sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A CIDADANIA, O DESPERTAR DE CONSCIÊNCIAS NA EDUCAÇÃO E OS HORIZONTES DA INDÚSTRIA COMPETITIVA

“Despertar de competências e habilidades
        O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) provocou uma grande revolução na forma de entrada dos alunos da educação básica nas universidades brasileiras e, consequentemente, gerou uma mudança no perfil do professor em sala de aula. Os cursos de licenciatura não acompanham as mudanças que têm sido feitas, levando em conta novos estudos e resultados de pesquisa. Isso fez com que os docentes manifestassem a mesma prática pedagógica, isto é, não fazendo de sua sala de aula um grande espaço de diálogo. Ensinava-se um conteúdo extenso em um curto período, esperando que os estudantes fossem capazes de decorá-lo para os antigos vestibulares.
         A Teoria de Resposta ao Item (TRI), utilizada para correção do Enem, leva em conta, entre outras coisas, as competências e habilidades usadas pelo candidato para responder cada questão, ou seja, os alunos devem saber problematizar as disciplinas. Atualmente, pensar o ensino por habilidades e competências é estabelecer uma metodologia de trabalho que privilegie a aprendizagem significativa por parte dos estudantes. A situação não é simples, pois requer esforços de todos os envolvidos no processo educativo, exigindo profundas alterações no foco do ensino para a aprendizagem, procurando construir um novo significado para os conteúdos trabalhados em sala de aula. O cenário obriga a refletir que um ensino para a transmissão de conhecimento pronto e fechado não é mais válido. Apesar de ser esse um modelo muito utilizado, pois facilita a vida e o grande elo entre as famílias e a escola, ele não atende mais às demandas sociais. Não basta somente reter diversas informações. É necessário que essas informações se transformem em conhecimento e possam ser articuladas para a resolução de problemas. Portanto, é fundamental professores que perguntem e famílias que não busquem apenas respostas quando, por exemplo, ajudam seus filhos a resolver um “para casa” ou a estudar para provas. A formação de competências e habilidades multidisciplinares deve ser promovida antes e, acima de tudo, adotando uma postura incondicional de investigador e de aprendiz. Promovendo uma educação dialógica em que nós, professores, nos livremos do estigma de “senhores do saber” e possamos exercer a postura de construtores de cidadãos. Uma educação que não tema os “nãos” a serem enfrentados e crie ecos na mente de cada estudante. Também não podemos esquecer a época em que fazer um curso de datilografia era importante. O mundo mudou com o acesso a uma tecnologia que não tínhamos anteriormente. É preciso, então, entender essa evolução como uma aliada, sendo um instrumento para transformar informação em conhecimento, avaliar a razoabilidade de um argumento, estabelecer comparações e fazer estimativas, habilidades essenciais para o homem do século 21. A educação por competências e habilidades pode ser uma alternativa ao modelo positivista, deslocando o foco do ensino para o aprendizado e colocando professores e alunos na posição de agentes investigadores, possibilitando que o alune se torne agente de seu próprio conhecimento e o professor um mobilizador da pesquisa e das perguntas e problemas.
         É no ensino básico que o estudante começa a compreender fenômenos, a enfrentar problemas e construir argumentos. É quando se constrói um cidadão capaz de pensar os problemas em seu entorno e elaborar propostas de intervenção solidária na sociedade. Assim, pensar a formação integral nessa fase da educação é pensar um indivíduo que seja consciente. Trata-se de uma função para todos nós, professores da educação básica: despertar consciências. A nossa missão e o nosso dever.”

