quinta-feira, 8 de outubro de 2015

A CIDADANIA, A VISÃO CÓSMICA DA SOCIEDADE, A POLÍTICA E A ESPIRITUALIDADE

“Saúde, governo e dinheiro sob 
um ponto de vista cósmico
        Grandes somas de dinheiro são, às vezes, aplicadas inutilmente em coisas supérfluas, revelando que a energia monetária está fora de lugar neste planeta.
         Sri Aurobindo, filósofo e escritor que viveu na Índia, considerava os assuntos de um ponto de vista cósmico, não limitado pelas leis tridimensionais da matéria física. Declarou, certa vez, que não havia encontrado solução para três setores da vida de superfície do planeta Terra: o primeiro era o de saúde; o segundo, o do governo; e o terceiro, o da energia monetária, ou dinheiro. Conforme sua visão, algo teria que ser transformado e esclarecido na consciência humana, antes que esses setores tivessem uma solução ou recebessem um tratamento de nível espiritual.
         A respeito da saúde, o homem não poderá vivê-la enquanto usar o livre-arbítrio, dado que opta por certas situações, movido pela aparência, e não por um conhecimento profundo.
         Por meio do seu ponto de vista ainda mental, o homem confunde seus desejos com suas necessidades verdadeiras, dando margem, assim, para que o supérfluo predomine em sua vida terrena. Vivendo para o supérfluo, ele deixa de compreender o que se passa no interior das demais pessoas e dos eventos, desgastando-se em uma luta contínua. Somente quando passar a auscultar sua verdadeira necessidade, interna e espiritual, e não superficial e material, o homem poderá ter saúde e seguir uma vontade suprema, de raízes assentadas no plano cósmico da consciência.
         Também o governo, enquanto não for movido por energias espirituais vindas do núcleo interno da consciência cósmica do homem, não contará com uma liderança externa de nível superior, harmonizada com as leis universais. Os governos existentes cuidam, na melhor das hipóteses, do progresso material, social, econômico e tecnológico da sociedade (a expensas de outros povos menos favorecidos em vários sentidos) e o considera como desenvolvimento. Na verdade, porém, esse progresso é uma manifestação apenas parcial da lei evolutiva. Há nessa lei aspectos superiores que, se não forem observados e vividos na prática, deixarão de proporcionar ao homem o seu verdadeiro alimento.
         Chegamos agora ao terceiro ponto até hoje insolúvel na vida da superfície da Terra: o dinheiro. Se no universo existe tudo o que é necessário para todos, por que aqui há miséria?
         É do nosso conhecimento que raramente o dinheiro é usado para o bem universal, e o desejo ou o problema pessoal de um indivíduo é, em geral, posto à frente de necessidades maiores. A grande maioria dos homens está longe de cumprir a Lei espiritual superior. Segundo essa Lei, quando o indivíduo começa a esquecer-se de si e a usar os próprios bens para suprir os que precisam mais, vê instaurar-se em sua vida a verdadeira abundância.
         Aos que tencionam entrar na abundância incondicional pode-se sugerir um pequeno roteiro para reflexão. Que perguntem a si próprios, em primeiro lugar, qual é o motivo que os move a usar o dinheiro ou um bem material: cumprir deveres, beneficiar entes queridos ou satisfazer os próprios desejos? Em qualquer desses casos, o motivo precisa ser transformado. Uma outra questão a ser colocada é se o que os motiva é uma causa particular ou um ideal grupal. Em qualquer caso, é preciso que a energia do amor incondicional seja sempre dominante.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 6 de setembro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 22 de setembro de 2007, caderno PENSAR, coluna OLHAR, página 2, de autoria de João Paulo, editor de Cultura, e que merece igualmente integral transcrição:

“Política e espiritualidade
        Thomas Merton (1915-1968) foi um dos pensadores mais marcantes dos anos 60, tendo influenciado a religião, a política e a cultura. Hoje, está praticamente esquecido. Quase 40 anos depois de sua morte, suas obras começam a ser reeditadas e, surpreendentemente, se mostram ainda atuais. A significação de Thomas Merton em seu tempo se deu pela abertura ao misticismo oriental, o que o aproximava da contracultura. No entanto, intelectual rigoroso, sua contribuição vai muito além das emanações da Era de Aquário. O monge não estava em dia com seu tempo. Estava muito à frente.
         Entre os livros que estão chegando novamente ao leitor brasileiro estão A experiência interior, Amor e vida, A sabedoria do deserto e Místicos e mestres zen, todos pela Editora Martins Fontes. As obras são uma boa introdução ao pensamento de Merton no que ele tinha de mais significativo: a capacidade de diálogo entre várias tradições religiosas; a visão do misticismo como inseparável da ação; a valorização do mundo interior como porta principal da convivência entre os homens. Thomas Merton mergulhou na sabedoria oriental para entender melhor o homem do Ocidente; ensinou que a meditação é o caminho mais desimpedido até o outro; buscou a síntese aparentemente contraditória entre mística e socialismo.
         A vida de Thomas Merton traz em si um exemplo. Foi uma das jornadas de alma mais conhecidas do século 20 e, de certa maneira, sintetizou a experiência de uma geração. Antes de se tornar o monge mais conhecido de seu tempo, recolhido na trapa de Nossa Senhora de Getsêmani, no Kentucky (EUA), Merton viveu os anos que antecederam a Segunda Guerra como um cidadão do mundo. Se afundou na estética e na erótica, como um personagem de Ernest Hemingway. Foi um típico moço da geração perdida. A experiência deste tempo foi relatada em sua autobiografia, A montanha dos sete patamares, de 1948, um dos livros de maior sucesso da primeira metade do século.
         A obra, que marcou sua entrada no mosteiro, funcionou como um balanço de vida. Depois de experimentar os caminhos da arte, da política e subjetividade exacerbada, Thomas Merton encontra a via da espiritualidade. Não foi uma saída negativa, um recuo da existência para essência, uma perda de substância mundana em nome dos valores da interioridade. Merton, desde sempre, foi um homem de sínteses impossíveis.
         Há um romance de Hermann Hesse, Narciso e Goldmund, que parece sintetizar duas posições de alma aparentemente irreconciliáveis. Narciso ama a si mesmo, o outro e a natureza só existem como possibilidades, quase como hipóteses para testar a força de sua vida interior. Narciso costura para dentro. Já Goldmund, é um ser para o outro, exemplo de vida dourada, afeita aos brilhos e prazer dos sentidos. Goldmund costura para fora. Herman Hesse sabia que eram tipos presentes em todos nós. Thomas Merton viveu os dois lados com intensidade e, o que é mais raro, construiu uma síntese dos dois universos em uma única existência.
         Narciso, a contemplação; Goldmund, a ação. Existe um termo em sânscrito, ahimsa, que propõe a união desses mundos que parecem mirar para o Leste e Oeste, sem se encontrar no infinito. A tradução possível de ahimsa é compaixão dinâmica. Não existe melhor definição para a vida de Merton.
         Como homem de reflexão e meditação, foi talvez o maior especialista em zen-budismo entre os ocidentais (o juízo era de D. T. Suzuki, o maior dos mestres orientais do zen), aprofundou e ajudou a dar a conhecer o pensamento de Chuang-tsé, estudou a fundo a tradição mística medieval, compreendeu como poucos o pensamento de São João da Cruz e Mestre Eckhart. Como ser comprometido com o mundo, protestou contra todo tipo de injustiça de seu tempo, condenou as ditaduras na América Latina, correspondeu-se publicamente com os maiores líderes de seu tempo.
         Foi um ser de compaixão comprometida, de vigília ativa. Além da defesa das liberdades mais imediatas, ameaçadas em todo mundo por uma conjuntura de guerra fria que inviabilizava o diálogo, antecipou muitas críticas que ganhariam terreno décadas depois, como o excesso de tecnologia que silencia o humanismo, a ganância material que destrói a natureza, a violência que se soma ao medo como estratégia de enfraquecimento dos homens frente ao poder.
         Thomas Merton viveu um movimento permanente. Depois da juventude mundana, o recolhimento no mosteiro. Da aprendizagem da mística do silêncio, parte em direção à comunicação com seus contemporâneos. Quanto mais busca a paz do retiro, mais se sente responsável pelos destinos do mundo. Os últimos anos de Merton foram de peregrinação. Seus livros, por si só, ainda que muitos e belos, de exegese, poesia e reflexão, pareciam exigir que o monge levasse sua palavra viva ao mundo. E o contemplativo vestiu suas sandálias de peregrino e foi em todas as direções.
         Sua morte, em 1968, em Bancoc, foi, como tudo em sua vida, exemplar dos rumos do mundo externo e de sua existência interior. Thomas Merton acabara de proferir uma palestra, se recolhera ao quarto em dia de muito calor. O chão de cimento e o fio desencapado de um ventilador funcionam como potencializador de um acidente banal. Ele não resiste ao choque e morre. A conferência que acabara de proferir tinha se chamado Marxismo e perspectivas monásticas. Enquanto o movimento da contracultura parecia ir em direção a mudanças no comportamento, abandonando a religião, ele convoca a mística a dialogar com o pensamento político.
         Merton não fez uma defesa da revolução armada, mas da revolução interna. O monge destacou a semelhança entre os dois caminhos: tanto o cristianismo como o marxismo vêem o mundo como incompleto. É preciso lutar para mudar as coisas, combater a injustiça, melhorar a distribuição, tornar o mundo melhor para a realização de uma vida completa. Há um ideal de aprimoramento nas duas vias. Merton havia lido Herbert Marcuse e Roger Garaudy e saíra da experiência defendendo que os monges tinham obrigação de criticar as estruturas. Ele vira algo semelhante com os monges das religiões orientais, e se encantou mais uma vez com a possibilidade de uma contemplação que também é ação.
         Sua lição deixava incomodados tanto os místicos como os políticos. Os primeiros se sentiam cobrados ao comprometimento trabalhoso com o outro; já os políticos, eram instados a se aprimorarem como pessoas para melhor levar adiante sua missão de representar os interesses da comunidade. Era mais fácil aceitar a passividade monástica e o cinismo ideológico. Mas Merton não foi homem de facilidades. Consta que suas últimas palavras na conferência de Bancoc foram: “E agora vou desaparecer”. Pelo menos desta vez, felizmente, ele estava errado.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

