado para o público: faça pressão nos seus representantes locais. Cada cidade terá o seu problema: tenha apenas a preocupação de pressionar por algo que melhore o aprendizado dos alunos, não a infraestrutura da escola ou algo secundário. Recomendo uma lei que obrigue que os resultados de cada escola sejam divulgados publicamente. Está tudo pronto no site www.idebnaescola.org.br. Pode acreditar: às vezes não é preciso mais do que dez pessoas que liguem ou mandem e-mails a um vereador para que o projeto seja aprovado.
         Finalmente, vote direito. Escolha prefeitos e governadores que melhoraram os indicadores de aprendizado dos seus alunos. Não nos que investem mais, que distribuem laptops, que falam de planos mirabolantes ou mostram vídeos em que beijam criancinhas na época de campanha. Vote em quem entrega resultado medido pelo Ideb. Para deputados, veja se o candidato fala de meios – salário de professor, investimento, ensino integral – ou de fins. Prefira os que falam de fins (aprendizado) e que não presumem que aquilo que é bom para o professor é bom para o aluno.
         Eu sei, você não é especialista. Há muito mais coisas que você poderia fazer se fosse. Mas não precisa ser. Na maioria de nossas escolas, nem o básico do óbvio é feito; se você ajudar com esse pequeno empurrão, e ajudar alguém a se ajudar também, pode ter certeza de que fará uma enorme diferença.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ano ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...     
     
        


   


         

segunda-feira, 6 de julho de 2015

A CIDADANIA, A MEDIDA DA EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E A ECOLOGIA INTEGRAL

“Avaliação educacional no Brasil
        O sucesso nos resultados de qualquer atividade depende da gestão de recursos materiais e humanos. A avaliação é uma aliada do gestor, capaz de oferecer-lhe diagnósticos da realidade e subsidiar suas decisões e investimentos. Essa análise exige o uso de instrumentos adequados de coleta de dados elaborados com o rigor metodológico necessário, pois uma distorção nesse processo inicial e na consequente qualificação da realidade poderá levar o gestor a tomar decisões inadequadas e insatisfatórias. No caso da educação, existem três objetos principais da prática avaliativa: a aprendizagem do educando, levando em conta as necessidades individuais de cada aluno; a instituição escolar onde o estudante está inserido e que lhe oferece as condições de aprender, por meio de todas as atividades de ensino; e, por último, o próprio sistema de ensino, que pode ter a abrangência de um município, de um estado ou do país.
         Até aproximadamente os anos 1980, acreditava-se que o único responsável pelo fracasso escolar fosse o aluno. Vagarosamente, estamos aprendendo a compreender que todo o sistema está comprometido com o sucesso ou com o fracasso das crianças e dos jovens nas escolas. Desde então, em vários lugares do mundo e também no Brasil, observamos investimentos não só na avaliação da aprendizagem dos alunos considerados individualmente nas salas de aula, mas também da instituição escolar e do sistema de ensino.
         Hoje, no Brasil, temos várias atividades avaliativas, denominadas de larga escala, que analisam o desempenho das instituições escolares e do sistema de ensino, tendo por base os resultados da aprendizagem dos estudantes. Nesse contexto, podemos citar o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a Prova Brasil e, mais recentemente, A Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), estabelecida em 2012.
         Permanece, então, a necessidade da avaliação da aprendizagem do educando individualmente, dentro da sala de aula, uma vez que essa avaliação subsidia, em primeiro lugar, o professor a tomar decisões que possam viabilizar o sucesso em suas atividades de ensino; além disso, é o resultado da aprendizagem dos estudantes que orienta todas as outras práticas avaliativas em educação, à medida que o aprendizado satisfatório dos alunos é a finalidade principal tanto das instituições escolares como do sistema de ensino.
         Dessa forma, nas atividades cotidianas em sala de aula, a avaliação precisa ser praticada com um pouco mais de rigor metodológico, com instrumentos de coleta de dados que não sejam aleatórios, e com critérios determinados para avaliar a satisfatoriedade ou não do desempenho dos estudantes da instituição. O sistema de ensino e as instituições escolares podem apresentar todos os requisitos institucionais necessários, tais como estrutura física, mobiliário, equipamentos, mas não terão cumprido sua finalidade caso os estudantes não aprendam efetivamente.
         Para se alcançarem os resultados desejados e expressos nos planejamentos, a avaliação é uma boa aliada do gestor, revelando-lhe constantemente se suas ações têm sidos satisfatórias ou não. Caberá a ele, subsidiado pela avaliação, investir construção de boas práticas. Se assim acontecer, nosso país será bem-sucedido em seus projetos educativos; caso contrário, não teremos o êxito que desejamos nos resultados da educação nacional.”