(CHRISTINA FABEL. Diretora pedagógica do Colégio ICJ, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 12 de novembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição, caderno e página, de autoria de ROBERTO DE SOUZA PINTO, presidente do Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindivel), e que merece igualmente integral transcrição:

“Indústria competitiva
        O Brasil é um país com enorme potencialidades, diversidades e riquezas, que, se bem aproveitadas e incentivadas, são decisivas para a construção de uma estrutura econômica, social e cultural mais sólida e eficiente. Na formação de nossa identidade nacional, no âmbito macroeconômico, o Brasil ficou conhecido por ser um país exportador de commodities, principalmente porque os principais produtos que vão para o exterior são minério de ferro, soja, óleos brutos de petróleo, café e açúcar. Mas isso não basta. Precisamos assumir um protagonismo no cenário internacional e construir uma identidade que mostre a nossa força no desenvolvimento e fabricação de produtos de transformação.
         Temos exemplos concretos de companhias brasileiras que ganharam destaque internacional, exportando tecnologia 100% nacional para todo o mundo, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), líder do mercado global de jatos comerciais. Mas precisamos multiplicar esses exemplos para que as nossas forças não sejam apenas as belezas naturais, carnaval e futebol (enquanto ainda podemos). Apesar desses casos de sucesso, o Brasil ainda precisa avançar a passos largos para criar subsídios para o desenvolvimento constante da nossa indústria. E isso passa, necessariamente, pelo aprimoramento das nossas tecnologias de produção, para fazermos frente às maiores potências do planeta, como a Alemanha. O país europeu ocupa, hoje, o terceiro lugar na lista de países exportadores de café (atrás do Brasil e do Vietnã), tendo conseguido esse feito sem cultivar uma muda. Por meio do investimento em soluções tecnológicas, infraestrutura e logística (facilitada por uma eficiente malha ferroviária), os alemães se tornaram os maiores compradores do grão brasileiro e passaram a revender uma parte do volume importado para outros países por um preço mais elevado. A outra parcela começou a ser transformada em cápsulas, cujo destino também é o exterior.
         Um artigo publicado recentemente pela revista inglesa The Economist diz que, em vez de construir indústrias e investir na ampliação da nossa produção e na formação de mão de obra qualificada, o Brasil optou por erguer shoppings e outros espaços destinados ao consumo final. É verdade. Precisamos investir em capital humano, necessitamos de uma indústria inovadora e arrojada e do apoio do governo para transformar esse cenário. E esse modelo já existe no país, conhecido como tríplice-hélice, que traz resultados incríveis, uma vez que cria uma sinergia perfeita e uma atuação conjunta de três agentes: as instituições de ensino, que formam pessoas, a indústria, que absorve a mão de obra e estimula o seu constante aprimoramento, e o governo, que cria subsídios e políticas de apoio e incentivo a esses atividades.
         A tríplice-hélice é empregada, por exemplo, no Vale da Eletrônica, um dos maiores polos de tecnologia do país, localizado em Santa Rita do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais. A estrutura de gestão permitiu que o Arranjo Produtivo Local (APL) construísse uma identidade própria e consolidasse a imagem de um cluster que é sinônimo de qualidade, inovação e que compete diretamente com os principais players no Brasil e no mundo. Com isso, o APL criou uma ambiência propícia para que as 153 empresas da região desenvolvessem 45 novos produtos com alta tecnologia a cada 30 dias, que concorrem, por exemplo, com os eletrônicos chineses. O Vale da Eletrônica, atualmente, é referência em diversos segmentos, como radiodifusão e segurança. Abriga empresas líderes de mercado e fabrica soluções que se destacam em todo o mundo, como o Integrated Services Digital Broadcasting – Terrestrial (ISDB-T), modelo nacional de TV Digital, que é um dos mais avançados do mercado internacional e o segundo mais utilizado no planeta, alcançando 562 milhões de pessoas em 16 países.
         O APL também possui um dos mais importantes programas de incubação de empresas do Brasil, que oferece capacitação e consultorias para que jovens empreendedores montem o seu próprio negócio, resultando no surgimento de novas empresas todos os anos no polo. Somado à atuação dos agentes envolvidos no modelo da tríplice-hélice, também está o trabalho de entidades que realizam a gestão e desenvolvem iniciativas para alavancar ainda mais o potencial da produção industrial local, como o Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindivel), que está completando 25 anos de atuação em Santa Rita do Sapucaí.
         A indústria brasileira precisa se reinventar. Para isso, é necessário desenvolvermos novas tecnologias e pensarmos modos de produção e gestão mais eficientes, como a tríplice-hélice, para tornar nossos produtos e processos mais inteligentes e competitivos no cenário internacional. Por meio da atuação estratégica e da integração entre governo, empresas e instituições de ensino, é possível haver um melhor aproveitamento dos nossos recursos, com o objetivo de tornar a nossa atividade industrial mais moderna e complexa. Somente dessa forma iremos construir de fato uma identidade de país protagonista no mundo, que também exporta tecnologia e que possui uma economia estruturada, sólida e sustentável.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

