quarta-feira, 27 de abril de 2016

A CIDADANIA, A HORA E A FORÇA DA LIDERANÇA E OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA

“A hora certa para agir
        A deterioração da situação econômico-financeira das empresas nunca foi tão dispersa entre os setores da economia brasileira. Em função desse cenário de instabilidade, muitas delas precisam estar atentas e ligar um sinal de alerta: aquelas que perderem o timing para agir podem não ter chances de se recuperar.
         As expectativas negativas relacionadas à economia foram confirmadas pelo IBGE com a divulgação de uma queda de 3,8% do PIB no ano passado, quando comparado com 2014, o pior resultado desde 1990. Esses dados não só provocam a apreensão de investidores, mas, principalmente, desafiam a continuidade das empresas de quase todos os setores da economia nacional. Diante do agravamento das condições marcroeconômicas brasileiras e da queda da demanda de produtos e serviços, muitas companhias vão precisar adaptar as operações, abrindo mão de margens que, provavelmente, já se encontram no limite, para tentar superar os desafios que colocam a própria sobrevivência em risco.
         Esse cenário tem consequência direta entre o empresariado brasileiro. Dados da Serasa Experian apontam que, no ano passado, os pedidos de recuperação judicial aumentaram, aproximadamente, 55% em relação ao ano de 2014. Além disso, só no primeiro bimestre deste ano essas solicitações são 16,4% superiores ao mesmo período de 2015.
         É verdade que é comum existirem empresas com baixa produtividade, mão de obra superdimensionada, lead time maior que o necessário e desbalanceamento de estoque e de linhas de produção. A baixa importância dada ao planejamento de produção, o descaso com as margens operacionais, a ausência de controle de custos alinhado com ações de racionalização e preservação de caixa e capital de giro resultam na necessidade de elevada alavancagem para a continuidade das atividades empresariais. A chave para a sobrevivência inicia-se pela arrumação de casa, ou seja, pela reestruturação operacional do negócio.
         Vale lembrar que algumas características são essenciais para que um processo de reestruturação tenha resultado positivo. Um planejamento bem-sucedido conta com uma liderança forte e deve ser implementado em diversas áreas, como a societária, financeira, estratégica e operacional. Para isso, um detalhado diagnóstico das causas do fracasso e um robusto processo de revitalização da organização devem ser desenvolvidos e, principalmente, implantados com firmeza.
         É fato que, diante de uma reestruturação, uma empresa pode se restabelecer e até voltar mais forte do que antes. Mas, para isso, o timing para agir é fundamental. Por exemplo, não adianta esperar a empresa zerar os estoques, perder os principais clientes, criar situações de impasse com bancos e fornecedores.
         Em adição ao imprescindível trabalho de reorganização operacional, as empresas contam com a possibilidade de ferramentas previstas em lei como os processos de recuperação judicial e extrajudicial. Nunca haverá garantia do apoio dos credores, porém, as que de fato investem em melhoria das operações têm muito mais chances de contar com o apoio dos credores e, com isso, ser resgatadas de uma situação de crise ou crise iminente. Nesses casos, os principais benefícios concedidos pelos credores vão desde carências e alongamentos nos contratos até descontos sobre o valor das dívidas.
         No Brasil, muitos empresários acabam buscando a proteção de uma recuperação, seja ela judicial ou extrajudicial, como última alternativa para manter os negócios vivos. Buscam a proteção da lei tardiamente e sem planejamento. A situação atual demanda que os líderes tenham agilidade e firmeza no enfrentamento da crise. Saber a hora certa de agir é fundamental, ou então estaremos somente adiando um melancólico final: a falência.”.

(ALAN RIDDELL, sócio da KPMG, e LEONARDO CAMARGOS, diretor da KPMG, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 26 de abril de 2016, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição, caderno e página, de autoria de ESDRAS ELER, coordenador do curso de engenharia elétrica do Centro Universitário de Belo Horizonte (Uni-BH), e que merece igualmente integral transcrição:

