quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A CIDADANIA, A EDUCAÇÃO CIENTÍFICA, A ARTE E O SUBLIME

“Mais ciência, mais cidadania
         Hoje, 16 de outubro, Dia Nacional da Ciência e Tecnologia, gostaria de destacar a importância da educação científica para o Brasil. Neste momento, não me refiro apenas à sua relevância na formação profissional de jovens. Investir na educação científica é colher benefícios para profissionais, empresas, instituições, sociedade, enfim, todos. Acredito que uma educação que estimula a curiosidade, a experimentação e o raciocínio lógico, características próprias do pensamento científico, pode ajudar no desenvolvimento do nosso país e até mesmo na evolução do Brasil como nação democrática e mais igualitária.
         Explico: a educação científica traz outros ganhos que, por vezes, não são percebidos como advindos de um ensino mais plural. O pensamento científico impõe ordenação (princípio, meio e fim) e análise das variantes (causa e consequência). Esse tipo de instrução pode contribuir para um melhor entendimento dos desafios e proposição de respectivas soluções. No exterior, o movimento que apoia o estudo dessas disciplinas – ciências, tecnologia, matemática e engenharia (STEM, na sigla em inglês) – já está mais maduro. No Brasil, algumas organizações já procuram patrocinar iniciativas que incentivam o ensino dessas matérias desde a mais tenra idade. O objetivo é criar um modelo mental que leva a uma sociedade mais desenvolvida, que não apenas enxerga o problema, mas sabe questioná-lo e apresenta as soluções necessárias. No cenário econômico, o pensamento científico pode significar competitividade, um ganho tão almejado pelas empresas. Com profissionais mais capacitados, inovação e sustentabilidade saem do discurso corporativo para a realidade de produtos e serviços que usam menos recursos naturais, ao mesmo tempo em que preservam o meio ambiente, características essenciais para as empresas que buscam não somente prosperar, mas continuar com seus negócios no longo prazo. Um dos entraves da educação para as ciências hoje é a atual estrutura rígida  dos currículos nas escolas brasileiras. É preciso criar mais estímulo para as crianças, para que elas exerçam sua curiosidade. Permitir um espaço para a elaboração de perguntas e que essas se desdobrem em ações colaborativas. Um conhecimento dinâmico como é a sociedade hoje. Nesse sentido, acredito que qualificar o professor, como interface para se atingir os alunos, é umas das maneiras de colocar a ciência em pauta. É também confirmar a importância dos educadores e torna-los protagonistas. É criar momentos para a experimentação, deixando de lado o rótulo de que física, química e outras matérias sejam algo amedrontador ou difícil, para se tornar uma ocasião de compreensão e interação do ser humano com o mundo que o circunda.
         É preciso, também, investir mais em espaços de educação não formal. Isso significa fomentar visitas a museus de ciências, criar eventos de aproximação da população com as universidades, enfim, dar acesso a mais pessoas aos conteúdos científicos. E, assim, alimentar o círculo virtuoso da cidadania acima descrito: saber questionar os problemas e propor soluções duradouras. A educação deve ser multiplicada e compartilhada, pois, assim, enriquecerá todos.”

(LEONARDO GLOOR. Superintendente da Fundação Arcelor/Mittal, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 16 de outubro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 9 de outubro de 2015, caderno PENSAR, página principal, de autoria de VERLAINE FREITAS, professor do Departamento de Filosofia da UFMG e pesquisador do CNPq, por ocasião do 12º CONGRESSO INTERNACIONAL DE ESTÉTICA – BRASIL, “O TRÁGICO, O SUBLIME E A MELANCOLIA”, realizado em Belo Horizonte), e que merece igualmente integral transcrição:

“Sublime contradição
        Quando à noite olhamos atentamente para o céu estrelado longe das luzes das grandes cidades, temos uma experiência estética avassaladora. Os astros que brilham desde a imensidão inalcançável de um cosmos e se derramam ao infinito não são apenas “belos”. Na verdade, se tentarmos apreender todos aqueles pontos luminosos em nosso campo perceptivo para formar uma totalidade, ao mesmo tempo em que reforçamos nossa consciência de que por detrás de cada fonte de luz daquelas existem bilhões e bilhões de outras; se tentarmos progredir rumo a uma unidade abrangente de tudo o que podemos captar visualmente nessa enorme abóbada celeste, chegará rapidamente um instante em que nos apercebemos de um limite: o infinito do cosmos não cabe na finitude, no enquadramento de nossa visão.
         Prestando atenção a essa experiência, vemos que, no instante em que fracassamos ao tentar produzir uma imagem total do infinito, temos uma sensação de desprazer, marcada por uma insuficiência constitutiva de nossos poderes de conhecimento da realidade. É como se desejássemos, inconscientemente, tornar comensurável a nós aquilo que escapa a todas as medidas possíveis. Todos os objetos que admitem essa equalização conosco podem, em grande parte, ser chamados “belos”, pois nosso vínculo com eles é de harmonia, de um prazer positivamente experimentado. Como classificaremos, porém, aquela experiência, em princípio dolorosa, com um objeto grandiloquente, que escapa indefinidamente ao senso de harmonização? Além disso, não haverá prazer mesclado a essa sensação de desconforto?
         Desde a Antiguidade grega reservou-se o conceito de sublime para demarcar a experiência estética que escapa aos limites da beleza, colocando-nos face a face com o incomensurável, ou seja, com o infinitamente grande. Para quem realizou alguma vez de forma consistente essa experiência de contemplar a miríade de astros luminosos que ressaltam como ondas estacionárias, recobrindo de um véu espesso o fundo negro e abissal do firmamento, torna-se claro que o desprazer do vínculo com um ilimitado que não cabe em nossa totalidade perceptiva é acompanhado, sim, de um prazer. Trata-se de uma experiência que, em toda sua completude, será satisfatória, de alguma maneira. A pergunta é: como explicar esse prazer posterior que precisou atravessar a negatividade para poder surgir?
         Segundo a perspectiva do filósofo alemão Immanuel Kant, esse infinito da natureza que parece nos oprimir acabará sendo assimilado como uma espécie de eco ou reflexo da grandiosidade de nosso próprio espírito. É como se nossa incapacidade de fornecer uma imagem do infinito fosse instantaneamente transformada em uma potência de figuração de uma outra ordem, em que somos levados a nos situar em um novo plano de concepção de nós e da natureza, no qual a profundidade e o poder e nossa razão, de nossa espiritualidade e de nossa subjetividade não apenas podem ser comparados ao infinito, mas até mesmo vivenciados como superiores a ele!
         Entre as diversas facetas desse movimento duplo de desprazer e prazer, uma que é especialmente interessante e a da necessidade de nos mantermos conscientes de que se trata apenas de uma experiência estética, contemplativa, calcada pela busca de prazer. Se nos abandonarmos muito literalmente ao fluxo transbordante de nos percebermos esmagados pela grandiosidade da natureza, acabaremos por não sentir o prazer do sublime, mas sim algum outro, que talvez se assemelhe ao êxtase religioso, por exemplo. Além disso, é necessário haver certa maturidade cultural, pois uma criança dificilmente teria a sobriedade e altivez de espírito suficientes para buscar forças íntimas, internas, para se medir com essa infinidade esmagadora.
         A natureza, porém, não é sublime apenas em sua grandeza infinita, mas também em sua força. Quando vemos uma tempestade colossal em alto mar, que pode abater em sua fúria inominável qualquer embarcação humana, por maior e mais robusta que esta seja; quando vemos a torrente de lavas vulcânicas arrasando várias cidades que se desintegram instantaneamente soterradas por aquele fogo irrepresável; quando presenciamos um furacão que arrasta a tudo e a todos em seu redemoinho que não conhece nenhum obstáculo, seja ele natural ou humano – em todos esses momentos podemos experimentar o desprazer de não sermos comensuráveis a uma força gigantesca, mas, em um segundo momento, também podemos experimentar aquela reviravolta de nos medirmos espiritualmente com isso que ultrapassa todas as medidas humanas, sentindo prazer.
         Esses dois tipos de sublimidade, da grandeza e da força, foram ditos para a natureza. Uma pergunta que intrigou diversos filósofos posteriores a Kant é: poderia a arte também proporcionar esse tipo de prazer? – que ela seja capaz de representar o que vemos como sublime na natureza não há dúvida, tal como em pinturas de paisagens colossais, de maremotos, cordilheiras que se perdem ao infinito etc. A questão mais difícil de responder é se esse movimento contraditório pode ser vivenciado na própria relação com o objeto artístico.
         Diversas respostas foram tentadas por filósofos e artistas no século 20. Fazendo um apanhado de pontos principais de algumas teorias, podendo dizer que o sublime é uma categoria aplicável propriamente à arte moderna, que se firmou a partir das vanguardas surgidas pouco antes e pouco depois de 1900. Quando a pintura deixa de ter como seu elemento próprio a representação figurativa da realidade, passando a ser não apenas abstrata, mas incorporando principalmente o feio, o repugnante e o disforme como ingredientes de uma linguagem pictórica múltipla, que extrapola e contradiz em grande medida o belo, temos aí um primeiro momento de negatividade comparável ao desprazer inicial do sublime. Cada uma das pinturas que rompem com nosso desejo de compreensão do que está sendo representado, desafiando o nosso senso estético prévio, ajuda a estabelecer, no conjunto das produções pictóricas, um horizonte que se alarga cada vez mais, incorporando materiais tão divergentes e estranhos a esta arte, que a percepção da ruptura radical de nossa apreensão de tais objetos se mostra análoga à impossibilidade de fazer convergir o infinito da natureza em uma totalidade perceptiva.
         Ao contrário da teoria de Kant, que percebia o momento de prazer sublime na equalização do infinito da natureza à profundidade do espírito humano, na arte moderna, segundo Theodor Adorno, a dimensão “positiva” do sublime continua a ser negativa em certo sentido, a saber, na medida em que tomamos consciência do quanto toda essa negatividade trazida à luz nas obras de arte é um testemunho do que foi recalcado, expulso para o subterrâneo da história pelos padrões de racionalidade, de moral, de concepção de produtividade econômica etc. É como se todo o horizonte da beleza e dos ideais de harmonização figurativa fosse rompido para dar acesso a uma verdade mais profunda e substantiva, que, embora nos conecte com o absurdo, o sem-sentido, o feio e o repugnante, nos dá o prazer do reconhecimento de extratos de experiência bem propriamente humanos, afins ao que a psicanálise se esforça em desvelar laboriosamente por meio de sua pesquisa sobre o inconsciente.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 361,40% ao ano; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  
     