(CIPRIANO CARLOS LUCHESI. Doutor em educação, colaborador da Fundação Santillana, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 3 de junho de 2015, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 3 de julho de 2015, mesmo caderno e página, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Ecologia integral
        O papa Francisco, em sua carta encíclica Louvado Sejas – Sobre o cuidado da casa comum, faz uma grande convocação: é hora de uma reação mais revolucionária e contundente à cultura do descarte. Para além de análises técnicas e científicas, é urgente sensibilizar-se para compreender o que está acontecendo – sublinha o Santo Padre – com a nossa casa, a Terra. Infelizmente, a dinâmica hegemônica que preside as relações e, particularmente, o uso dos bens da criação é sustentada pela cultura do descarte. O Santo Padre adverte que a Terra – nossa casa – parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo.
         Há uma aceleração descontrolada nos processos de mudança da humanidade e do planeta. A vida ganha ritmo cada vez mais frenético e, nesse contexto, o consumismo torna-se parâmetros que baliza fundamentos. Na contramão de uma vida saudável, o que se constata é um crescente processo de degradação, impulsionado pela perversidade das ações humanas em nome do “progresso” e do crescimento da economia. Impõe-se um ritmo que é avassalador frente à dinâmica da evolução biológica.
         Obviamente, não é o caso de se opor ao progresso. O que se defende é a reavaliação de perspectivas e processos que não levam em conta o bem comum. Deve-se buscar, sempre, o desenvolvimento sustentável e integral. São fundamentais as ações que permitam à humanidade perceber, cada vez mais, que a cultura do descarte ameaça a vida. Nesse sentido, a contribuição de cada pessoa é fundamental. O papa Francisco fala da necessidade de se tomar dolorosa consciência diante das muitas e complexas questões que nos preocupam. Os congressos, protocolos, fóruns e outras instâncias que objetivam a preservação do planeta precisam efetivar e operacionalizar com mais rapidez os seus propósitos e compromissos.
         A cultura do descarte tudo converte em lixo, na dinâmica do desarvorado consumismo, e só pode ser superada a partir de processos educativos que capacitam para a vivência de uma ecologia integral. A própria natureza muito nos ensina. O papa Francisco chama a atenção para o funcionamento de ecossistemas, que mostram a interdependência entre os seres vivos. Lembra o Santo Padre que as plantas sintetizam substâncias nutritivas que sustentam os herbívoros. Os carnívoros, por sua vez, se alimentam dos herbívoros e dão origem a uma nova geração de vegetais ao fornecerem significativos volumes de resíduos orgânicos.
         O ser humano não pode perder-se mas irracionalidades que incentivam, de modo generalizado, o descarte. É preciso engajar-se nos processos educativos que promovem a ecologia integral, especialmente as suas dimensões sociais e humanas. As condições de vida e a sobrevivência precisam ser mais adequadamente pensadas. Nessa direção, o meio ambiente exige que consideremos a natureza como algo que faz parte de nós, não uma simples moldura. Todos são convocados a pensar a íntima relação entre a crise ambiental e a crise social.
         Por isso mesmo, quando se reflete, por exemplo, sobre o estado de saúde de instituições da sociedade, imediatamente há que se considerar o impacto que causam no ambiente e na qualidade de vida. É central, pois, falar de uma ecologia econômica, que não pode distanciar-se do humanismo, não permite o divórcio entre a economia e as análises dos contextos humanos, familiares, urbanos, de trabalho, da relação do ser humano consigo mesmo e com os outros. Também é imprescindível promover uma ecologia social, quando se considera a responsabilidade das instituições que regulam as relações humanas.
         No processo de enfrentamento da cultura do descarte, não se pode desconsiderar o crescente problema da violência, o comprometimento da liberdade e prática perversa da injustiça. É muito grave a hegemonia da postura consumista do ser humano, impulsionada pelos mecanismos da economia globalizada. Lamentável também é a pobreza legislativa de países que não conseguem fortalecer as instituições responsáveis em promover o bem do povo. O que se vê é um sacrifício imposto, principalmente, aos mais pobres.
         É urgente trabalhar para uma recuperação da interioridade, ameaçada pelo consumismo, pelo descarte que produz lixo, de modo ilimitado, gerando descompassos que arruínam as condições necessárias para uma vida sustentável. A insanidade destes tempos precisa ser debelada a partir de investimentos e compromissos com a compreensão e a prática de uma ecologia integral.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ano ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir IMEDIATA, abrangente, qualificada e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br).