Ser ou não ser
empreendedor,
eis a questão
        Algo diferente está ocorrendo ao nosso redor. Até pouco tempo estávamos acostumados a aceitar tecnologias e soluções “prontas” que invadiam as nossas vidas, não no momento que desejávamos ou que precisávamos, mas no momento em que os empreendedores de outros países entendiam que estava na hora de levar a inovação até as nossas vidas aqui no Brasil. Mas, nos últimos tempos, estamos observando o surgimento de uma nova onda  empreendedora no Brasil, baseada no empreendedorismo por oportunidade e não mais no empreendedorismo por necessidade, típico de países subdesenvolvidos.
         Países desenvolvidos sempre incentivaram e investiram em ações ligadas à inovação e ao empreendedorismo. Joseph Schumpeter, economista e cientista político, um dos precursores do estudo da inovação no mundo, descreveu o empreendedorismo como um agente de promoção do progresso econômico através da destruição criativa, incubadoras, parques tecnológicos, aceleradoras e políticas públicas de incentivo à inovação foram desenvolvidos em outros países e alavancaram suas economias enquanto o Brasil permanecia “parado” no tempo. Temos o registro da inauguração da primeira incubadora de empresas no Brasil em 1984, dentro da Universidade Federal de São Carlos (SP), enquanto nos Estados Unidos, por exemplo, as primeiras iniciativas surgiram em 1959.
         A década de 1990 trouxe a abertura da economia, os anos 2000 nos apresentaram as leis de incentivo à inovação, como a Lei de Inovação Tecnológica (10.973, de 2004) e a Lei do Bem (11.196, de 2005), mas foi nos últimos cinco anos que percebemos de fato o surgimento de iniciativas reais de incentivo à inovação, com o surgimento de iniciativas federais, iniciativas regionais e iniciativas que nos presentearam com várias startups de boa qualidade e, principalmente, permitiu o aquecimento do ecossistema empreendedor no Brasil.
         Mas ainda falta algo para garantir que este processo de transformação empreendedora possa de fato gerar benefícios econômicos de médio e longo prazo. As instituições de ensino, sejam elas públicas ou privadas, precisam participar ativamente deste processo. A transformação do país passa necessariamente pela educação empreendedora de nossos jovens. Precisamos formar bons técnicos, seres humanos éticos e cidadãos empreendedores. As ideias desenvolvidas por pesquisadores, professores e alunos dentro das instituições de ensino precisam ser levadas até as oportunidades que estão no mercado e é o aluno, quando egresso dessas instituições, que precisa fazer esse papel.
         Para que isso ocorra, o estudante precisa vivenciar projetos interdisciplinares de pesquisa dentro das instituições, que, além do aspecto técnico, deem a ele a oportunidade de desenvolver também o seu lado empreendedor, para que consiga identificar problemas realísticos e desenvolver soluções que sejam de fato inovadoras e ferem lucro e novos empregos. Além disso, o aluno precisa identificar no empreendedorismo benefícios que façam sentido para ele, pois o ambiente empreendedor brasileiro, apesar das melhorias que estamos vivenciando, ainda é bastante árido e nem todos os que se aventurarem neste jogo terão sucesso. Somos um povo empreendedor, o que precisamos é nos qualificar melhor e ter mais pessoas ansiosas por essa vocação. Afinal, “ser ou não ser empreendedor, eis a questão”.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em março a ainda estratosférica marca de 432,24% para um período de doze meses; e mais, em fevereiro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 10,36%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  



        
       

         

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A CIDADANIA, A RIQUEZA DA ENERGIA ESPIRITUAL E A EXCELÊNCIA DA PARTICIPAÇÃO NA CONSTRUÇÃO DO BEM COMUM