    b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 414,30% para um período de doze meses; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  




        

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A CIDADANIA, A ÂNCORA DO DIREITO E DA JUSTIÇA E O VIGOR DA IMPRENSA DE QUALIDADE

“Advocacia e cidadania
        Advogar é muito mais que defender, colocar-se ao lado ou interceder pelo interesse do cliente. Advogar é saber escutar e interpretar à luz da legalidade as alegações que se lhes apresentam.
         A arte da advocacia não está apenas no saber jurídico, nos documentos ou nos atos dos processos. Está na sublime capacidade de abraçar a causa sem prometer vitórias. Aceitar o desafio, mas jamais subestimar a parte contrária. Lidar com as dificuldades, sem, contudo, demonstrar fraqueza. Evidenciar a transparência de profissional ético, que se empenha na busca da aplicação do direito, sem negligenciar no respeito devido a suas indeclináveis prerrogativas.
         O maior jurista brasileiro de todos os tempos, Ruy Barbosa, declarava em texto intimista, por palavras que não prescrevem:
         “A profissão do advogado tem, aos nossos olhos, uma dignidade quase sacerdotal. Toda vez que a exercemos com a nossa consciência, consideramos desempenhada a nossa responsabilidade. Empreitada é a dos que contratam vitórias forenses. Nós nunca endossamos saques sobre a consciência dos tribunais. Damos aos nossos clientes o nosso juízo com o nosso conselho, a nossa convicção com o nosso zelo; e, depois, quanto ao prognóstico e à responsabilidade, temos a nossa condição por igual à do médico honesto, que não conta vitórias antecipadas como os curandeiros, nem se há por desonrado quando não debela casos fatais (...), não é no bom ou no mau êxito dos pleitos que está o critério da honestidade dos litígios ou o do merecimento dos patronos”.
         Diante da citação exemplar, impõe-se ao advogado lhaneza, emprego de linguagem escorreita e polida, esmero e disciplina na execução dos serviços. Além disso, cabe ao advogado promover a inclusão dos excluídos, fazer chegar a justiça aos injustiçados e intervir no sentido do estabelecimento digno da cidadania. Ou seja, o indispensável ato de advogar é, também, o de ser partícipe da cidadania incondicional.
         A intransigente forma de operar o direito deve ser sinônima de destemor, independência, honestidade, decoro, lealdade, dignidade, ética e boa-fé. A conciliação, sempre que possível, deve ser buscada e constituída nos liames da Justiça e do Estado democrático de direito.
         Sem o advogado, o conceito elementar de justiça, “ipso facto”, se perde no vasto mundo da injustiça, e a segurança jurídica não prospera, posto que dela ninguém cuida melhor que o advogado, sendo ele o elo entre a cidadania e a justiça, não admitindo, sob hipótese alguma, o julgamento sem a ampla defesa e o contraditório.
         Por fim, advogar é somar direito, justiça e cidadania, não abrindo mão das prerrogativas da profissão, irrenunciáveis sob todos os aspectos, haja vista que as prerrogativas do advogado são, implicitamente, prerrogativas do cidadão, para o qual os operadores do direito continuarão indispensáveis à administração da justiça.”.