)      a)  a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a estratosférica marca de 350,79% ao ano; e mais, também em agosto, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,52%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  
     


  


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A CIDADANIA, O CONHECIMENTO ESPIRITUAL E OS VALORES CRISTÃOS NA GESTÃO EMPRESARIAL

“O conhecimento espiritual ajuda 
a iluminar e a redimir a vida
         A flor dos campos, que desabrocha, oferece generosamente sua beleza e seu perfume sem outra finalidade a não ser a de doar-se ao Criador. O canto do pássaro e o rumor do mar, que outra coisa são senão um permanente ofício divino? Nós, seres humanos, cremos sempre ter outras coisas a fazer, coisas mais importantes do que glorificar o Criador.
         O despertar espiritual não nos leva para fora deste mundo, mas nos ajuda a iluminar a estância terrena, e a redimi-la. Quando se percorre um caminho perigoso pela vida terrena, abandona-se tudo o que é inferior e parte-se em busca do Cosmos. Nesse caso, o exercício espiritual, por meio dos caminhos de uma Lei Maior, divina, levará o homem ao despertar.
         A essência do despertar é trazer luz à obscuridade, é transformar ignorância em conhecimento, é colaborar com o processo de redenção do planeta, é servir à Luz. Só os renascidos podem despertar. O verdadeiro poder é somente aquele que se tem sem que se o imponha. Enquanto o homem prosseguir usando o poder próprio, continuará a ser escravo dele e continuará impotente, como é agora.
         Em geral, nem todos compreendem essas relações. Espera-se que quem desenvolver em si certo “poder” se dê conta disso. Porém, o despertar cósmico verdadeiro jamais pretende “compreender”, pois era o próprio tentador que, segundo a Bíblia, queria provas visíveis. E não as recebeu.
         Aqui está a diferença entre o desertar cósmico e o esoterismo malconduzido. Enquanto o homem continuar a ser curioso, as portas do Cosmos permanecerão fechadas para ele.
         Depois de vivificar sua motivação, e de ter-se assegurado de que as causas das suas ações não são nem a curiosidade, nem o poder, o indivíduo estará, então, apto a dar os primeiros passos para o despertar cósmico.
         Aqui convém advertir sobre um ponto perigoso para toda e qualquer associação. O ensinamento que abarca só uma partícula da realidade, e que é apresentado como verdade salvadora única, desperdiça energias da própria evolução em burocracia, em cruzadas e em rivalidades com os que pensam de outro modo. Sistemas tornam-se uma meta em si mesmos e fixam o indivíduo em vez de liberá-lo de fixações.
         Cada um de nós tem hoje uma opção a fazer. Recordamos de que, na etapa em que nos encontramos, o caminho do Cosmos é o caminho da luz e não o da obscuridade.
         O verdadeiro conhecimento existe como ordem cósmica, interior; é a lei do universo. Estará à disposição para nos servir até quando necessitarmos. A lei mostra o caminho da liberdade e nunca leva o ser à dependência.
         Não será a dependência de grupos ou de mestres que nos dará a luz. Cada ser tem que percorrer caminho sozinho. Se em seu trajeto necessitar de ajuda, esta lhe chegará sem que ele tenha de busca-la. Para recebe-la é preciso necessitá-la realmente.
         O despertar de uma luz interna é, para cada indivíduo, um processo singular. Se ele transcender “as dores” que caracterizam esse momento, conhecerá a alegria que vem depois. Há em todos uma fortaleza semioculta que assegura essa realização. Na raiz de tal fortaleza está a essência mesmo do eu interno.
         A consciência do ser humano é infinita, pois se aprofunda e se amplia na existência universal. Tudo o que a conduz à expansão e que a retira do envolvimento com o mundo das formas auxilia a revelação da sua essência.”.

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 27 de setembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 16).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 2 de outubro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de DOM WALMOR OLIVEIRA DE AZEVEDO, arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, e que merece igualmente integral transcrição:

“Evangelho e empresários
        Parece novo e curioso relacionar o Evangelho de Jesus Cristo aos empresários, mas não se trata de novidade. A União Internacional de Dirigentes Cristãos de Empresas e a Associação de Dirigentes Cristãos de Empresas, criadas em 1931, no âmbito internacional, e em 1961, em nível nacional, em seis estados brasileiros, realizam, em Belo Horizonte, seu Congresso Mundial, junto do 10º Seminário Internacional de Sustentabilidade. Empresários, políticos, construtores da sociedade pluralista, religiosos e outros representantes da sociedade civil, num ato inteligente e humanitário, aproximam o que é próprio do mundo empresarial dos valores do Evangelho. O horizonte é o indispensável parâmetro da responsabilidade social.
         Ora, é obsoleto, tirano e arbitrário produzir e negociar nos horizontes estreitos e perversos do lucro a qualquer custo ou do consumo doentio e predador. Responsabilidade social é escolha que aponta saídas para crises. Remete ao sentido humanístico que motiva a construção de uma sociedade justa e solidária. Trata-se de um ideal exigente, mas possível, quando é buscado a partir do Evangelho de Jesus Cristo, fonte incontestável e inesgotável de valores.
         A convicção a respeito da iluminação que o Evangelho traz para se alcançarem novos rumos nas dinâmicas sociais é consolidada. Por isso, o Congresso Mundial e o Seminário Internacional são esperança na construção de caminhos para superar o corrosivo veneno que a lógica do mercado impõe à humanidade. Esses eventos são particularmente importantes para ajudar os processos de reconfiguração da sociedade brasileira, imersa em caos político e em descompassos de crises que impactam o âmbito econômico. Os resultados são conhecidos por todos: aumento do número de desempregados e de pessoas que sofrem com a miséria.
         Na pauta do Congresso Mundial e do Seminário Internacional, não estão simplesmente as taxas, juros, números, dívidas, superávits e outros conceitos que compõem o “economês”. As reflexões incidem sobre a responsabilidade de empresas, governos e sociedade civil, reafirmando a importância e a urgência de todos trabalharem para construir o bem comum. Nessa tarefa, o papel do empresário e do dirigente de empresa é determinante, pois a iniciativa econômica é expressão da inteligência e da exigência de responder às necessidades da humanidade de modo criativo e colaborativo.
         À luz dos valores cristãos do Evangelho de Jesus Cristo é buscar, juntos, as soluções mais adequadas para se responder às necessidades dos cenários sociais e políticos. Inquestionável é a importância da participação de empresários e dirigentes de empresas na superação das muitas crises. Esses líderes ocupam lugar estratégico no coração das redes que abrangem aspectos técnicos, comerciais, financeiros e culturais. Por isso, a importância de cultivarem valores humanistas. É justamente a falta de referências que gera descompassos e sofrimentos – como a corrupção endêmica que fere a sociedade mundial e brasileira – com impactos mais graves na vida dos pobres. Valores cristãos são remédio para a corrupção. Possibilitam um horizonte de compreensão sempre novo e corajoso, inteligente e humanitário no apoio aos projetos, grandes e pequenos, que estimulam novas experiências humanitárias e democráticas.
         Não há outra fonte inspiradora mais completa e inesgotável que o Evangelho. Conhecê-lo e vivenciá-lo é uma experiência de grande impacto. É preciso coragem e disposição para aprender e praticar os valores que brotam dessa fonte. Os resultados serão imediatos e com força revolucionária capaz de modificar cenários, levar ao alcance de metas que efetivarão o sonho de sociedades mais democráticas, civilizadas e solidárias. Investir nos valores do Evangelho é caminho para que parâmetros humanísticos se desenvolvam com velocidade.
         Nesse urgência de se construir uma nova sociedade, o papa Francisco faz sábia advertência, na sua Exortação apostólica à alegria do Evangelho: “A dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política econômica”. Somente assim é possível promover um verdadeiro desenvolvimento integral. Para isso, é imprescindível o horizonte espiritual e humanístico do Evangelho de Jesus Cristo, capaz de despertar, em cada empresário, o compromisso de viver a sua vocação. O papa ensina que a vocação do empresário é “uma nobre tarefa, desde que se deixe interpelar por um sentido mais amplo da vida; isto permite-lhe servir verdadeiramente o bem comum com o seu esforço por multiplicar e tornar os bens deste mundo mais acessíveis a todos”. Eis a inteligência e a possibilidade de se alcançarem as respostas necessárias: reconhecer a importância indispensável de se aproximarem Evangelho e empresários.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)      a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)      o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a estratosférica marca de 350,79% ao ano; e mais, também em agosto, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,52%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)       a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  
     


  

                

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A CIDADANIA, A FORÇA DOS PEQUENOS NEGÓCIOS E A LUZ SOBRE OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO

(Outubro = mês 14; faltam 10 meses para a Olimpíada 2016)