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...     
     
        


    

                

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A CIDADANIA E OS GRAVES DESAFIOS DA ECOLOGIA INTEGRAL E DA SUSTENTABILIDADE

“A perspectiva singular do papa ao propor 
uma ecologia integral
        
         O papa Francisco operou uma grande virada no discurso ecológico ao passar da ecologia ambiental para a ecologia integral, que inclui a ecologia político-social, a mental, a cultural, a educacional, a ética e a espiritual.
         Há o risco de que essa visão integral seja assimilada dentro do costumeiro discurso ambiental, não se dando conta de que todas as coisas, saberes e instâncias estão interligadas. Ora, é essa cosmologia que leva o papa a dizer: “Nunca maltratamos e ofendemos nossa casa comum como nos últimos dois séculos”.
         Como superar essa rota perigosa? O papa responde: “Com uma mudança de rumo” e ainda mais com a disposição de “delinear grandes percursos de diálogo que nos ajudem a sair desta espiral de autodestruição na qual estamos afundando”. Se nada fizermos, podemos ir ao encontro do pior. Mas o papa confia na capacidade criativa dos seres humanos.
         Para enfrentar os múltiplos aspectos críticos de nossa situação, o papa propõe a ecologia integral. O pressuposto teórico deriva da nova cosmologia, da física quântica, da nova biologia, do novo paradigma contemporâneo que implica a teoria da complexidade e do caos. Nessa visão o repetia um dos fundadores da física quântica, Werner Heisenberg: “Tudo tem a ver com tudo em todos os pontos e em todos os momentos; tudo é relação, e nada existe fora da relação”.
         Seguramente, a mais bela e poética das formulações é encontrada no número 92 da encíclica, no qual enfatiza: “Tudo está em relação, e todos nós estamos unidos como irmãos e irmãs (...) com todas as criaturas que se unem conosco”.
         Essa visão existe já há quase um século, mas nunca conseguiu se impor na política e na condução dos problemas e para cada um procura uma solução específica, sem se dar conta de que essa solução pode ser maléfica para outro problema.
         A encíclica poderá servir de instrumento educativo para apropriarmo-nos dessa visão inclusiva e integral. Por exemplo, como assevera a encíclica: “Quando falamos em ambiente, nos referimos a uma particular relação entre a natureza e a sociedade; isso nos impede de considerar a natureza como algo separado de nós. Somos incluídos nela, somos parte dela”.
         E continua, dando exemplos convincentes: “Toda análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, trabalhistas, urbanos e da relação de cada pessoa consigo mesma, que cria um determinado modo de relações com os outros e com o ambiente”. Se tudo é relação, então a própria saúde humana depende da saúde da Terra e dos ecossistemas. Todas as instâncias se entrelaçam para o bem ou para o mal. Essa é a textura da realidade, não opaca e rasa, mas complexa e altamente relacionada com tudo.
         Se pensássemos nossos problemas nacionais nesse jogo de inter-retrorelacionais, não teríamos tantas contradições entre os ministérios e as ações governamentais. O papa nos sugere caminhos certeiros que nos podem tirar da ansiedade em que nos encontramos face ao nosso futuro comum.
         Teilhard de Chardin tinha razão quando, nos anos 30 do século passado, escrevia: “A era das nações já passou. A tarefa diante de nós agora, senão pereceremos, é construir a Terra”. Cuidando da Terra com terno e fraterno afeto no espírito de são Francisco de Assis e de Francisco de Roma, podemos seguir “caminhando e cantando”, como conclui a encíclica, cheios de esperança. Ainda teremos futuro e iremos irradiar.”