“A importância de manter uma 
constante atenção na vida diária
        Poucas são as pessoas que, de verdade, observam e conhecem os movimentos profundos e mais influentes da vida. Diferente dos movimentos superficiais, em que a maior parte das pessoas baseia suas decisões, do interior do nosso ser podem vir indicações importantes para toda a trajetória de vida.
         Se ficarmos desatentos e se somos imprecisos, tendemos a perder os impulsos que determinam modificações em nosso destino. E observar é fundamental para não permanecermos circunscritos à superfície dos fatos.
         Poderíamos estar mais atentos às manifestações dos nossos corpos – o físico, o emocional e o mental –, bem como a tudo que nos cerca. Mas, em geral, nem notamos as delicadas indicações que o organismo nos envia e com a ajuda das quais o manteríamos mais saudável. Normalmente é preciso ocorrer algo grave para darmos atenção que ele nos fala.
         E quantas vezes passamos diante de uma porta mal fechada, de um tapete mal colocado, quantas vezes entramos em uma sala repleta de coisas fora do lugar sem observar essas desarmonias? É preciso saber que qualquer coisa colocada em lugar errado altera a atmosfera sutil do ambiente.
         Quando aspiramos ao mundo interno e às indicações que provém dele, precisamos nos preparar para contatá-lo. Desse preparo faz parte aprender a ordenar de maneira impecável a vida externa. E isso nada tem a ver com mania de ordem. Temos de ser precisos na vida externa, em todos os detalhes, para receber indicações internas com maior amplitude.
         A atenção aos nossos pensamentos também é de fundamental importância. Normalmente pensamos o que queremos e desconhecemos como um pensamento começou. É necessário ir à origem, para modificá-la e assim deixar de pensar daquela maneira.
         Ademais, se estivermos atentos a tudo que pensamos teremos o ritmo dos pensamentos serenado. Com isso deixamos de ser surpreendidos por pensamentos indesejáveis e poderemos transformá-los em positivos logo que se anunciam e antes mesmo que se instalem.
         Pensamentos desordenados e supérfluos acarretam várias desarmonias. Há pessoas que sentem sono incontrolável. Outras, ao longo do tempo tornam-se irritadiças. E há gente que se sente sempre fatigada, sem descobrir o verdadeiro motivo disso. É bom que se saiba que muitos tipos de cansaço advém do descontrole dos pensamentos.
         Quando não se desenvolve decididamente a atenção, muitas vezes damos maior importância ao que é secundário, gastando uma energia enorme, por exemplo, em comentários sobre o que não nos diz respeito.
         Toda a distração é perda de energia. Por isso, no caminho espiritual a conquista da atenção é da maior importância.
         Uma vez atentos, poderemos perceber até mesmo a causa do que nos acontece. Atuaremos, então, de modo muito mais preciso na vida externa. E, se nos mantivermos alertas ao que fazemos, sentimos e pensamos, seremos capazes não apenas de com consciência equilibrar nossos atos desarmoniosos do passado, mas também de, até certo ponto, determinar o futuro.
         Para percebermos a energia da alma e os impulsos que dela provém temos de estar atentos. E nesta atitude, a instrução interna pode chegar por meio de um impulso, um sinal ou uma revelação da alma. Mas quem os percebe? Se estivermos atentos, podemos perceber grandes possibilidades, e novos caminhos nos são abertos.”.