“Mutirão em apoio aos pequenos negócios
        O ano de 2015 tem sido de grandes desafios para os empreendedores. As dificuldades na economia exigem dos empresários uma gestão ainda mais eficiente do negócio para permanecer no mercado. Mais do que nunca, é hora de melhorar o desempenho, cortar custos, garantir um bom atendimento e inovar.
         Por isso, o Sebrae inicia hoje, 21/9, a maior ação de capacitação de pequenos negócios que já promoveu no país. Até o próximo dia 26. Microempreendedores individuais (MEI), donos de microempresas, de pequenas empresas e propriedades rurais têm uma oportunidade única para aperfeiçoar a gestão do negócio e ganhar mais competitividade no mercado.
         Uma intensa agenda de capacitações gratuitas será oferecida aos empreendedores em todos os 26 estados e no Distrito Federal sobre temas estratégicos para a boa gestão do negócio – em especial sobre vendas e finanças, temas que ganham uma relevância muito maior em tempos de dificuldades na economia.
         Esta semana de capacitação faz parte do Movimento Compre do Pequeno Negócio, iniciativa que o Sebrae lidera junto à sociedade para estimular o consumo nos pequenos negócios. O marco do movimento é o próximo dia 5 de outubro, que queremos que se torne uma data anual forte no varejo brasileiro em homenagem a esses empreendimentos. Um dia para priorizar e incentivar os pequenos negócios que fazem parte do dia a dia dos cidadãos.
         O fortalecimento dos pequenos negócios, que representam 95% do total de empresas brasileiras e respondem por 27% do PIB, é uma saída para a recuperação da economia. O Brasil não sairá da crise nem se tornará um país mais desenvolvido se não levar em consideração os pequenos negócios. Eles desempenham um papel social fundamental: geram mais da metade dos empregos formais do país, o que garante salário a 17 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
         Quando o consumidor prioriza comprar em uma pequena empresa, ele faz com o que o dinheiro circule pela região e ajuda o negócio a se tornar mais competitivo, a investir mais em inovação e qualidade de seus produtos e serviços. Mais fortalecido, o negócio aumenta seu potencial de contratação, gerando mais emprego e renda.
         Mas não adianta o consumidor querer priorizar o pequeno negócio se ele não está preparado para atender às expectativas do cliente. Sabemos que consumidores satisfeitos voltam – e recomendam o local para outras pessoas. Não é esse conhecimento que todo empresário deseja? Ainda mais em tempos de crise, quando as pessoas ficam muito mais seletivas em relação ao que comprar e onde comprar.
         Durante a semana de capacitação, o Sebrae vai promover um grande mutirão em diferentes regiões para apoiar os pequenos negócios de Minas Gerais. Em palestras em Cataguases, Itabira e Ponte Nova, os empreendedores poderão aprender sobre temas como tendências de negócios e oportunidades na crise. Belo Horizonte, Itajubá, Barbacena e Ipatinga são exemplos de cidades que vão contar com seminários de varejo e vendas.
         Essas e várias outras atividades estarão à disposição do empreendedor nesses dias. Procure o Sebrae do estado ou ligue para o nosso canal de atendimento – 0800 570 0800 – para informações sobre a programação da semana.
         Pode ter certeza de que a recuperação da economia, que todos desejamos, está associada ao desempenho dos pequenos negócios brasileiros – o que depende tanto da valorização desse segmento pelo consumidor quanto da iniciativa do empresário de se capacitar. Os empreendedores podem contar conosco neste desafio e não deixem de aproveitar as muitas oportunidades para isso nesta semana.”

(LUIZ BARRETO. Presidente do Sebrae Nacional, em artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 21 de setembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no mesmo veículo, edição de 26 de setembro de 2015, mesmo caderno e página, de autoria de ALESSANDRA APARECIDA SOUZA LIMA MARQUES, advogada e professora, formada em letras pelo UFMG, pós-graduada em estudos linguísticos pela UNI-BH, e que merece igualmente integral transcrição:

“Educação, hoje
        A instituição escola e o processo educacional no mundo contemporâneo se corporificam por meio do corpo docente e da inserção do aluno como sujeito coparticipativo nesse contexto. Historicamente, o sistema escolar se reconhece como um processo de construção hegemônica alicerçada numa estratégia de poder. Mudar esse cenário e enxergar o aluno como sujeito ativo, e não como mero espectador, significa uma releitura e um olhar diferenciado cujas raízes, inegavelmente, encontram-se no professor e filósofo da educação Paulo Freire.
         Oportunamente, discutir a educação atual neste mês não deixa de ser uma forma de celebrar o aniversário de Paulo Freire, que completaria em 2015 seus 94 anos.
         Freire influenciou todo o pensamento pedagógico contemporâneo. Sua filosofia educacional enfatiza o aluno como agente primordial na construção do conhecimento e, consequentemente, na produção de significados. Assim, seria a idealização de uma pedagogia em que a práxis humana relaciona-se com a prática da liberdade de pensar, e não apenas reproduzir o conhecimento transmitido. Partir desse pressuposto é usar do conhecimento para potencializar as habilidades e competências já internalizadas pelo aluno. Na visão de Paulo Freire, “a leitura da palavra deve ser precedida pela leitura do mundo”.
         Dizer que o aprendizado eficaz parte de uma prática educacional relacionada à sociedade é colocar em prática os ideais defendidos por Paulo Freire. Nessa perspectiva, o papel do educador deve ser de mediador de debates e, portanto, de incitar o educando a discussões críticas, formando agentes sociais de mudança. Longe de uma educação ortodoxa, em que a exclusividade expositiva é apreciada e cujas tradições muitas vezes não reconhecem o aluno como codirigente, a educação contemporânea tem como desafio negar o autoritarismo historicamente arraigado e a submissão do aluno visto apenas como assimilador de conteúdo.
         O educador hoje precisa compreender não só como o aluno elabora e constrói o conhecimento, mas também deve contextualizar os fatos e, dialeticamente, mesclar experiências e saber. Redescobrir, diante de tantos atrativos que conquistam atualmente os alunos, sua vocação humanista capaz de desenvolver uma nova pedagogia reflexiva, prazerosa e recreativa.
         A reinvenção no contexto atual demanda uma interatividade entre professor e aluno pautada no diálogo e na compreensão e aceitação de que é necessário considerar um pré-conhecimento, uma concepção de mundo trazida na bagagem do estudante.
         Na filosofia educacional de Paulo Freire, a educação é compartilhada, almejando uma nova perspectiva de futuro. Segundo ele “ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”.
         Percebe-se, assim, que o sujeito se descobre e, a partir de sua vivência social, a função do educador será de contribuir para a ampliação de seu conhecimento de forma sistematizada. A intervenção feita acontece democraticamente, podendo ser percebida como uma troca de aprendizado.
         A prática pedagógica vista com um olhar mais esperançoso, fundamentada na liberdade e no reconhecimento do outro como sujeito/agente vem consolidar a concepção progressista de Paulo Freire, que vê a educação relacionada à sociedade e acredita que sua transformação ocorra a partir da visão crítica construída pelo sujeito. Logo, a prática pedagógica é intencionalmente transcendental à transmissão do conhecimento.
         Caminhar para o conhecimento é também ressignificar a didática escolhida, é decodificar criticamente o mundo em que se vive. Mundo da intersubjetividade onde haverá sempre a discordância de ideias, e é esse o contexto que propicia o crescimento, o aprendizado e o exercício prazeroso do pensar.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a estratosférica marca de 350,79% ao ano; e mais, também em agosto, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,52%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;
c
     c)    a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Isto posto, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”  
  