(Wilson Campos. Presidente da Comissão da OAB-MG de Defesa da Cidadania e dos Interesses Coletivos da Sociedade, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 4 de novembro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 17).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 9 de novembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de CARLOS ALBERTO DI FRANCO, jornalista, e que merece igualmente integral transcrição:

“A ‘mcdonaldização’ da imprensa
        Algumas críticas ideológicas ao jornalismo, amargas e corrosivas, têm a garra do pessimismo amargo e do sectarismo ressentido. Irritam-se, alguns, com o vigor do jornalismo de denúncia e vislumbram interesses espúrios ou engajamentos partidários. Um retrospectiva honesta, contudo, evidencia que os jornais nunca tiveram uma relação amorosa com governos, independentemente do colorido ideológico dos poderosos de turno. E é assim que deve ser. As relações entre jornalismo e poder devem ser pautadas por certa tensão. O estranhamento civilizado é bom para a sociedade e essencial para a democracia.
         O jornalismo brasileiro, não obstante suas deficiências, tem desempenhado papel relevante. Ao lancetar os tumores da corrupção, por exemplo, cumpre um dever ético intransferível. A mídia, num país dominado por esquemas cartoriais e assustadora delinquência pública, assume significativa parcela de responsabilidade. O Brasil, graças à varredura dos jornais, está mudando. Para melhor. A cultura da impunidade, responsável pela rotina do acobertamento e dos panos quentes, está, aos poucos, sendo substituída pelo exercício da cidadania responsável.
         Os pessimistas, no entanto, querem que as coisas mudem pela ação dos outros. Esquecem que a democracia não é compatível com a omissão rançosa. As críticas à imprensa, necessárias e pertinentes, são sempre bem-vindas. Espera-se, no entanto, que sejam construtivas e equilibradas.
         Ouvi, recentemente, uma dessas críticas certeiras num seminário de mídia. Os jornais, dizia meu interlocutor, estão cada vez mais parecidos e sem graça. Concordo, embora parcialmente.
         A “macdonaldização” dos jornais é um risco que convém evitar. A crescente exploração do entretenimento e da superficialidade informativa em prejuízo da informação de qualidade tem frustrado inúmeros consumidores de jornais. O público-alvo dos jornais não se satisfaz com o hambúrguer jornalístico. Trata-se de uma fatia qualificada do mercado. Quer informação aprofundada, analítica, precisa e confiável.
         É preciso investir na leveza formal e no fascinante mundo digital. Sem dúvida. O investimento em didatismo, clareza, pautas próprias e agenda positiva são, entre outras, algumas das alavancas do crescimento. Mas nada disso, nada mesmo, supera a qualidade do conteúdo. É aí que se trava a verdadeira batalha. Só um produto consistente tem a marca da permanência. O The New York Times sabe disso como nenhum outro: “produzir jornalismo de qualidade e matérias sérias de maneira mais atraente”. Qualidade e bom humor. É isso.
         Outro detalhe: os jornalistas precisam escrever para os leitores. É preciso superar a mentalidade de gueto, que transforma o jornalismo num exercício de arrogância. Cadernos culturais e econômicos, frequentemente, dialogam consigo mesmos. O leitor é considerado um estorvo ou um chato. É preciso escrever com simplicidade e explicar os fatos.
         O jornal precisa moldar o seu conceito de informação, ajustando-o às necessidades do público a que se dirige. Outro detalhe importante sobretudo em épocas de envelhecimento demográfico: a tipologia empregada pelos jornais tem de levar em conta os problemas visuais dos seus consumidores. Falando claramente: os jornais precisam trabalhar com letras grandes.
         Apostar em boas pautas (não muitas, mas relevantes) é outra saída. É melhor cobrir magnificamente alguns temas do que atirar em todas as direções. O leitor pede, em todas as pesquisas, reportagem. Quando jornalistas, entrincheirados e hipnotizados pelas telas dos computadores, não saem à luta, as redações se convertem em centros de informação pasteurizada. O lugar do repórter é a rua, garimpando a informação, prestando serviço ao leitor e contando boas histórias. Elas existem. Estão em cada esquina das nossas cidades. É só procurar.
         O jornalismo moderno, mais do que qualquer outra atividade humana, reclama rigor, curiosidade, ética e paixão. É isso que faz a diferença.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 414,30% para um período de doze meses; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  