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 17 de abril de 2016, caderno O.PINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 22 de abril de 2016, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Lições de cidadania
        Os cenários não são inspiradores quando se constata a violência crescente na sociedade brasileira. São números de uma nação em guerra. Também é aflitivo o aumento do desemprego e não menos desoladora é a sensação que nasce a partir de uma pergunta ainda sem resposta: como vai ser o desfecho de toda essa situação política e econômica que caracteriza o atual momento do Brasil? Esse sentimento de desolação torna-se mais forte diante da espetacularização do que se passa no recôndito do Parlamento. Nesse âmbito, o que se verifica são manifestações sem qualquer ordenamento, comparáveis às que ocorrem nos estádios esportivos. Os estádios são o lugar de entusiasmadas manifestações, da informalidade, local de explosões de alegrias e de conquistas, diante de um adversário que apenas é o outro time, derrotado naquela oportunidade, mas que pode reverter o placar em partida que ocorrerá pouco tempo depois. Já o Parlamento exige conduta diferente, pois é âmbito que reúne os representantes da sociedade. Nas ruas, a população deu lições a esses representantes, quando fez vir à tona traços qualitativos de civilidade e de nobreza, no uso do sagrado direito de divergir, mantendo a urbanidade.
         O povo indicou para os que estão no exercício do poder a necessidade de atitudes bem diferentes das que se restringem aos gestos, palavras e posturas de intolerância e de acirradas disputas, fora do território da nobreza que configura a autêntica cidadania. A população pede mudanças urgentes e respostas novas com incidência nas dinâmicas, funcionamentos e rumos da sociedade, particularmente no âmbito da economia e da política. As manifestações nas ruas apontam a inépcia dos que governam. São o grito que pede aos que detêm poder novas posturas, marcadas pela nobreza de ocupar lugares e postos exclusivamente para promover o bem comum. Não há espaço para interesses mesquinhos e partidários, que alimentam a corrupção e a insensibilidade.
         A pluralidade das manifestações do povo brasileiro nas ruas, domingo passado, é broto de esperança na recuperação e na consolidação de uma cidadania que pode reverter os quadros deprimentes das crises instauradas. No contexto da atitude tolerante e respeitosa entre diferentes estão, incontestavelmente, hospedados outros valores e princípios que precisam vir à tona, ocupando os espaços da consciência para alicerçar condutas que façam jus à história e à índole do povo brasileiro. Essa luz no fim do túnel exige das classes dirigentes, dos formadores de opinião, dos detentores de poder na economia e na intelectualidade posturas corajosas, marcadas pela generosidade e capacidade para o diálogo.
         O povo não quer espetáculos nas suas casas de representação, mas seriedade, inteligência e urbanidade. A população não busca “salvadores da pátria”, mas representantes que, na luta de cada dia, se empenhem para fazer o bem, sem manipulações. A lição dada pelo povo nas ruas, para além de qualquer romantismo, comprova o poder transformador do desejo de se fazer o bem. Que a presença cidadã do povo nas ruas, augurada como atitude permanente na travessia crítica desse momento político, mexa no mais fundo da consciência de todos, particularmente dos representantes e servidores do povo. Isso certamente ajudará a dissipar truculências, arbitrariedades, autoritarismos e desavergonhadas defesas de atitudes que estão na contramão da verdade, do bem e da justiça.
         Continue o povo a cultivar e a testemunhar lições de cidadania, mesmo em momentos críticos e tensos, para inspirar e exigir dos que são seus representantes no exercício do poder se fazerem eternamente aprendizes. E que a classe política não deixe secar a fonte da sabedoria que faz a vida ter sentido – ela deve ser vivida como oportunidade para servir o outro, não a interesses próprios ou partidários. Sejam os representantes do povo aprendizes para buscar o bem comum, caminho de reconstrução da cidadania.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em março a ainda estratosférica marca de 432,24% para um período de doze meses; e mais, em fevereiro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 10,36%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
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quarta-feira, 20 de abril de 2016