     



    

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

A CIDADANIA, A ENERGIA DO ESPÍRITO, A VIOLÊNCIA E O JORNALISMO DE QUALIDADE

“O despertar para a energia do espírito transforma a razão humana
        A atual etapa da vida na superfície da Terra busca elevar o potencial energético da humanidade a níveis que tornem possível a expressão da pura Vida Espiritual.
         O despertar consciente para a energia do espírito é fruto de um chamado tão potente que ensurdece o indivíduo a todos os clamores do mundo; cega-o a todas as formas, revelando-lhe outra face da vida. Esse chamado transforma a sua razão humana e permite que, na quietude, o amor finalmente se dê a conhecer.
         Então, uma voz silenciosa, voz que não é a da consciência ordinária, passa a falar-lhe – e ele pode perceber nitidamente que essa foz segue leis superiores, espirituais, nas quais deve engajar-se se quiser prosseguir no seu aprofundamento.
         Para que os limites do mundo tridimensional não sejam barreiras para um trabalho consciente, em comunhão com as energias elevadas dos planos internos, é necessário, entre outras coisas, que o indivíduo já tenha um corpo emocional amadurecido e que, por meio dele, já estejam circulando livremente energias de clareza e equilíbrio.
         Portanto, a pureza e a ausência de interesse por fenômenos são a lança e o escudo de todo aquele que ingressa nesses campos, e devem estar à mão para que possa sobreviver às batalhas que terá pela frente.
         O psiquismo terrestre, área de intrincadas teias, arrasta os indivíduos para uma via interior vegetativa. Nesse estado, eles passam a se alimentar das energias da ilusão que aí vivem e deixam-se levar por elas. O fanatismo e as deturpações experimentadas por aqueles que não trazem a energia do equilíbrio consolidada em seu interior são consequências normalmente encontradas nesse processo.
         Outra ilusão que pode surgir, dessa vez nos que já possuem formação e preparo mais profundos, mas que ainda mantêm a consciência enovoada por energias do plano mental, é crer que, com a própria mente, podem abarcar a essência da vida material. Muitos desses indivíduos trazem uma considerável bagagem de ambição e devem deixar que a pura entrega se desenvolva em seu interior, sendo essa a chave para percorrerem caminhos verdadeiramente espirituais.
         Quando as camadas mais densas dos níveis pessoais já não têm poder para conduzir e energia do indivíduo, ele se torna apto a manifestar na vida externa a irradiação da alma. O espírito o atrai para que a energia possa refletir-se de forma transparente e límpida, e é dessa pura expressão que nasce a sua tarefa e a sua realização no âmbito em que lhe está sendo indicado trabalhar.
         O espírito, ao contrário do que muitos ainda creem, não vem para criar nada, mas sim para ser aquilo para o que foi criado.
         Diz a Instrução: Mais seguro do que se lançar por novos mares é navegar por águas conhecidas. Porém, os que seguem apenas em rotas seguras jamais terão a graça de ver novos horizontes, não desfrutarão de um alimento fresco, e se suprirão apenas do que há muito lhes foi dado.
         É preciso, portanto, aprender a lidar com o inusitado, e deixar de basear-se no que já está consagrado pelos homens.
         Se aquele que aspira à vida espiritual e à transformação se apercebesse do quanto é provado em seu viver diário, e de como a cada momento seus pensamentos e sentimentos ou confirmam sua determinação em prosseguir no caminho ou o arrastam alhures, muito maior vigilância teria sobre seus veículos e com rédeas curtas os conduziria na estreita senda da retidão.”

(TRIGUEIRINHO. Escritor, em artigo publicado no jornal O TEMPO Belo Horizonte, edição de 20 de setembro de 2015, caderno O.PINIÃO, página 18).