(LEONARDO BOFF. Filósofo e teólogo, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 26 de junho de 2015, caderno O.PINIÃO, página 20).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de reportagem  publicada no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 2 de julho de 2015, caderno CIÊNCIA & TECNOLOGIA, página 12, de autoria de HENRIQUE REZENDE, e que merece igualmente integral transcrição:

“O desafio da sustentabilidade
        Apesar de extremamente necessária para a saúde do planeta, uma mudança na forma como as pessoas consomem, tornando-a ambientalmente mais correta, pode prejudicar o crescimento econômico dos países. A percepção é da maioria dos especialistas da área do meio ambiente ouvidos em uma pesquisa apresentada no Seminário Internacional sobre os Padrões de Consumo para o Desenvolvimento Sustentável, realizado terça-feira e ontem em Brasília. O estudo, conduzido por Antônio Carlos Filgueira Galvão, diretor do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), revela o quanto o enfrentamento das mudanças climáticas é um desafio complexo, que envolve diferentes e interesses.
         Para enfrentar o aquecimento global, todos os países precisam realizar uma série de mudanças que afetam, principalmente, a forma de mover a economia. Usar menos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, apostar mais nas energias renováveis, e parar de derrubar florestas para transformá-las em áreas de plantio são algumas delas. Adotar essas e outras medidas significa promover a produção e o consumo sustentáveis, que também está intimamente ligada à geração de riquezas. Segundo Galvão, tem sido mais fácil para os governos adotarem medidas que tornem a produção menos agressiva à natureza, pois isso pode ser feito por meio de ações como novas legislações e políticas fiscais e de incentivo à indústria. “A ideia de padrões de consumo é muito mais complicada, pois envolve a mudança de hábitos culturais arraigados”, explica. Por isso, tanto o estudo quanto o seminário focaram nesse último aspecto, diz.
         Participaram do levantamento 579 especialistas que trabalham com a questão ambiental, sendo a maioria do Brasil (67%), da França (13%) e da Suécia (4%) – uma forma de comparar as percepções dos profissionais de um país em desenvolvimento com as daqueles de duas nações europeias. Para mais da metade dos brasileiros e dos franceses ouvidos, a transição para padrões de consumo que promovem o desenvolvimento sustentável faria o crescimento ocorrer de forma mais modesta ou o tornaria nulo ou negativo. Entre os suecos, o pessimismo se mostrou maior, como mais de 60% deles pensando dessa maneira.
         Quando um estudo semelhante, com especialistas dos mesmos países, foi feito na época da Rio+20, conferência ambiental realizada na capital fluminense em 2012, havia mais otimismo, com um número maior de pessoas que acreditavam ser possível crescer de forma igual ou melhor com a adoção de uma economia verde.
         “Na realidade, o que os dados mostram é que precisamos debater o tema com mais propriedade”, avalia o diretor do CGEE, organização social supervisionada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Não é possível ignorar o fato de que o desafio não é apenas mudar a forma de produzir e consumir para degradar menos o meio ambiente, mas fazer isso sem aumentar problemas como o desemprego, um dos reflexos do baixo crescimento. Para Galvão, o Brasil tem, a médio prazo, o desafio de “inocular mais qualidade ao seu crescimento”. Isso significa ser menos dependente das commodities, que geram muito emprego, mas com remuneração mais baixa, e fortalecer a indústria e a inovação. O país, apesar de muitos obstáculos, tem alguns trunfos que podem ajudá-lo, como grande potencial para adoção de energias verdes, a eólica e o etanol, por exemplo, uma cultura estabelecida de reciclagem; e uma agricultura pujante, cada vez mais eficiente em produzir mais em menos espaço.