A CIDADANIA, AS VIRTUDES PARA O BEM COMUM E A PROMOÇÃO DA SAÚDE

“Sentido e significado
        A verdade existe antes e depois da mentira. O Brasil tem convivido com a mentira há mais de uma década. E não se sabe se o país desmoronou quando se conscientizou da mentira ou se a mentira o desmoronou. É fato que o hábito de mentir para conquistar implantou-se nas quatro últimas campanhas eleitorais para a Presidência da República e grassou durante os mandatos que se seguiram. A segunda campanha de Dilma Rousseff tornou-se um acinte e acinte tem sido a mentira neste mandato que agoniza.
         É fato que a “afirmação daquilo que se sabe ser falso” concorreu, entre outras mazelas e absoluta incapacidade de gestão, para detonar a economia, a saúde e a segurança pública, a infraestrutura e, ao fim, a credibilidade do país. Assim, como dói constatar que o convívio com a mentira e a gradativa percepção de que o Brasil vivia uma fantasia destruiu nos brasileiros um bem precioso: a vontade! Em uma só palavra é possível expressar o legado perverso da mentira no governo de Dilma Rousseff: anomia. A perda, no indivíduo, do reconhecimento de si mesmo; perda de objetivos, não reconhecimento de normas, leis ou regras, às vezes até mesmo perda da vontade de existir. Nesse estado de espírito em que o presente se torna a única realidade, o indivíduo se entrega ou, em oposição, adota uma fruição obsessiva do presente e o futuro é o nada. Em ambas as condutas, perde-se o sentido da vida.
         É tão grave essa perda que o impeachment, a renúncia ou a cassação do mandato por decisão do TSE, soluções postas à mesa neste momento, nenhuma delas terá real valor para o futuro se não se impuser uma visão ética que responda aos jovens esta pergunta: por que viver no Brasil?. É urgente devolver ao indivíduo e à população o sentido atrofiado, perdido ou ignorado do sentido da vida.
         A produção de sentido liga-se à noção de liderança. Essa é a questão crucial do momento. O fomento à criação de lideranças e, precedendo isso, uma tomada de consciência de que é o novo que se busca nessa golfada de ar puro que sentimos passar por nós neste outono. Não se quer mais saber de velhos modelos, velhos métodos, velhas posturas, velhos personagens. São eles os responsáveis por esse efeito trágico, a falta de significado, ao passo que só o líder é capaz de gerar o novo, porque tem a capacidade de valorizar o que recebeu e o desejo de elaborar a sua própria existência. É isso: o líder é aquele que deseja produzir significado.
         O professor Ricardo Carvalho, da Fundação Dom Cabral, trata da questão no miniensaio A obscura tensão entre o sujeito e a liderança. Chama a atenção para a distinção entre sentido e significado. Este tem caráter mais amplo, ao passo que sentido integra todos os significados. “O líder, diz ele, constrói o significado com o outro e o sentido vai sendo incorporado e internalizado na elaboração da experiência. É como a expressão ‘saquei’ ou ‘caiu a ficha’. Um fato marcante que se vive hoje é que se pode pinçar, na terra arrasada que nos deixa o governo Dilma, esta constatação: “caiu a ficha”. Agora é, enfim, percebido que estamos vivendo no deserto e decidimos não aceitar as condições do deserto.
         O momento requer também a consciência de que humanismo e república, desde a Antiguidade romana, caminham juntos quando se trata de possibilitar ao homem construir seu próprio destino. A esses dois conceitos se acrescente que a liberdade, entendida como faculdade dos homens de agir em conjunto pelo bem comum. É notavelmente atual a visão de Tocqueville, registrada no século 18: o mérito da democracia americana, segundo ele, residia no fato de, não descuidando do seu próprio bem-estar, serem as pessoas capazes de se preocupar com a felicidade de seus concidadãos. “Cidadãos podem agir concertadamente na elaboração de metas comuns”, ele escreveu. Constata-se que o autor de A democracia na América atualizou para a modernidade o antigo princípio da virtude. O que ele chamou de “o interesse bem compreendido” não tinha o valor da virtude dos antigos, mas era qualidade apropriada às necessidades dos homens do nosso tempo. Não conduzia diretamente à virtude, pela vontade, mas aproximava-se dela pelos hábitos.
         É essa visão do associativismo, como força capaz de fomentar em cidadãos a capacidade de gerar poder em favor do bem comum, que nos inspira em nossa atuação na ACMinas.”.

(LINDOLFO PAOLIELLO. Jornalista, presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas – ACMinas, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 10 de abril de 2016, caderno OPINIÃO, página 11).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 13 de abril de 2016, mesmo caderno, página 9, de autoria de ARISTIDES JOSÉ VIEIRA CARVALHO, médico, mestre em medicina, coordenador da residência médica de medicina da família e comunidade do Hospital das Clínicas (UFMG) e da residência multiprofissional da Secretaria Municipal de Saúde e Hospital Municipal Odilon Behrens, professor do curso de medicina da Faseh, e que merece igualmente integral transcrição:

“Promover a saúde
        Em 1986 foi realizada na cidade de Ottawa, Canadá, a Primeira Conferência Internacional sobre a Promoção da Saúde. As discussões desse evento se irradiaram para o mundo e produziram bons frutos. Muitos países entenderam a mensagem e a levaram a sério: criaram leis, estratégias, construíram políticas públicas voltadas para uma melhor qualidade de vida da população.
         A perspectiva da promoção da saúde contempla a proatividade, o olhar positivo que mobiliza e se empenha na construção de hábitos, ambientes e cidades saudáveis. Em vez de focar na doença, volta-se para a conquista da saúde. Substitui a atuação fragmentada dos profissionais por atividades multi e interdisciplinares.
         Quando o pensamento e a condução da política e da assistência à saúde priorizam apenas o controle e o tratamento das doenças, os investimentos se voltam para a construção de serviços de saúde, aquisição de medicamentos e ambulâncias. Sem dúvida, essas medidas, na dependência de cada contexto, são importantes, fundamentais. Mas se relacionam com apenas uma das facetas da saúde.
         Se, por outro lado, o olhar se volta para a promoção da saúde, além das intervenções assistenciais, há uma maior compreensão dos fatores determinantes da saúde e outras iniciativas são tomadas. Em outras palavras, se queremos promover a saúde, nosso olhar e nossa prática devem mudar. Para que as mudanças ocorram na nossa saúde e na saúde das nossas cidades, é fundamental que tenhamos sensibilidade, usando uma das palavras do filósofo Emmanuel Levinas quando se referia à ética. Sim, as mudanças não acontecerão apenas com o conhecimento, o discurso ou a informação. Passam pela sensibilidade; por deixarmo-nos tocar pelos problemas e seus desafios e buscar de forma determinada a sua superação. Isso tem a ver com a nossa adesão a práticas saudáveis e com investimento de nossos governos em políticas públicas. Nesse sentido, fazendo uma analogia com Levinas não nos basta a convicção, temos que estar verdadeiramente sensibilizados, tocados para podermos intervir sobre os fatores e situações que nos impedem de alcançar a saúde.
         Felizmente temos, em nosso meio, muitos exemplos positivos de iniciativas de promoção da saúde em nível coletivo: as academias da saúde (Academia da Cidade, em Belo Horizonte), os trabalhos educativos desenvolvidos em diversos serviços de saúde, as diferentes atividades realizadas em escolas da rede pública e privada, em serviços de assistência social, os trabalhos sociais desenvolvidos pelas igrejas, associações, sociedades de profissionais de diferentes categorias, entre outros. O que nos falta é torná-los conhecidos, divulgá-los, integrá-los, fazê-los conversar entre si, e mais do isso, valorizá-los – o que requer investimento em pessoal e recurso financeiro para que possam atuar e crescer.
         O desconhecimento dessas iniciativas tem uma explicação: ainda estamos voltados para a perspectiva biológica da saúde. Quando falamos e pensamos em saúde nos vem com frequência a imagem dos cuidados com o corpo e a cura das doenças orgânicas. Nossa concepção de saúde é restrita e precisa incluir, em nível individual, a introdução de hábitos saudáveis (atividade física, alimentação adequada, combate ao tabagismo, às drogas ilícitas, ao uso abusivo do álcool, ao estresse, entre outros) e, em nível coletivo, políticas públicas de saúde (saneamento, transporte, lazer, educação, habitação, assistência à saúde etc).
         Na perspectiva individual, para além dos hábitos, é fundamental ambientes/relações saudáveis na família, no trabalho e nas relações sociais. Costumamos negligenciar esses aspectos. E mais, valorizar fatores que estão sendo, atualmente, resgatados – e não menos importantes – como o cultivo da espiritualidade, que cria perspectivas novas e dá motivação ao viver.
         Abril, o mês em que se comemorou o Dia Mundial da Saúde (7/4), deve nos deixar uma pergunta: estamos de fato promovendo a saúde? Não podemos nos esquecer que precisamos iniciar em nós mesmos o movimento da mudança, vencendo o comodismo que nos leva a aderir a hábitos e práticas que podem nos trazer problemas futuros e impactar na nossa qualidade de vida. Devemos sim, de forma determinada e proativa, fazer escolhas que tenham repercussão positiva em nossa própria saúde, na saúde de nossas famílias e reivindicar políticas públicas que contribuam para que nossas cidades sejam mais saudáveis.”.

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em março a ainda estratosférica marca de 432,24% para um período de doze meses; e mais, em fevereiro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 10,36%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...  




         