          

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

A CIDADANIA, A CONSCIÊNCIA DA VERDADE E A BUSCA DE UMA NOVA ORDEM POLÍTICA

“A tarefa de levar a própria 
consciência para a verdade
        Certo dia, estando em quietude, encontrei-me diante de um lago de grande paz e magnífica beleza. Reinavam um profundo silêncio e uma calma imperturbável. Permanecendo ali quieto, começaram a emergir algumas impressões em minha consciência. Via que, diante da iminência do despertar para a vida imaterial, o indivíduo deve despir-se de todos os conceitos, até mesmo daqueles que até então lhe serviram de guia. É necessária a coragem de estar no vazio para se chegar à plenitude das esferas que existem além da vida material. Não se pode tocar o chão ardente dos reinos espirituais se o peso dos conceitos que o ser humano carrega não for diminuído, até desaparecer por completo. Esses conceitos mantêm a consciência em níveis vibratórios densificados, ao passo que a ausência de programas estabelecidos humanamente lhe permite a liberdade de voar como pássaro que desliza por alturas ilimitadas.
         A manifestação do reino espiritual na superfície da Terra por si mesma uma realização superior à vida humana; a vida externa, entretanto, deveria ser capaz de espelhá-lo. Para que ao menos uma fração da energia interior possa refletir-se nos mundos formais, é preciso que ela seja desejada, buscada, assim como uma pessoa com sede busca a água.
         A vida interior revela-se aos puros e inocentes. É fruto do trabalho que a perfeição divina realiza sobre as consciências, polindo-lhes as arestas e purificando-as. Ela a conduz a sucessivas metamorfoses, que levarão o barro a se transformar em ouro, ou seja, farão com que o ser deixe o estado de identificação com a forma e se reconheça como ente divino, imaterial.
         Existem aqueles que, tendo realizado em si essa transformação, estão visando à Perfeição da Vida; e tendo despertado em si o dom da compaixão, compartilham a profunda magnitude desse dom com todas as pessoas que necessitam de clareza para prosseguir em seus caminhos.
         A consciência que foi tocada pelo espírito vive um contínuo plasmar e soltar, não se fixando em ponto algum. Esse estado pode parecer distante e inatingível para a mente humana que necessita ver as margens da estrada por onde caminha. Em silêncio, no entanto, esse estado se aproxima e, por obra da compaixão e da influência da vida espiritual, inesperadamente se lhe descortina uma realidade maior, que transcende os seus limites normais e se traduz na totalidade da Vida.
         Atualmente, a tarefa de voltar a própria consciência para o espírito deveria ser cumprida de maneira simples e despojada. Em ciclos anteriores, muitas estruturas foram criadas para conduzir esse processo – o que pode ter prestado seu serviço, apesar da pequena resposta humana. Mas hoje a dinâmica transição pela qual o planeta está passando permite apenas por um tempo mínimo que o ensinamento e a formação espirituais permaneçam restritos a fórmulas, organizações, regras, exercícios ou ritos. O dinamismo dessa fase por si só impossibilita o aprisionamento em formas rígidas. Assim, a vida interior, fruto de uma aproximação secreta da consciência à verdade essencial, tem início.
         Nesse sentido, o homem nasce só, morre só, e também sozinho deve encontrar a Vida. Por mais que seja útil o serviço de transmitir aos outros a experiência interna, isso jamais os isentará dos passos que eles mesmos devem dar. Pode-se despertá-los para a meta superior, impulsioná-los a seguir adiante, mas não se pode caminhar por eles.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 25 de outubro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 6 de novembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 9, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Nascedouro das crises