   





segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A CIDADANIA, A EDUCAÇÃO JURÍDICA E A CENTRALIDADE DA FÉ

“POR UMA
EDUCAÇÃO JURÍDICA EMANCIPATÓRIA
        
         “Estuda humanidades. Para quê? Para ser humano. Ou seja, um homem digno entre os homens” (De doc, Christ. 11,12).
         É um truísmo afirmar que a sociedade brasileira clama por uma educação jurídica emancipatória. Esta começa nas escolas. É primordial que as crianças e jovens aprendam sobre as nossas leis mais básicas, como a noção dos direitos humanos ou Constituição da República Federativa do Brasil e seus direitos e garantias fundamentais dispostos no artigo 5º. Ou até mesmo algumas normas específicas, como o artigo 229 da Constituição Federal, que aduz: “Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores tem o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade”.
         Uma vez conhecedores dos direitos, saberão também reconhecer seus deveres, formando indivíduos cidadãos, patriotas e, sobretudo, humanos. O conhecimento em direitos engaja o povo para a inclusão social. É basilar que tenhamos o conhecimento das leis em todos os setores da sociedade, para que elas sejam obedecidas e cumpridas. A lei precisa ser aplicada e ter eficácia, sob o risco de tornar-se somente letra morta no papel.
         No âmbito universitário, é preciso entender as universidades não só como um local de graduação. Mas também composta pela pesquisa e extensão que trazem à baila o entendimento do aluno sobre a realidade que os cerca. É um convite a se pensar sobre o certo e o errado, o justo e o injusto, o lícito e o ilícito. Isso possibilita a participação dos indivíduos na construção de sua existência como sujeitos de direitos ativos na história de nosso país, que é construída diariamente.
         Com uma educação jurídica emancipatória, livre e independente, formaremos seres humanos preocupados não só com o mercado de trabalho e com sus sobrevivência, mas também como aplicadores dos direitos individuais, sociais e políticos. Serão profissionais humanos que saberão lidar de forma digna e ética com os seus semelhantes, numa cultura marcada pela diversidade e pelos direitos.
         Indivíduos conhecedores das principais leis que compõem o ordenamento jurídico brasileiro terão chances de saber viver bem em sociedade, marcada pela heterogeneidade, diversidade, desigualdade, injustiças e violência. Desenvolverão valores relativos à coletividade e à resolução de conflitos pacificamente. Mais do que saber as leis, aprenderão um convívio democrático, respeitando as diversas diferenças e crenças e tomando-se como uma forma de enriquecimento pessoal.
         A educação em direitos não deve mais ficar em segundo plano. É tão importante quanto as disciplinas aprendidas nas escolas e nas universidades. É fundamental para alcançarmos a nossa plenitude profissional e pessoal. É, pois, imperativo passarmos a nos preocupar com tal mister.
         A teoria aprendida sobre o direito vinculada à prática demonstra o caráter ideológico tão bonito de nossas jurisprudências, doutrinas e legislações. Primando pelos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, quais sejam: construir uma sociedade livre, justa e solidária, garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais e promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (artigo 3º, incs I-IV, CF/88).”.