PRIORIDADES O estudo capta bem a diferença de necessidades vividas por países desenvolvidos e em desenvolvimento. Hoje, sabe-se que uma economia menos agressiva ambientalmente deve ser construída por todos, mas o que cada um fará é a origem de todos os impasses. No centro desse debate, está o financiamento pelos países ricos de tecnologias verdes para serem adotadas pelos mais pobres, que não têm como arcar uma revolução nos meios de produção sem sacrificar seus orçamentos ou outras ações ainda necessárias, como a universalização do acesso ao saneamento básico.
         Essa diferença de visões aparece quando os especialistas são perguntados sobre qual deve ser o foco para a implementação do 10YFP, programa internacional coordenado pelas Nações Unidas para aprimorar nos próximos 10 anos, a cooperação entre países visando acelerar a transição rumo a um consumo e uma produção sustentáveis. Para os brasileiros, o principal ponto deve ser a transferência e o acesso a novas tecnologias, um dado que não aparece entre as principais sugestões de franceses e suecos, que dão mais destaque à adequação de recursos financeiros, capacitação e desenvolvimento de redes profissionais e medidas com a taxação maior de produtos pouco duráveis. Par Galvão, o debate do financiamento é central hoje, mas se torna um grande desafio em tempos de crise econômica com agora. “Há um grande consenso sobre as necessidades, mas há também diferentes interesses que precisam ser enfrentados para entrarmos em uma trilha de cooperação internacional”, avalia.
         Para a botânica Laure Emperaire, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), na sigla em francês) – instituição parceira do CGEE no seminário, ao lado do governo sueco e outras entidades brasileiras – há um desafio a ser superado. “estamos com dificuldade de implementar um conjunto de ações comuns para alcançar um consumo socioambientalmente sustentável”, avalia.
         Emperaire faz questão de acrescentar o fator social na discussão por considerar que o debate passa pelo respeito à diversidade cultural. Segundo ela, a busca por um consumo sustentável deve, obviamente, se pautar pelo baixo impacto ambiental, mas é preciso evitar o excesso de normatização que impeça modelos de produção e consumo tradicionais, especialmente em relação a sistemas alimentares diferenciados. “Precisamos abrir para o grande público a importância da diversidade na forma de produzir”, defende.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ano ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir IMEDIATA, abrangente, qualificada e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br).

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...     
     
        




   

quarta-feira, 1 de julho de 2015

A CIDADANIA, A ARTE DE APRENDER E EMPREENDER, A CRISE HÍDRICA E A CULTURA DA SUSTENTABILIDADE (11/13)

(Julho = mês 11; faltam 13 meses para a Olimpíada 2016)