        As crises que afetam a sociedade brasileira têm muitos nascedouros. As análises técnicas, políticas e antropológicas apontam as causas que levam o povo a pagar alto preço. Narrativas acadêmicas a esse respeito, contudo, não bastam. Corre-se o risco de ficar apenas na descrição teórica, sem a necessária revisão moral. Deixar-se afetar moralmente é um remédio indispensável para alcançar providências oportunas capazes de levar à superação dos graves desvios. Há de se conseguir uma boa articulação entre as análises acadêmicas, que produzem a lucidez, e as respostas alicerçadas na moralidade.
         É preciso projetar luzes sobre um dos âmbitos historicamente mais desafiadores da sociedade brasileira: o mundo da política. Quando se fala de corrupção não é interessante fazer generalizações. Embora seja uma dolorosa realidade, é equívoco afirmar que esse mal é alimentado por todos os políticos ou cidadãos. Há de se respeitar quem é sério e as instituições que operam com exemplar discernimento moral. Ilustrativa é a passagem bíblica narrada no capítulo 18 do Livro do Gênesis, quando Abraão dialoga com Deus intercedendo por Sodoma e Gomorra. Deus o havia escolhido para edificar uma nação grande e forte, para ensinar aos seus filhos e à sua casa a guardar os caminhos do Senhor, praticando o direito e a justiça. Havia crescido o clamor contra Sodoma e Gomorra. Abraão intercede, dialogando com Deus para não pesar a mão no castigo se fossem encontrados 50, 40, 10 justos, honestos, entre os destinatários da fatalidade.
         Esse respeito por quem age honestamente é lição. Assim, importa na sociedade brasileira, em vista de uma conversão indispensável, olhar para cada pessoa e segmento, sem generalizações. Nessa direção, deve-se tratar mais incisivamente a classe política no que se refere à geração das crises amargadas pela sociedade. Embora muito importante, não é suficiente apenas um trabalho educativo que qualifique o exercício cidadão de escolher ocupantes dos cargos eletivos pelo voto. No atual cenário, os políticos de todas as esferas, no Legislativo e no Executivo, são chamados a reconhecer responsabilidades na produção dos escândalos de corrupção. É verdade que esses lamentáveis episódios não têm como atores simplesmente integrantes de um segmento específico da sociedade. Porém, a classe política está em maior evidência, pois é formada a partir das escolhas do povo, exerce o poder pela representação.
         Negociatas partidárias, distribuição de cargos, prevalência de interesses cartoriais e indevidas apropriações comprometem a credibilidade dos representantes do povo. No âmbito da política, aqueles que agem com seriedade devem inspirar o modelo para o exercício do poder. O caso é de radical conversão. Há remédios para isso. Embora se reconheça que o “vício do cachimbo entortou a boca”, não se pode perder a esperança, até mesmo porque a sociedade precisa da política para construir avanços e conquistas.
         A conversão necessária não será desencadeada a partir dos partidos, pois eles se configuram em ambientes de “ar altamente viciado”. O ponto de partida mais eficaz é o confronto da própria consciência, para dar-lhe parâmetros de moralidade que eliminem os vícios dos cartórios políticos. Esse exame precisa envolver cada pessoa, em todos os segmentos responsáveis pela construção da sociedade. Desse modo, será possível debelar a fonte de corrupção e evitar a repetição de escândalos que atrasam o desenvolvimento do Brasil. Especificamente, o exame de consciência deve ser vivido pelos políticos, para que sejam capazes de criar gosto por uma representatividade sem negociatas e, por consequência, renunciem, espartanamente, às vantagens oferecidas em troca de “favores”.
         Sem pretensão de receituário, um exercício ajudará a classe política a vivenciar o necessário confronto da própria consciência, neste momento difícil. O convite é para a leitura e estudo da carta encíclica Louvado sejas – sobre o cuidado da casa comum, do papa Francisco. Trata-se de oportunidade para aprender o que significa ecologia integral, conceito que ajudará a fazer correções não apenas nos discursos, mas na conduta pessoal, nascedouro das crises.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 414,30% para um período de doze meses; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  