(CAMILA ROSADO. 6º período de direito da PUC Minas, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 16 de outubro de 2015, caderno DIREITO & JUSTIÇA, página 2).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo e edição, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Igreja em saída, desafio
        A expressão “Igreja em saída”, utilizada pelo papa Francisco na exortação apostólica Alegria do evangelho, significa uma Igreja de portas abertas para acolher e, ao mesmo tempo, pronta para ir ao encontro do outro, capaz de chegar às periferias humanas. Nesse horizonte, o Documento de Aparecida, fruto da 5ª Conferência Latino-Americana e Caribenha dos Bispos da Igreja Católica, sublinha a urgência de um despertar missionário, na forma de missão continental. A compreensão de uma “Igreja em saída”, em estado permanente de missão, decididamente depende da vivência do Evangelho, sempre boa-nova. Necessita de homens e mulheres renovados, que vivenciem essa tradição e novidade como discípulos de Jesus Cristo.
         O núcleo central é, portanto, a fé no Deus amor. Eis o desafio: saber tratar a fé à luz da palavra de Deus, instância com força de correção diante das complexidades da vida contemporânea. Desse modo, é possível tocar o núcleo existencial de cada pessoa e, assim, promover qualificação, construir sólido alicerce para escolhas que garantam a fecundidade de uma cidadania civil e eclesial. Muitas são as dificuldades enfrentadas hoje pela Igreja Católica, desafiada a dar novas respostas. Isso não se resume simplesmente à análise de dados estatísticos envolvendo perda de fiéis ou a verificação de trânsito religioso. Para além de números, embora eles sejam importantes indicadores na avaliação da capacidade para ajudar cada pessoa a qualificar sua dimensão existencial.
         As dinâmicas de evangelização na Igreja estão girando polarizações – com as próprias do pentecostalismo e aquelas já morridas do racionalismo. Urgente é uma "Igreja em saída”, que eleja como meta as periferias geográficas. Para isso, conforme sublinha o papa Francisco, são necessárias transformações de costumes, estilos, horários e de toda a linguagem eclesial. A autopreservação, no dizer do papa, ou pastoral de conservação, desenha a enorme barreira que atrasa ou impede a esperada resposta.
         Assim, estruturas eclesiais que condicionam o dinamismo evangelizador precisam ser renovadas para que a Igreja possa, cada vez mais, ajudar o mundo a superar seus desafios. Esse passo de conversão e essa resposta não são alcançados apenas pela reafirmação conceitual das verdades intocáveis que definem a fé cristã, sua vivência e testemunho. Almeja-se uma nova e inadiável consideração da dimensão existencial do ser humano, para fortalecer a centralidade da fé vivida e professada. Nesse caminho, por meio da palavra de Deus será possível qualificar cada pessoa. O primeiro passo é uma revitalização no modo de ser cristão-católico e, consequentemente, avaliar melhor as escolhas pessoais. Não basta investir conceitualmente em mudanças de configurações organizacionais sistêmicas no conjunto dos funcionamentos das estruturas eclesiais. O que precisa priorizado é o existencial humano, aprisionado pelo individualismo, dominado exclusivamente por emoções e devocionismos tortos, ou presididos pela hegemonia de uma autonomia que ceja, impossibilitando o gosto transformador e libertador de crer.
         A luta que atrasa esperados avanços rumo à meta de uma “Igreja em saída” requer urgente substituição de modelos, mentalidades e entendimentos engessados. A prioridade é o dom do encontro com Jesus Cristo pela escuta e vivência da palavra de Deus. Oportuno é lembrar o que diz o Documento de Aparecida: “Nossa maior ameaça é o medíocre pragmatismo da vida cotidiana da Igreja, na qual, aparentemente, tudo procede com normalidade, mas, na verdade, a fé vai se desgastando e degenerando em mesquinhez”. Diante dos modelos obsoletos que presidem práticas pastorais e vivências eclesiais e de fé, vale a advertência poética de Fernando Pessoa: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma de nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam aos mesmos lugares”. Ora, continua ele dizendo: “é tempo de travessia, e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”. Esse é o desafio!”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 361,40% ao ano; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  
     