“Aprender a empreender
        Complexidade, instabilidade, mudança: essas três palavras podem muito bem descrever o ambiente no qual nos encontramos na atualidade. Viver tem se transformado numa aventura na qual somos cada vez mais exigidos a dar o nosso melhor, a fazer a diferença, a agregar valor.
         Nesse contexto, quando é o tempo adequado para se começar a capacitação de uma pessoa? Onde é o local adequado e quem serão os elementos de transformação que levarão essa tarefa a efeito? Na minha experiência de 13 anos em lidar com jovens, tenho observado o crescimento da angústia que se expressa na urgência em definir entre os múltiplos caminhos para a construção de uma carreira. A carreira é posta diante dos jovens cada vez mais precocemente, exigindo que façam suas escolhas. Essa decisão, que se transforma no ponto de partida para toda uma vida, deve ser tomada aos 15, 16, no máximo, aos 17 anos!
         Recordo bem que, há cinco anos, na reta final para a escolha de que curso seguir, mais uma vez me deparei com a situação padrão: quase metade dos alunos ainda não sabia que curso escolher. Alguns, estimulados pela família, tendiam a certos cursos, outros, na falta de clareza, apoiavam-se nas escolhas dos melhores amigos. Outros ainda, perdidos em meio a tantas opções, vagavam em meio a um estado de total angústia. De repente, aparece aquela que parecia ser uma tendência inexorável: em cinco anos, faltariam ao país cerca de 200 mil engenheiros, necessários para tocar obras, gerir projetos e construir um país promissor. O que se viu foi uma debandada generalizada de alunos em direção aos diversos cursos de engenharia. Notei que, mesmo entre aqueles que já haviam se decidido, subitamente, mudaram seus rumos.
         Decisão frágil, baseada no externo, conduziu vasta parcela de alunos para um 2015 no qual uma grave crise paralisa obras e projetos e desemprega engenheiros, jogando na absoluta surpresa aqueles que já se imaginavam garantidos numa carreira de sucesso.
         Esse pequeno exemplo é adequado para esclarecer a importância em se preparar os jovens para realizarem suas escolhas profissionais em bases mais sólidas: não o externo, mas sim na sua dimensão interna, onde estão seus talentos, suas preferências e, exatamente por isso, suas maiores possibilidades de sucesso.
         O ensino do empreendedorismo, já no ensino médio, se propõe a preencher essa lacuna ao apoiar o aluno a assumir o protagonismo de sua própria história. A apresentação e a prática de comportamentos tais como a iniciativa e a proatividade, o comprometimento para com seus valores e ideais, a exigência de realizar com excelência tudo aquilo a que se propuser são exemplos pertinentes do que pode o ensino do empreendedorismo realizar na vida de um jovem capaz e interessado. Uma vez enraizados, esses comportamentos serão úteis para toda a vida, possibilitando a construção de uma carreira valorosa e útil, para si mesmo e para a sociedade que o cerca.”

(Carlos Ronan de A Braga. Professor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 28 de junho de 2015, caderno O.PINIÃO, página 21).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 27 de junho de 2015, caderno PENSAR, página 2, de autoria de INEZ LEMOS, psicanalista, e que merece igualmente integral transcrição:

“Crise hídrica e

 NARCISISMO
        
         A lógica em que o uso da água foi inserida em nossa cultura é a lógica da mercantilização, do consumo exacerbado e do lucro. Há tempos a água deixou de ser recurso natural, um bem coletivo, para se transformar em mercadoria a ser vendida. No imaginário empresarial, é um produto a ser negociado como um objeto de consumo qualquer. O sucesso do capitalismo depende do quanto de fetiche e de ilusão consegue-se criar em torno de uma mercadoria. É quando a água abandona o valor de uso e incorpora o valor de troca. Ela circula na perspectiva da acumulação, o mundo dos negócios a utiliza para alavancar investimentos. É peça-chave nas empresas, dela dependem o capital, os meios de produção.
         A crise hídrica nos impõe um paradoxo: como conciliar conceitos e práticas sociais petrificados no discurso da rentabilidade e da ostentação, em que competição, cliente preferencial e patrimônio confrontam com o discurso da ética e da necessidade de economizar água? De repente, inicia-se o processo de deslocamento de posição: a água não deve mais ser vista como mercadoria rentável, seu uso deve ser racionado. O discurso agora é o da consciência social e da cidadania, pois se trata de um bem natural, de uso coletivo. Se educarmos as crianças no excesso e na lógica do desperdício, como enfrentar tal desafio? Na TV, logo depois de anúncios de sapatos e cosméticos, temos os órgãos responsáveis pela captação e distribuição da água solicitando que a população economize, poupe, não desperdice tão precioso recurso natural.
         Quando convocamos a população prestar atenção em seus hábitos, a investigar se eles estão adequados ao conceito de cidadania e ética, supomos que ela esteja sensibilizada para a questão. Mas isso não ocorre, pois não educamos as crianças em valores envolvendo significantes que instituem a prática de poupar, implicar, cuidar, prevenir, respeitar. Cuidar da água é prevenir, contraponto ao descaso com a natureza, rios, mananciais e florestas. Muitos nascem e crescem entre asfalto, condomínios e jardins artificiais, convivem com o arremedo da natureza e não percebem o quanto estão distantes da origem das coisas. Alienados do processo de produção das mercadorias, julgam normal usar e abusar.
         Para que possamos aderir ao apelo de usar água de forma racional, deveríamos ser sensibilizados para tal, pois racionar implica sacrifício, mudança de hábitos, abandonar o conforto e abraçar uma causa desconfortável, que pode gerar mal-estar. A subjetividade contemporânea não prevê felicidade na lógica da economia. O brasileira cresceu na cultura do desperdício, poupar não está em nossa agenda. Gostamos do excesso – e racionalizar água implica banhos rápidos, além de outras práticas que garantem menor consumo. Para tanto, é necessária a intervenção no corpo desejante, pois ações governamentais não podem ficar à mercê da boa vontade da população.
         Em Considerações atuais sobre a guerra e sobre a morte, Freud desconstrói a ideia de progresso e registra a descrença no ser humano em questões coletivas, questões que envolvem o bem social. Nesse momento, a esperança iluminista se desfaz: igualdade, liberdade e fraternidade. Diante da devastação provocada pela guerra e da banalização da morte, evidenciou-se o fracasso da razão universal, constatando-se que o exercício do mal estaria no centro da razão civilizada. Ao deparar com a presença da morte e do mal na orientação psíquica, Freud perde a ilusão que sustentava a dimensão simbólica da vida social. Ao constatar que a política não consegue dar conta das diferentes subjetividades, cunha a expressão “narcisismo das pequenas diferenças”. Ou seja: pouco se pode esperar de cada um quando se trata do bem-comum.
         Para que o cidadão assuma as campanhas de economia de água, ele deve ser mobilizado em novas posturas, aderir a restrições e limites sem sofrer. Poucos governos trabalham com prevenção e sensibilização, inserindo desde cedo o cidadão no princípio educativo. Quando a criança é educada convivendo com a frustração, quando os pais a deixam na falta, não tentam supri-la em tudo, ela aceita melhor as interdições e renuncia às pulsões de forma mais tranquila. Educar para a cidadania exige coragem dos pais em coibir excessos e caprichos dos filhos, conduzindo a criança a aceitar as restrições necessárias. Geralmente, nada se consegue quando a interdição ocorre sem que ela, desde pequena, tenha sido inserida na lei. É de pequeno que o corpo pulsional é contaminado pelas exigências do projeto civilizatório.