segunda-feira, 18 de abril de 2016

A CIDADANIA, A ESCOLA DE FORMAÇÃO DE LÍDERES E A FAMÍLIA COMO FONTE DA EDUCAÇÃO

“Coaching executivo: 
desenvolvendo líderes e driblando a ‘crise’
        O desenvolvimento tecnológico, a globalização, a alta competitividade e a atual “crise” vêm constituindo desafio para a sobrevivência dos negócios. Neste cenário, o diferencial competitivo são as pessoas que mantêm e promovem o sucesso das empresas. Mas, como lidar com as pessoas e conseguir o melhor delas? Como motivá-las? Como reter os talentos nas empresas?
         Para mobilizar e utilizar plenamente a capacidade dos indivíduos, as organizações estão revendo as suas práticas de gestão, pois a capacidade desenvolvida pelas empresas para alcançar a excelência em produtos e em serviços é decorrência direta da performance de seu corpo gerencial. A experiência na função gerencial, sem dúvida, contribui para o desenvolvimento de habilidades de liderança, assim como leituras, participação em cursos e treinamentos comportamentais. Porém, para um maior aprofundamento e alcance de resultados efetivos em curto espaço de tempo, o coaching executivo tem se mostrado eficaz para desenvolver líderes.
         Nos últimos anos, o coaching tem sido difundido e praticado em todo o mundo. Existem muitas abordagens, teorias, métodos e ferramentas. Coaching é um processo de aceleração do desenvolvimento pessoal ou profissional, que ocorre de uma relação de parceria e compromisso mútuo entre o coach (facilitador) e o coachee (cliente), com o objetivo de atingir determinado resultado. Coach é um profissional contratado pelo cliente (pessoa ou empresa) para trabalhar o processo chamado “Coaching”. O ICF (International Coaching Federation) define o coaching como: “Uma parceria continuada, que estimula e apoia o cliente a produzir resultados gratificantes em sua vida pessoal e profissional. Por meio do processo de coaching, o cliente expande e aprofunda sua capacidade de aprender, aperfeiçoa seu desempenho e eleva sua qualidade de vida”.
         O coaching pode ser utilizado para trabalhar aspectos individuais, como redirecionamento de carreira, mudança de emprego, abrir um negócio etc. Nesse caso, é chamado de self coaching e realizado em consultórios particulares. O coaching executivo é desenvolvido em empresas, normalmente envolvendo gerentes, diretores e outros ocupantes de cargos gerenciais e estratégicos. Pode ser definido como relação de ajuda formada entre um cliente com autoridade gerencial em uma empresa e um consultor que utiliza grande variedade de técnicas comportamentais para ajudar o cliente a alcançar um conjunto de metas de melhoria de desempenho e, consequentemente, aumentando a eficácia da organização.
         Entre as competências de liderança que o coaching executivo pode ajudar a desenvolver estão: comunicação, persuasão, capacidade para construir parcerias e influenciar pessoas; empatia (entender as necessidades da equipe e saber avaliar o impacto que as decisões provocam no ambiente de trabalho); autoconhecimento, fortalecimento dos pontos fortes e da autoestima; delegação (compartilhar responsabilidades); descobrir e aprimorar talentos e competências, motivar colaboradores e equipes a melhorar sua performance; planejamento, definir objetivos, metas e resultados, mobilizando a equipe; sinergia grupal, melhorar a qualidade dos relacionamentos interpessoais; obter equilíbrio de tempo, energia e satisfação entre vida e trabalho.
         Segundo levantamento realizado em 2004 pela UCE Origin Consulting, e apresentado no Congresso Internacional de Coaching no mesmo ano, os executivos participantes indicaram os seguintes ganhos com o Coaching Executivo: 79% desenvolveram capacidades individuais; 70% melhoraram a performance individual e 39% administraram mudanças e transições.
         O coaching executivo tem sido uma ferramenta muito utilizada pelas organizações bem sucedidas. Entre os benefícios do coaching para as empresas, destacam-se: alinhamento de objetivos, maior sinergia grupal, estímulo à criatividade, melhoria do processo de tomada de decisão, saúde dos profissionais, visto que há uma melhoria no ambiente de trabalho, retenção de talentos e desenvolvimento em cadeia, uma vez que um aspecto acaba influenciando outro. Podemos pensar em melhoria da produtividade, qualidade, lucratividade, fidelização de clientes etc.
         Implantar um programa de coaching executivo nos principais gestores de uma empresa em momento de crise representa, portanto, uma decisão estratégica para garantir o sucesso e a perenidade dos negócios.”