      


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A CIDADANIA, A FORÇA DA ECOLOGIA HUMANA E INTEGRAL E A LUZ DA FAMÍLIA NA SOCIEDADE

“Albert Schweitzer e o respeito 
ao valor intrínseco de cada ser
        A esplêndida encíclica do papa Francisco “sobre o cuidado da Casa Comum” insiste continuamente que cada ser, por menor que seja, possui valor intrínseco e tem algo a nos dizer, ademais de estar sempre interconectado com todos os demais seres.
         Essas reflexões nos remetem ao pensador que melhor analisou o ilimitado respeito a tudo o que existe e vive no Ocidente: o médico suíço Albert Schweitzer (1875-1965). Ele se tornou famoso exegeta bíblico, com vasta obra especialmente sobre questões ligadas à possibilidade ou não de se fazer uma biografia científica de Jesus.
         Em consequência de seus estudos sobre a mensagem de Cristo, especialmente do “Sermão da Montanha”, com sua centralidade no pobre e no oprimido, Schweitzer resolveu abandonar tudo e estudar medicina. Em 1943, foi para a África como médico em Lambarene, no atual Gabão, estabelecendo-se exatamente naquelas regiões que foram dominadas e exploradas furiosamente por colonizadores europeus. Disse explicitamente, numa carta, que “o que precisamos não é enviar para lá missionários que queiram converter os africanos, mas pessoas que se disponham a fazer para os pobres o que deve ser feito. Se o cristianismo não realizar isso, perdeu seu sentido”. E continua: “Minha vida não é nem a ciência, nem a arte, mas tornar-me um simples ser humano que, no espírito de Jesus, faz alguma coisa, por pequena que seja”.
         Em seu hospital no interior da floresta tropical, entre um atendimento e outro de doentes, tinha tempo para refletir sobre os destinos da cultura e da humanidade. Considerava a falta de uma ética humanitária a crise maior da cultura moderna. Tudo em sua ética gira ao redor do respeito, da veneração, da compaixão, da responsabilidade e do cuidado para com todos os seres, especialmente aqueles que mais sofrem.
         À vontade de poder de Nietzsche, Schweitzer contrapõe a vontade de viver. “A ideia-chave do bem consiste em conservar a vida, desenvolvê-la e elevá-la ao seu máximo valor; o mal consiste em destruir a vida, prejudicá-la e impedi-la de se desenvolver. Esse é o princípio necessário, universal e absoluto da ética”.
         Para Schweitzer, as éticas vigentes são incompletas porque tratam apenas dos comportamentos dos seres humanos face a outros seres humanos e se esquecem de incluir outras formas de vida que se nos apresentam. O papa, em sua encíclica, faz uma rigorosa crítica a esse antropocentrismo. O respeito que devemos à vida “engloba tudo o que significa amor, doação, compaixão, solidariedade e partilha”.
         Como a nossa vida é vida com outras vidas, a ética do respeito à vida deverá ser sempre um conviver e um “consofrer” com os outros. Numa formulação sucinta, afirma: “Tu deves viver convivendo e conservando a vida, esse é o maior dos mandamentos na sua forma mais elementar”. Daí derivam comportamentos de grande compaixão e cuidado.
         A ética do respeito e do cuidado de Albert Schweitzer une inteligências emocional, cordial e racional, num esforço de tornar a ética um caminho de salvaguarda de todas as coisas e de resgate do valor que elas possuem em si mesmas. O maior inimigo dessa ética é o embotamento da sensibilidade, a inconsciência e a ignorância, que fazem perder de vista o dom da existência e a excelência da vida em todas as suas formas.
         O ser humano é chamado a ser o guardião de cada ser vivo. Ao realizar essa missão, ele alcançará o grau maior de sua humanidade e se sentirá pertencendo a um todo maior, superando a falta de enraizamento e a solidão dos filhos da modernidade.”