          

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

A CIDADANIA, A ECOLOGIA HUMANA E INTEGRAL E A CELEBRAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO

“Deve haver uma relação consciente 
entre nós e o reino animal

        O sofrimento é inerente à personalidade do homem por causa de suas ligações com o passado e do exercício da força do desejo ainda não elevado para objetivos superiores. A energia própria da alma, porém, é a alegria, um estado de ser totalmente unificado com o propósito da Criação. É desse estado, que não vem da personalidade, mas sim de regiões mais profundas, que emerge a beatitude onde a paz vai além de toda e qualquer compreensão e onde há a entrega completa do ser interior ao caminho cósmico aberto à sua frente.
         Circunstancialmente, entretanto, enquanto o indivíduo vive neste planeta, o sofrimento e a dor, em seus vários aspectos, fazem parte de sua vida. Compreender suas causas até onde é possível e remover ou transformar os elementos que as vitalizam e mantêm deveria ser uma das metas por ele visualizada.
         Quando a humanidade conseguir elevar o próprio desejo para objetivos superiores, evolutivos, que transcendem as necessidades normais e comuns criadas pela imaginação ou pelos condicionamentos do passado e, principalmente, quando dispensar o que é supérfluo, luxuoso e paliativo, o sofrimento humano diminuirá o quanto for permitido pela lei cíclica, divina.
         Outro ponto importante, diretamente ligado a esse assunto, precisa também ser enfatizado. É o princípio básico trazido pela lei de causa e efeito: enquanto provocarmos o sofrimento, iremos tê-lo em nossa própria vida. Nesse particular, o fato e a humanidade ainda consumir alimento animal traz-lhe consequências incalculáveis.
         O animal, cuja tendência inata faz ter o homem (que, na escala da evolução, ocupa o lugar imediatamente superior a ele) na mesma conta em que temos hoje o nosso próprio “Deus”, é marcado por profundo impacto, de insondável repercussão, ao servir de alimento para o homem. No momento da morte, o animal percebe que os aspectos exteriores de seu ser serão destruídos, sabe o que vai acontecer e, por já ter em seu estágio evolutivo desenvolvido suficientemente o corpo emocional, sofre. A questão da dor nunca começará a ser aclarada por nós se esse ponto básico e inicial não estiver, pelo menos como uma semente, em nossa consciência.
         A ingestão de produtos de origem animal – em especial a carne – produz inércia nas células físicas, impedindo que seu potencial ainda não revelado se manifeste plenamente. É um poderoso obstáculo ao trabalho evolutivo que o homem de hoje busca conscientemente levar adiante. A carne tem uma vibração característica de um estágio já ultrapassado – e, quando usada em sua alimentação, o mantém em um ponto não mais condizente com os novos passos que está para dar: o domínio da intuição, o exercício da telepatia superior e a experiência da consciência acima do mental. Passos que podem ser assim prejudicados e até mesmo adiados. Enquanto não se substituir a antiga forma de os homens contatarem os animais, a vibração instintiva ficará circulando nos corpos de suas personalidades por muito mais tempo do que seria necessário.
         Um relacionamento verdadeiro e atual precisa ser desenvolvido entre nós e os animais. Um relacionamento no qual eles, os animais, serão beneficiados com os nossos serviços e com a nossa gratidão pelo papel que tiveram e ainda têm no desenvolvimento da humanidade.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 11 de outubro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 10 de outubro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de WILSON CAMPOS, advogado, presidente da Comissão de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, da OAB/MG, e que merece igualmente integral transcrição:

“27 anos de Constituição
        Ulysses Guimarães, depois de assinar os exemplares originais da Constituição, ergueu-se de sua cadeira e brandiu com mão firme um exemplar, dizendo: “Declaro promulgada. O documento da liberdade, da dignidade, da democracia, da justiça social do Brasil. Que Deus nos ajude para que isso se cumpra!”.
         A Constituição da República completa 27 anos. Desde a sua promulgação, no fim da tarde de 5 de outubro de 1988, quando a execução do Hino Nacional calou por alguns segundos as vozes e fez acelerar os corações, o Brasil molda um caminho de fortalecimento da democracia. Tão logo encerrada a cerimônia histórica da sessão solene do Congresso Nacional e publicada a Carta Magna, os pensamentos se voltaram para o cumprimento do texto legal, que exigiria comprometimento de diversos setores da sociedade, no zelo, na guarda e na sua obediência. Estavam postos os direitos e os deveres. Restava ungida, batizada e consagrada a Constituição da República Federativa do Brasil.
         A transição da ditadura militar para o regime democrático foi comemorada por uns e lamentada por outros, mas respeitada por todos, numa demonstração autêntica de aprendizado crescente de como conviver com diferentes opiniões. As lições do passado se somaram aos desafios do futuro, na proficiente busca pelo Estado democrático de direito, que assegurasse o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça, como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos.
         Nos últimos 27 anos, os desafios foram superados pela supremacia das garantias da Constituição, principalmente quando foram enfrentados o impeachment do presidente Collor, a disparada da inflação nos anos 1990, as eleições multifacetadas dos partidos de esquerda, de centro e de direita, a diplomacia dos ministros militares no exercício republicano de suas funções e a segurança jurídica no controle das crises e na prevalência da estabilidade institucional. Contudo, resta um desafio maior que é o de entregar, de fato, à sociedade os direitos e as garantias fundamentais, requeridos na efetividade dos princípios constitucionais, sem distinção. Esse será o grande salto para se alcançar a democracia e a igualdade, plenas e asseguradas a todos. As crises, passadas e presentes foram e serão resolvidas dentro dos parâmetros democráticos e pela régua da Constituição.
         O maior jurista brasileiro de todos os tempos, Rui Barbosa, já dizia, sem medo de errar: “A Constituição, em qualquer regime, também é lei: lei primária, lei suprema, lei constituinte, mas, igualmente, lei, e lei das leis, lei maior que todas as demais”.
O espírito democrático da Constituição Cidadã está preservado, longe do jugo, do vício e das investidas sub-reptícias dos demagogos, que insistem nas brechas da lei para alcançar privilégios pessoais. O texto constitucional, de 250 artigos, inclui claúsulas pétreas que, a rigor, têm como objetivo evitar as alterações temerárias de questões essenciais para os cidadãos e para o Estado. Porém, a expectativa maior da sociedade brasileira é que a Constituição permita o crescimento social, econômico e intelectual das camadas mais pobres da população, haja vista a urgência de medidas democráticas de regulamentação e de inclusão social.
Permissa venia, muito há que se fazer ainda pela prosperidade da Constituição, a começar pelas reflexões quanto à injusta divisão de riquezas, agravada pela escorchante carga tributária que onera sobremaneira os comuns e não atinge tão violentamente as classes mais ricas, jamais atingidas diretamente e na mesma proporção pelas reformas da política econômica brasileira. É fato e não merece muito debate. Os mais sacrificados são sempre os hipossuficientes. De sorte que, em nome da cidadania, o princípio da isonomia precisa ser efetivamente aplicado.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 361,40% ao ano; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  
     