(CLÁUDIA SUELY DE ALMEIDA PINTO. Mestre em administração, psicóloga, coach e consultora de RH, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 10 de abril de 2016, caderno ADMITE-SE CLASSIFICADOS, coluna MERCADO DE TRABALHO, página 2).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 15 de abril de 2016, caderno OPINIÃO, página 11, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Educar pela vida familiar
        O papa Francisco, atento às dinâmicas da cultura contemporânea e após a realização de dois sínodos, traz pertinente interpelação com a exortação apostólica sobre o amor na família, Amoris laetitia. Com sua extraordinária sensibilidade humana e a partir da escuta do mundo católico, Francisco mostra que a grande meta é reavivar a consciência sobre a importância do matrimônio e da família. Desafio complexo que não permite tratamento superficial. São necessárias ações bem fundamentadas para não se correr o risco de obscurecer ou anular o determinante e indispensável papel da família – lugar da educação por excelência – particularmente essencial neste momento, quando se precisa configurar novo tecido cultural. E isso é imprescindível para a superação das crises muito desafiadoras, nos âmbitos da ética, política, economia e instituições.
         A Igreja, na unidade de doutrina e práxis, acolhe a indicação de que, em cada país ou região, é possível buscar soluções mais atentas às tradições e aos desafios locais. Longe de qualquer tipo de permissividade, o caminho é se debruçar sobre culturas diferentes, considerando a pluralidade que caracteriza cada sociedade. Essa tarefa exige acuidade, empenhos e profunda espiritualidade. Por isso, o papa Francisco recoloca, com destaque, alguns caminhos pastorais que elevam à construção de famílias sólidas, fecundas segundo o plano de Deus, com especial luz sobre a educação dos filhos.
         Não há mais tempo a perder diante da necessidade de se investir na família, referência singular com propriedades para edificar nova cultura humanística e espiritual que permita superar o atual momento social e político. Há uma complexidade própria na realidade da família, que precisa ser adequadamente compreendida e tratada. Para isso, as jaulas do egoísmo e da mesquinhez devem ser evitadas. Essas prisões nascem de individualismos perversos e da consequente perda de capacidade para gestos altruístas, indispensáveis na vida de todos, especialmente no exercício da cidadania. Em questão, portanto, está o desafio de se compreender, em profundidade, a importância da família.
         O desvirtuamento dos laços familiares é um real perigo alimentado por uma exasperada cultura individualista que pode parecer atraente, mas é caminho para prejuízos irreversíveis. É preciso conhecer mais profundamente a realidade familiar para não se negociar o inegociável. A liberdade de escolha, sublinha o papa Francisco, permite a cada pessoa projetar a própria vida e cultivar o melhor de si mesmo, mas, se não houver objetivos nobres e disciplina, se degenera numa incapacidade para a doação. O entendimento de que a liberdade individual garante o direito de julgar a partir de parâmetros próprios, como se não houvesse verdades, valores e princípios diferentes, é problemático. Cria a convicção de que tudo, desde que atenda ao interesse particular, é permitido. Contribui para que entendimentos sobre o matrimônio sejam achatados por conveniências e caprichos.
         Há um percurso longo para resgatar valores que foram perdidos. Sem essas referências, continuarão a surgir descompassos e a humanidade sofrerá com a perda de rumos. A trajetória a ser seguida exige entendimentos, recomposições e a necessária capacitação para a vivência de valores éticos e morais. E a família é, indiscutivelmente, a primeira escola desses valores. Lugar em que se aprende o bom uso da liberdade. A exortação apostólica lembra que há inclinações maturadas na infância que impregnam o íntimo de uma pessoa e permanecem pelo resto da vida como tendência favorável a um valor ou como uma rejeição espontânea de certos comportamentos.
         O aprendizado ético e moral no contexto educativo inigualável da família sustenta a vida, permeia atos e escolhas. Somente a instituição familiar tem propriedades para cumprir certas tarefas e metas na formação das pessoas, em razão de sua particular capacidade para alcançar e fecundar corações. De modo especial, é âmbito da socialização primária, em meio aos afetos mais profundos e tocantes, que possibilitam a aprendizagem da reciprocidade, do relacionar-se com o outro. Capacita para a escuta, a partilha, o respeito, a ajuda e a convivência.
         A humanidade é convidada a compreender e a investir na força educativa da família, criando condições sociopolíticas, humanísticas e espirituais para que essa escola primeira seja qualificada e se mantenha como vetor para as grandes mudanças.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:
a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);
b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em março a ainda estratosférica marca de 432,24% para um período de doze meses; e mais, em fevereiro, o IPCA acumulado nos doze meses chegou a 10,36%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2016, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,348 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 1,044 trilhão), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”

- Estamos nos descobrindo através da Cidadania e Qualidade...
- ANTICORRUPÇÃO: Prevenir e vencer, usando nossas defesas democráticas...
- Por uma Nova Política Brasileira...