(LEONARDO BOFF. Filósofo e teólogo, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 30 de outubro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 18).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, mesma edição, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Família, tocha acesa
        O papa Francisco, com a realização do Sínodo sobre a Família, acende tocha que torna clara uma necessidade: todos devem cuidar e investir mais na família, célula vital para a sociedade. As reflexões no âmbito da compreensão antropológica têm grande importância, particularmente quando são afrontados conceitos e posicionamentos advindos dos desvios cultivados na impostação da ideologia de gênero. Uma temática que precisa ser bem acompanhada, discutida e esclarecida para que não se entre em “canoa furada”. Não se pode permitir a desconstrução da compreensão antropologicamente compreendida e consolidada sobre o que é a família, fundamentada nos princípios inegociáveis da profissão de fé cristã.
         Todos devem se empenhar nesse sentido para que descompassos não sejam introduzidos nos processos de educação e na opinião pública. Também importante é a corajosa voz da Igreja e dos cristãos em sintonia com outros segmentos que professam os mesmos valores insubstituíveis, fonte de disciplinas e ritos que não podem ser relativizados, pois se localizam em horizontes do direito natural e das verdades da fé, com bases no Evangelho.
         Assim, a energia que deve ser investida de modo prioritário não pode, simplesmente, se restringir na reafirmação contínua em torno do que não se muda. É preciso proporcionar a assimilação e prática desses princípios e valores. Essas são tarefas irrenunciáveis da Igreja, sem contemporizações. Obrigações que incluem muitos outros entendimentos importantes para que se alcance a consideração da família como a primeira escola da fé no âmbito importante da missão evangelizadora da Igreja. A tarefa diária é fazer da família, efetivamente, célula vital para a construção de uma sociedade melhor. Eis o desafio, a ser enfrentado com a clarividência conceitual, a partir de contribuições imprescindíveis da doutrina da fé, do inconfundível sentido e alcance antropológico do que é família, sem inovações “facilitadoras” e até mesmo permissivas.
         A família é a primeira sociedade natural e tem que estar no centro da dinâmica social. O risco de relega-la a um papel subalterno é a produção de um gravíssimo dano ao autêntico crescimento da sociedade. Ora, família é o fundamento da vida das pessoas e, consequentemente, o inigualável modelo de todo o ordenamento da civilização. Absolutamente nenhuma experiência ou organização se compara com a singularidade própria da instituição familiar, determinante na formatação do caráter, do desenvolvimento de competências emocionais e subjetivações, no enraizamento de vivências que nutrem cidadanias. Bastaria pensar, entre outros aspectos ricos e variados, a aprendizagem da capacidade de se relacionar, própria do contexto familiar – o reconhecimento da importância do outro.
         No horizonte dos mais variados segmentos sociais, incluindo governos e instituições diversas, faz-se necessária uma interpelação. Quais investimentos são realizados em benefício da família, instituição estratégica no enfrentamento da violência, da cultura da corrupção e da imoralidade? A instituição familiar necessita de mais atenção. Sem novas atitudes em sua defesa, não será possível a qualificação do tecido social. Bobagens vão se multiplicar e as perspectivas continuarão sombrias. Não menos desafiadora é a tarefa da Igreja, que deve buscar práticas pedagógicas e experienciais novas, capazes de consolidar cada vez mais a instituição familiar como primeira escola da fé. O papa Francisco convoca todos a fortalecerem a chama da família, tocha acesa que ilumina os passos da sociedade.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em setembro a estratosférica marca de 414,30% para um período de doze meses; e mais, também em setembro, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,49%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”