Mais uma importante e oportuna contribuição para o nosso trabalho de Mobilização para a Cidadania e Qualidade vem de artigo publicado no jornal ESTADO DE MINAS, edição de 28 de setembro de 2015, caderno OPINIÃO, página 7, de autoria de CARLOS ALBERTO DI FRANCO, Diretor do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciências Sociais (IICS), doutor em comunicação pela Universidade de Navarra (Espanha), e que merece igualmente integral transcrição:

“Jornalismo e violência
        Impressiona-me o crescente espaço destinado à violência nos meios de comunicação. Catástrofes, tragédias, crimes e agressões recorrentes, como chuvaradas de verão, compõem uma pauta sombria e perturbadora. A violência não é uma invenção da mídia. Mas sua espetacularização é um efeito colateral que deve ser evitado. Não se trata de sonegar informação. Mas é preciso contextualizá-la. A overdose de violência na mídia pode gerar fatalismo e uma perigosa resignação. Não há o que dizer, imaginam inúmeros leitores, ouvintes, telespectadores e internautas. Acabamos, todos, paralisados sob o impacto de uma violência que se afirma como algo irrefreável e invencível. E não é verdade.
         Os que estamos do lado de cá, os jornalistas, carregamos nossas idiossincrasias. Sobressai, entre elas, certa tendência ao catastrofismo. O rabo abana o cachorro. O mote, frequentemente usado para justificar o alarmismo de certas matérias, denota, no fundo, a nossa incapacidade para informar em tempos de normalidade. Mas, mesmo em épocas de crise (e estamos vivendo uma gravíssima crise de segurança pública), é preciso não aumentar desnecessariamente a temperatura. O jornalismo de qualidade reclama um especial cuidado no uso de adjetivos. Caso contrário, a crise real pode ser amplificada pelos megafones do sensacionalismo. À gravidade da situação, inegável e evidente, acrescenta-se uma dose de espetáculo e uma indisfarçada busca de audiência. O resultado final é a potencialização da crise. Alguns setores da imprensa têm feito, de fato, uma opção preferencial pelo negativismo. O problema não está no noticiário da violência, mas na miopia, na obsessão pelos aspectos sombrios da realidade.
         Precisamos, ademais, valorizar editorialmente inúmeras iniciativas que tentam construir avenidas ou ruelas de paz nas cidades sem alma. A bandeira a meio pau sinalizando a violência não pode ocultar o esforço de entidades, universidades e pessoas isoladas que, diariamente, se empenham na recuperação de valores fundamentais: o humanismo, o respeito à vida, a solidariedade. São pautas magníficas. Embriões de grandes reportagens. Denunciar o avanço da violência e a falência do Estado no seu combate é um dever ético. Mas não é menos ético iluminar a cena de ações construtivas, frequentemente desconhecidas do grande público, que, sem alarde ou pirotecnias do marketing, colaboram, e muito, na construção da cidadania. É fácil fazer jornalismo de boletim de ocorrência. Não é tão fácil contar histórias reais, com rosto humano, que mostram o lado bom da vida.
         A juventude, por exemplo, ao contrário do que fica pairando em algumas reportagens, não está tão à deriva. A delinquência está longe de representar a maioria esmagadora da população estudantil. A juventude real, perfilada em várias pesquisas e na eloquência dos fatos, está identificando valores como a amizade, família, trabalho. Há uma demanda reprimida de normalidade. Superadas as fases do fundamentalismo ideológico, marca registrada dos anos 1960 e 1970, e o oba-oba produzido pela liberação dos anos 1980 e 1990, estamos entrando num período mais realista e consistente. A juventude batalhadora sabe que não se levanta um país na base do quebra-galho e do jogo de cintura. O futuro depende de esforços pessoais que se somam e começam a mudar pequenas coisas. É preciso fazer o que é correto, e não o que pega bem. Mudar os rumos exige, sobretudo, a coragem de assumir mudanças pessoais.
         A nova tendência tem raízes profundas. Os filhos da permissividade e do jeitinho sentem intensa necessidade de consistência profissional e de âncoras éticas. O Brasil do corporativismo, da impunidade do dinheiro e da força do sobrenome vai, aos poucos, abrindo espaço para a cultura do trabalho, da competência e do talento.
         A violência está aí. E é brutal. Mas também é preciso dar o outro lado: o lado do bem. Não devemos ocultar as trevas. Mas temos o dever de mostrar as luzes que brilham no fim do túnel. A boa notícia também é informação. E, além disso, é uma resposta ética e editorial aos que pretendem fazer do jornalismo um refém da cultura da violência.”

Eis, portanto, mais páginas contendo importantes, incisivas e oportunas abordagens e reflexões que acenam, em meio à maior crise de liderança de nossa história – que é de ética, de moral, de princípios, de valores –, para a imperiosa e urgente necessidade de profundas mudanças em nossas estruturas educacionais, governamentais, jurídicas, políticas, sociais, culturais, econômicas, financeiras e ambientais, de modo a promovermos a inserção do País no concerto das potências mundiais livres, civilizadas, soberanas, democráticas e sustentavelmente desenvolvidas...

Assim, urge ainda a efetiva problematização de questões deveras cruciais como:

     a)     a educação – universal e de qualidade –, desde a educação infantil (0 a 3 anos de idade, em creches; 4 e 5 anos de idade, em pré-escolas) – e mais o imperativo da modernidade de matricularmos nossas crianças de 6 anos de idade na primeira série do ensino fundamental, independentemente do mês de seu nascimento –, até a pós-graduação (especialização, mestrado, doutorado e pós-doutorado), como prioridade absoluta de nossas políticas públicas (enfim, 125 anos depois, a República proclama o que esperamos seja verdadeiramente o início de uma revolução educacional, mobilizando de maneira incondicional todas as forças vivas do país, para a realização da nova pátria; a pátria da educação, da ética, da justiça, da civilidade, da democracia, da participação, da sustentabilidade...);