terça-feira, 13 de outubro de 2015

A CIDADANIA, AS TRÊS PERGUNTAS DE KANT E O JORNALISMO DE QUALIDADE

“As três perguntas
        Vivemos momentos complicados no Brasil. Assistimos a manifestações de insatisfação sem resultado prático que se possa avaliar como positivo, e isso causa perplexidade. Confesso que me deixa perplexa o fato de a insatisfação declarada nem fazer cócegas na máquina pública.
         Se a vontade do povo, expressa nas manifestações, não é escutada e nada causa, o que é uma democracia? Um conceito ideal e abstrato que devemos defender, porém impraticável? Recuso-me a tal conclusão. Jamais podemos abrir mão da vontade democrática, que abriga contrários e divergentes. Nesse caso, parece um bom começo nos guiarmos pelas três perguntas de Kant, o filósofo da razão prática, para entender por que pouco vemos os efeitos das manifestações nestes tempos.
         Três perguntas norteiam a ética da prática da ação feita por Kant – O que posso saber? O que devo fazer? O que é lícito esperar?
         No Brasil da propina, que a maioria diz odiar e repudiar, nem todo político eleito pelo voto representa o eleitor. Precisamos saber um pouco mais sobre o mundo que nos cerca. Perceber que os parceiros escolhidos pelo governo atual são as ditaduras da América Latina, e é lá onde nosso dinheiro está sendo investido. Portanto, vivemos numa política autoritarista, que passa longe dos primeiros tempos do Partido dos Trabalhadores que se queria para o povo e pelo povo. Aquele PT já era.
         Devemos fazer oposição não apenas com panelaços ou redes sociais, mas nas urnas. É lá que se decide a quem dar a procuração que nos representará. Até agora, isso ocorre de forma absolutamente incompreensível ou suspeita. Só o voto de cabresto explica certas reeleições. Paira sobre essa questão um mistério. Somos obrigados por lei a reeleger o mesmo sistema.
         “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. O que devo fazer? Boa pergunta, ainda sem resposta. Precisamos construir saídas práticas, novas opções.
         O que posso esperar? A esperança. Polêmica. A última a sair da caixa de Pandora. Aquela que devemos deixar para trás ao adentrarmos o inferno de Dante. Para que serve a esperança senão para projetarmos nossos sonhos e anseios que a realidade trata de frustrar quase invariavelmente?
         A diferença entre os discursos kantiano e psicanalítico está na questão do universal e do particular. Para Kant, devíamos agir de modo que a máxima da nossa vontade pudesse valer como legislação universal. Por sua vez, a psicanálise trabalha com o particular mais íntimo e singular, sabendo que nenhum outro jamais poderá ter desejo idêntico ao nosso. Portanto, a alteridade radical presentifica a impossibilidade de comunhão plena e absoluta numa comunidade humana.
         Aqui, estaremos sempre lidando com a diversidade. É preciso que, mesmo e apesar da dificuldade que isso nos coloca, saibamos que o respeito pelo espaço comum, pelo ar que respiramos e pelos rumos da humanidade merece uma ética que possa acolher essa diversidade.
         Esperar que os ideais se tornem realidade é ilusão ingênua. Mas é preciso que um pouco deles possa ter lugar para que nem tudo esteja perdido. Talvez fosse viável que cada um de nós fizesse tais perguntas a si próprio antes de qualquer ação, para que saiamos do estágio de corrupção endêmica.
         Será necessário romper com valores, interesses e privilégios particulares. O problema é que a inversão de valores é adotada por parte dessa sociedade e, afinal, já não importa por que meios encontrar o valor que não está mais nas virtudes, no caráter e na solidariedade, mas no volume dos bolsos e das cuecas.”