         Mal-estar, frustração e irritação são efeitos da renúncia pulsional. Há mal-estar quando temos que restringir demandas e caprichos. Quanto mais se educa o filho no excesso, permitindo e, muitas vezes, incentivando apelos descabidos, contribui-se para que o sofrimento se instale. O mal-estar contemporâneo é gestado no excesso de permissividade. A ausência de interdição explica a dificuldade dos pais em impor leis e limites. A sociedade de consumo explora a ausência da metáfora paterna. Permitir vende mais do que reprimir, o que ajuda a explicar a crise de autoridade, a crise na função paterna e materna.
         Quando o espaço privado entra em crise, o público também sofre as consequências. O declínio do poder paterno provoca o declínio do poder público. Quanto maior a ausência de intervenção pulsional, menor a chance de o cidadão aderir às campanhas de regulamentação e socialização do uso da água ou de outros recursos naturais. O pacto selado entre as famílias é o que garante o pacto na sociedade.
         Toda vez que surgem propostas que rompem com o imaginário social petrificado no individualismo consumista, exigindo ética no uso do espaço público, há desconforto e perda de gozo. Tudo o que fere a fantasia fálica de privilegiado e poderoso, significantes sustentados na ilusão de completude, provoca uma contratransferência, pois o indivíduo estabelece uma relação fálica (de poder) com o objeto – no caso, com a água. Gastar água ao bel-prazer é operar no gozo – quando o sujeito não quer saber, tampouco se implicar.
         A questão passa, então, pela necessidade de ativar no cidadão a consciência em relação ao uso racional da água. Como encetá-lo em práticas educativas adversas ao mundo da ostentação e acumulação patrimonialista? Educar na ética exige que a criança seja inserida na ordem simbólica que sustenta o enunciado. O discurso que predomina na sociedade de mercado não articula significantes que sustentam a lógica do bem comum, exigindo parcimônia nos hábitos. Educamos para o lucro, opulência e fartura. É quando a criança cresce vendo os adultos usando a água sem restrições: escovando os dentes com a torneira aberta, tomando banhos prolongados ou exigindo da faxineira lavar as calçadas.
         Toda mudança requer sacrifício, adesão a novos paradigmas. Como migrar da lógica da competição para a lógica da colaboração? Tornam-se necessárias rupturas internas, abandonar montagens perversas que debocham da metáfora paterna. Montagens cristalizadas em atos pouco transparentes e que não se ajustam às escolhas fundadas nos princípios de cidadania. Cultuar privilégios não é reivindicar ética, lisura no uso da coisa pública. Ao regular o uso da água, devemos dialogar com as subjetividades – operar com o simbólico desconstruindo a lógica objetiva, racional. Deslocar-nos da esfera do cliente para a esfera do cidadão: desviar o uso da água da lógica do mercado, em que o cliente bom é o que mais consome.
         Um novo cidadão há de surgir na defesa das causas públicas quando novas formas de subjetivação, distantes da razão cínica de sempre levar vantagem, forem contempladas. A retórica da ética e do bem comum é frágil e insuficiente diante do imperativo de gozo, quando o sujeito não quer perder nada, mudar nada, restringir nada! A forma como ele vai responder às demandas de racionalizar água dependerá de como foi inserido na ordem simbólica que prega ética no uso da coisa pública. Como mudar uma cultura, gestar outra concepção de mundo e intervir em práticas que envolvem narcisismo, desejo e pulsões? Nunca é tarde para reiniciar posturas decentes e cobrar responsabilidade dos envolvidos na questão.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito subiu 1,7 ponto percentual em abril e atingiu 347,5%  ano ano...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a simples divulgação do balanço auditado da Petrobras, que, em síntese, apresenta no exercício de 2014 perdas pela corrupção de R$ 6,2 bilhões e prejuízos de R$ 21,6 bilhões, não pode de forma alguma significar página virada – eis que são valores simbólicos –, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, e segundo o estudo “Transporte e Desenvolvimento – Entraves Logísticos ao Escoamento de Soja e Milho, divulgado pela Confederação Nacional do Transporte, se fossem eliminados os gastos adicionais devido a esse gargalo, haveria uma economia anual de R$ 3,8 bilhões...);

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (apenas com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir IMEDIATA, abrangente, qualificada e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br).

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...
Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

O BRASIL TEM JEITO!...