     b)    o combate implacável, sem eufemismos e sem tréguas, aos três dos nossos maiores e mais devastadores inimigos que são: I – a inflação, a exigir permanente, competente e diuturna vigilância, de forma a manter-se em patamares civilizados, ou seja, próximos de zero (segundo dados do Banco Central, a taxa de juros do cartão de crédito atingiu em agosto a estratosférica marca de 350,79% ao ano; e mais, também em agosto, o IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 9,52%...); II – a corrupção, há séculos, na mais perversa promiscuidade  –  “dinheiro público versus interesses privados” –, como um câncer a se espalhar por todas as esferas da vida nacional, gerando incalculáveis prejuízos e comprometimentos de vária ordem (a propósito, a lúcida observação do procurador chefe da força-tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol: “A Lava Jato ela trata hoje de um tumor, de um caso específico de corrupção, mas o problema é que o sistema é cancerígeno...” – e que vem mostrando também o seu caráter transnacional;  eis, portanto, que todos os valores que vão sendo apresentados aos borbotões, são apenas simbólicos, pois em nossos 515 anos já se formou um verdadeiro oceano de suborno, propina, fraudes, desvios, malversação, saque, rapina e dilapidação do nosso patrimônio... Então, a corrupção mata, e, assim, é crime...); III – o desperdício, em todas as suas modalidades, também a ocasionar inestimáveis perdas e danos, indubitavelmente irreparáveis (por exemplo, segundo Lucas Massari, no artigo ‘O Desperdício na Logística Brasileira’, a “... Desconfiança das empresas e das famílias é grande. Todos os anos, cerca de R$ 1 trilhão, é desperdiçado no Brasil. Quase nada está imune à perda. Uma lista sem fim de problemas tem levado esses recursos e muito mais. De cada R$ 100 produzidos, quase R$ 25 somem em meio à ineficiência do Estado e do setor privado, a falhas de logística e de infraestrutura, ao excesso de burocracia, ao descaso, à corrupção e à falta de planejamento...”;

     c)     a dívida pública brasileira - (interna e externa; federal, estadual, distrital e municipal) –, com projeção para 2015, apenas segundo a proposta do Orçamento Geral da União, de exorbitante e insuportável desembolso de cerca de R$ 1,356 trilhão, a título de juros, encargos, amortização e refinanciamentos (ao menos com esta rubrica, previsão de R$ 868 bilhões), a exigir alguns fundamentos da sabedoria grega:
- pagar, sim, até o último centavo;
- rigorosamente, não pagar com o pão do povo;
- realizar uma IMEDIATA, abrangente, qualificada, independente e eficaz auditoria... (ver também www.auditoriacidada.org.br)
(e ainda a propósito, no artigo Melancolia, Vinicius Torres Freire, diz: “... Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública...”);

Destarte, torna-se absolutamente inútil lamentarmos a falta de recursos diante de tão descomunal sangria que dilapida o nosso já combalido dinheiro público, mina a nossa capacidade de investimento e de poupança e, mais grave ainda, afeta a credibilidade de nossas instituições, negligenciando a justiça, a verdade, a honestidade e o amor à pátria, ao lado de abissais desigualdades sociais e regionais e de extremas e sempre crescentes necessidades de ampliação e modernização de setores como: a gestão pública; a infraestrutura (rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos); a educação; a saúde; o saneamento ambiental (água tratada, esgoto tratado, resíduos sólidos tratados, macrodrenagem urbana, logística reversa); meio ambiente; habitação; mobilidade urbana (trânsito, transporte, acessibilidade); minas e energia; emprego, trabalho e renda; agregação de valor às commodities; sistema financeiro nacional; assistência social; previdência social; segurança alimentar e nutricional; segurança pública; forças armadas; polícia federal; defesa civil; logística; pesquisa e desenvolvimento; ciência, tecnologia e inovação; cultura, esporte e lazer; turismo; comunicações; qualidade (planejamento – estratégico, tático e operacional –, transparência, eficiência, eficácia, efetividade, economicidade – “fazer mais e melhor, com menos” –, criatividade, produtividade, competitividade); entre outros...

São, e bem o sabemos, gigantescos desafios mas que, de maneira alguma, abatem o nosso ânimo e nem arrefecem o nosso entusiasmo e otimismo nesta grande cruzada nacional pela cidadania e qualidade, visando à construção de uma Nação verdadeiramente participativa, justa, ética, educada, civilizada, qualificada, livre, soberana, democrática e desenvolvida, que possa partilhar suas extraordinárias e generosas riquezas, oportunidades e potencialidades com todas as brasileiras e com todos os brasileiros. Ainda mais especialmente no horizonte de investimentos bilionários previstos e que contemplam eventos como a   Olimpíada de 2016; as obras do PAC e os projetos do Pré-Sal, à luz das exigências do século 21, da era da globalização, da internacionalização das organizações, da informação, do conhecimento, da inovação, das novas tecnologias, da sustentabilidade e de um possível e novo mundo da justiça, da liberdade, da paz, da igualdade – e com equidade –, e da fraternidade universal...

Este é o nosso sonho, o nosso amor, a nossa luta, a nossa fé, a nossa esperança... e perseverança!

“VI, OUVI E VIVI: O BRASIL TEM JEITO!”