(REGINA TEIXEIRA DA COSTA, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 11 de outubro de 2015, caderno CULTURA, coluna EM DIA COM A PSICANÁLISE, página 2).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 12 de outubro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de CARLOS ALBERTO DI FRANCO, jornalista, e que merece igualmente integral transcrição:

“Jornalismo fascina e vende
        As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas fielmente os sensíveis radares dos leitores. Precisamos, por isso, derrubar inúmeros desvios que conspiram contra a credibilidade dos jornais.
         Um deles, talvez o mais resistente, é o dogma da objetividade absoluta. Transmite, num solene tom de verdade, a falsa certeza da neutralidade jornalística. Só que essa separação radical entre fatos e interpretações simplesmente não existe. É uma bobagem.
         Jornalismo não é ciência exata e jornalistas não são robôs. Além disso, não se faz um bom jornalismo sem emoção. A frieza é anti-humana e, portanto, antijornalística. A neutralidade é uma mentira, mas a isenção é uma meta a ser perseguida. Todos os dias. A imprensa honesta e desengajada tem um compromisso com a verdade. E é isso que conta.
         Mas a busca da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, a falta de rigor e o excesso de declarações entre aspas. O jornalista engajado é sempre um mau repórter. Militância e jornalismo não combinam. Trata-se de uma mescla, talvez compreensível e legítima nos anos sombrios da ditadura, mas que, agora, tem a marca do atraso e o vestígio do sectarismo. O militante não sabe que o importante é saber escutar. Esquece, ofuscado pela arrogância ideológica ou pela névoa do partidarismo, que as respostas são sempre mais importantes que as perguntas.
         A grande surpresa no jornalismo é descobrir que quase nunca uma história corresponde àquilo que imaginávamos. O bom repórter é um curioso essencial, um profissional que é pago para se surpreender. Pode haver algo mais fascinante? O jornalista ético esquadrinha a realidade, o profissional preconceituoso constrói a história.
         Todos os manuais de redação consagram a necessidade de ouvir os dois lados de um mesmo assunto. Trata-se de um esforço de isenção mínimo e incontornável. Alguns desvios transformam um princípio irretocável num jogo de cena.
         Matérias previamente decididas e guetos engajados buscam a cumplicidade da imparcialidade aparente. A decisão de ouvir o outro lado não é sincera, não se fundamenta na busca da verdade. É uma estratégia.
         O assalto à verdade culmina com uma tática exemplar: a repercussão seletiva. O pluralismo de fachada convoca, então, pretensos especialistas para declarar o que o repórter quer ouvir. Personalidades entrevistadas avalizam a “seriedade” da reportagem. Mata-se o jornalismo. Cria-se a ideologia.
         É necessário cobrir os fatos com uma perspectiva mais profunda. Convém fugir das armadilhas do politicamente correto e do contrabando opinativo semeado pelos arautos das ideologias.
         A precipitação e a falta de rigor são outros vírus que ameaçam a qualidade da informação. A manchete de impacto, oposta ao fato ou fora do contexto da matéria, transmite ao leitor a sensação de uma fraude.
         Mesmo assim, os jornais têm prestado um magnífico serviço no combate à corrupção. Alguém imagina que a cascata de denúncias e prisões teria ocorrido sem uma imprensa independente? Jornais de credibilidade  oxigenam a democracia.
         O leitor que precisamos conquistar não quer o que pode conseguir na TV ou na internet. Ele quer algo mais. Quer o texto elegante, a matéria aprofundada, a análise que o ajude, efetivamente, a tomar decisões. Conquistar leitores é um desafio formidável. Reclama realismo, ética e qualidade.
         A autocrítica, justa e necessária, deve ser acompanhada por um firme propósito de transparência e de retificação dos nossos equívocos. Uma imprensa ética sabe reconhecer seus erros. As palavras podem informar corretamente, denunciar situações injustas, cobrar soluções. Mas podem também esquartejar reputações, desinformar. Confessar um erro de português ou uma troca de legendas é fácil. Mas admitir a prática de atitudes de prejulgamento, preconceitos informativos ou leviandade noticiosa exigem coragem, ética. Reconhecer o erro, limpa e abertamente, é o pré-requisito da qualidade.
         O jornalismo tropeça em armadilhas. Nossa profissão enfrenta desafios, dificuldades e riscos sem fim. É aí que mora o fascínio.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a estratosférica marca de 350,79% ao ano; e mais, também em agosto, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,52%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”